Quando Debbie Reynolds veio ao Brasil, e trouxe Pier Angeli e Carleton Carpenter junto

Pier Angeli, Mazzaropi, Debbie Reynolds, Anselmo Duarte e Ilka Soares

Em 1953 Debbie Reynolds, a graciosa estrela de Cantando na Chuva (Singin' in the Rain), realizado um ano antes, esteve no Brasil. Mas Debbie não veio sozinha, a atriz chegou por aqui acompanhada de dois rostos novos da MGM, a italiana Pier Angeli e Carleton Carpenter, com quem Debbie havia atuado nos filmes  Duas Semanas de Amor (Two Weeks With Love, 1950) e Três Palavrinhas (Two Little Words, 1950).

Carleton Carpenter e Debbie Reynolds


Os artistas não vieram para cá de férias, mas sim em uma viagem promocional organizada pelo estúdio. Anos antes, a MGM havia enviado Kathryn Grayson e Howard Keel por uma viagem à América Latina, para divulgar o filme O Barco das Ilusões (Show Boat, 1951). A turnê latina rendeu um bom retorno de bilheteria para os filmes da dupla.

A Star-Tour, como foi chamada a viagem de Reynols, Angeli e Carpenter, chegou ao Brasil em 08 de abril de 1953. O primeiro destino, a cidade de São Paulo. Meses antes, a revista A Cena (antiga A Scena Muda) deu o furo de reportagem, anunciando a vinda dos astros, por meio de sua correspondente de Hollywood, Dulce Damasceno de Brito.

Dulce Damasceno de Brito com Carleton Carpenter e Pier Angeli, em Hollywood

Em São Paulo, o trio de artistas permaneceu por apenas dois dias, hospedados no Hotel Lord. A estada paulista foi bastante corrida. Foi o ator Raol Roulien, um brasileiro que havia feito sucesso em Hollywod na década de 30, quem recepcionou os astros.

Em São Paulo eles almoçaram com o governador Lucas Garcez, visitaram os estúdios da Vera Cruz (em São Bernardo do Campo), assistiram as filmagens de A Família Lero-Lero (1953), se apresentaram no palco do Cine Metro, e claro, deram milhares de autógrafos.

Raul Roulien e Pier Angeli, na recepção aos artistas

Pier Angeli, Carleton Carpenter, Lucas Garcez e Debbie Reynolds

Na Vera Cruz, os artistas internacionais almoçaram com os grandes astros do cinema paulista. Pier Angeli (que recebeu mais destaque na cobertura da imprensa brasileira) reencontrou o diretor Ugo Lombardi, que ela conhecerá ainda na Itália. Ugo apresentou a bela italiana a sua filha, com apenas oito meses de idade. Esta menina, era a pequena Bruna Lombardi, futura estrela do cinema e televisão brasileira.

Pier Angeli e Ugo Lombardi, almoçando na Vera Cruz

Entre os astros do cinema paulista presentes no encontro estavam Tonia Carrero, Ruth de Souza, Anselmo Duarte, Ilka Soares, Vera Nunes, Marisa Prado, John Herbert e o comediante Mazzaropi.

Pier Angeli, Mazzaropi, Debbie Reynolds, Anselmo Duarte e Ilka Soares

Pier Angeli e Tônia Carrero 

Marisa Prado, Pier Angeli, Gilda Nery e Ruth de Souza

 Ruth de Souza, Debbie Reynolds e Marino Neto


 Vera Nunes e Carleton Carpenter

Vera Nunes com Debbie Reynolds, e John Herbert, no canto, tentando sair na foto

Pier Angeli e Ruth de Souza ficaram grandes amigas, e trocaram correspondência por anos. Mas na época, a melhor visita paulista feita a italianinha, foi a de Francisco Matarazzo Neto, o Chiquinho Matarazzo, neto do Conde Matarazzo e aprendiz de playboy brasileiro.

Embora houvessem rumores que na época Pier estivesse namorando Kirk Douglas, os diversos encontros do casal na capital paulista geraram burburinhos, ainda mais quando em entrevista a atriz declarou que gostaria de morar em São Paulo. Apesar do forte esquema de segurança organizado por Waldemar Torres, o chefe de publicidade da MGM no Brasil, Chiquinho conseguiu furar o bloqueio  por diversas vezes, levando a atriz para almoçar, passear e fazer compras, tudo claro, fora do cronograma oficial da turnê.

Pier Angeli e Chiquinho Matarazzo

Até a tradicional fofoqueira de Hollywood Louella Parsons chegou a noticiar que o casal, que já se conhecia há quatro anos, iria anunciar o noivado em breve. Coisa que nunca aconteceu. No ano seguinte, em 1954, Pier Angeli cairia de amores por um jovem novo astro de Hollywood, chamado James Dean.

Ainda em São Paulo, o trio de Hollywood também foi homenageado em uma festa na Boate Lord, que ficava no saguão do mesmo hotel onde eles estavam hospedados. Na festa, alguém ofereceu cachaça ao grandalhão Carpenter (que mede 1,90 de altura). Carpenter provou por educação, mas o gigante desengonçado com jeito de menino, não gostou da tradicional bebida brasileira que o fez corar.

Em 10 de abril Debbie, Pier e Carleton foram para o Rio de Janeiro. No aeroporto, uma multidão de fãs esperavam ansiosa para ver os artistas de cinema. E apesar do forte esquema policial, Debbie Reynolds foi empurrada por pelo menos duas fãs afoitas, Pier Angeli tomou três beliscões, e Carleton Carpenter teve a gravata rasgada, além de ter o lenço do seu bolso roubado por uma fã mais audaciosa.


Ainda na saída do avião, um repórter pediu a Debbie que cantasse "Tico Tico no Fubá", o que ela fez prontamente, sendo transmitida ao vivo para os ouvintes da emissora de rádio do repórter que a abordara.

Com mais tempo tempo na Cidade Maravilhosa, onde permaneceram uma semana, os artistas tiveram uma agenda mais livre. O Hotel Glória, onde eles ficaram hospedados, preparou uma recepção para o trio de Hollywood. Na festa, diversos artistas do cinema brasileiro, trabalhando no Rio, tietaram os astros internacionais.

José Lewgoy, Cyl e Dick Farney, Fada Santoro, Oscarito e Josete Bertal foram alguns dos artistas brasileiros convidados pelo hotel.

Josette Bertal, Cyl Farney, Pier Angeli e Debbie Reynolds

Fada Santoro pedindo autografo para Carlenton Carpenter

 Cyl Farney, Fada Santoro, Carleton Carpenter e Dick Farney

Oscarito com Pier Angeli

Os artistas também tiveram tempo para passear e conhecer a então Capital Federal. Foram jantar na casa do empresário teatral Pachoal Carlos Magno, em Santa Teresa, assistiram uma peça no Teatro Duse e foram extremamente simpáticos com a imprensa.

Debbie chegou a confessar aos jornalistas que a viagem estava servindo para ela se recuperar da separação de Robert Wagner. Ela e o ator estavam namorando firme, até ela a trair com a veterana Barbara Stanwick.

Carleton Carpenter, que não era nenhum galã, também aproveitou a viagem para namorar muito com as fãs mais ousadas.

Paschoal Carlos Magno, Debbie Reynolds, Carleton Carpetenter e Pier Angeli

Carlton Carpenter com uma fã

Debbie Reynolds dançando no quarto do Hotel Glória

Pier Angeli e Debbie Reynolds no quarto do hotel

Debbie Reynolds dando autógrafos

o trio de jovens astros da MGM

Pier Angeli e Carleton Carpenter

PIer Angeli lendo a revista Cinearte

O trio de astros turistando na capital carioca

 Pier Angeli e Debbie Reynolds

Os astros lendo sobre o filme O Cangaceiro, nas páginas da Revista Rio

Antes de partir, já no aeroporto, Debbie Reynolds cantou Singin' in the Rain, para a alegria dos fãs que foram se despedir dos visitantes famosos.

Pier Angeli nunca se casou com James Dean, o grande amor de sua vida, por imposição de sua família (pois ele não era católico). Ela casou-se então com o cantor e ator Vic Damone, mas nunca superou a morte de Dean. Angeli, que era irmã gêmea da também atriz Marisa Pavan, cometeu suicídio em 1971, aos 39 nos de idade.

Debbie Reynolds, a grande estrela dos musicais, morreu de coração partido um dia após perder sua adorada filha Carrie Fisher, em 2016.

Dos três, apenas Carleton Carpenter ainda vive, tendo completado 93 anos no dia 10 de julho de 2019. 

Carlenton Carpenter atualmente


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1 comentário:

  1. Demais essa matéria! Meu pai, que à época tinha apenas 18 anos, adorava Pier Angeli e a Debbie e foi vê-las pessoalmente nessa ocasião no Cine Metro. Comentava que eram lindas!

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