Ruth de Souza completa 98 anos!


Ruth de Souza é uma das maiores estrelas da dramaturgia brasileira, sendo reconhecida pelo seu trabalho no cinema, teatro e televisão. Em 1954, por seu trabalho no filme Sinhá Moça, tornou-se a primeira brasileira indicada indicada ao premio de melhor atriz no Festival de Veneza.


Ruth Pinto de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1921. Aos nove anos de idade ela perdeu o pai, e sua mãe então mudou-se para Cobacabana, onde trabalhava lavando roupas para fora. Mas apesar das dificuldades, sua mãe fazia de tudo para que menina tivesse acesso a cultura, levando-a ao cinema, teatro e óperas no Teatro Municipal.

A menina Ruth de Souza

Desde que vira um filme de Tarzan com Johnny Weismuller, ela sonhava em ser atriz, mas as pessoas debochavam dela, faziam piada de suas ambições. Ruth teve vários empregos para se sustentar, enquanto tentava, sem sucesso, uma chance de fazer um teste em uma Companhia Teatral.

Ruth de Souza trabalhava no restaurante da Casa do Estudante, pertencente a UNE, quando leu em uma revista sobre o Teatro Experimental do Negro, o TEN, de Abadias do Nascimento. Ela então procurou a companhia, e foi aceita no elenco.

Era  o ano de 1945, e o grupo estava no começo. Abadias queria montar Imperador Jonas, de Eugene O'Neill, mas não tinham dinheiro para comprar os direitos da peça. Ruth então sugeriu escrever uma carta ao autor norte-americano, explicando a situação. O'Neill respondeu a carta, cedendo o direito de todos os seus textos para o TEN gratuitamente. Imperador Jonas foi a primeira peça estrelada por negros encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ruth de Souza e Abadias Nascimento, em Imperador Jonas

Em seguida, eles encenaram outras peças de O'Neill, como Todos os Filhos de Deus Tem Asas (1946) e Moleque Sonhador (1947). Por seu trabalho em O Filho Pródigo (1947), Ruth recebeu o prêmio de Melhor Atriz da Associação Brasileira de Críticos Teatrais.  

Ainda em 1947 ela atuou na peça Terras do Sem Fim, baseada na obra de Jorge Amado.  No ano seguinte a Atlântida Cinematográfica comprou os direitos do livro, transformando-o no filme Terra Violenta (1948), que acabou marcando a estréia de Ruth de Souza no cinema. Na Atlântida, ela atuou em diversos filmes, como Falta Alguém no Manicômio (1948), Também Somos Irmãos (1949) e A Sombra da Outra (1950).

Em 1950 Ruth de Souza recebeu uma bolsa de estudo da Fundação Rockfeller para estudar teatro nos Estados Unidos. A atriz permaneceu no país por quatro meses, onde chegou a atuar no teatro, em peças como Dark in The Moon (1950) e alguns teleteatros para a televisão.

Em 1951 ela voltou ao Brasil, a convite de Alberto Cavalcanti. Ruth assinou contrato com a Vera Cruz, estreando no filme Ângela (1951). Em seguida, foi escalada para interpretar uma mulher do campo em Terra é Sempre Terra (1952), de Tom Payne. O diretor, ao ver a atriz pela primeira vez, achou Ruth muito magra para o papel (ela pesava 45 quilos na época), e Ruth argumentou que ele estava imaginando Hattie McDaniel em ...E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939), mas que como uma pessoa que havia morado na roça, ela sabia que as colonas brasileiras era magras e franzinas como ela. Payne ficou convencido.

Marisa Prado e Ruth de Souza em Terra é Sempre Terra

Em 1953 Ruth de Souza atuou em um de seus filmes mais importantes, Sinhá Moça (1953), que fez grande sucesso internacional. Pelo seu trabalho, a atriz foi indicada a um prêmio no Festival de Veneza, tornando-se a primeira brasileira a ser indicada a um importante prêmio internacional. Ruth de Souza disputou o Leão de Ouro com Katherine Hepburn, mas perdeu para a atriz Lili Palmer.

Ruth de Souza em Sinhá Moça

Ruth não foi premiada em Veneza, mas recebeu um Prêmio Saci, o mais importante do cinema brasileiro na época, pelo mesmo papel.

Ruth de Souza recebendo o Prêmio Saci

Com o nome projetado mundialmente, chegou a ser convidada para filmar na Itália, mas o projeto nunca foi realizado. De volta ao Brasil, atuou em Candinho (1954), ao lado de Mazzaropi. Ela havia tornado-se uma das maiores estrelas do cinema brasileiro, e apareceu em filmes como Quem Matou Anabela? (1956), Osso, Amor e Papagaios (1957) Ravina (1958) e Fronteiras do Inferno (1959), que lhe deu seu segundo prêmio Saci. Mas apesar do renome internacional, nunca lhe davam papel de protagonista, e ela era das estrelas contratadas da Vera Cruz que recebia o menor salário.

 Ruth de Souza, Debbie Reynolds e Marino Neto na Vera Cruz, em 1953

Ruth chegou a ser escalada para ser a protagonista de Arara Vermelha (1957). Ela havia sugerido o livro de José Mauro Vasconcelos para o diretor Tom Payne, que era inglês, e chegou a trabalhar na adaptação do roteiro, mas dias antes de iniciar as filmagens, soube que havia sido substituída por Odete Lara, porque o estúdio não queria uma negra como protagonista.

Decepcionada com o cinema, ela voltou-se para o teatro, atuando em montagens importantes como Vestido de Noiva (1958) e Oração para uma Negra (1959-60), ao lado de Nydia Licia e Sérgio Cardoso. E embora tenha atuado nos palcos, interpretando autores consagrados, também fez teatro de revista, como o espetáculo TV Pra Crer, em 1956.

Em 1960 ela retornou ao cinema, na produção norte-americana Mistério na Ilha de Vênus (Macumba Love, 1960), rodada no Brasil. O diretor do filme era o ator Douglas Fowley, de Cantando na Chuva (Singing' in the Rain, 1952). Ele testou Ruth e gostou dela, mas disse que ainda veria outras atrizes brasileiras negras, que falassem inglês. Ruth respondeu, "não creio que encontre outra".

Foi o primeiro filme colorido da atriz. (leia mais sobre este filme aqui).

 Ruth de Souza em Mistério na Ilha de Vênus

No ano seguinte, ela atuaria em Favela (1961), uma co-produção Brasil-Argentina, estrelada pela atriz argentina Isabel Sarli, muito famosa na época. Ainda na década de 60, ela atuou e filmes muito importantes do cinema brasileiro, como Bruma Seca (1961), O Assalto ao Trem Pagador (1962), O Cabeleira (1963), Gimba, o Presiente dos Valentes (1963) e O Homem Nú (1968).

 Ruth de Souza e Ciro Monteiro em Gimba, o Presiente dos Valentes

No teatro, a década de 60 também foi produtiva para a atriz, que atuou em peças como Vereda da Salvação (1964) e O Milagre de Anne Sullivan (1967). Em 1961 ela protagonizou Quarto de Despejo (1961), de Carolina Maria de Jesus.


Ruth de Souza e Carolina Maria de Jesus


Ruth de Souza abraça o amigo Anselmo Duarte,
após ele receber a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962

No final da década de 60 Ruth estreou em sua primeira novela, A Deusa Vencida (1968), na TV Excelsior.

Ruth de Souza e Regina Duarte em A Deusa Vencida

Ruth havia estreado na televisão ainda nos Estados Unidos, e tinha alguma experiência na TV Brasileira. Ela havia atuado nos teleteatros da TV Record, como o infantil Sessão ZigueZague, e 1956 e dos teleatros da TV Tupi no ano seguinte. Ainda na Tupi, estrelou a série A Vida de Eliana (1957), ao lado da colega Eliane Lage, mas o programa durou pouco, devido aos compromissos de ambas as atrizes com o cinema.

Ao lado de Dayse Paiva, também havia estrelado O Cortiço (1961), no Teledramas Três Leões, na Excelsior, dirigida por Álvaro de Moya.

Ruth de Souza em um teleteatro da TV Tupi, em 1956 (na foto ainda o ator Rogério Marcico)

Em 1969, Ruth tornou-se a segunda protagonista negra de uma novela brasileira, A Cabana do Pais Tomás (1969), na Rede Globo. O ator Sérgio Cardoso, usando black-face, era seu co-protagonista. E tempo, a primeira protagonista negra foi a atriz Iolanda Braga em A Cor da Tua Pele (1965), na TV Tupi.

Sérgio Cardoso e Ruth de Souza em A Cabana do Pai Tomás

Na Rede Globo, Ruth atuou em diversas produções da emissora, como Verão Vermelho (1969), Assim na Terra Como no Céu (1970), Pigmalião 70 (1970), O Homem Que Deve Morrer (1971), O Bem Amado (1973), Os Ossos do Barão (1973), O Rebu (1974), Helena (1975), Sinal de Alerta (1978), Corpo a Corpo (1984), Sinhá Moça (1986), Mandala (1987), Fera Radical (1988), Memorial de Maria Moura (1994), O Clone (2001), Senhora do Destino (2004), Sinhá Moça (2006) e Duas Caras (2007). Sua última aparição na emissora foi em uma participação especial em Mister Brau, em 2018.

 Ruth de Souza e Lázaro Ramos, nos bastidores de Mister Brau

No cinema, ainda atuou nos filmes Pureza Proibida (1974), Ana, A Libertina (1975), Um Homem Célebre (1976), Quem Matou Pacífico? (1976), Ladrões de Cinema (1977), Fruto do Amor (1980), Jubiabá (1987), Boca (1994), Um Copo de Cólera (1999), Aleijadinho - Paixão, Glória e Suplício (2003), As Filhas do Vento (2004), O Vendedor de Passados (2015) e Primavera (2018). Por seu trabalho em As Filhas do Vento, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Gramado (divido com sua colega de elenco, Léa Garcia).

 Ruth de Souza e Léa Garcia

Em 1993 Ruth de Souza iniciou as filmagens de A New Spring, ao lado do ator Leonard Whiting (o Romeu, de Romeu & Julieta, de 1968), mas o filme nunca foi concluído.

Leonard Whiting e Ruth de Souza

Atualmente aposentada, Ruth de Souza está muito bem de saúde. Em 2019, ela foi homenageada no carnaval carioca pela Acadêmicos de Santa Cruz, com o enredo "Ruth de Souza – Senhora liberdade. Abre as asas sobre nós". (leia sobre isto aqui).

 Ruth de Souza no carnaval de 2019


Ruth de Sousa e Charlton Heston

Ruth de Souza e Fred MacMurray

Paulo Russell, Ruth de Souza e Glenn Ford

Sammy Davis Jr., Milton Gonçalves, Martinho da Vila,
Jacyra Silva e, Jorge Coutinho e Ruth de Souza

Silvana Pampanini e Ruth de Souza


Antonio Pitanga e Ruth de Souza, em 2019







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1 comentário:

  1. Para mim entre todas as atrizes a Ruth foi mais extraordinária atriz porque como negra no seu início de carreira além da sua capacidade teve ar partes adversas mais ela determinada ia a luta sem olhar para traz.parabens Ruth Souza vc foi a maior .

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