Quem Matou William Desmond Taylor? O misterioso assassinato em Hollywood nunca resolvido



Em 01 de fevereiro de 1922 William Desmond Taylor, um dos mais influentes diretores de cinema da época, foi encontrado morto em sua luxuosa residência em um bairro nobre de Hollywood. Logo uma multidão aglomerou-se diante da casa do cineasta, antes da polícia chegar.

Entre os curiosos, um homem identificou-se como médico, e após uma breve análise, concluiu que Taylor havia morrido de uma hemorragia intestinal. Mas na autópsia, uma bala foi encontrado nas costas do diretor, que havia sido morto aos 49 anos de idade.

O paradeiro do tal médico nunca mais foi revelado, talvez por vergonha do péssimo diagnóstico.



Desmond Taylor era um dos mais influentes cineastas da época, e também havia trabalho como ator. Na época, era um dos nomes poderosos do estúdio que viria a se tornar a Paramount Pictures, que não mediu esforços para atrapalhar as investigações.

Os jornais exploravam o caso exaustivamente, e inúmeras teorias e suspeitas apareciam a cada dia. Um diretor rival havia eliminado a concorrência ou um ator furioso por não ter sido escalado para um filme teria se vingado.

A atriz Mabel Normand, uma estrela da época, que havia trabalhado diversas vezes como Charles Chaplin, foi chamada para depor. Ela havia sido a última pessoa viva vista com o cineasta. Porém, vizinhos haviam visto Mabel deixando a casa do diretor acompanhada de Taylor, que sorridente, foi com ela até o carro.

Mabel disse a polícia que estava com problemas com seu fornecedor de cocaína, e havia pedido ao diretor para ajudá-la a se livrar das ameaças.

Outro nome que surgiu nas investigações foi da atriz Mary Miles Minter. Mary era uma estrela em ascensão na Paramount, e havia sido dirigida por Desmond Taylor algumas vezes. O diretor e a atriz também haviam tido um caso, e ao que parece, ele queria terminar o relacionamento.


Mary Miles Minter e William Desmond Taylor

As suspeitas sobre Mary se intensificaram ainda mais quando foi revelado que executivos da Paramount haviam chegado a casa do diretor antes da perícia policial, e ficaram recolhendo documentos, fotos de Mary nua, cartas e até roupas intimas da atriz do local, ao mesmo tempo que os polícias recolhia evidências,

As cartas de Mary Miles Minter ao diretor vazaram na imprensa, e eram consumidas avidamente pelo público. Mas a atriz tinha um álibi, estava com sua mãe, Charlotte Shelby, que também era atriz.

Charlotte era a típica mãe possessiva de Hollywood, e era contra o relacionamento da filha com o diretor. A própria Charlotte também foi considerada suspeita, principalmente por ter uma arma do mesmo calibre usada no assassinato.


Charlotte Shelby

 

Anos mais tarde, Mary Miles Minter, que abandonou a carreira após o assassinato, teria escrito em seu diário que acreditava que foi a mãe quem matou o diretor. Sua outra filha, a também atriz Margareth Shelby, também acreditava nesta teoria, e acusou a mãe publicamente pelo assassinato, em 1938.

Mas haviam outros nomes suspeitos, e a história cada dia ganhava novos detalhes para alimentar o escândalo. William Desmond Taylor era bissexual, e tinha um relacionamento de 8 anos com o figurinista e decorador George James Hopkins, que havia começado no cinema trabalhando para Theda Bara.

Logo, também foi deduzido que algum amante masculino poderia ter sido o assassino. O nome de Edward Sands, antigo motorista do diretor, demitido porroubar cheques e dinheiro de Taylor, bem como Henry Peavney, que foi contratado no lugar de Sands.

Peavney foi quem encontrou o corpo do diretor, e dias depois foi visto usando roupas caras de William Desmond Taylor em um clube.

Uma única testemunha, uma vizinha do diretor, havia visto uma figura saindo da casa, e comentou que parecia uma mulher vestida de homem, quase caricata como um vilão de um filme mudo.

O caso teve diversas provas adulteradas ou escondidas, principalmente por influência da Paramount, e nunca foi concluído, que foi acusada de subornar os investigadores.

A morte de William Desmond Taylor somou-se a uma série de escândalos dos excessos de Hollywood da década de 1920, como a acusação de estupro contra Roscoe Arbuckle, a morte de Olive Thomas e seu marido Jack Pickford, o assassinato de Thomas H. Ince e o vício em drogas e álcool que levou a morte astros como Wallace Reid, Barbara La Marr, e Jeanne Eagels. Tudo isto levou os estúdios de Hollywood a criarem contratos com cláusulas de moralidade, permitindo a demissão de contratados que as violassem.

Em 1964, em seu leito de morte, a atriz Margaret Gibson, cujo nome nunca havia aparecido nas investigações, confessou que teria matado William Desmond Taylor. Gibson, estava em Los Angeles na data, e tinha sido dirigida por Taylor, mas sua carreira estava em baixa na época, após ter sido presa em 1917, acusada de prostituição e tráfico de ópio.

Logo após o assassinato, o estúdio de Taylor recontratou Gibson, agora rebatizada de Patricia Palmer, e lhe deu papéis importantes nas telas até 1923, quando ela foi novamente presa, agora acusada de extorsão. Entre todos as atrizes suspeitas, ela foi a única que continuou atuando após o assassinato.

A polícia não quis reabrir o caso em 1964, após a confissão de Gibson, devido ao fato que ao longo dos anos, diversas outras atrizes haviam confessado o crime, também no seu leito de morte.


Margaret Gibson


Em 1981, quando estava com 80 anos de idade, o nome de Mary Miles Minter voltou a mídia quando ela foi roubada, espancada e quase morta por um ex namorado que invadiu seu apartamento. Ela ficou meses internada no hospital, mas se recuperou, morreu 3 anos depois, em 04 de agosto de 1984.

O nome da personagem Norma Desmond, vivida por Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), é uma junção dos nomes Normand (de Mabel Normand) e Desmond (de William Desmond Taylor).



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