O Inesquecível Rubens de Falco, o eterno Leôncio

 

Em 1976 o ator Rubens de Falco interpretou o maléfico Leôncio na novela A Escrava Isaura (1976). Exibida em mais de 80 países, a telenovela é um dos maiores sucessos da teledramaturgia mundial, e fez de Falco um nome conhecido internacionalmente.

O cruel algoz da inocente Isaura (papel de Lucélia Santos) fez o ator ser amado e odiado pelos fãs, e acabou marcando sua carreira, iniciada na década de 1950, em papéis de terríveis vilões.

Rubens de Falco e Lucélia Santos, em A Escrava Isaura

Rubens de Falco Costa nasceu em São Paulo, em 19 de outubro de 1931. Seu pai era tesoureiro dos Diários Associados, de Assis Chateubriant, e era responsável pelos pagamentos dos artistas da Rádio Tupi.

Fã de teatro, Rubens de Falco, desde muito cedo, frequentava as apresentações teatrais paulistas, e fez amizade com atores como Sérgio Cardoso e Maria Fernanda. Ele também conheceu a atriz Haydée Bittencourt, que o convidou para ingressar em uma companhia de Teatro Amador, em 1950.

No ano seguinte, Rubens fez teste para ingressar no Teatro Brasileiro de Comédia, o TBC, e conseguiu seu primeiro papel na peça Ralé (1951). O ator dizia que só foi escolhido por ser o único artista a participar do teste que sabia tocar sanfona.

A calvície precoce, constantemente o obrigou a usar uma peruca, ao longo de toda a sua carreira.

O jovem Rubens de Falco

O trabalho nos palcos rendeu ao ator um convite para atuar no Teatro de Vanguarda, os teleteatros da TV Paulista. Rubens estreou na televisão atuando na peça Helena (1952), baseada no livro de Machado de Assis, ao lado da atriz Nicete Bruno.

Após atuar em algumas produções da Paulista, migrou para a TV Tupi, atuando em diversos Grande Teatro Tupi, ainda na década de 1950.


Em 1954 a atriz Nicete Bruno o convidou para ingressar em sua companhia, Teatro Íntimo de Nicete Bruno. Na época o ator ainda usava o nome Rubens Costa, e foi a atriz quem sugeriu que ele assinasse de Falco, muito mais sonoro.

Rubens de Falco, Nicete Bruno e Paulo Goulart, em 1954

Apesar de já conhecido na cena teatral, Rubens, agora de Falco, alcançou a fama após participar das atividades dos jograis de São Paulo, a partir de 1955, ao lado de nomes como Armando Bogus, Rui Afonso, Ítalo Rossi e Felipe Wagner.


No cinema, o ator estreou fazendo figuração em Apassionata (1952), e teve seu primeiro papel maior em Esquina da Ilusão (1953). No ano seguinte, teria um maior destaque em Floradas na Serra (1954), estrelado por Cacilda Becker, mas quase todas as suas cenas foram cortadas na edição final. Em Floradas na Serra ele também dublou o ator John Herbert.


Floradas na Serra (Rubens de Falco é o primeiro homem a esquerda)

Na dublagem Rubens de Falco também emprestou sua voz para os atores italianos Totó e Alberto Sordi. Seu trabalho vocal também rendeu um emprego nas rádio novelas da Rádio Eldorado, em 1956, emissora onde o artista também trabalhou como diretor da discoteca.

No cinema, seu primeiro papel de protagonista foi em O Capanga (1957), ao lado da estrela nacional Fada Santoro. Ainda em 1957 ele também atuou em O Pão que O Diabo Amassou (1957).

Fada Santoro e Rubens de Falco em O Capanga

Na década de 50, ele também seria o narrador do filme Moral em Concordata (1959), e seus trabalhos nos Estúdios da Vera Cruz permitiram ao ator, ainda no começo de sua carreira, a possibilidade de conhecer a estrela de Hollywood Debbie Reynolds, quando ela veio ao Brasil. Já contamos esta história, que pode ser lida aqui.


Com uma carreira respeitável no cinema e nos palcos (ele chegou a ter sua própria companhia, em 1957), Rubens de Falco fez sua primeira telenovela na recém inaugurada TV Cultura, Maria Antônieta (1961), que era ao vivo, e dirigida por Raul Roulien, um brasileiro que havia sido astro em Hollywood na década de 1930. Rubens trabalhou em outras novelas da emissora, também dirigidas por Roulien, como a versão de A Muralha, também de 1961.

Rubens de Falco em Maria Antônieta

Após fazer algumas novelas na Cultura, passou a dedicar-se aos palcos, e retornou ao TBC em 1963. Mas em 1966, a convite do ator Carlos Alberto, foi para a Rede Globo, atuar na novela O Rei dos Ciganos (1966), e desde então sua carreira seria marcada pelo formato.

Na Globo, fez muito sucesso como o Imperador Maximiliano, em A Rainha Louca (1967).

Rubens de Falco e Nathalia Timberg em A Rainha Louca

Thereza Amayo, Rubens de Falco, Suzy Arruda e Nathalia Timberg, em A Rainha Louca

Rubens faria muitas novelas na Globo nos anos seguintes, destacando-se em obras como A Última Valsa (1969), O Grito (1975), O Astro (1977). Ele também brilhou como Roberto Steen, o protagonista masculino de A Sucessora (1978), mas o papel pelo qual ele será eternamente lembrado será como o vilão Leôncio, em A Escrava Isaura (1976).

Rubens de Falco e Suzana Vieira em A Sucessora

A Escrava Isaura fez de Rubens de Falco e Lucélia Santos estrelas internacionais. A novela foi vendida para mais de 80 países, e constantemente é reprisada em algum lugar do mundo. Seus protagonistas foram recebidos como verdadeiros astros nos países em que a novela foi exibida.

Em Portugal, as Sessões da Assembleia Nacional eram encerradas antes do horário, para que os parlamentares pudessem assistir aos capítulos, e em Cuba, o racionamento de energia elétrica era suspenso para que a população não perdesse a novela. Durante uma visita a Portugal, uma multidão enfurecida tentou agredir Rubens de Falco, tamanho era ódio que o personagem Leôncio gerava nos portugueses.

Na Polônia, uma multidão foi as ruas para ver Rubens e Lucélia Santos de perto, gerando um verdadeiro tumulto nas ruas de Varsóvia.

Fãs de A Escrava Isaura, na Varsóvia

Em 1979, após uma bem sucedida carreira na Globo, Rubens de Falco foi para a Tupi, onde atuou na novela Gaivotas. Ele também estava no elenco de Drácula, Uma História de Amor (1980), mas a novela ficou sem final, quando a emissora saiu do ar.

O mesmo elenco e equipe levaram o projeto para a TV Bandeirantes, agora com o nome de Um Homem Muito Especial (1980). De Falco fez outras produções na Bandeirantes, inclusive o grande sucesso Os Imigrantes (1981), uma das poucas novelas fora da Globo que bateria recordes de audiência na década de 1980.


Ainda gozando do sucesso internacional, o ator recebeu uma oferta milionária para atuar em uma telenovela venezuelana, La Bruja (1982). Durante sua estada no país, ele também uma peça de teatro na Venezuela, e atuou em três filmes feitos no país: Macho y Hembra (1984), Profesión: Vivir (1985) e La Hora Texaco (1985). A fama internacional também levou Rubens de Falco a protagonizar Un Hombre de Éxito (1985), um filme cubano.

Rubens de Falco em La Bruja


Rubens de Falco também era famoso em Cuba graças ao sucesso que o filme brasileiro Coronel Delmiro Gouveia (1978), havia feito no país.


Rubens de Falco ainda atuou em diversos filmes nacionais, são eles: Essa Gatinha é Minha (1966), Engraçadinha - Depois dos Trinta (1966), O Homem Que Comprou O Mundo (1968), O Impossível Acontece (1969), Tempo de Violência (1969), Anjos e Demônios (1970), Uma Pantera em Minha Cama (1971), A Difícil Vida Fácil (1972), Missão: Matar (1972), Café na Cama (1973), O Mau Caráter (1974), Deixa Amorzinho... deixa (1975), O Homem da Cabeça de Ouro (1975), Nós, Os Canalhas (1975), O Sósia da Morte (1975), Este Rio Muito Louco (1977), A Dama de Branco (1978), Foragidos da Violência (1979), Pixote, A Lei do Mais Fraco (1981), O Monge e a Filha do Carrasco (1995), e Sonhos Tropicais (2001). Seu último trabalho no cinema, e também como ator, foi no filme Fim da Linha (2008).

Rubens de Falco em Pixote, A Lei do Mais Fraco



Nas novelas, ele reencontraria Lucélia Santos em Sinhá Moça (1986), e ainda teria um papel notável em Grandes Sertões Veredas (1985), ambas na Globo.

Rubens de Falco em Grandes Sertões Veredas 

Lucélia Santos e Rubens de Falco, homenageados no Carnaval de 1992

Também fez novelas no SBT e Manchete, e despediu-se da televisão no remake de A Escrava Isaura (2004), produzida pela TV Record. Desta vez o ator interpretava o pai do vilão Leôncio, ao lado de Norma Blumm, sua esposa na versão de 1976.

Rubens de Falco em A Escrava Isaura (2004)


Uma curiosidade, Rubens de Falco gravou um disco em 1980, onde declamava as letras das canções de Roberto Carlos, como poesias. O sucesso do ator fez com que ele também gravasse um disco declamando em espanhol, para o mercado latino americano.


Em 2006 o ator, que nunca se casou, teve um AVC, e nunca se recuperou totalmente. Em 22 de fevereiro de 2008, ele faleceu, vítima de uma embolia pulmonar, aos 76 anos de idade.




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