O exótico Turhan Bey, o Valentino Turco


Na década de 40 Turhan Bey era um astro em Hollywood. Durante a época da Segunda Guerra Mundial, filmes de fantasias exóticas tinham um fascínio escapista sobre o público, que se deliciava com as aventuras exageradamente coloridas com o Technicolor. Maria Montez, Sabu e Turhan Bey eram alguns dos protagonistas destas produções.


Hedda Hopper o chamou de "O Valentino Turco", mas as fãs preferiam chamá-lo de "a delícia turca", apesar disto, o ator era Austríaco, nascido em Viena, em 30 de março de 1922.

Turhan Gilbert Selahattin Sahultavy era filho de um diplomata turco. Sua mãe era da Tchecoeslováquia. Após a anexação da Áustria à Alemanha, sua mãe, que era judia, fugiu com o filho para os Estados Unidos, com medo da perseguição nazista.

Ele ingressou no teatro por acaso. Turhan matriculou-se em um curso de inglês, e durante o curso foi aconselhado a estudar interpretação, para melhorar sua pronúncia. Em 1939 ele passou a trabalhar em uma produção profissional, e um caçador de talentos da Warner, que estava na platéia, lhe ofereceu um contrato. Na Warner, recebeu o nome artístico de Turhan Bey.

Ele estreou no cinema em um filme menor, chamado Shadows on the Stairs (1941). Depois, interpretou um homem sinistro em Caminhando nas Sombras (Footsteps in the Dark, 1941), estrelado por Errol Flynn. Logo depois, foi dispensado do estúdio que o revelara.

Turhan Bey em Caminhando nas Sombras

Bey então foi contratado pela Universal, onde teve melhores oportunidades. Lá, contracenou pela primeira vez com Maria Montez, em Raiders of The Desert (1941). Emprestado para a RKO, atuou em O Falcão Alegre (The Gay Falcon, 1941), estrelado por Humphrey Bogart.

De volta a Universal, começou a atuar em filmes de aventuras exóticas, como Drums of the Congo (1942), e Avião do Oriente  (Bombay Clipper, 1942), onde reencontrou Maria Montez.

Maria Montez, William Gargan e Turhan Bey em Avião do Oriente

Seus papéis, até então eram pequenos. Sempre interpretando personagens estrangeiros, um tanto exóticos e sinistros. Em Unseen Enemy (1942) teve um papel um pouco maior, interpretando um espião japonês.

Seu primeiro grande papel foi no terror A Tumba da Múmia (The Mummy's Tomb, 1942), ao lado de Lon Channey Jr. Anos mais tarde, em uma entrevista, ele declarou que este foi seu trabalho favorito.

Lon Chaney Jr. e Turham Bey

A primeira grande produção em que o ator trabalhou foi As Mil e Uma Noites (Arabian Nights, 1942), um filme exótico, colorido, co-estrelado por outros astros do gênero fantasia, Maria Montez, Sabu e Jon Hall. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, em categorias técnicas.

O mesmo elenco se reencontraria em Branca Selvagem (White Savage, 1943), um dos maiores sucessos da carreira de Maria Montez.


Também destacou-se em O Abutre Humano (The Mad Ghoul, 1943), um dos muitos filmes de terror da Universal. A Warner, seu antigo estúdio, pediu o ator emprestado para atuar em Expresso Bagdad-Istambul (Background to Danger, 1943).

Evelyn Ankers, Turhan Bey e David Bruce em O Abutre Humano

O ator recebia centenas de cartas de fãs por semana, e a Universal decidiu fazer dele um astro. A oportunidade surgiu quando Sabu foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial, e Bey ficou com seu papel em Ali Babá e os Quarenta Ladrões (Ali Baba and the Forty Thieves, 1944), novamente ao lado de Jon Hall e Maria Montez. E embora Hall fosse o protagonista, foi Turhan Bey quem mais agradou ao público por este filme.

Maria Montez e Turhan Bey em Ali Babá e os Quarenta Ladrões

Escalado para atuar em Alma Cigana (Gypsy Wildcat, 1944), novamente ao lado de Montez e Hall, acabou deixando a produção após ser convidado pela MGM para estrelar A Estirpe do Dragão (Dragon Seed, 1944), ao lado de Katherine Hepburn. Foi seu primeiro papel como protagonista.

Katherine Hepburn e Turhan Bey

De volta a Universal, estrelou o romance The Climax (1944), contracenando com Susanna Foster. No estúdio também foi um dos astros do musical Saudades do Passado (Bowery to Broadway, 1944), e novamente com Montez e Hall, estrelou A Rainha do Nilo (Sudan, 1945). Pela primeira vez nas telas, Bey roubava Maria Montez do galã Jon Hall.

Em 1944, uma revista de cinema fez uma enquete com o público, perguntando quais eram seus artistas favoritos. Turhan Bey ficou na nona posição. Na vida real, o ator também era alvo das manchetes devido ao seu conturbado namoro com a estrela Lana Turner.



Lana Turner e Turhan Bey

A MGM o queria para protagonizar Aqui Começa a Vida (Week-End at the Waldorf, 1945), onde contracenaria com Lana Turner, mas a Universal não o liberou. Em compensação, o estúdio lhe deu o principal papel em Uma Noite no Paraíso (Night in Paradise, 1946), ao lado de Merle Oberon.


Por ser de origem turca, o ator não era elegível para ser convocado a defender o exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Mas isto mudou quando a Turquia juntou-se na guerra contra à Alemanha, e Bey acabou tendo que se alistar em junho de 1945. Ele acabou ficando 18 meses no exército, o que interrompeu sua carreira na época. O ator estava escalado para estrelar O Retorno do Sheik, que retomava o mais famoso personagem de Rudolph Valentino, mas devido a guerra, o filme nunca foi realizado.

Ao retornar do serviço militar, atuou em um papel de apoio em Lá em Casa Manda Ela (Out of the Blue, 1947). E após recusar alguns trabalhos no estúdio, acabou sendo demitido. Seu contrato foi vendido para o pequeno estúdio Eagle-Lion.

Lá coadjuvou Arturo de Cordova em Casanova Aventureiro (Adventures of Casanova, 1948) e estrelou o obscuro The Amazing Mr. X (1948), além de atuar em outros dois filmes.


Na Columbia, reencontrou Sabu em Canção da Índia (Song of India, 1949), e chegou a ser anunciado como o astro de um filme sobre Gengis Kahn, que nunca foi realizado. Canção da Índia foi um grande fracasso, e os filmes exóticos pareciam não mais agradar ao público.

Turhan Bey e Sabu

Desempregado, Turhan Bey montou um café, dizendo "as pessoas sempre precisarão comer".

E em 1950 retornou a Europa, dizendo precisar resolver alguns problemas comerciais. Bey pretendia ficar três meses, e acabou ficando três anos. Na Áustria ele montou uma produtora, e produziu o filme Stolen Identity (1953), mas não atuou.

De volta a Hollywood, fez O Prisioneiro de Casbah (Prisioners of the Casbah, 1953), ao lado de Gloria Grahame e Cesar Romero. O filme ficou na gaveta por seis meses, até ser lançado, sem grande destaque.

Cesar Romero e Turhan Bey

O ator estava escalado para atuar ao lado de Arlene Dahl e Rhoda Fleming, as novas rainhas do Tecnicholor. Porém foi demitido da produção. Bey retornou à Àustria, e foi morar com a mãe.

Sua biografia diz que ele foi envolvido em um escândalo, do qual não pode se defender. Porém, nunca foi divulgado o que teria acontecido nos bastidores de Hollywood.

O ator foi esquecido completamente pelo cinema, ficando anos no ostracismo. Neste período, trabalhou como fotógrafo. Uma piada na terra do cinema dizia que por ter aberto tantos sarcófagos em filmes de terror, acabou pegando a maldição de alguma múmia.

Foi somente na década de 90 que ele voltaria a atuar, porém sem receber grande destaque. Ele atuou em filmes menores e independentes, como O Skate Voador 2 (The Skateboard Kid II, 1994).

Seu último trabalhos como ator foi na série Babylon 5, em 1998. O ator morreu em Viena, em 30 de setembro de 2012, aos 90 anos de idade.



Leia também:  A exótica Maria Montez, a rainha do Technicolor

Leia também: As viagens de Errol Flynn ao Brasil

Curta nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do Youtube

0 comentários:

Publicar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil