Nunca houve mulher como Rita Hayworth


Rita Hayworth foi uma das mais icônicas atrizes da história do cinema, sendo considerada uma das atrizes mais bonitas de Hollywood.

Rita nasceu Margarita Carmen Cansino, em 17 de outubro de 1918, no Brooklyn, Nova York. Seu pai era o dançarino de flamenco Eduardo Cansino, e sua mãe Volga Hayworth era dançarina de vaudeville e uma show girl na Broadway no começo século XX.


Eduardo era de uma família de ciganos espanhóis, com uma forte tradição na dança. Ele começou a carreira se apresentando ao lado da irmã Elisa Cansino, com quem atuou em filmes na década de 20, antes de formar a dupla Os Cansinos com sua esposa.

Volga Hayworth, por sua vez, era irmã do ator Vinton Haywort, que ficou conhecido como o General Winfield Schaeffer na série Jeannie é Um Genio (Im Dream off Jeannie).
Seu pai queria que ela fosse dançarina, mas sua mãe sonhava que a filha seguisse carreira em Hollywood. Aos três anos de idade a menina iniciou seus estudos de dança, e embora anos mais tarde confessasse que odiasse estudar dança, frequentou por anos as aulas sob a supervisão de seu tio Angel Cansino, no Carnegie Hall.

Rita Haywort e seu irmão Eduardo Cansino Jr. quando crianças

Em 1926 sua família se mudou para Hollywood, onde seu pai fez sua estréia como dançarino no cinema. Mas a maior fonte de renda da família vinha de sua escola de dança, onde ele deu aulas para astros como James Cagney e Jean Harlow. Porém em 1929, com a Grande Depressão, os negócios da família foram a falência. Para ajudar a família, Rita aceitou substituir uma prima em um espetáculo musical, que havia sido afastada após quebrar uma perna.

Ela então passou a fazer dupla com o pai, mas como era menor de idade, e ainda não podia se apresentar nas casas noturnas e boates na Califórnia. Eles então viajavam para a fronteira com o México para se apresentar nas casas noturnas de lá, repletas de turistas de Los Angeles, apresentando-se nas famosas casas Foreign Club e Caliente Club, no começo da década de 30.

Margarita  Cansino e Eduardo Cansino

Ainda com o nome Margarita Cansino, abela jovem começou a chamar a atenção. Dizem que o drink Margerita, surgido na  Foreign Club, foi batizado em sua homenagem. Foi lá também que Winfield Sheehan, da Fox Film Corporation a descobriu e a levou para Hollywod, para fazer um teste na Fox. Sheehan gostou do teste, e lhe ofereceu um contrato de seis meses.

Rita começou a fazer figuração em filmes de lingua latina, versões esapanholas de filmes de sucesso destinadas ao público latino-americano. Sua estréia no cinema foi em Sob o Luar dos Pampas (Under the Pampas Moon, 1935), entretando ela já havia participado de um curta metragem, da Vitaphone chamado La Fiesta (1926), onde aparecia dançando com seus pais.


Warner Baxter, Rita Hayworth e Paul Porcasi em  Sob o Luar dos Pampas

Durante as gravações de Piernas de Seda (1935), o ator brasileiro Raul Roulien se encantou com a jovem, e a convenceu a adotar um nome menos latino, sugerindo ela encurtar o nome para Rita e passar a adotar o sobrenome de sua mãe.

Porém a Fox não aproveitou a jovem atriz. Ela chegou a ser escalada para estrelar Ramona (Idem, 1936), mas acabou sendo substituída pela atriz Loretta Young, que ela classificou como a "maior decepção de sua carreira".

Dispensada da Fox, Rita se submeteu a eletrólise, tratamento para aumentar a testa, alterando suas feições latinas. Em 1937 ela se casou com Edward Judson, que era seu empresário e tinha o dobro de sua idade. Foi ele quem conseguiu para ela um contrato na Columbia, onde Harry Cohn, o chefão do estúdio, resolveu transformá-la em estrela.

Cohn pressionou o diretor Howard Hawks para que ele a escalasse para um pequeno, mas importante papel em Paraíso Infernal (Only Angels Have Wings, 1939), que foi um grande sucesso de bilheteria.

Rita Hayworth e Cary Grant Paraíso Infernal

Rita fez na sequência grandes filmes do estúdio, como Melodias do Meu Coração (Music in My Heart, 1940), A Protegida do Papai (The Lady in Question, 1940), Anjos da Broadway (Angels over Broadway, 1940), mas o estrelato começou a aparecer quando foi emprestada para a MGM para fazer o terceiro papel feminino em Uma Mulher Original (Susan and God, 1940), estrelado por Joan Crawford. Emprestada para a Warner, atuou em Uma Loira com Açúcar (The Strawberry Blonde, 1941), estrelado por James Cagney e Olivia de Havilland. O filme fez um grande sucesso de bilheteria, e aumentou sua popularidade. A Warner tentou mesmo comprar seu contrato, mas a Columbia foi irredutível.

Rita Hayworth e Joan Crawford em Uma Mulher Original

Emprestada agora para a Fox, estúdio que a dispensara, interpretou Donã Sol em Sangue e Areia (Blood And Sand, 1941), estrelado por Tyrone Power e Linda Darnell. O filme transformou Rita em um símbolo sexual das telas.

Rita Hayworth em Sangue e Areia

De volta a Columbia, Rita então retornou ao genero musical, que a revelara. Ela estrelou Ao Compasso do Amor (You'll Never Get Rich, 1941) e Bonita Como Nunca (You Were Never Lovelier, 1942), ambos com Fred Astaire, que era parceiro habital de Ginger Rogers nas telas (Ginger e Rita eram primas distantes). Na Columbia ainda fez Modelos (Cover Girl, 1944), ao lado de Gene Kelly. Estes filmes tornaram a atriz uma referência nos filmes musicais da década.

O sucesso profissional chegou ao mesmo tempo de seu primeiro divórcio, em 1942. Neste ano foi convidada para estrelar Casablanca (idem, 1942), mas pediu um salário alto demais, e acabou perdendo o papel para Ingrid Bergman, que estreava em Hollywood.

O  auge da atriz chegou a estrelar o clássico Noir Gilda (Idem, 1946), ao lado do ator Glenn Ford, com quem ela já havia atuado em A Protegida do Papai. O casal protagonizou a famosa cena do strip tease.



Rita tirava apenas uma luva, mas a cena fez um enorme sucesso e alavancou sua carreira. Mas apesar de saber cantar, foi dublada pela cantora Anita Ellis, que a dublaria em outros filmes posteriormente.

O filme foi seu maior sucesso, e o popularizou o slogan "nunca houve uma mulher como Gilda". Porém, marcou também seu declínio. Era difícil repetir o mesmo sucesso, e nenhuma campanha publicitária conseguia repetir tamanha popularidade.

Em 1947 ela estrelou A Dama de Xangai (The Lady From Shanghai, 1947), dirigido por Orson Welles, com quem ela se casara em 1943. O filme não agradou a a crítica, e os fãs detestaram que a atriz cortou os cabelos e apareceu loira, ao invés de ostentar os cabelos ruivos que a tornaram famosa (mesmo não sendo a sua cor de cabelo natural).

Rita Hayworth em A Dama de Xangai
 
Ela voltou a atuar com Glenn Ford em Os Amores de Carmen (The Loves of Carmen, 1948), que também fez sucesso. Eles voltariam a contracenar em Uma Viúva em Trinidad (Affair in Trinidad, 1952). Em 1953 causou escandâlo ao protagonizar Salomé (Salome, 1953), a personagem bíblica que pede a cabeça de São João Batista. Também causou furor em A Mulher de Satã (Miss Sadie Thompson, 1953), onde interpretou uma pecadora que seduz um reverendo. 
 
Rita Hayworth em Salomé
 
Seu último grande sucesso foi em Meus Dois Carinhos (Pal Joey, 1957), ao lado de Frank Sinatra e Kim Novak, que passou a ser a nova "Rainha da Columbia". Sinatra exigiu que o nome Rita aparecesse em primeiro lugar, em homenagem a estrela que ela era. 

Em 1964 ela foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz por seu trabalho em O Mundo do Circo (Circus World, 1964), sua única indicação a um prêmio em Hollywood. Rita interpretava uma mulher mais madura, fazendo a mãe da atriz Claudia Cardinale. Em O Dinheiro é a Armadilha (The Money Trap, 1966), atuou pela última vez ao lado de Glenn Ford.

Rita Hayworth e Glenn Ford em O Dinheiro é a Armadilha

Rita Hayworth faria ainda outros filmes, mas sem muita importância em sua carreira. Chegou a trabalhar em produções menores na Europa. Seu último filme foi A Ira Divina (The Wrath of God, 1972), ao lado de Robert Mitchum.
 
Em 1983 sua vida foi contada no filme A História de Rita (Rita Hayworth: The Love Goddess, 1983), estrelado pela antiga Mulher Maravilha Lynda Carter.

 Desde a década de 60 Rita sofria do Mal de Alzheimer, uma doença desconhecida na época. No final da vida, suas crises e lapsos de memória derivados da doença foram muitas vezes confundidas com bebedeiras, o que lhe causavam grande tristeza em momentos de lucidez. A princesa Yasmin Kahn, filha de seu casamento com Aly Kahn, é uma das maiores doadoras de verbas para pesquisas  do tratamento da doença.


 
 Rita Hayworth faleceu em 14 de maio de 1987, aos 68 anos de idade. Infeliz em seus cinco casamentos, ela dizia que os seus maridos "iam para a cama com Gilda, mas acordavam com Rita Hayworth".

 
Leia também: Por onde anda? Lynda Carter, "A Mulher Maravilha"
 
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