Warren Beatty, mais que um rosto bonito em Hollywood


Warren Beatty é sem duvida um dos galãs mais bonitos que surgiram nas telas cinematográficas, e poderia ter sido um dos muitos rapazes bonitos que tiveram seu momento e desapareceram, como Troy Donahue ou George Hamilton, mas ele conseguiu reinventar sua carreira, tornando-se também um diretor e produtor premiado, tendo uma carreira de sucesso há mais de 60 anos.


Henry Warren Beatty nasceu e Richmond, Virginia, em 30 de março de 1937. Seus pais eram professores, e durante a adolescência o rapaz atlético tornou-se um astro do futebol americano escolar. Beatty pretendia tornar-se atleta profissional, e tinha grandes chances disto, mas foi convencido por sua irmã, a atriz Shirley McLaine (Shirley MacLean Beaty) a tentar a carreira de ator.


Warren Beatty, em 1955, quando ainda era jogador de futebol americano

 Shirley McLaine e Warren Beatty

Beatty então conseguiu um emprego como assistente de palco em um teatro em Whashington, que lhe permitiu ter contatos com atores e diretores famosos. E foi através destes contatos que ele conseguiu seu primeiro trabalho como ator, atuando em um episódio do programa de televisão Kraft Television Theatre, em 1957. Ele faria outras participações em séries de TV até conseguir um papel regular na série adolescente The Many Loves of Dobie Gillis em 1959. A série era estrelada por Tuesday Weld, e também marcou a estréia de outro galã, Ryan O'Neal.


Tuesday Weld e Warren Beatty em The Many Loves of Dobie Gillis 

Em 1961 ele fez teste para o papel de Tony em Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961), mas perdeu para Richard Breymer.

Foi o diretor Elia Kazan quem deu a primeira oportunidade de Beatty no cinema, no sucesso Clamor do Sexo (Splendor in the Grass, 1961), onde ele era protagonista, ao lado de Natalie Wood, a mesma estrela de Amor, Sublime Amor. O filme tinha grande tensão sexual e psicológica, fugindo do estilo dos romances açucarados da época, e lançou Warren Beatty como um dos mais promissores astros da nova safra de Hollywood.


Seu filme seguinte foi Em Roma na Primavera (The Roman Spring of Mrs. Stone, 1961), onde ele interpretava um jovem que namora uma mulher mais velha, papel de Vivien Leigh. Beatty e Leigh tiveram um romance durante as filmagens, assim como ele havia namorado Natalie Wood durante as gravações de O Clamor do Sexo. O ator tornou-se um famoso conquistador de Hollywood, namorando diversas estrelas e celebridades. Ele também teve um relacionamento com a francesa Leslie Caron, com quem contracenou em A Deliciosa Viuvinha (Promise Her Anything, 1966).

Warren Beatty e Leslie Caron em A Deliciosa Viuvinha

Não querendo ficar marcado apenas como um galã, ele apostou em projetos mais ousados, como O Anjo Violento (All Fall Down, 1962), que falava sobre delinquência juvenil. Também fez filmes mais alternativos como Lilith e o Destino (Lilith, 1964), Mickey One (1965) e  Caleidoscópio (Kaleidoscope, 1966).

Em 1966 ele também resolveu ser produtor de cinema, fazendo a produção da comédia O que é Que Há, Gatinha? (What's New Pussycat?, 1966), com roteiro de Woody Allen, que também protagonizava a fita. Allen manipulou Beatty, que acabou abandonando o projeto e ficando com um grande prejuízo.

Apesar da experiência frustrada, ele investiu em outra produção, desta vez tendo o controle absoluto de tudo, da escolha do elenco a montagem final. Assim, Warren Beatty foi o responsável por todas as decisões de Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967), que também protagonizou, ao lado de Faye Dunaway.

O filme que contava a história real de um casal de assaltantes que aterrorizou os Estados Unidos na década de 20 fez um enorme sucesso, e foi indicado a dez Oscars, incluindo sua primeira indicação ao prêmio.


Apesar do enorme sucesso, e de ter se consolidado entre os grandes em Hollywood, Beatty só retonaria ao cinema três anos depois, quando atuou em Jogo de Paixões (The Only Game in Town, 1970), com Elizabeth Taylor. Seu filme seguinte foi Onde os Homens São Homens (McCabe & Mrs. Miller, 1971), no qual contracenou com Julie Christie, com quem ele teve um longo relacionamento (não monogâmico). Ele moraram juntos entre 1967 e 1973.

Após atuar nos filmes Ladrão que Rouba Ladrão ($, 1971) e A Trama (The Parallax View, 1974), Beatty voltou a produzir, realizando Shampoo (Idem, 1975), que tinha Julie Christie novamente no elenco. Em Shampoo Beatty vivia um cabeleireiro playboy e mulherengo, inspirado na vida de Jay Sebring, o cabeleireiro das estrelas, morto na casa de Sharon Tate pelo grupo de Charles Mason. O filme marcou a estréia de Carrie Fisher no cinema.

 Warren Beatty e Carrie Fisher em Shampoo

Após atuar em O Golpe do Baú (The Fortune, 1975), de Mike Nicholson, voltou a produzir e estrelar outro filme, O Céu Pode Esperar (Heaven Can Wait, 1978), novamente com Julie Christie. O filme fez um grande sucesso de bilheteria, e lhe deu dinheiro suficiente para produzir Reds (Idem, 1981),  épico sobre a vida do revolucionário jornalista comunista americano John Reed durante a Revolução Russa de 1917. O filme ganhou quatro Oscars e deu a ele o prêmio de melhor diretor. 

 Warren Beatty e Diane Keaton em Reds

Warren Beatty então teve uma carreira esporádica, atuando apenas em filmes que produziu, sempre tendo o o controle total da obra. A super produção Ishtar (Idem, 1987), com Beatty, Dustin Hoffman e Isabelle Adjani foi um grande fracasso e lhe deu um grande prejuízo financeiro.

Ele retornou ao cinema como o herói dos quadrinhos Dick Tracy, no filme de mesmo nome, feito em 1990. A obra era co-estrelada pela cantora Madonna, com quem o ator também teve um breve namoro.


Madonna e Warren Beatty em Dick Tracy


Após o sucesso de Dick Tracy ele trabalhou então em Bugsy (Idem, 1991), sobre a vida do mafioso Bugsy Siegel. Durante as filmagens ele conheceu a atriz Annette Bening, com quem se casou em 1992. Chegava ao fim a vida do maior solteirão convicto de Hollywood, na época com 55 anos de idade.


Annette Bening e Warren Beatty em Bugsy


A lista de namoradas do ator ao longo de sua carreira incluem estrelas como Isabelle Adjani, Diane Baker, Brigitte Bardot, Candice Bergen, Maria Callas, Claudia Cardinale, Leslie Caron, Cher, Julie Christie, Marina Cicogna, Joan Collins, Janice Dickinson, Samantha Eggar, Britt Ekland, Princesa Elizabeth da Yugoslavia, Morgan Fairchild, Jane Fonda, Melanie Griffith, Daryl Hannah, Barbara Harris, Goldie Hawn, Joey Heatherton, Lillian Hellman, Margaux Hemingway, Barbara Hershey, Lauren Hutton, Iman, Bianca Jagger, Christine Kaufmann, Diane Keaton, Christine Keeler, Jacqueline Kennedy, Sylvia Kristel, Diane Ladd, Vivien Leigh, Elle Macpherson, Madonna, Princesa Margaret da Inglaterra, Diane McBain, Linda McCartney, Marisa Mell, Mary Tyler Moore, Christina Onassis, Bernadette Peters, Juliet Prowse, Vanessa Redgrave, Diana Ross, Jean Seberg, Serena, Lori Singer, Inger Stevens, Stella Stevens, Susan Strasberg, Barbra Streisand, Twiggy, Liv Ullmann, Mamie Van Doren, Vanity, Diane von Fürstenberg, Veruschka von Lehndorff, Raquel Welch, e as irmãs Lana Wood e Natalie Wood. Ele também namorou a cantora Carly Simon, e há rumores que a música You So Vain (Você é tão egoísta, na tradução) teria sido feita para ele.


Sobre Warren Beatty, Marlene Dietrich disse certa vez: "ele namorou todas as atrizes ruins de Hollywood, com excessão da Lassie."

Com a esposa Annette Bening ele fez Segredos do Coração (Love Affair, 1994), remake de Tarde Demais para Esquecer (An Affair to Remember, 1957), antigo sucesso estrelado por Deborah Kerr e Carry Grant. Segredos do Coração ainda tinha no elenco a veterana Katharine Hepburn.

Katharine Hepburn, Warren Beatty e Annette Bening em Segredos do Coração


O casal teve quatro filhos, e permanece junto até hoje. Ele só voltaria ao cinema em Politicamente Incorreto (Bulworth, 1998). O filme Ricos, Bonitos e Infiéis (Town & Country, 2001), foi seu primeiro trabalho como ator desde a década de 70 em uma obra que ele não produzia. 

Diane Keaton e Warren Beatty em Ricos, Bonitos e Infiéis

Seu último trabalho no cinema foi em Regras Não Se Aplicam (Rules Don't Apply, 2016), que ele dirigiu, produziu e atuou, fazendo o papel do produtor Howard Hughes, que ele conheceu no começo de sua carreira.

Warren Beatty em Regras Não Se Aplicam
Embora indicado ao Oscar de melhor ator três vezes, nunca venceu o premio, mas em 2000 recebeu um prêmio especial pelo conjunto de sua obra.

Faye Dunaway e Warren Beatty na entrega do Oscar de 2018


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