Dorothy Gibson, a atriz que sobreviveu ao naufrágio do Titanic


Em 15 de abril de 1912 o luxuoso  navio Titanic naufragou, matando milhares de pessoas A tragédia comoveu o mundo, tornando-se uma das histórias mais comentadas do século XX. A vida de seus passageiros, ricos e pobres até hoje desperta a curiosidade das pessoas, incluindo a trajetória da sobrevivente Dorothy Gibson, uma estrela do cinema mudo, que participou da fatídica viagem.


Dorothy Winfried Brown nasceu em Hoboken, Nova Jersey, em 17 de maio de 1889. Quando ela tinha três anos de idade, seu pai faleceu, e sua mãe acabou casando-se novamente com um homem chamado John Leonard Gibson, que adotou a menina legalmente.

Em 1906 ela iniciou sua carreira como dançarina e cantora nos palcos do vaudeville. Dorothy chegou a estrelar um espetáculo na Broadway, The Dairymaids, em 1907. Em 1909 ela também começou a trabalhar como modelo para o famoso ilustrador Harrison Fisher, o que lhe rendeu o apelido de "The Original Harrison Fisher Girl". 

 Dorothy Gibson, desenhada por Harold Fisher

Em 1911 ela conheceu o magnata do cinema Jules Brulatour, chefe de distribuição da Eastman Kodak e co-fundador da Universal Pictures. Ambos eram casados na época, mas iniciaram um longo relacionamento extra-conjugal.

Brulatour era também produtor no estúdio Eclair, e contratou sua amante, tentando transformá-la em estrela. Dorothy estreou nas telas em A Show Girl's Stratagem (1911). Dorothy fez sucesso nas comédias Miss Masquerader (1911) e Love Finds a Way (1912), e foi promovida a primeira estrela  no drama histórico Hands Across the Sea (1911).

 Dorothy Gibson, a primeira a esquerda, em It Pays To Be Kind (1912)

A Eclair havia fundando um estúdio em Paris, para baratear os custos de produção, e Dorothy foi enviada à França para rodar alguns filmes por lá. Em abril de de 1912 ela resolveu voltar aos Estados Unidos, e embarcou no luxuoso navio Titanic para voltar para casa.

Passageira da primeira classe, a atriz embarcou em um dos primeiros botes, sobrevivendo a tragédia. Aproveitando a publicidade em torno do desastre, a Eclair produziu Saved From the Titanic (1912), tendo Dorothy como estrela. Este foi o primeiro filme feito sobre o naufrágio, lançado apenas 29 dias depois do acidente.


O filme fez sucesso, e promoveu a carreira da atriz, que vestiu a camisola que usava no dia em que o navio naufragou como figurino.

Dorothy Gibson e a roupa que usava no dia do naufrágio, no filme Saved From Titanic

Porém, Dorothy faria apenas mais um filme, Roses and Thorns (1912), estrelado também por seu amante Jules Brulatour. No ano seguinte, Brulatour atropelou e matou um homem, e durante o julgamente veio a público seu relacionamento com a atriz. Brulatour foi inocentando, mas o escândalo destruiu a carreira de Dorothy, que era uma das atrizes mais bem pagas da época

Para escapar da má fama, principalmente após ser processada pela ex-esposa de Brulatour, ela mudou-se para Paris com ele, onde eles se casaram em 1915 (embora tenham se divorciado dois anos depois).

Dorothy então mudou-se para à Itália. Durante a Segunda Guerra Mundial ela voltou aos holofotes, como simpatizante do nazismo. Em 1944 ela foi presa em Milão por membros da resistência, mas fugiu da cadeia junto com o jornalista Indro Montanelli e o General Bartolo Zambon, com a ajuda de um Cardeal. A história foi contada no filme De Crápula a Herói (Il generale Della Rovere, 1959), de Roberto Rossellini.

Dorothy passou a residir na França, onde morreu vítima de um ataque cardíaco em um quarto do famoso Hotel Ritz em Paris, no dia 17 de fevereiro de 1946, aos 57 anos de idade.
Todas as cópias de Saved From Titanic, o seu filme mais famoso, foram destruídas em um incêndio nos Estúdios Eclair em 1914. Dos 25 filmes em que a atriz atuou, apenas The Lucky Holdup (1912) sobreviveu ao tempo.

Dorothy Gibson, em 1944




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