Lynne Frederick, a viúva de Peter Sellers, a atriz que Hollywood passou a odiar


A atriz inglesa Lynne Frederick hoje talvez seja mais lembrada por causa de seu casamento com Peter Sellers, e toda a polêmica envolvida com o processo da herança do ator, que fez dela uma pessoa odiada em Hollywood, onde sofreu uma grande e injusta campanha de difamação.

Versátil, a atriz foi uma estrela em seus anos de atuação, e emprestou sua beleza e talento para diversos gêneros, protagonizando de filmes de terror, westerns clássicos e até dramas românticos. Lynne partiu muito cedo, falecendo com apenas 39 anos de idade,



Lynne Maria Wagner Harding Frederick nasceu na Inglaterra em 25 de julho de 1954. Lynne foi abandonada pelo pai ainda bebê, e foi criada pela mãe e a avó, e na escola, sofria bullying por ser filha "de mãe solteira".

Sua mãe trabalhava como diretora de elenco de uma televisão, mas a menina sonhava em ser professora de física e matemática. Mas quando ela tinha 14 anos de idade foi visitar a mãe no trabalho, e acabou sendo vista pelo ator (e agora diretor) Cornel Wilde, que procurava uma jovem desconhecida para estrelar a adaptação cinematográfica de um livro de ficção científica pós apocalíptico chamado A Morte de Grama (No Blade of Grass, 1970).

Wilde ficou impressionado com a beleza da garota, e a convenceu a aceitar o papel.


Nigel Davenport e Lynne Frederick em A Morte de Grama

O filme não fez muito sucesso, mas Lyne Federick se tornou uma sensação da noite para o dia. A imprensa a comparava com estrelas como Haley Mills, e a chamavam de "A Nova Olivia Hussey", fazendo referência a protagonista de Romeu e Julieta, de 1969.

Logo ela começou a estampar as capas de todas as publicações inglesas, e se tornou uma popular arista teen, iniciando também um bem sucedida carreira de modelo. Lynne foi capa da revista Vogue em 1971, e também estrelou uma série de comerciais de cosméticos para a televisão.



Ela também apareceu como atriz em diversas séries da televisão inglesa, e no ano seguinte interpretou a princesa russa Tatiana Romanov em Nicholas e Alexandra (Nicholas and Alexandra, 1971). O filme fez muito sucesso, e recebeu diversas indicações ao Oscar.


Lynne Frederick em Nicholas e Alexandra 

Em 1972 Franco Zefirelli a queria como Santa Clara em Irmão Sol, Irmã Lua (Brother Sun, Sister Moon, 1972), mas ela recusou o papel, que foi para Judi Bowker. O cantor brasileiro Caetano Veloso também quase atuou neste filme. (Já contamos esta história aqui).

Lynne preferiu atuar Henrique VII e Suas Seis Esposas (Henry VII and Six Wives, 1972), que lhe rendeu o prêmio Evening Standard Bristh Film Award, e até hoje ela é uma das mais novas vencedoras de tal premiação.


Lyne Federick e Keith Michell em Henrique VII e Suas Seis Esposas

Ainda em 1972 atuou em O Circo dos Vampiros (Vampire Circus, 1972), um filme de terror produzido pelo famoso estúdio Hammer, que se tornou o primeiro do gênero na carreira da atriz. Lynne Frederick atuaria em outras obras de terror, o que lhe rendeu o título de "rainha do grito" entre os fãs.

No mesmo ano também atuou em Houve Uma Vez Um Milagre (The Amazing Mr. Blunden, 1972).


Lynne Frederick em O Circo dos Vampiros

Após muitos trabalhos na televisão, ela estrelou a ficção científica Fase IV: Destruição (Phase IV, 1974). Depois atuou em Destino Cruel (Giube Rosse, 1975), Largo Retorno (1975), Os Quatro do Apocalipse (I Quatro Dell'Apocalisse, 1975) e o terror Demência Sinistra (Schizo, 1975), que hoje é considerado cult.


Lynne Fredercik em Demência Sinistra

Lynne Frederick era na época uma das atrizes mais bem pagas da Europa, e passou a ser agenciada por Dennis Selinger, o mesmo de Vanessa Redgrave, Michael Caine e Sean Connery.

E em 1976 ela finalmente conquistou Hollywood, atuando em A Viagem dos Condenados (Voyage of the Damned, 1976), um drama sobre uma tragédia real ocorrida na Segunda Guerra Mundial. Sua atuação foi aclamada pela crítica.


Malcolm McDowell e Lynne Fredercik em A Viagem dos Condenados

Em 1976 Lynne conheceu o ator Peter Sellers, e ele a pediu em casamento dois dias após a primeira vez que eles se viram. O ator era impulsivo, e anteriormente havia se casado com Britt Ekland dez dias após tê-la conhecido. Mas Lynne recusou a oferta, e foi cortejada quase que diariamente por mais de um ano, até que se casou com Sellers, em 1977.

Ela tinha 22 anos na época, e ele 51.


Lynne Frederick e Peter Sellers

Mas logo o casamento dos dois começou a ter problemas, Sellers era genioso, e tinha fama de ser um ator complicado, difícil de se trabalhar. Logo o casal começou a ser alvo das revistas de fofocas, pelas brigas e o uso de drogas.

Além disto o ator tinha problemas de saúde que ele não tratava, e a impediu de continuar trabalhando, exigindo que ela deveria ficar ao seu lado para cuidar dele. Na época, a atriz estava no auge, e recebia muitos convites, mas acabou abandonando a carreira por exigência do marido.

Ela ainda atuaria em um último filme, O Prisioneiro de Zenda (The Prisioner of Zenda, 1979), que foi um fracasso comercial. Sellers acusou a esposa pelo fracasso da produção.



Lynne Frederick e Peter Sellers em O Prisioneiro de Zenda

E no dia 24 de julho, um dia antes do aniversário de 26 anos da atriz, Peter Sellers faleceu de um ataque cardíaco fulminante. Mais tarde, quando seu testamento foi aberto, ele havia deixado toda sua fortuna para a esposa, destinando apenas 800 dólares para ser dividido entre seus três filhos, frutos de casamentos anteriores.

Foi feito uma campanha pública para a atriz dividir a herança com os filhos do ator, mas ela se recusou, alegando que eles não tinham nenhuma relação com o pai. Isto foi muito mal visto em Hollywood, mas a verdade é que Sellers era um pai ausente e não tinha contato com os filhos.

Mas por ser muito querido pelo público, foi a atriz acabou condenada midiaticamente por ter herdado toda a fortuna, mas os jornais nunca criticavam a atitude de Sellers, que deserdou os filhos por vontade própria e completamente consciente. A fama de Lynne piorou ainda mais quando ela se casou no ano seguinte com o produtor Peter Frost.

Lynne era chamada de interesseira e "cavadora de ouro" e jornais publicavam que ela era uma desconhecida que se casava com homens ricos e velhos por dinheiro. Ela passou a ser ainda mais mal vista após processar o diretor Blake Edwards por usar imagens de Peter Sellers em A Trilha da Pantera Cor-de-Rosa (Taril of the Pink Panther, 1982), que usava cenas de arquivo do ator, cortada dos outros filmes.

A atriz então foi banida de Hollywood, e nunca mais recebeu convites para atuar. Ela até fez um enorme lobby para conseguir o papel principal na série Os Pássaros Feridos (Torn Birds, 1983), mas acabou sendo ridicularizada por tentar.

O papel ficou com Rachel Ward.



Lynne Frederick e Peter Sellers


Frederick então viu que suas portas haviam se fechado, e passou a viver uma vida reclusa, longe dos holofotes e evitando dar entrevistas. Ela se casaria uma terceira vez, e teve um filho.

Em 27 de abril de 1994 ela foi encontrada morta em sua casa, vítima de overdose. Lynne Frederick faleceu com apenas 39 anos de idade.


Peter Frost e Lynne Frederick






Veja também:  Tributo a Oliva Hussey, a eterna Julieta



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