A trágica vida de Audrey Munson, a primeira super modelo norte-americana, que viveu 65 anos confinada



Nos primeiros anos do século XX, Audrey Munson era a mais famosa modelo dos estados unidos. Posando para diversos artistas, seu rosto e suas formas foram representados em diversas espalhadas pela cidade de Nova York, além de ter sido retratada nas moedas de dólar.

Ousada, pioneira e muito a frente de seu tempo, a artista não teve seu talento reconhecido, e teve uma vida regada de escândalos, tragédias e sofrimento.







Audrey Marie Munson nasceu em Nova York, em 08 de junho de 1891. Criada apenas pela mãe, ela teve uma origem muito humilde, e aos cinco anos de idade uma cigana profetizou a sua vida: "você será amada e famosa, mas o gosto da fama vai arder em sua boca, e depois disto só restará o sofrimento". Estas palavras, que infelizmente se concretizaram, atormentaram Audrey a vida inteira.

Audrey foi descoberta por um olheiro quando olhava vitrines em Manhattan, e foi convidada para uma sessão de fotos, dando inicio a uma bem sucedida carreira de modelo. Ela então possou para o muralista William de Leftwich Dodge, e logo se tornou uma requisitada modelo para pintores e escultores, e em 1909 sua primeira estátua foi colocada na Times Square.






Nos anos seguintes, sua figura já estava em mais de 100 obras espalhadas por Nova York, e também em museus do mundo inteiro. Além disto, tinha sido modelo até para as moedas norte-americanas. Acredita-se que ela tenha sido a modelo de 3/5 das obras de arte espalhadas por Manhattan.


Algumas das obras que tiveram Audrey Munson como modelo



Audrey Munson passou a ser chamada de "A Vênus da América". Sua fama era tanta, que ela foi convidada para atuar no cinema, atuando em Inspiração, de 1915. No filme, ela vivia uma modelo, que posava completamente nua, como inspiração para um artista.












O filme fez um enorme sucesso, mas revoltou os conservadores, que clamaram pela censura, mas os censores ficaram relutantes com a alegação que teriam também que banir a arte renascentista.

Erroneamente, é dito que esta é primeira cena de nudez na história do cinema, mas o crédito cabe a Margareth Edwards, que aparecia nua em Hipócritas (Hypocrites, 1915). Dirigido pela cineasta Lois Weber, o filme foi lançado meses antes de Inspiração.

Antes disto, Jeanne d'Alcy, a esposa de George Méliès, havia aparecido nua em After the Ball (1897), em 1897, porém, a atriz estava usando um collant cor de pele, simulando a nudez. Já no Brasil, a primeira cena de nudez foi apresentada no filme Lucíola (1916), tendo a atriz húngara Aurora Fulgida como protagonista. Aurora aparecia brevemente trocando de roupa, o que foi suficiente para fazer com que as senhoras se retirassem dos cinemas, escandalizadas. No ano seguinte Le Film du Diable (1917), que apesar do nome afrancesado era brasileiríssimo, apresentou Miss Ray completamente nua em cena.






Audrey apareceria nua novamente em Purity, de 1916. Desta vez personificando a entidade da pureza. No Brasil, onde seus filmes também faziam sucesso, Purtiy recebeu diversos nomes, como Castidade, Pureza e Casta e Nua, e foi exibido em diversas salas de cinemas nacionais. Seu filme seguinte,  Os Seus Sonhos de Criança (The Girl o' Dreams, 1918), também foi exibido por aqui. 

Infelizmente, todos os seus trabalhos no cinema se perderam com o tempo, embora aparentemente, uma cópia de Pureza tenha sido descoberta recentemente em uma coleção particular na França.





Audrey Munson era agora também uma aclamada estrela de cinema. E decidiu usar sua fama para defender seus ideais. Ela escreveu diversos artigos para revistas e jornais, onde denunciava a diferença salarial entre homens e mulheres. Ela também criticava o machismo latente no mundo artístico, onde um artista goza os louros da fama, enquanto suas modelos ficam relegadas a sombra e anonimato.

Sua posição firme, fez com que os convites para o cinema desaparecessem, e Audrey então recorreu ao teatro. Mas após denunciar que havia sido estuprada por um produtor, sua carreira acabou. Além disto, ela virou motivo de piada, sendo ridicularizada na imprensa, alta roda  as peças de teatro da Broadway. As chacotas envolvendo seu nome foram populares até o começo da década de 1950. Audrey Munson agora era a "louca pelada".

Enquanto as pessoas riam dela, Audrey estava sofrendo um destino tão triste e cruel, que talvez nem  a cigana conseguiria ter previsto.




A pal de cal em sua vida artística ocorreu em 1919, quando o médico Walter Wilkins, renomado nome da alta sociedade, se apaixonou por Audrey Muson, e matou a sua esposa para poder se casar com a atriz. Mas havia um detalhe, eles não se conheciam pessoalmente, e apesar disto, ainda assim Audrey e sua mãe foram presas para investigações. O escândalo enterrou de vez sua carreira.







Em 1921, a artista havia publicado uma série de artigos biograficos para uma revista, e um produtor comprou os direitos dos textos para transformar em um novo filme. Audrey voltou a atuar, e aparecer nua, em Heedless Moths, a versão cinematográfica de seus escritos, lançada em 1921. 




Para promover o filme, o diretor inventou uma campanha publicitária, onde a atriz procurava casamento em um concurso promovido nos jornais. Mas quando o cheque recebido pela atriz como pagamento pelos direitos e sua atuação, o diretor desapareceu. Ele contratou uma sósia para frequentar as sessões de lançamento, e assim não precisar prestar contas das bilheterias a atriz, que tentou, em vão, processá-lo. Nesta época, Audrey Munson já era vítima de uma grande campanha de ridicularização.





Deprimida e desesperada, a atriz só voltaria a ser notícia em 1922, quando tentou o suicídio. Com a sua carreira destruída, Audrey Munson passou a vender artigos domésticos de porta em porta. E em 1931, para completar seu infortúnio, sua mãe a internou em um manicômio, onde ela foi diagnosticada com depressão e esquizofrenia. Selando assim a última página de seu sofrimento e total apagamento histórico.

Audrey tinha 40 anos na época, e passou os últimos anos de sua vida solitária e esquecida. Ela só receberia sua primeira visita vista 53 anos depois de seu confinamento, quando uma parente distante descobriu seu paradeiro, em 1984.

Após ficar 65 anos internada, Audrey Munson faleceu no manicômio em 20 de fevereiro de 1996, com 104 anos de idade. 

Ela foi enterrada em uma vala comum, sem identificação, no mais completo anonimato e esquecimento.








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