Troy Donahue, de galã a mendigo


Nas décadas de 50 e 60 o galã Troy Donahue fez muitas mulheres suspirarem. Mas ao mesmo tempo que ele se tornou um astro rápido, sua carreira decaiu bruscamente no final dos anos 60. A briga com a Warner, e algumas de suas atitudes, foram as principais responsáveis pelo seu declínio.


Merle Johnson Jr. nasceu em 27 de janeiro de 1936, em Nova York. Filho e um gerente do departamento de cinema da General Motors e da atriz teatral Edith Frederickson, Donahue cresceu em meio a atores da Broadway, como Gertrude Lawrence, mas seus pais não queriam que ele fosse ator. Em uma entrevista certa vez declarou: "Minha mãe me ajudaria, mas meus pais não queriam que eu me tornasse um ator. Eles preferiam algo mais estável - médico, advogado, chefe índio, qualquer coisa."

Aos 14 anos seu pai faleceu, e sua mãe o colocou na acadêmia militar de Nova York, onde ele foi colega de classe de Francis Ford Coppola. Ele quis ingressar no exército, mas foi dispensado devido a uma lesão no joelho.

Aos 18 anos ele mudou-se para Nova York, e fez aulas de atuação com Ezra Stone, e depois mudou-se para Hollywood, onde arrumou emprego em um restaurante. Um dia ele serviu a mesa do produtor William Asher e do diretor James Sheldon, que se impressionaram com a beleza do rapaz e o convidaram para um teste na Columbia, mas ele não teve sucesso. 

A atriz Fran Bennett o apresentou para o agente Henry Wilson, o mesmo responsável por promover os atores Rock Hudson, Tab Hunter e Guy Williams. Foi ele quem criou seu nome artístico. Williams conseguiu um teste para Donahue na Universal,  que lhe ofereceu um contrato. Ele estreou em uma pequena ponta em Alucinado pela Vingança (Man Afraid, 1957). O ator seguiu fazendo pequenos papéis no estúdio, até que lhe deram uma melhor oportunidade em Estação do Amor (Summer Love, 1958). Donahue seguiu atuando em papéis ainda pequenos, mas melhores em filmes como Tudo Pelo Teu Amor (This Happy Feeling, 1958) e O Poço da Perdição (Live Fast, Die Young, 1958).
Seu primeiro papel de destaque, embora ainda pequno, foi em Imitação da Vida (Imitation Of Life, 1959), como o rapaz que espanca a namorada ao descobrir que ela é parte negra.

Susan Kohner e Troy Donahue em Imitação da Vida

Troy Donahue então foi para a Warner Brothers, onde o diretor Delmer Daves o escalou para protagonizar Amores Clandestinos (A Summer Place, 1959), ao lado de Sandra Dee. O filme fez um grande sucesso, e transformou Troy Donahue em um ídolo, principalmente entre as adolescentes. Por seu trabalho, ele ganhou um Globo de Ouro de Ator Mais Promissor do ano.

A Warner então o colocou como protagonista de Surfiside 6 (1960-1962), uma série derivada de 77 Sunset Street. Donahue atuava ao lado de Van Williams (o futuro Besouro Verde) e Lee Peterson.

 Troy Donahue e Sandra Dee em Amores Clandestinos

Em seguida ele fez parte do elenco do filme catástrofe Céu de Agonia (The Crowded Sky, 1960), estrelado por Dana Andrews e Rhonda Fleming. Ele chegou a ser escalado para Clamor do Sexo (Splendor in the Grass, 1961), mas acabou perdendo o papel para Warren Beatty.

Delmer Daves o escalou novamente para atuar em No Vale das Grandes Batalhas (Parrish, 1961), onde fez par romântico com Connie Stevens. A dupla voltaria a atuar em O Erro de Susan Slade (Susan Slade, 1961), também dirigido por Daves.

Daves ainda escalou o ator para outro grande sucesso, O Candelabro Italiano (Rome Adventure, 1962), co-estrelado por Suzanne Pleschette. Depois Donahue  atuou em Weekend em Palm Springs (Palm Springs Weekend, 1963), novamente ao lado de Connie Stevens. O filme ainda tinha no elenco Ty Hardin e Jerry Van Dyke, e foi um dos primeiros trabalhos no cinema do futuro Tarzan Mike Henry.


Suzanne Pleschette e Troy Donahue em O Candelabro Italiano


Donahue recebia cerca de 7.500 cartas de fãs por semana, e também foi eleito o a 20ª estrela mais popular dos EUA. Ele também se aventurou como cantor, lançando alguns singles pela gravadora da Warner, mas nenhuma de suas gravações entrou na lista do top 100 da Billboard. Após Surfside 6 ser cancelada, ingressou no elenco de outra série, Hawaiian Eye (1959-1963).

Em 1964 ele voltou a trabalhar com Suzanne Pleschette em Um Clarim ao Longe (A Distant Trumpet, 1964). Ele e a atriz se casaram em 04 de janeiro do mesmo ano, se separando meses depois, em 08 de setembro de 1964. Haviam rumores que o ator era gay, e que o casamento foi armado para disfarçar. Mas Donahue sempre negou a homossexualidade. Em 1981, em uma entrevista a revista People ele disse que os boatos surgiram devido a confusão com outro galã loiro da época, que realmente era gay (provavelmente se referindo a Tab Hunter). Troy Donahue se casaria outras três vezes, inclusive com a atriz Valerie Allen, e viveu muitos anos com a soprano Zheng Cao.

Em 1965 ele foi escalado para viver um psicopata assassino em Meu Sangue Ficou Gelado (My Blood Runs Cold, 1965). Troy Donahue ficou feliz por fugir do estereótipo de galã, mas seu público não gostou da mudança, e o filme foi um fracasso.

Troy Donahue e Joey Heatherton em Meu Sangue Ficou Gelado

Descontente com os rumos de sua carreira na Warner, ele pediu a rescisão de seu contrato, que venceria só em 1968. Jack Warner aceitou, mas como vingança, usou sua influência para impedir que Donahue trabalhasse em outro estúdio. Ele ainda conseguiu fazer mais dois filmes em 1967, em estúdios menores, sendo que um deles, Aqueles Fantásticos Loucos Voadores (Jules Verne's Rocket to the Moon, 1967), foi feito na Europa. Depois, o ator desapareceu.

Para piorar sua situação, em 1967 ele deixou o elenco de uma peça, e foi processando, tendo que pagar uma indenização de 200 mil dólares aos produtores. Em 1968 ele declarou falência e perdeu a sua casa, mudando-se para Nova York em 1969. O ator havia se tornado um alcoólatra (ele começou a beber aos 14 anos, após a morte do pai) e estava abusando das drogas. O declínio de sua carreira agravou seu vício. Sem dinheiro, o antigo astro que tinha uma mansão e sete cadillacs de luxo, tornou-se um sem teto, indo morar nas ruas e dormindo em um banco no Central Park. Troy Donahue chegou a se prostituir para comprar drogas.

Quando Donahue conseguiu quebrar o embargo de Jack Warner, ele já estava esquecido e suas fãs tinham novos ídolos. No começo da década de 70 o ator alguns filmes irrelevantes, além de fazer inaugurações e julgar concursos de belezas para ganhar algum dinheiro. Sua posição política, tendo sido uma das primeiras celebridades a se opor a Guerra do Vietnã, e seu visual descuidado, também não ajudavam sua carreira. Em 1971 ele protagonizou o filme de terror trash Sweet Savior (1971), onde vivia um líder de uma seita assassina, cujo o roteiro era inspirado no assassinato da atriz Sharon Tate. A imprensa parecia não acreditar que aquele era Troy Donahue, o antigo bom moço da casa ao lado agora parecia com um dos hippies da época.


Troy Donahue em Sweet Savior





Ao saber de sua situação, o diretor Francis Ford Coppola, seu antigo colega de escola militar, mandou chamá-lo. Coppola lhe deu um pequeno papel em O Poderoso Chefão II (The Goodfather: Part II, 1974), como o noivo de Connie Corleone. No filme, seu personagem se chama Merle Johnson, seu nome de batismo. Com o salário de 10 mil dólares recebido pelo filme, o ator conseguiu sair das ruas. Ainda em 1974 ele trabalhou em Seizure (Idem, 1974), o primeiro filme do diretor Oliver Stone e Galo de Briga (Cockfighter, 1974).

Troy Donahue e Morgana King em O Poderoso Chefão II


O trabalho com Copolla não foi suficiente para lhe devolver a fama do passado, mas garantiu novos trabalhos. Ele apareceu em séries de TV como CHIPs, A Ilha da Fantasia (Fantasy Island) e O Barco do Amor (Love Boat). Também fez um filme nas Filipinas e viajou para o Japão, onde gozava de grande popularidade, para fazer uma série de comerciais de wisky para a televisão.

Com as finanças em dia, e mais um casamento arruinado, Donahue entrou para os alcoólicos anónimos em 1982, e parou de beber. Nessa época, ele descobriu que era pai. Seu filho, Sean, é fruto de um casamento com uma mulher com quem ele teve um breve relacionamento em 1969, mas ele só soube da existência do menino em 1983. Donahue assumiu a criança, e passou a visitá-lo todas as semanas, tendo um bom relacionamento com ele até o fim de sua vida. Ele dizia que Sean foi um presente ganho após a sobriedade.

Nas décadas seguintes ele continuou atuando, mas nunca recuperou o prestígio de antes, trabalhando em produções menores, que nada fizeram pela sua carreira, com algumas exceções. Em 1984 Troy Donahue atuou no filme A Volta Por Cima (
Grandview, U.S.A., 1984), estrelado por C. Thomas Howell, Jammie Lee Curtis e Patrick Swayze. O diretor, Randal Kleiser, lembrou em uma entrevista que durante as filmagens, muitas adolescentes se aglomeravam para ver Howell, e muita gente prestigiava Jammie Lee Curtis, mas a maior multidão eram de mulheres adultas, que queriam rever o galã de sua adolescência e o seguiam por toda parte.


Troy Donahue e Jennifer Jason Leigh em A Volta Por Cima

Em 1990 ele fez uma participação especial em Cry-Baby (Idem, 1990), do controverso diretor John Waters. O filme tem o ator Johnny Depp em um de seus primeiros papéis de destaque, e contava com a participação especial de vários artistas, como as veteranas Polly Bergen e Joey Heatherton, o roqueiro Iggy Pop, o ator David Nelson (irmão de Ricky Nelson), a socialite Patsy Hearst (famosa por ter sido sequestrada na década de 70), o muso de Andy Warhol, Joe Dallessandro, a ex estrela pornô Traci Lords, e claro, o ex galã Troy Donahue, que está irreconhecível no filme.


Joe Dallessando, Joey Heatherton, Mink Stole, Troy Donahue, Patsy Hearst e David Nelson


Seu último trabalho no cinema foi em The Boys Behind the Desk (2000), dirigido por Sally Kirkland. Em 30 de agosto de 2001 Troy Donahue sofreu um ataque cardíaco e foi internado no hospital. Ele morreu três dias depois, em 02 de setembro de 2001, com 65 anos de idade.


Sandra Dee e Troy Donahue, em 1999

O belo Troy Donahue




Curta nossa página no Facebook
Se inscreva no nosso canal do Youtube




1 comentário:

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil