Anthony Dexter, e a maldição de Valentino


Rudolph Valentino foi o maior astro do cinema mudo. Morto em 1926, com apenas 31 anos de idade, o galã latino tornou-se um dos maiores mitos da história cinematográfica.

Ao longo dos anos, vários estúdios tentaram criar outro latin lover como o mitológico Valentino, porém, sem muito sucesso.

Rudolph Valentino

Em 1951 a Columbia resolveu fazer uma cinebiografia do astro, e fez muita publicidade em torno da produção. Foi feito um teste para escolher o ator principal, do qual participaram 75 mil homens, entre eles, os astros Ricardo Montalban, Fernando Lamas, Jon Hall, John Derek, Guy Madison, Arturo de Córdova e Guy Williams.

Porém, o escolhido foi o novato Anthony Dexter, que protagonizou Rodolfo Valentino (Valentino, 1951). Embora fosse desconhecido, o fã clube do ator vibrou com a escolha, tamanha a semelhança de Dexter com Valentino. George Melford, que havia dirigido o ator em Paixão de Bárbaro (The Sheik, 1921), disse que Dexter tinha "os mesmos olhos, orelhas, boca e a mesma graça na dança", em uma entrevista ao jornal Los Angeles Times.

Rudolph Valentino (a direita) e Anthony Dexter (a esquerda)


Apesar do filme não ter feito o sucesso esperado, foi o suficiente para projetar o nome do ator, que só havia feito um pequeno papel (não creditado) em Pecado Sem Mácula (Side Street, 1950).

Walter Reinhold Alfred Fleischmann nasceu em 13 de janeiro de 1913, em Nebraska. Criado em uma fazenda, ele começou a cantar na igreja, e desenvolveu gosto pela atuação quando estava na escola. Rodolfo Valentino, o filme, foi sua grande chance no cinema, e fez com que o produtor Edward Small lhe oferecesse um contrato a longo prazo, para atuar na Columbia.

Anthony Dexter dançando tango com Patricia Medina em Rodolfo Valentino

Em seguida ele estrelou O Rei Aventureiro (The Brigand, 1952), Flechas Flamejantes (Captain John Smith and Pocahontas, 1953) e Capitão Kidd e a Escrava (Captain Kidd and the Slave Girl, 1954). Os três filmes eram produções capa e espada, filmes de heróis aventureiros, no mesmo estilo dos papéis feitos por Valentino no cinema.


Interpretar Valentino havia feito seu nome, mas o ator, vindo da Broadway, começou a ficar cansado de imitar o ator que retratou nas telas. Ele rompeu com Small, em busca de oportunidades mais desafiadoras, mas percebeu que os outros produtores também o queriam no mesmo tipo de filme, e pagando salários menores.

Dexter só retornou ao cinema em um filme menor, o mexicano The Black Pirates (1954), rodado em El Salvador. E depois, ficou relegado a participações em séries de televisão.

Ele voltou a Hollywood no western Destino Violento (The Parson and the Outlaw, 1957), onde interpretou Billy The Kid. No mesmo ano, interpretou Cristovão Colombo em A História da Humanidade (The Story of Mankind, 1957), dirigido por Irwin Allen. Ao longo de sua carreira, ele interpretou diversos personagens reais da história.


O ator ainda faria pequenos papéis em filmes como O Planeta Fantasma (The Phantom Planet, 1961) e Positivamente Millie (Thoroughly Modern Millie, 1967). Após atuar em um episódio da série Chaparral, em 1967, ele decidiu abandonar a carreira no cinema.

Ele mudou seu nome para Walter Craig, e passou a dar aulas de inglês, teatro e dicção para alunos do ensino médio. Dexter escondeu e negava sua carreira cinematográfica.

Anthony Dexter morreu em 27 de março de 2001, aos 88 anos de idade. Interpretar Rudolph Valentino foi sua entrada para o cinema, mas acabou deixando sua carreira presa a um único personagem.



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Tippi Hedren, a estrela de Os Pássaros, completa 90 anos


Tippi Hedren, será sempre lembrada como a estrela de Os Pássaros (The Birds, 1963) e Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 1964), ambas as produções dirigidas por Alfred Hitchcock.

Nathalie Kay Hedren nasceu nasceu em Minnesota, em 19 de janeiro de 1930. Tippi iniciou sua carreira como modelo aos 15 anos de idade, em 1945. Em 1962 ela já era uma veterana em publicidade, quando Hitchcock a viu em um comercial exibido no programa Today, exibido na NBC. Encantado com sua beleza, o cineasta convidou para estrelar Os Pássaros (1963)

No comercial em questão, de uma marca de bebida dietética, Tippi andava pela rua quando um homem assoviava para ela, que então vira a cabeça com um sorriso. A mesma cena acontece na abertura de Os Pássaros, uma quando ela caminha em direção a uma loja. Foi uma piada interna que Hitchcok fez questão de incluir no filme.


Apesar de ser considerado seu primeiro filme, a atriz já havia atuado em uma outra produção muitos anos antes, quando fez um pequeno papel em A Ingénua Escandalosa (The Pretty Girl, 1950).

Após Os Pássaros, Tippi Hedren voltou a trabalhar com Hitchcock em Marnie, Confissões de Uma Ladra (Marnie, 1964), ao lado de Sean Connery.

Tippi Hedren e Sean Connery em Marnie, Confissões de Uma Ladra 

Porém, trabalhar com Hitchcock não era fácil, e a relação entre os dois foi controversa, e muitas vezes abusiva, por parte do diretor. Após dois filmes com o mestre do suspense, Hedren fez alguns trabalhos na televisão, mas só retornou ao cinema em A Condessa de Hong Kong (A Countess from Hong Kong, 1967), dirigido por Charles Chaplin.

Tippi Hedren e Marlon Brando em A Condessa de Hong Kong

Após um começo promissor, a atriz não recebeu muitos convites para produções importantes. Em 1969 ela viajou para à Africa do Sul para rodar Satan's Harvest (1970). No filme, ela contracenava com tigres e leões, e vendo as condições e maus tratos dos animais, resolveu que iria protegê-los.

Tippi Hedren em Satan's Harvest

Tippi resolveu produzir Roar, um filme de aventuras estrelado por leões. Mas nenhum treinador queria alugar 40, 50 leões ao mesmo tempo, e a atriz então resolveu criar e treinar seus próprios animais. Ela transformou sua casa em um santuário, com os leões convivendo com seus filhos, incluído a jovem Melanie Griffith, filha de seu relacionamento com o ator Peter Griffith.




Roar só foi lançado em 1981 e foi um fracasso de bilheterias. Tippi pretendia doar os lucros para a proteção animal, mas o filme lhe deu um grande prejuízo. Mesmo assim, ela fundou posteriormente a The Roar Fundation, uma organização sem fins lucrativos, que visa a proteção de grandes felinos.

Tippi Hedren na Roar Fundation

Nos onze anos em que ficou produzindo o filme, ela atuou pouco, aparecendo em séries de televisão e filmes de baixo orçamento, incluindo Allá Donde Muere el Viento (1976), uma produção argentina.

Após Roar, ela retornou ao cinema em Sempre Haverá Outra Vez (Foxfire Light, 1982). E embora nunca tenha deixado de atuar, seus papéis ficaram cada vez mais inexpressivos, aparecendo eventualmente em séries e filmes menores, como Sem Licença Para Matar (Deadly Spygames, 1989) e em Morando com o Perigo (Pacific Heights, 1990), onde contracenou com a filha, Melanie Griffith.

Michael Keaton e Tippi Hedren em Morando com o Perigo

Em 1994 ela atuou em Os Pássaros 2 (The Birds II: Land's End, 1994), uma produção feita para a televisão, que não tinha nenhuma relação com o original de Hitchcock, tendo apenas em comum o título e uma cidade atacada por pássaros como enredo. Tippi fazia um pequeno papel, e não interpretou a mesma personagem que interpretou em 1963.


Tippi ainda atuou em filmes como Ruth em Questão (Citizen Ruth, 1996), Relação Explosiva (Break Up, 1998), Fúria da Mente (Mind Range, 2001) e O Carro de Jayne Mansfield (Jayne Mansfield's Car, 2012). E em séries como CSI: Investigação Criminal (CSI: Crime Scene Investigation).

Aos 88 anos, foi contratada como garota propaganda de uma coleção de jóias da grife Gucci.

Confira a campanha publicitária estrelada por Tippi Hendren

Mãe da atriz Melanie Griffith, Tippi Hedren é avó da também atriz Dakota Johnson, estrela do filme Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey, 2015), e de suas sequências.

Dakota Johnson, Tippie Hedren e Melanie Griffith, uma família de estrelas

Sem nunca ter se afastado da vida artística, a veterana estrela esta no elenco de duas produções ainda não lançadas, em fase de finalização. Em Unforgettable, que está em fase de edição, ela estrela ao lado de outros astros veteranos das telas, como Marisa Berenson, Joan Collins e Franco Nero.


Tippi Hedren, atualmente


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Adalgisa Colombo, a atriz que virou Miss


Houve um tempo onde os concursos de misseses criavam grandes estrelas. Quem não se lembra de Martha Rocha, a Miss Brasil que perdeu o Miss Universo por duas polegadas a mais?

Muitas delas acabavam se tornando atrizes ou apresentadoras. Barbara Eden foi Miss, Lynda Carter, a Mulher Maravilha, também. Dorothy Dell foi Miss Universo com apenas 19 anos, e depois virou estrela de cinema. E mais recentemente, temos a atual Mulher Maravilha Gail Godot.

No Brasil, Rejane Goulart, Sônia Lima e Vera Fischer são alguns exemplos de misses que migraram para a atuação. Martha Rocha, apesar de ter feito testes em Hollywood, nunca atuou, mas virou cantora contratada da Rádio Nacional.

Martha Rocha, cantando

Porém, uma das misses mais famosas do Brasil, Adalgisa Colombo, fez o caminho inverso, deixando de atuar depois de sagrar-se campeã do tradicional concurso de beleza.

Eleita Miss Brasil em 1958, ela recebeu a coroa de sua antecessora, Terezinha Morango, que também tornou-se atriz após ser coroada.


Representando o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, Adalgisa havia sido Miss Botafogo antes de ser eleita a mulher mais bonita do Brasil, no ano de 1958. Ela logo estamparia as capas de revista de todo o país, além de ser cantada no samba Adalgisa, na voz de José Garcia (em um LP da Sinter).


No mesmo ano ela ficou em segundo lugar no Miss Universo, ocorrido em Long Beach, nos Estados Unidos, perdendo o título principal para Luz Marina Zuluaga, da Colômbia. No desfile de trajes típicos, a brasileira um traje de baiana, no estilo Carmen Miranda.

Por pouco Adalgisa não competiu no Miss Universo com Anita Bryant, que ficou em segundo lugar no concurso de Miss América. Anita foi atriz e cantora (e chegou a se apresentar no Brasil), mas ficou mais famosa como uma ativista homofóbica nas décadas de 60 e 70.

Adalgisa Colombo e Beatriz Bolvarte (Miss Peru)

Anita Bryant nos tempos de Miss América e levando uma torta na cara em um protesto, em 1971


Apesar de ser uma das brasileiras mais comentadas de 1958, Adalgisa não era uma desconhecida por aqui. Nascida no Rio de Janeiro, em 11 de janeiro de 1940, ela sempre sonhou em ser uma estrela de cinema.

Aos quatro anos de idade, seu rosto foi visto pela primeira vez nas telas dos cinemas, atuando em um comercial de natal de uma loja de departamentos, exibido antes das sessões cinematográficas.

Adalgisa Colombo, aos quatro anos de idade

Aos doze anos, fez uma pequena ponta em Carnaval da Atlântida (1952), nem sendo creditada por este trabalho. Em 1955 atuou em Granadeiros, um espetáculo de revista encenado na piscina do Hotel Glória, um espetáculo aquático estilo Esther Williams.

Ainda em 1955 concorreu ao título de Miss Cinelândia, mas ficou em segundo lugar. Aluna do Teatro Escola Duse, de Paschoal Carlos Magno, Adalgisa estreou no rádio em 1955, trabalhando como rádio atriz no Teatro Duse, na Rádio Ministério da Educação (Rádio MEC).

No ano seguinte, se inscreveu no Concurso Miss TV, promovido pela TV Tupi do Rio de Janeiro. O concurso tinha várias etapas, que incluíam atuações em teleteatros e desfiles em trajes de gala e banho.

Adalgisa Colombo contracenando com Paulo Porto no Miss TV, na Tupi

O prêmio era um contrato com a emissora, bem como uma viagem para Europa, patrocinado pela KLM. Adalgisa foi a vencedora do concurso, e recebeu a coroa das mãos da atriz Heloísa Helena.



Porém, após o concurso, o juizado de menores descobriu que ela havia mentido a idade para entrar na disputa. Adalgisa, que dizia ter 18 anos, na verdade tinha apenas 15, e não poderia participar de concursos onde desfilasse de maiô.

Seu título foi anulado, e ela perdeu o contrato com a emissora, recebendo porém, a viagem do patrocinador, como compensação.

A fato foi muito anunciado, e promoveu ainda mais o nome da bela jovem aspirante a atriz. Adalgisa Colombo foi então convidada para ser modelo na famosa Casa Canadá (ao lado de Ilka Soares), apresentou-se ao lado de Edith Piáf em uma boate carioca, e foi convidada pelo produtor Herbert Richers para atuar no filme Com Água na Boca (1956), estrelado pelo palhaço Carequinha.

Adalgisa Colombo e Edith Piáf


Renato Restier e Adalgisa Colombo em Com Água na Boca

E durante sua viagem à Itália, que recebeu da Tupi, atuou no filme italiano Solo Dio mi Fermerà (1957). De volta ao Brasil, foi levada para a Rádio Globo pelo crítico de cinema Luiz Serrano.

Lá, apresentou os programas femininos Música Para Madame e O Mundo é Da Mulher, ambos programas matinais. Adalgisa era a única apresentadora mulher da emissora carioca, e em 1958 foi eleita Miss Rádio Globo, concorrendo com rádio atrizes e cantoras contratadas da emissora.

1958 também foi o ano que ela venceu o Miss Distrito Federal (Rio de Janeiro). E apesar de ter sido vaiada pelo público, que preferia Ivone Richter, acabou eleita Miss Brasil no Mesmo ano.

Terezinha Morango e Adalgisa Colombo

Como representante do Brasil, ficou em segundo lugar no Miss Universo, retornando ao país ainda mais popular. O Brasil havia ganhou a Copa do Mundo de Futebol no mesmo ano, e Adalgisa era tão famosa como os jogadores da seleção.

Chegou a ser anunciando que ela atuaria no filme O Sonho do Garoto, uma co-produção entre o Brasil e a Argentina, retratando a vida do jovem Pelé. Porém, apesar das filmagens inciadas, o filme nunca foi concluído.

Dondinho (pai de Pelé) e Adalgisa Colombo

E embora o filme nunca tenha sido realizado, ela finalmente pode atuar na TV Tupi, participando de alguns teleteatros. Também apresentou brevemente alguns programas na emissora,  mas logo abandonou a vida artística.

Mário Brasini e Adalgisa Colombo, na TV Tupi

Em 1959, enquanto ainda perdurava seu reinado, ela renunciou ao título, para poder se casar com um brasileiro, que morava nos Estados Unidos, e mudou-se para Nova York. Antes de se casar, ele teve romances breves com os atores Cyl Farney, Wilson Vianna e Eugênio Carlos.

Morando nos Estados Unidos, ela frequentemente passava férias no Brasil, sendo ainda uma celebridade por aqui nas próximas décadas.

Em 1966 ela retornou ao país. Cassiano Gabus Mendes tentou contratar a antiga Miss para ingressar no elenco da novela O Amor Tem Cara de Mulher (1966), na TV Tupi. A novela era estrelada por Eva Wilma e Vida Alves.

Porém, Adalgisa preferiu ser apresentadora, assinando com a TV Rio, onde apresentou o programa musical Rio Hit Parade, ao lado de Murilo Néri.


Adalgisa ficou no programa pouco mais de um ano, e apesar de ter convites para apresentar um programa na TV Excelsior, acabou voltando para os Estados Unidos. A vedete e atriz Lillian Fernandes assumiu seu posto.

Mesmo sendo uma celebridade da sociedade carioca nas décadas seguintes, nunca mais teve uma carreira artística. Em 2004 ela foi homenageada no Miss Brasil, recebendo o título de Miss Brasil Inesquecível.


 Martha Rocha e Adalgisa Colombo

Vera Fischer e Adalgisa Colombo


Adalgisa Colombo faleceu em 18 de janeiro de 2013, poucos dias depois de completar 73 anos de idade. Seu corpo foi enterrado no Cemitério Israelita de Vilar dos Teles, no Rio de Janeiro.


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Katy Jurado, a primeira latina indicada ao Oscar


A mexicana Katy Jurado foi uma estrela cinematográfica, tanto do seu país, como em Hollywood. Ernest Borgnine, que foi seu marido, dizia que ela era "linda, porém um tigre".


María Cristina Estela Marcela Jurado García nasceu em 16 de janeiro de 1924, na Cidade do México (embora dissesse ser de Guadalajara). O apelido Katy surgiu na infância, e a acompanhou por toda a vida.

Katy era filha de Jurado Ochoa, advogado, e da cantora Vicenta García, contratada pela Rádio XEW (a mais antiga da América Latina), e seu tio Belisario Jesús García foi um grande compositor mexicano. O astro Pedro Armendariz era seu padrinho e Jorge Negrette foi seu padrinho de 15 anos, e seu primo, Emilio Portes Gil foi presidente do México entre 1928 e 1930.

Embora tenha tido uma educação rigorosa em um colégio de freiras, e formada como secretária bilíngue, ela foi convidada por Emílio "El Indio" Fernandez para estrear no cinema em La Isla de La Pasión (1942), quando tinha 17 anos de idade.

Apesar de ser afilhada de astros do cinema mexicano, seus país foram contra o ingresso da filha na carreira artística. Seus pais ameaçaram envia-lá para um colégio interno, e ela então se casou com o ator Víctor Velázquez, para fugir do domínio familiar. Com Velázquez ela teve dois filhos, mas se separaram em 1943, quando ela retornou ao cinema, em No Matarás (1943).

Katy Jurado em No Matarás

No Matáras foi o primeiro de uma série de filmes que exploraram a beleza exótica de Jurado, fazendo dela uma estrela da chamada Era de Ouro do Cinema Mexicano. Mas apesar de ter atuado em 16 filmes em sete anos, o seu salário não era suficiente para sustentar a família, e ela também trabalhava como repórter de rádio, principalmente cobrindo as touradas do país.

Em 1951 o diretor norte-americano Budd Boetticher (que também era toureiro profissional) estava no México, filmando Paixão de Toureiro (Bullfighter and the Lady, 1951). John Wayne, que não estava no elenco, mas acompanhava o amigo na viagem, viu Jurado nos bastidores de uma arena, e se impressionou com a moça. Ele a apresentou para o diretor, que a contratou para o elenco, sem nem saber que Jurado era atriz profissional. A atriz não falava inglês, e decorou as falas foneticamente.

O produtor Stanley Kramer ficou impressionado com sua atuação, e a escalou para atuar no clássico Matar ou Morrer (High Noon, 1952). Jurado teve aulas intensivas de inglês para poder ficar com o papel, atuando ao lado de Gary Cooper e Grace Kelly.


Por este papel ela ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, e foi indicada ao mesmo prêmio como atriz revelação. Jurado agora era uma estrela em Hollywood, embora ainda atuasse em seu país natal. Katy Jurado se orgulhava deste papel, onde pode interpretar uma mexicana sem esterótipos.

Em 1953 ela estrelou O Bruto (El Bruto, 1953), do cineasta Luís Buñel. No filme, ela contracenava com seu padrinho Pedro Armendariz. Por esta atuação, recebeu o prêmio Ariel (o mais importante do cinema mexicano) de Melhor Atriz.


De Volta aos Estados Unidos, atuou em A Bandeira da Desordem (San Antone, 1953), O Último Guerreiro (Arrowhead, 1953) e Lança Partida (Broken Lace, 1954). Neste último, Jurado interpretava a esposa de Spencer Tracy.


Originalmente o papel havia sido oferecido a Dolores Del Rio, mas perseguida pelo MacChartismo, a atriz não conseguiu autorização para trabalhar nos Estados Unidos, e Jurado foi então selecionada. A crítica ficou impressionada pela atuação da atriz, que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se a primeira artista latina indicada a um Oscar de atuação.


Spencer Tracy e Katy Jurado em A Lança Partida

A atriz ainda trabalhou com Kirk Douglas em Caminhos Sem Volta (The Racers, 1955) e ao lado de Glenn Ford em A Fúria dos Justos (Trial, 1955). Neste filme, ela interpreta a mãe de um rapaz mexicano acusado de estuprar uma garota branca. Este papel lhe deu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante.

Em 1956 ela viajou para à Itália, para atuar no clássico Trapézio (Trapeze, 1956), ao lado de Tony Curtis, Burt Lancaster e Gina Lollobrigida.

Katy Jurado e Burt Lancaster em Trapézio

Na década de 50, Katy Jurado também começou a atuar na televisão, e ainda apareceu nos filmes Blefando a Morte (Man From del Rio, 1956), Pagaram Com o Próprio Sangue (Dragoon Wells Massacre, 1957) e Homens das Terras Bravas (The Bandlanders, 1958). Neste último, a atriz contracenou com Ernest Borgnine, com que se casaria no ano seguinte.

Katy Jurado e Ernest Borgnine em Homens das Terras Bravas

Antes de se casar com Borgnine, a atriz teve relacionamentos com o diretor Budd Boetchier, Tyrone Power e Marlon Brando, que era fascinado por mulheres exóticas. O romance com Brando foi curto, mas a amizade durou anos, e ele fez questão que Jurado atuasse em A Face Oculta (One-Eyed Jacks, 1961), dirigido e estrelado pelo astro.

Katy Jurado, Karl Malden, Pina Pellicer e Marlon Brando em A Face Oculta

Com o marido, Ernest Borgnine, a atriz fundou sua própria produtora, chamada Sanvio Corp. Eles viajaram para à Itália, e firmaram parceria com o produtor Dino de Laurentiis, sendo inclusive produtores do clássico Barrabás (Barabbas, 1961), no qual a dupla também atuou.

Katy Jurado e Anthony Quinn em Barrabás

Em 1961 ela voltou a filmar no México, e passou a residir lá após o conturbado processo de divórcio com Borgnine. Ela só voltaria a filmar nos Estados Unidos quando atuou em Furacão Negro (Smoky, 1966), ao lado de Fess Parker. Depois interpretou a mãe de George Maharis em Tirado dos Braços da Morte (A Covenant with Death, 1967) e foi a madrasta de Elvis Presley em Joe é Muito Vivo (Stay Away, Joe, 1968).

Katy Jurado, Burgess Meredith e Elvis Presley em Joe é Muito Vivo

Na década de 70 ela dividiu-se entre produções mexicanas e norte-americanas. Nesta época, ficou marcada por atuar em Pat Garret e Billy The Kid (Pat Garret & Billy The Kid, 1973) e no mexicano Fé, Esperanza y Caridad (1973), que lhe valeu seu segundo Ariel de Melhor Atriz.

Em 1976 ela interpretou a personagem Chuchupe no filme Pantaleón y Las Visitadoras (1976), baseado na obra do escritor Mario Vargas Llosa, que também dirigiu o filme (em sua única incursão como diretor).

Em 1980, quando filmava La Seducción (1981), seu filho Victor Hugo faleceu em um acidente de carro, no México. Katy cogitou em abandonar a carreira após a tragédia, declarando em entrevista que "Quando meu filho morreu, eu estava filmando no México, e ele levou com ele a metade da minha vida. Eu não podia lamentar como queria. Fui em seu funeral e no dia seguinte já precisei voltar a filmar. Todo dia eu via a câmera e eu a odiava. Dediquei aos filmes um tempo maravilhoso que deveria ter dado aos meus filhos, mas já era tarde demais!".

Ela só voltaria a atuar em 1984, quando John Huston a convenceu a retornar, no filme À Sombra do Vulcão (Under the Volcano, 1984).

Albert Finney e Katy Jurado em À Sombra do Vulcão

Nesta época também, a atriz passou a aparecer eventualmente em novelas mexicanas, como Sigo te Amando (Te Sigo Amando, 1996), que foi exibida no Brasil, pelo SBT. Esta foi sua última telenovela.

Katy Jurado como Justina, na novela Sigo te Amando

A atriz ainda atuou no filme El Evangelio de Las Maravillas (1998), que lhe deu um prêmio Ariel de Melhor Atriz Coadjuvante, e Terra de Paixões (The Hi-Lo Country, 1998), de Stephen Frears.

Seu último trabalho foi no filme Un Secreto de Esperanza (2002), que foi lançado após a sua morte.


Katy Jurado faleceu vítima de uma insuficiência real e pulmonar, em 05 de julho de 2002. Ela tinha 78 anos de idade.

Katy Jurado retratada por Diego Rivera, em 1953


 Charlton Heston e Katy Jurado

Katy Jurado e Rita Moreno




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