Theda Bara, a primeira Vamp do cinema


Nos primeiros tempos do cinema mudo, Theda Bara era uma das atrizes mais populares do mundo, perdendo apenas para Charles Chaplin e Mary Pickford em número de fãs.

A atriz, que sempre interpretava papéis exóticos, de Cleópatra a Salomé, era apresentada ao público com um ar misterioso, exótico. Os jornais diziam que ela havia nascido no Egito, e era filha de uma atriz francesa com um escultor italiano. Diziam também que ela cresceu no deserto do Saara, brincando diante da Esfinge, e que posteriormente ela mudou-se para à França onde estudou teatro. A atriz era chamada de "A Serpente do Nilo" e Theda Bara era um anagrama das palavras Arab Death (morte árabe, em inglês).

Na verdade, até a sua morte, aos 69 anos de idade, a atriz nunca pisou no Egito. Na verdade, seu pai escultor italiano era um alfaiate judeu, que imigrou para os Estados no final do século XIX. E a "Serpente do Nilo" na verdade nasceu em Ohio, Estados Unidos, em 29 de julho de 1885. Seu nome verdadeiro, Theodosia Burr Goodman.

Toda biografia fantasiosa foi criada pelos publicitários da Fox, para promover a carreira de sua contratada, que criada em uma fazenda, nada tinha de interessante para os fãs em sua biografia pré fama.

Theda estreou no cinema em The Stain (1914) , mas a fama chegaria somente após o filme seguinte, Escravo de Uma Paixão (A Fool There Was, 1915), onde interpretou uma vampira. O sucesso deste filme rendeu ao produtor William Fox uma fortuna, e com o dinheiro ele construiu os estúdios da Fox Films, mais tarde 20th Century Fox.


Este tipo de personagem acabaria marcando sua carreira. Junto com a francesa Musidora, foram as primeiras atrizes a interpretarem mulheres fatais, misteriosas, com roupas esvoaçantes e exóticas. Tais personagens receberam a alcunha de "Vamps", estilo mais tarde imitado por Nita Naldi e Pola Negri.


A popularidade da atriz foi crescendo, sempre interpretando personagens fortes, em filmes como Carmen (1915), A Serpente (The Serpent, 1916), A Eterna Safo (The Eternal Sappho, 1916).


Ela também interpretou personagens clássicos, como a Julieta em Romeo and Juliet (1916), a cigana Esmeralda em The Darling of Paris (1916), Marguetire Gautier em Camille (1917), Madame Du Barry em um filme com o mesmo nome (feito em 1917), a imperatriz Cleopatra (em um filme também de 1917), e a bíblica Salomé (em um filme de mesmo nome, de 1918).



Infelizmente, Cleopatra (1917), estrelado por Theda Bara foi perdido com o tempo. Alias, dos 44 filmes em que a atriz atuou, apenas 6 sobreviveram aos dias de hoje. A maioria de seus filmes desapareceram após um incêndio que destruiu o arquivo da Fox, em 1937. De Cleopatra, sobraram muitas fotografias publicitárias, e alguns poucos segundos do longa metragem.



Em 1917, ela também protagonizou The Tiger Woman, que também fez muito sucesso, na linha de personagens exóticas. Neste ano, sua popularidade era tamanha, que seus pais e irmãos mudaram o sobrenome da família, oficialmente, para Bara.

Lori Bara (1903-1965), sua irmã mais nova, também tornou-se atriz, mas bem menos sucedida que Theda.

Lori Bara

Mas em 1919 a Fox parou de investir na estrela, apostando em rostos novos. Sem o suporte do estúdio que ela ajudou a criar, e estigmatizada em personagens exóticos, o que limitou sua carreira, a atriz começou a entrar em decadência. Ela também estava cansada de interpretar "vamps" e pediu para a Fox a dispensá-la, mesmo ainda tenho cinco anos de contrato pela frente.

Seu último filme na Fox foi Lure of Ambition (1919). Depois, ela só retornaria ao cinema em The Unchastened Woman (1925). Em 1921 ela se casou com o diretor inglês Charles Brabin, que não gostava que a esposa atuasse.

Theda Bara ainda retornou ao cinema na comédia Madame Mystery (1926), produzida por Hal Roach. No filme, ela contracenava com Oliver Hardy (o Gordo da dupla o Gordo e Magro), antes dele formar a famosa parceria com Stan Laurel. Laurel, o Magro, porém, é roteirista e um dos diretores do filme, que debochava do gênero "vamp" eternizado pela atriz.

Em 1926 ela também atuou na Broadway, e apesar da crítica ter massacrado o espetáculo, o público compareceu em peso para ver a estrela.

Theda Bara e Oliver Hardy

Theda Bara aposentou-se e nunca mais aceitou convites para atuar. Em 1949 a Columbia tentou fazer uma cinebiografia sobre sua vida, mas o projeto nunca saiu do papel.

Ela viveu uma vida confortável entre Hollywood e Nova York, até falecer de câncer de estômago, em 07 de abril de 1955, aos 69 anos de idade.

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