Por onde anda? Shirley Jones, de A Família Dó Ré Mi


A atriz e cantora Shirley Jones talvez seja mais lembrada como a matriarca Shirley Partridge na série A Família Dó-Ré-Mi (The Partridge Family, 1970-1974), mas ela já era uma atriz consagrada no cinema antes de interpretar a doce mãe da família musical. Shirley havia protagonizado diversos musicais, e tinha um Oscar em sua estante.



Shirley Mae Jones nasceu na Pensilvânia, em 31 de março de 1934. O nome Shirley foi uma homenagem de seus pais a atriz mirim Shirley Temple, grande estrela na época em que Jones nasceu.

Desde muito pequena Shirley já gostava de cantar, e durante uma estada em um acampamento de verão, os conselheiros recomendaram que ela tomasse aulas de canto. Shirley passou a ter aulas de técnica vocal com o famoso cantor e professor Ralph Lawando. Logo ela estaria participando de musicais em Pittsburgh.

Um amigo conseguiu para ela uma audição com o agente da Broadway Gus Sherman, que lhe ofereceu um contrato imediatamente. Ela então mudou-se para Nova York, com 100 dólares no bolso e uma meta, se não obtivesse sucesso em um ano, retornaria para casa e trabalharia como veterinária. Felizmente, ganhamos uma estrela e o mundo perdeu uma veterinária.

Seu primeiro emprego na Broadway foi com substituta de uma das garotas do coro, em South Pacific, de Rodgers e Hammerstein. Mas os autores ficaram encantados com seu talento, e logo a promoveram a estrela do espetáculo.

Jones estreou na televisão em 1950 e em 1952 fez teste para estrelar Cantando na Chuva (Singing' in the Rain, 1952), mas perdeu o papel para Debbie Reynolds.  Sua estréia no cinema só ocorreria anos mais tarde, no musical Oklahoma! (Idem, 1955), convidada pelos próprios autores Rodgers e Hammerstein para ser a protagonista.

Shirley Jones e Gordon MacRae em Oklahoma

Em seguida ela protagonizou outro musical da dupla de autores, Carrossel (Carousel, 1956), novamente ao lado de Gordon MacRae. Seu filme seguinte foi outro musical, Primavera do Amor (April Love, 1957), ao lado do cantor Pat Boone.


Pat Boone e Shirley Jones em Primavera do Amor

A atriz então se mostrou versátil ao trabalhar nas comédias O Rei da Zona (Never Steal Anything Small, 1959) e O Pequeno Gênio (Bobbikins, 1959). Mas o respeito artístico veio quando ela interpretou Lulu Bains, uma jovem "corrompida" por Burt Lancaster, e que desonrada acaba tornando-se uma prostituta em busca de vingança contra o homem que arruinou sua vida em Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960). Por seu papel dramático Shirley Jones recebeu um Oscar de Melhor atriz Coadjuvante.

Shirley Jones e Burt Lancaster em Entre Deus e o Pecado

Após receber um Oscar ela atuou na comédia Pepe (Idem, 1960) e no western Terra Bruta (Two Rode Together, 1961), ao lado de John Wayne e James Stewart. Ao mesmo tempo, continuava trabalhando em séries de televisão, fazendo participações.

Em 1962 Shirley atuou em seu último grande musical, Vendedor de Ilusões (The Music Man, 1962), gênero que começava a entrar em declínio. No filme, além de contracenar com Robert Preston, ela trabalhou com o jovem Ron Howard, que anos mais tarde se tornaria um grande diretor.

Robert Preston e Shirley Jones em O Vendedor de Ilusões



Após Vendedor de Ilusões ela voltou a trabalhar com Ron Howard em Papai Precisa Casar (The Courtship of Eddie's Father, 1963), que ainda tinha Glenn Ford e Dina Merril no elenco.

 Shirley Jones, Ron Howard e Glenn Ford em Papai Precisa Casar

Shirley passou a estrelar diversas comédias como Operação Matrimônio (A Ticklish Affair, 1963), Dois Farristas Irresistíveis (Bedtime Story, 1964), O Leão Está Solto (Fluffy, 1965) e O Segredo do Meu Sucesso (The Secret of My Success, 1965).


Shirley Jones, Marlon Brando e David Niven em Dois Farristas Irresistíveis

Após atuar no drama Desespero d'Alma (L'intrigo, 1964), com Rossano Brazzi, a carreira de Jones comeou a decair. Ela então foi para o México atuar em Romance em Acapulco (El golfo, 1969), estrelada pelo cantor espanhol Raphael.

De volta aos Estados Unidos ela atuou em Tempo para Amar, Tempo para Esquecer (The Happy Ending, 1969), de Richard Brooks e Cheyenne (The Cheyenne Social Club, 1970), último longa metragem dirigido pelo antigo astro dos musicais Gene Kelly. No elenco ainda James Stewart e Henry Fonda.

 Shirley Jones e James Stewart em Cheyenne

A carreira de Shirley Jones teve uma guinada quando ela foi convidada para estrelar a série A Família Dó-Ré-Mi (The Partridge Family, 1970-1974), onde interpretava uma viúva chefe de uma família musical.

No início, apenas Jones cantaria na série, mas com a entrada de David Cassidy no elenco, os produtores mudaram de idéia. Cassidy não só interpretava o filho de Jones, mas era também seu enteado na vida real.

David tinha seis anos de idade quando a atriz casou-se com o seu pai, o também ator Jack Cassidy. Com Jack Cassidy ela teve três filhos, incluindo o também cantor Shaun Cassidy.

Shaun Cassidy

Além de ser madrasta de David Cassidy na vida real, Shirley Jones também foi parcialmente responsável por criar o ator Danny Bonaduce, que interpretava seu filho Danny Patridge, o menino ruivo, baxista da banda.

Danny tinha um pai violento e sofria abusos em casa, e Shirley, comovida, convidada o menino para dormir na sua casa, alegando para a sua família que a casa dela era mais perto do estúdio, o facilitaria as gravações. Já adulto, após ter problemas com drogas e ir morar na rua, Shirley acolheu novamente Bonadouce em sua casa, até ele se reerguer.

A Família Dó-Re-Mi fez um enorme sucesso em todo o mundo, mas a popularidade de David Cassidy eclipsou a série, que foi cancelada após quatro temporadas. E embora ela tenha se separado de Jack Cassidy em 1975, um ano após a série ser cancelada, ela e David sempre mantiveram uma boa relação, até o fim da vida do ator.


O primeiro trabalho de Shirley Jones após o fim da série foi no telefilme A Família que Ninguém Queria (The Family Nobody Wanted, 1975), com a atriz Katherine Hellmond. Na década de 70 ela praticamente só trabalhou na televisão, fazendo um único filme, Dramático Reencontro no Poseidon (Beyond the Poseidon Adventure, 1979).

 Shirley Jones em Dramático Reencontro no Poseidon

Em 1979 ela estrelou outra série de TV, chamada Shirley (1979-1980), mas está não teve o mesmo sucesso e foi cancelada após 12 episódios. A atriz Rosana Arquette, em começo de carreira, interpretava a sua filha.

Shirley Jones, Peter Barton, Rosana Arquette e Bret Shryer em Shirley

Nos anos seguinte ela continuou atuando, mas sem tanta projeção. Shirley Jones fez diversas participações em séries como Assassinato Por Escrito (Murder She Wrote), O Barco do Amor (Love Boat), Melrose Place (Idem) e Sabrina, Aprendiz de Feiticeira (Sabrina, the Teenage Witch). Ela retornou a década de 70 interpretando a si mesma em That '70s Show.

 Shirley Jones em Sabrina, Aprendiz de Feiticeira

No cinema, sua participação tornou-se cada vez mais escassa, muitas vezes atuando filmes pouco relevantes como Uma Família em Pé de Guerra (Tank, 1984), Gideon - Um Anjo em Nossas Vidas (Gideon, 1998), Um Presente de Deus (Manna from Heaven, 2002), Queridinho da Vovó (Grandma's Boy, 2006), Final de Semana em Família (Family Weekend, 2013) e Noite dos Zumbis (Zombie Night, 2013).

Uma das mães mais famosas da televisão, agora tornou-se uma doce avó nos filmes.

Shirley Jones e Cloris Leachman em Um Presente de Deus

Em 2017 a atriz ficou bastante comovida com a morte de David Cassidy, e foi ela quem discurso em seu funeral. Para ela David era como um filho de verdade.


Danny Bonaduce, Shirley Jones e David Cassidy

Ela continua atuando, e está confirmada no elenco de três filmes que serão lançados em 2019.


Shirley Jones, atualmente


Curta nossa página no Facebook 
e inscreva no nosso canal do Youtube

0 comentários:

Enviar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil