O carnaval carioca acabou com o casamento de Ginger Rogers

Na foto, Jacques Bergerac, Ginger Rogers, Café Filho, Ibrahim Sued (acima) e a atriz Elaine Stewart

Ginger Rogers já era uma grande estrela, inclusive tendo ganho um Oscar de Melhor Atriz por Kitty Follie (Idem, 1941), quando veio ao Brasil em 1955, para celebrar o carnaval no Rio de Janeiro.

Nos festejo de momo daquele ano, Ginger era uma das estrelas presentes nos bailes da cidade, que incluíam também as atrizes Marina Vlady, Elaine Stewart, Ninón Sevilla e a Miss Brasil Martha Rocha.

Outro convidado era o ator francês Jacques Bergerac, o quarto marido de Ginger, com quem a atriz havia se casado em fevereiro de 1953.

Ginger e Bergerac haviam se conhecido em Paris, quando ela trabalhava em uma temporada no Follies Bergerès. Quem apresentou a atriz ao rapaz, quinze anos mais novo que ela, havia sido a atriz Evelyn Keyes.

Quando a estrela dos musicais voltou para Hollywood, ela levou o belo francês com ela, e se casou com ele poucos meses depois. Ela apresentou Bergerac a imprensa como um tenista francês renomado, mas a verdade era outra. Bergerac era porteiro no hotel onde ela e Evelyn estavam hospedadas, e já havia tido diversos relacionamentos com mulheres mais velhas e ricas. Antes de Ginger, ele estava namorando com a própria Evelyn Keyes.

Ele tinha 25 anos e Ginger já tinha 42 quando eles se casaram. A imprensa não viu o rapaz com bons olhos, e o tratava como um aproveitador. Quando a jornalista Hedda Hopper perguntou se Ginger não se importava em ser mais velha que ele (um escândalo na época), Ginger respondeu: "não, porque todo mundo sabe que eu sou bem mais velha que Deus!".

Este era o quarto (de cinco) casamentos da atriz.

Jacques Bergerac e Ginger Rogers

A atriz logo exigiu que a MGM o contratasse como ator, o que foi feito. Mas ele não falava bem inglês e os estúdios o colocaram em aulas para melhor o idioma, numa escola dentro do próprio estúdio. Lá, ele foi colega Fernando Lamas, que era argentino.

Ao lado da atriz, ele estreou no cinema em Coisas da Sorte (Beautiful Stranger, 1953), feito na Inglaterra. O filme era de um estúdio menor, para qual o casal foi emprestado pela Metro. E como o estúdio não escalava seu amado para filmes, Ginger rompeu seu contrato, levando o marido junto.

 Jacques Bergerac e Ginger Rogers em Coisas da Sorte

O filme não fez sucesso, e o ator só conseguia pequenas participações na televisão. Ginger então começou a exigir que seus contratos incluíssem seu marido no elenco, mas os produtores não se interessavam por ele. Devido a recusa em contratarem seu marido, ela também recusou muitos papéis nesta época, o que prejudicou sua carreira, que já começava a entrar em decadência. Mas apesar dos problemas profissionais, o casal viva posando feliz para a imprensa hollywoodiana.

Em 1955 o playboy brasileiro Jorginho Guingle convidou Ginger para vir ao Brasil, e ela trouxe o marido à tiracolo.

Jacques Bergerac e Ginger Rogers desembarcando no Rio de Janeiro,
sendo recebidos por Jorginho Guingle e Ibrahim Sued

Desconhecido no Brasil, Bergerac ficava chateado com a atenção despendida com  a sua esposa famosa, mesmo com todos os esforços de Ginger de apresentar o galã, que ela tentava promover a astro, para a imprensa brasileira.

Ginger chegou a ser convidada para dar o pontapé inicial na final do Campeonato Carioca daquele ano, onde o rubro negro Flamengo consagrou-se campeão sobre o Bangú.

Ginger Rogers dando autógrafos no Rio de Janeiro, sob olhares do marido

 Ginger Rogers no final do Campeonato de Futebol Carioca

Ginger se divertiu muito no carnaval, e se encantou com um show de batuques de macumba no Copacabana Palace. E foi lá que as coisas começaram a dar problemas.

Ginger Rogers e Elaine Stewart no baile do Copacabana Palace

Mesmo desconhecido, Bergerac era um homem muito bonito, e chamava a atenção das mulheres. A imprensa brasileira publicou várias notas com indiretas sobre o comportamento infiel do ator. Durante o baile, enquanto a atriz estava no camarote presidencial, Jacques Bergerac deu várias "escapadinhas", para também "aproveitar" a festa.

 Jacques Bergerac posando com fãs no carnaval carioca


O descontentamento de Ginger ficou evidente. Nos dias seguintes ela cancelou eventos, e chegou a ser vista jantando sozinha na cidade maravilhosa, enquanto ele frequentava festas e casas noturnas. Ela também cancelou uma viagem à Bahia, que já estava planejada, e o casal retornou mais cedo para os Estados Unidos.

 Ginger Rogers dançando com Jorginho Guingle e com o marido, no baile do Copacana Palace

Elaine Stewart também não teve uma boa temporada no Rio. A atriz sofreu uma infecção gástrica, e depois teve que ser levada às pressas para operar a apendicite.

De volta aos Estados Unidos, Bergerac ainda não conseguia empregos em Hollywood. O casal então foi para à França, onde ele protagonizou O Calvário de uma Rainha (Marie-Antoinette reine de France, 1956). Durante a estada na França, em uma festa, eles começaram a discutir exaltadamente. Adolphe Menjou tentou intervir, mas foi ignorado pelo ator. Menjou irritado gritou "me respeite rapaz que conheço Ginger desde antes de você nascer!". Charles Boyer precisou apartar a briga física que se iniciava.
Ginger voltou mais cedo para casa, e quando Bergerac regressou, ela o deixou morando na sua mansão, comprada com seu dinheiro dos tempos dos musicais com Fred Astaire, e alugou um apartamento. Nesta época, Bergerac finalmente estreou em Hollywood, atuando em Um Estranho em Minha Vida (Strange Intruder, 1956), ao lado de Edmund Purdom, de O Egípcio (The Egiptian, 1954).

Em 1957 a atriz finalmente pediria o divórcio, alegando "crueldade mental". No mesmo ano Bergerac teve sua primeira grande chance em Hollywood em Les Girls (Idem, 1957), estrelado por Gene Kelly. No mesmo ano, Ginger faria seu último filme, ficando afastada do cinema por muitos anos.

O papel lhe valeu o Globo de Ouro de ator estrangeiro revelação.
 Jacques Bergerac e Gene Kelly em Les Girls

O ator começava a despontar, dividindo sua carreira entre Hollywood e produções europeias. Finalmente trabalhando na MGM, ele interpretou um instrutor de patinação francês que seduz Eva Gabor em Gigi (Idem, 1958), estrelado por Leslie Caron.

Jacques Bergerac e Eva Gabor em Gigi
Mas sua carreira norte americana também não foi além disso. Nos Estados Unidos ele ainda fez Sol e Sangue (Thunder in the Sun, 1959), com Jeff Chandler e Susan Hayward. Ele ainda faria um pequeno papel em Um Assunto Internacional (A Global Affair, 1964) e estrelou Caçadores de Ferras (Taffy and the Jungle Hunter, 1965), ao lado de Manuel Padilla Jr., o menino Jay da série Tarzan de Ron Ely.
 George Bergerac e Manuel Padilla Jr. em Caçadores de Ferras
Na Europa, ele teve melhores oportunidades. Nos EUA ele ainda atuou em séries de televisão, como Batman, Agente 86 (Get Smart), Daniel Boone, e The Doris Day Show.

Em 1958, após ter um relacionamento com as atrizes Venetia Stevenson, Claire Bloom e Linda Cristal, ele começou a namorar a atriz Dorothy Malone, que havia ganho o Oscar por seu desempenho em Palavras ao Vento (Written on the Wind, 1956).

Dorothy veio ao Brasil em 1958, gravar um filme publicitário da Braniff, uma companhia aérea inglesa. Bergerac veio atrás dela, em outro voo, e se hospedou no quarto ao lado dela, também no Copacabana Palace. A atriz estava acompanhada dos pais e irmãos, e sua mãe fez a filha mudar de andar no hotel.

Dorothy Malone e Jacques Bergerac jogando golfe no Rio de Janeiro

Mas o namoro do casal decolou, e em junho de 1959 eles se casaram, em Hong Kong. Com Dorothy ele teve dois filhos, mas o casal se separou em 1964. Um dos principais motivos foi que ele vivia mais na Europa, onde era astro, enquanto a mulher seguia sua carreira nos Estados Unidos.


Quando ele se aposentou da vida artística, em 1969, tornou-se um alto executivo da empresa de cosméticos Revlon.
 Jacques Bergerac
Jacques Bergerac faleceu em 15 de junho de 2014, aos 87 anos de idade.

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