Dolores Hart, a atriz que abandonou Hollywood para tornar-se freira

 
Hollywood tem muitas histórias de vida que conseguem surpreender mais do que os roteiros dos filmes que ela produz. A vida de Dolores Hart é uma delas. A atriz ficou famosa ao contracenar com Elvis Presley em dois filmes antes de se dedicar à vida religiosa.
 
 
Nascida Dolores Hicks, em 20 de outubro de 1938, em Chicago, Illinois, ela tinha tudo para ser uma típica criança de Hollywood. Dolores era filha do ator Bert Hicks e a irmã dele, sua tia, era casada com o tenor e ator Mario Lanza.

 
Aos nove anos de idade, a menina estreou no cinema, fazendo um pequeno papel no filme Entre o Amor e o Pecado (Forever Amber, 1947), estrelado por Linda Darnell.

Mas sua mãe não gostava de criar sua filha em Los Angeles, e a enviou para morar com seus avós que a matricularam na St. Gregory Catholic School. Aos dez anos, Dolores converteu-se ao catolicismo.

Linda Darnell, Dolores Hart e Cornel Wilde em Entre o Amor e o Pecado
 
Aos 19 anos, Dolores retornou a Hollywood, e foi contratada para atuar em A Mulher que Eu Amo (Loving You, 1957), estrelado pelo "rei do rock" Elvis Presley, com quem fazia par romântico.
 
Elvis Presley e Dolores Hart em A Mulher que Eu Amo
 
Em seguida, atuou em filmes importantes como A Fúria da Carne (Wild Is the Wind, 1957) e Por um Pouco de Amor (Lonelyhearts, 1958) e voltaria a contracenar com Elvis em Balada Sangrenta (King Creole, 1958), desta vez disputando o amor do cantor galã com a atriz Carolyn Jones.
 
Em 1959 estreou na Broadway, ganhando um Tony de melhor atriz por seu papel em The Pleasure of His Company.

Dolores Hart, Elvis Prelesy e Carolyn Jones em Balada Sangrenta
 
Ela fez um enorme sucesso ao protagonizar Bastam Dois para Amar (Where the Boys Are, 1960), ao lado do ator George Hamilton. Uma comédia adolescente sobre as férias da primavera, com um teor bastante ousado para a época. Neste mesmo ano atou em outra comédia, O Capitão Era um Pirata (Sail a Crooked Ship, 1961), ao lado de Robert Wagner.
 
Em 1961, ela estrelou São Francisco de Assis (Francis of Assisi, 1961), dirigido por Michael Curtiz. O galã Bradford Dillman interpretava São Francisco, e Dolores interpretou Santa Clara. A seu pedido teve os cabelos raspados ao interpretar a personagem. Nesta época, a atriz passou a desenvolver ainda mais sua religiosidade e até esculpiu uma estátua de São Francisco.
 



 
 Ela ainda faria mais alguns filmes, como Vem Voar Comigo (Come Fly with Me, 1963), antes de abandonar definitivamente a carreira.

Seu último trabalho como atriz foi na série de televisão O Homem de Virgínia (The Virginian), em 1963. Curiosamente ela atuou em um episódio onde interpretava uma missionária católica muito devota. Aos 24 anos, e no auge da carreira, ela deixou Hollywood para tornar-se reclusa na Abadia Beneditina de Regina Laudis, tornando-se posteriormente freira. Na época ela estava noiva de Don Robinson, um arquiteto de que ela é amiga até hoje.


Dolores Hart vive até hoje na abadia, onde cumpre seus votos religiosos. Em 2012, participou do documentário God Is the Bigger Elvis (2012), que foi indicado ao Oscar. Nele ela conta sua vida e como tomou a decisão de trocar o estrelato pela vida religiosa. Sobre beijar Elvis, ela declarou em uma entrevista "Um beijo dura cerca de 15 segundos, mas este já dura 40 anos" e completou "Eu beijei Elvis, quanto mais perto do paraíso eu poderia chegar?"

O filme não ganhou o Oscar, mas irmã Dolores voltou aos tapetes vermelhos da Acadêmia, usando o hábito que lhe condiz. Ela nunca deixou de ser associada da Acadêmia de Artes e Ciências Cinematográficas, e é membro votante entre as pessoas que escolhem os vencedores do Oscar.


 
 
Dolores Hart atualmente
 
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