Relembrando a breve e talentosa Anecy Rocha


Irmã do cineasta Glauber Rocha, Anecy Rocha trilhou sua própria carreira, tornando-se uma grande estrela do cinema brasileiro, atuando em diversos filmes em sua breve carreira. "Musa do Cinema Novo", ela priorizou os trabalhos cinematográficos, embora também tenha feito sucesso em sua curta passagem pela televisão.

Infelizmente, a talentosa atriz nos deixou muito cedo, aos 34 anos de idade, no auge da fama.


João Paulo Adour e Anecy Rocha

Anecyr de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, em 26 de outubro de 1942. Filha de Lúcia Mendes de Andrade Rocha e Adamastor Bráulio Silva Rocha, ela era a mais nova de quatro irmãos, sendo o mais velho o mítico cineasta Glauber Rocha.



Anecy começou a atuar cedo, fazendo teatro desde os 5 anos de idade, mas só se profissionalizou quando cursou a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nesta época, ela recebeu um convite do diretor Nelson Pereira dos Santos para estrear no cinema, mas teve de recusar a oferta devido a proibição do pai, que era super protetor.

Foi em 1964, quando protagonizava a peça Antígona nos palcos que ela também acabou estreando no cinema, atuando no curta metragem Moleques de Rua (1964). No ano seguinte, pelas mãos de Walter Lima Júnior, ela brilhou no filme Menino de Engenho (1965), dando início a uma longa e bem sucedida carreira cinematográfica.


Sávio Rolim e Anecy Rocha em Menino de Engenho

A parceria com Walter Lima Júnior renderia mais do que outros trabalhos cinematográficos, pois ambos se casariam no mesmo ano (1965), e juntos tiveram um filho, Jorge.

Anecy logo tornou-se uma das mais requisitadas atrizes do cinema nacional, emendando diversos projetos. Dirigida por Cacá Diegues, ela retornou às telas em A Grande Cidade (1966), e depois fez As Amorosas (1968), de Walter Hugo Khouri. E pelas mãos do marido fez Brasil Ano 2000 (1969) e Na Boca da Noite (1971). 

Ela também esteve no elenco de Pecado Mortal (1970), Os Herdeiros (1970), Em Família (1970) e Faustão (1970).


Anecy Rocha e Antônio Pitanga em A Grande Cidade


Anecy Rocha e Paulo José em As Amorosas


Ênio Gonçalves e Anecy Rocha em Brasil Ano 2000

Em 1971 o talento e o rosto expressivo da atriz chamou a atenção da Rede Globo, que a contratou para viver a sofrida Licinha na novela Bandeira 2 (1971). Ela também atuou em um Caso Especial, História de Subúrbio (1971), na mesma emissora.

Mas apesar de fazer sucesso também na TV, preferiu não renovar o contrato, para dedicar-se a sua paixão que era atuar no cinema.



Anecy Rocha preferiu iniciar as filmagens de O Amuleto de Ogum (1971), onde finalmente trabalhou com Nelson Pereira dos Santos. Com o diretor ela ainda faria Tenda dos Milagres (1977), e em seguida começou a filmar A Líra do Desejo (1978), novamente sob a direção de seu marido.


Nara Leão e Anecy Rocha em A Líra do Desejo


A atriz entretanto não concluiu as filmagens de seu último projeto. No dia 27 de março de 1977 Anecy Rocha saiu para comprar pão para o lanche do domingo a tarde. Ela chamou o elevador do prédio onde morava, no bairro do Botafogo (no Rio de Janeiro), mas não percebeu que o elevador não estava no andar quando a porta abriu.

Ela caiu no fosso do elevador, e como estava no décimo andar, não resistiu a queda, falecendo imediatamente, com apenas 34 anos de idade. Meses depois, ela ganhou o Candango de Melhor Atriz póstumo, no Festival de Cinema de Brasília de 1978.





0 comentários:

Postar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil