Depressão, anorexia e esquecimento, o melancólico final de Vera-Ellen, a rainha dos musicais


Vera-Ellen foi uma das melhores dançarinas de Hollywood, tendo sido parceira de Gene Kelly e Fred Astaire, e era tão talentosa quanto Cyd Charisse ou Ann Miller, mas hoje em dia não é tão famosa quanto suas colegas de filmes musicais.

Vera Ellen Westmeir Rohe nasceu em Norwood, Ohio, em 16 de fevereiro de 1921. Aos 9 anos de idade Vera-Ellen tinha uma saúde muito frágil e delicada, e um médico aconselhou sua família que levasse a menina a fazer atividades físicas e recreativas, e ela então começou a tomar aulas de dança, que se tornaram sua grande paixão. Ela passou a frequentar o Hessler Studio Dancing, onde foi colega da jovem Doris Day. Aos 13 anos, venceu um concurso de dança, e começou a se apresentar profissionalmente.


Em 1939 Vera estreou na Broadway, no musical Very Warm For May, de Jerome Kern e Oscar Hammerstein. A direção era de Vincente Minnelli, e June Allyson, também estava no elenco. Foi na Broadway que ela adotou o nome artístico com hífen.

Vera-Ellen também foi uma das mais jovens garotas a se tornar uma Rockette no Radio City Music Hall.


Em 1945 ela estreou no cinema, atuando ao lado de Danny Kaye em Um Rapaz do Outro Mundo (Wonder Man, 1945), com quem trabalharia novamente nos próximos anos. E embora fosse boa cantora, Vera-Ellen foi dublada no filme, aliás ela foi dublada na maioria de seus trabalhos, e normalmente quando cantava, a voz que ouvíamos na verdade era de Anita Ellis, Carol Stewart ou Carol Richards.

Danny Kaye e Vera-Ellen em Um Rapaz do Outro Mundo

Seu filme seguinte também foi ao lado de Danny Kaye, Um Tigre Domesticado (The Kid From Brooklyn, 1946). No mesmo ano, contracenou com Vivian Blaine e June Haver fez Precisa-se de Maridos (Three Little Girls in Blue, 1946), na Fox.


Na Fox também Vera-Ellen estreou o musical Carnival in Costa Rica (1947), um dos muitos filmes da política da boa vizinhança do estúdio, feito para agradar a América Latina. Mas a produção foi problemática, e acabou sendo um grande fracasso.

O fracasso da produção, entretanto, não afetou sua carreira, e Vera-Ellen foi contratada como uma estrela da MGM, o maior estúdio dos musicais de Hollywood. Ao lado de um elenco estrelar, Vera atuou em Minha Vida é Uma Canção (Words and Music, 1948).

Vera-Ellen e Gene Kelly em Minha Vida é Uma Canção

Ela então fez uma comédia com os Irmãos Marx, Loucos de Amor (Love Happy, 1949), filme que tinha Marilyn Monroe em uma pequena participação, no começo de sua carreira.


De volta a MGM Vera-Ellen fez um de seus melhores papéis em Um Dia Em Nova York (On the Town, 1949), vivendo a jovem pela qual o marinheiro Gene Kelly se encanta durante uma viagem a Nova York.


Ainda na Metro, foi partner de outra lenda da dança, Fred Astaire, em Três Palavrinhas (Three Little Words, 1950). Mas o filme não fez muito sucesso na época. A dupla Fred Astaire e Vera-Ellen se reuniria novamente em Ver, Gostar e Amar (The Belle of New York, 1952).


A atriz ainda dançaria lindamente em O Mundo a Seus Pés (Happy Go Lovely, 1951) e Sua Excelência, a Embaixatriz (Call Me Madam, 1953). A MGM tentou testar seus dotes dramáticos em Big Leaguer (1953), ao lado de Edward G. Robinson, mas a atriz não se saiu muito bem.

Edward G. Robinson e Vera-Ellen

Ao lado de Bing Crosby, Rosemary Clooney e Danny Kaye, Vera-Ellen estrelou o grande sucesso de bilheterias Natal Branco (White Christmas, 1954), um dos filmes mais lembrados de sua carreira.


Conhecida como uma das atrizes com a menor cintura de Hollywood, corriam rumores de que a atriz já estava com anorexia, e que o rápido emagrecimento deixou seu pescoço com rugas, devido ao envelhecimento precoce causado pela doença. Em todas as cenas de Natal Branco, o figurino da atriz escondia seu pescoço, mesmo durante um número musical com Rosemary Clooney, onde as duas usavam roupas iguais, apenas o vestido de Vera-Ellen tinha gola alta.


Vera-Ellen, apesar do enorme sucesso do filme, não teve mais muitos convites para atuar nos anos seguintes. O motivo talvez seja o declínio do gênero dos musicais, que começavam a deixar de ser moda entre os fãs de cinema.



Ela se apresentou em alguns programas de televisão, e fez seu último filme, Meu Sonho É Você (Let's Be Happy, 1957), uma produção inglesa rodada em algumas cidades da Europa.


Após apresentar-se no Perry Como Show, em 1959, ela se aposentou da vida artística. Em 1954 ela se casou com o milionário Victor Rothschild (a atriz já havia sido casada com o dançarino Robert Hightower). Em 1963 ela deu à luz a uma menina, que morreu três meses após o parto, de morte súbita infantil.

Vera-Ellen entrou em depressão após a morte da filha, e passou a viver reclusa, ainda lutando contra a anorexia nervosa. O casamento com Rostchild acabou em 1966. Vera-Ellen nunca parou de dançar, fazendo aulas de dança regularmente, até que sofreu um derrame, que acabou com sua vida de dançarina.



Vera-Ellen e um amigo


Em 30 de agosto de 1981 ela faleceu em um hospital em Los Angeles, onde tratava um câncer no ovário. Vera-Ellen tinha 60 anos de idade, e sua morte não saiu nos noticiários, só sendo percebida muitos tempo depois.

Veja também: Tributo a Rita Moreno

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