A irreverente Elke Maravilha


Elke Maravilha, embora russa, foi uma das personalidades mais carismáticas do Brasil. Manequim, modelo, atriz, cantora, jurada e apresentadora, Elke era uma mulher forte e irreverente, e multi talentosa.



Elke Georgievna Grunnup nasceu em Leningrado (hoje São Petersburgo), na Russia, em 22 de fevereiro de 1945. Quando ela tinha seis anos de idade seus pais migraram para o Brasil, fugindo do regime stalinista.

Elke quando criança


Por questões políticas, a família perdeu a cidadania russa, e se estabeleceu em Itabira, Minas Gerais, onde cultivavam morangos. Em 1962, aos 17 anos, foi eleita Glamour Girl em Belo Horizonte, e em 1963 participou de um concurso nacional, que escolheu a Rainha do Café.


Representando Minas, ela ficou em segundo lugar, mas foi o suficiente para chamar a atenção de produtores. O produtor cinematográfico Louis Serrano a convidou para atuar no filme Bossa Nova, que apesar de ter sido iniciado, nunca foi concluído.

Ela ainda usava o seu nome de batismo, Elke Grunnup, considerado impronunciável no Brasil. Passou então a ser chamada apenas de Elke. A alcunha "Maravilha", foi dada na década de setenta pelo jornalista Daniel Más.

Elke, em 1963

Com Louis Serrano, nos bastidores de Bossa Nova

Mas a bela jovem não deu continuidade a carreira de modelo e atriz na época. Aos 20 anos, morando sozinha no Rio de Janeiro, arrumou emprego como secretária bilíngue (ela falava oito idiomas), e passou a dar aulas de francês e inglês em escolas particulares.

Em 1966 voltou a morar com a família, que agora estava residindo em Porto Alegre. Lá frequentou os cursos de filosofia, medicina e letras, mas acabou formando-se tradutora na UFRGS. Em 1969 retomou a carreira de modelo. Com 1,80 metro de altura, acabou tornando-se uma das mais requisitadas manequins do país.


Elke como modelo

Em 1971 ela foi presa por desacato no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Elke rasgou cartazes com a foto de Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, morto pela ditadura militar. Os cartazes diziam que Stuart estava "desaparecido", e Elke os rasgou gritando que todos sabiam que ele havia sido morto pelo regime.


Elke foi presa, e perdeu a cidadania brasileira, conquistada em 1962. Solta após seis dias, ela e Zuzu tornaram-se grandes amigas, e ela foi uma das modelos habituais da estilista. No filme Zuzu Angel (2006), ela foi vivida pela atriz Luana Piovani, e fez uma participação especial na obra.

Elke, Patricia Pillar (que viveu Zuzu Angel) e Luana Piovani, nos bastidores de Zuzu Angel

Após a experiência frustrada em Bossa Nova, ela estreou no cinema em Salário Mínimo (1970), onde interpretou uma modelo. Era uma participação pequena, mas lhe valeu um convite para atuar na comédia O Barão Otelo Contra Milhões (1971), estrelado por Grande Otelo.

Na década de 70 atuou em diversos filmes, como Os Machões (1972), Quando o Carnaval Chegar (1972),  O Rei do Banho (1973), Gente que Transa (1974), Tenda dos Milagres (1977), e A Força de Xangô (1978). Em 1976 recebeu boas críticas como atriz por sua atuação em Xica da Silva (1976), onde fez a rival de Zezé Motta.

Em Xica da Silva

Em 1972 Abelardo Barbosa, o Chacrinha, a convidou para ingressar no juri do seu programa. Eles tornaram-se grandes amigos, e ela ficou com seu "painho" (como o chamava carinhosamente) até a morte do apresentador em 1988.

Elke e Chacrinha

Elke estrelou um filme chamado Elke Maravilha Contra o Homem Atômico (1978), que tinha no elenco seu colega de juri Pedro de Lara.


Ela ainda faria muitos filmes. Recebeu novos elogios por seu desempenho em Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981), onde interpretou uma stripper viciada. Entre seus outros filmes destacamos Tanga: Deu no New York Times (1988), Xuxa Requebra (1999), A Suprema Felicidade (2010), Mato sem Cachorro (2013) e Meu Passado Me Condena (2013), Carrossel 2: O Sumiço da Maria Joaquina (2016). Sua última aparição no cinema foi em Lua em Sagitário (2016). Também atuou na produção inglesa Prisioneiro do Rio (Prisoner of Rio, 1988), que foi rodada no Brasil.

Elke Maravilha em Pixote

Elke em Carrossel 2: O Sumiço da Maria Joaquina

Com a morte de Chacrinha, ingressou no elenco do programa Show de Calouros, de Silvio Santos. Na televisão ainda atuou em novelas, estreando na TV Tupi em A Volta de Betto Rockfeller (1973). Geralmente fazia participações especiais como ela mesma, mas teve papéis destacados na minissérie em Memórias de Um Gigolô (1986) na Rede Globo e em Luz do Sol (2007), na Rede Record. Ela também teve seu próprio programa de entrevistas, chamado Programa da Elke (1993-1996), no SBT.

Elke e Luis Gustavo em A Volta de Beto Rockfeller

Nos últimos anos de vida, vivia de shows que fazia como cantora, e com a renda obtida com a venda dos produtos de beleza da linha Elke. Seu último trabalho na televisão foi um quadro no Fantástico, em 2015, ao lado de Berta Loran e Vilma Nascimento.


Elke Maravilha faleceu em 16 de agosto de 2016, após não reagir bem a medicação durante uma cirurgia para tratar uma ulcera. Ela tinha 71 anos de idade.


Leia também: Fundação de George Lucas financia restauração de Pixote, de Hector Babenco

Leia também: Nathalia Timberg, uma dama da atuação

Leia também: Isaura Bruno, muito além da Mamãe Dolores



Curta nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do Youtube

0 comentários:

Enviar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil