O misterioso desaparecimento da atriz Marie Empress


Há mais de um século o desaparecimento de Marie Empress, uma estrela do cinema mudo, continua intrigando o mundo, que ainda espera por um desfecho para este enigma.

A inglesa Marie Empress era uma popular cantora, atriz e dançarina no Reino Unido, mas sua fama era mundial. Considerada uma das primeiras "Vamps" do cinema inglês, seus filmes também faziam muito sucesso aqui no Brasil.


Nascida em Birmingham, em 26 de março de 1884, Marie Empress foi uma grande estrela dos palcos londrinos. Havia uma mítica em torno de sua biografia, bastante fantasiosa. Diziam que ela era parente do lendário ator shakespeariano Edmund Ken, que seu pai era um nobre e sua mãe uma famosa atriz francesa, entretanto, na vida real, seu pai era um pintor de paredes e sua mãe, uma dona de casa.

Ela estreou no cinema em Old Dutch (1915), e atuou em frente as telas de cinema em nove filmes, durante apenas um ano de carreira cinematográfica.




Marie Empress tinha 35 anos de idade quando embarcou no luxuoso navio RMS Orduña, em Liverpool, rumo aos Estados Unidos. Durante os 11 dias que durou a viagem, a atriz era constantemente vista nas dependências do transatlântico, tanto por passageiros como pela tripulação.

Mas no início da tarde de 27 de outubro de 1919, quando o navio atracou em Nova York, começou um mistério até hoje não respondido. Após o desembarque dos mais de mil passageiros à bordo, a atriz Marie Empress não deixou o navio, que foi revistado diversas vezes, na busca de algum vestígio do paradeiro da estrela do Music Hall.


A polícia começou a investigar o desaparecimento da atriz. Passageiros e diversos tripulantes prestaram  seus depoimentos. A camareira que havia servido Marie Empress na cabine 480 relatou que na noite anterior a chegada do navio aos Estados Unidos havia levado o jantar para a artista as 18:30, e a mesma pediu que ela voltasse as 21:30, trazendo alguns sanduíches.

Quando retornou, Empress não estava na cabine, e na manhã seguinte, percebeu que a cama não havia sido desfeita, e os sanduíches permaneciam intocados na bandeja que ela havia deixado na noite anterior.

Um jornalista conseguiu autorização para acessar a cabine, e no local encontrou uma pilha de fotos publicitárias, que provavelmente a atriz distribuiria para os fãs e jornalistas, ao desembarcar no porto. Também havia um telegrama confirmando a sua reserva em um hotel nova yorkino.

O jornalista ainda relatou que janela da cabine tinha apenas 33 centímetros de largura, e era muito pequena para que uma mulher com o corpo de Marie Empress passasse, além disto, a escotilha estava trancada por dentro.


A investigação ficava cada vez mais confusa. Para subir ao convés, Marie Empress teria que percorrer vários corredores e passar por salões movimentados, todos eles repletos de pessoas. E ninguém relatou ver a famosa atriz nestes locais na noite de seu desaparecimento.

Sem dúvida, a famosa Marie Empress não passaria despercebida. Além disto, todos os conveses e locais de passeio eram bem iluminados, e sempre tinham oficiais responsáveis fazendo a segurança do local.

A hipótese de suicídio foi cogitada, mas a camareira que a atendia também relatou que a atriz estava sempre bonita e bem humorada, rindo e fazendo piadinhas cotidianas, e pediu para que ela fizesse a barra de algum de seus vestidos. Porém, uma coisa chamava a atenção, a atriz só usava roupas pretas durante toda a viagem, incluindo um chapéu com um grande véu, que fazia com que algumas pessoas pensassem que ela era uma viúva.

Passageiros também relataram que jogaram críquete com a atriz diversas vezes no navio, e que ela dizia estar muito animada com sua turnê norte-americana.

Sem nenhuma informação relevante, a imprensa começou a suspeitar que tudo não passava de um golpe publicitário. Naquele tempo não era incomum uma estrela do cinema inventar alguma tragédia para comover os fãs, e reaparecer alguns dias depois, atraindo a atenção de todos os veículos de comunicação e promovendo assim seu novo trabalho. A própria Marie Empress já havia recorrido de artimanhas parecidas anteriormente.


Um jornal escreveu que logo ela subiria em um palco coberta de algas marinhas, sob os aplausos do público. O New York Clipper, um jornal dedicado ao teatro, relatou que marinheiros afirmaram que Empress havia se vestido com o uniforme de marinheiro e se misturou à tripulação, na noite anterior à chegada do navio em Nova York.

Um suboficial declarou que acreditava que atriz havia desembarcado vestida de homem, se misturando com os tripulantes, pois em seus pertences, haviam muitas roupas masculinas.

No começo do século XX, era comum os números de transformismos, geralmente tendo atores homens travestidos de figuras femininas. Mas Marie Empress era famosa também por fazer personificações masculinas nos palcos.

Alguns críticos teatrais refutaram tal teoria, já que as imitações do sexo oposto de Marie Empress não eram assim tão realistas, e o porte físico da atriz dificilmente seria confundido com um marinheiro real.

Marie Empress, em travesti

Mas a teoria do embuste seguia firme. Os jornais afirmavam que ela estava viva, apenas esperando para estrear nos palcos da Broadway. Diziam até que havia um plano para fingir que um navio de pesca a resgataria de uma ilha deserta, direto para algum teatro nova yorkino.


O New York Daily Mirror chegou a fazer uma piada dizendo que já estava na hora de Marie Empress aparecer, pois a brincadeira já estava ficando cansativa. Porém, várias semanas se passaram, e o navio retornou para à Inglaterra, levando a bordo todas as malas e baús da atriz, contendo suas roupas, figurinos, casacos de pele, joias, documentos, e uma pequena fortuna em dinheiro. Ninguém reivindicou sua bagagem.

Marie Empress nunca reapareceu nos palcos, e nunca mais alguém soube de seu paradeiro. Em 08 de novembro de 1921, o governo inglês declarou que Mary Ann Louisa Taylor, seu nome verdadeiro, estava oficialmente morta, embora seu corpo nunca tenha sido encontrado.

Ao longo dos anos, seu nome desapareceu da mídia, e a atriz ficou esquecida na história do cinema. Todos os seus filmes mudos também se perderam com o tempo. Mas a dúvida permanece, o que aconteceu com Marie Empress?



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