Sandra Dee, e uma vida não tão cor de rosa


Nas décadas de 50 e 60 Sandra Dee era uma grande estrela. A eterna adolescente do cinema encantou uma legião de fãs com seus filmes inocentes e romances açucarados. Mas a vida da estrelinha teen não era tão doce quanto as personagens que ela interpretava nas telas.


Sandra Dee nasceu Alexandra Cymboliak Zuck, em Bayonne, Nova Jersey, em dia 23 de abril de 1942. Existe uma confusão entre as datas de seu nascimento, e algumas fontes afirmam que na verdade ela nasceu em 1944, mas sua mãe teria alterado seus documentos para ela parecer mais velha, e poder assumir alguns contratos de trabalho. Seu filho, Dodd Darin, afirma que na verdade, a mãe nasceu em 1944.

Aos quatro anos de idade Sandra Dee começou a trabalhar como modelo, por pressão de sua mãe, que queria fazer dela uma estrela. Seus pais se divorciaram quando ela era muito pequena, e sua mãe casou-se novamente pouco tempo depois.

A pequena Sandra Dee

Aos 15 anos de idade (se consideramos sua data de nascimento oficial, 1942), Sandra estreou no cinema, atuando em Famintas de Amor (Until They Sail, 1957), de Robert Wise.

 John Wilder e Sandra Dee em Famintas de Amor

No ano seguinte ela atuou em Brotinho Indócil (The Reluctant Debutante, 1958) e Corações em Suplício (The Restless Years, 1958), primeiro dos três filmes em que ela fez par romântico com o ator John Saxon. Com apenas três filmes no currículo, ela já era uma atriz muito popular, principalmente entre o público adolescente. Junto com Carolyn Jones e Diane Varsi, Sandra ganhou o Globo de Ouro de Atriz Mais Promissora do Ano, ainda em 1958.

 John Saxon e Sandra Dee em Corações em Suplício

Mas o estrelato veio quando Sandra atuou no drama Imitação da Vida (Imitation of Life, 1959), de Douglas Sirk. No mesmo ano, ela protagonizou um de seus maiores sucessos, Amores Clandestinos (A Summer Place, 1959), ao lado do galã Troy Donahue, com quem também havia trabalhado em Imitação da Vida. O filme foi um dos campeões de bilheteria daquele ano.

 Troy Donahue e Sandra Dee em Amores Clandestinos



Ainda em 1959 ela atuou em Um Estranho em Meus Braços (A Stranger in My Arms, 1959), Maldosamente Ingênua (Gidget, 1959) e Antro de Desalmados (The Wild and the Innocent, 1959).

Em 1960, aos 18 anos de idade, ela se casou com o cantor Bobby Darin. O cantor também era muito popular entre a juventude, e a imprensa adorou o casal. Suas fotos estampavam diversas revistas pelo mundo.


No final da década de 50, a popularidade da televisão nos Estados Unidos deu um grande prejuízo aos grandes estúdios, que quase faliram e precisaram se reinventar. Eles acabaram com os longos contratos dos artistas, que passaram a ser pagos por obra. Mas Dee acabará de assinar contrato com a Universal, tornando-se a última estrela a ter um longo e vantajoso contrato em Hollywood.

Mas agora casada, Sandra Dee não convencia mais como a virgem adolescente, e o estúdio tentou amadurecer sua carreira. Sandra então estrelou o noir Retrato em Negro (Portrait in Black, 1960), que não agradou aos fãs.

Com John Gavin ela estreou a comédia Romanoff e Julieta (Romanoff and Juliet, 1961), dirigida pelo ator Peter Ustinov.

Sandra Dee e John Gavin no cartaz de  Romanoff e Julieta

Em 1961 ela assumiu o papel da doce Tammy Tyree, que originalmente tinha sido de Debbie Reynolds no filme A Flor do Pântano (Tammy and the Bachelor, 1957). Como Tammy ela fez dois filmes, Com Amor no Coração (Tammy Tell Me True, 1961) e Artimanhas do Amor (Tammy and the Doctor, 1963).

 Peter Fonta e Sandra Dee em Artimanhas do Amor

A Universal também tentou aproveitar a popularidade do casal Dee e Darin, e os colocou juntos em Quando Setembro Vier (Come September, 1961), que fez muito sucesso. Eles ainda atuariam juntos em Se o Marido Atender, Desligue (If a Man Answers, 1962) e Na Boca do Lobo (That Funny Feeling, 1965).

 Bobby Darin e Sandra Dee em Quando Setembro Vier


A Universal tentou fazer de Sandra Dee uma nova Doris Day, mas muitos de seus filmes não fizeram sucesso, como Papai Não Sabe Nada (Take Her, She's Mine, 1963) e Com Qual dos Dois? (I'd Rather Be Rich, 1964).

Em 1965 ela foi dispensada da Universal, acabando assim a era dos atores sob contrato com um estúdio. Sandra então estrelou Passaporte para o Perigo (A Man Could Get Killed, 1966), ao lado de James Garner e a grega Melina Mercouri. Era um filme de ação, que também não agradou ao público.

 Melina Mercouri, Sandra Dee e Anthony Franciosa em Passaporte Para o Perigo

Na MGM Dee estrelou a comédia romântica Doutor, O Sr. Está Brincando! (Doctor, You've Got to Be Kidding!, 1967), ao lado de George Hamilton, o último galã contratado pelo estúdio. E de volta a Universal, fez um papel de apoio em Os Prazeres de Rosie (Rosie!, 1967), estrelado por Rosalind Russell.

 Sandra Dee e George Hamilton em Doutor, o Sr. Está Brincando!

Em 1967 Sandra Dee e Bobby Darin se divorciaram. Com o fim do casamento e sua carreira em declínio, a atriz, então com 25 anos, entrou em profunda depressão, e começou a beber, tornando-se alcoólatra.

A doce menina das telas sucumbiu a anos de problemas e tristezas. Para manter a imagem de adolescente, ela havia desenvolvido anorexia nervosa. Além disto, sua mãe havia sido uma pessoa extremamente abusiva na busca de transformar a filha em uma estrela mirim. Para piorar os seus problemas, o padrastro de Sandra a estuprara diversas vezes durante sua infância.

Sandra Dee só conseguiu retornar ao cinema no filme de terror O Altar do Diabo (The Dunwich Horror, 1970), ao lado de Dean Stockwell, antigo asto mirim, também em decadência. Depois disto, ela faria um filme de baixo orçamento, rodado na Itália.

 Dean Stockwell e Sandra Dee em O Altar do Diabo

A partir da década de 70 a atriz praticamente desapareceu, embora seu nome tenha voltado aos holofotes com a canção "Look at Me, I'm Sandra Dee", do filme Grease, Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978).

Embora separada de Darin desde 1967, ela ficou ainda mais deprimida com a morte dele, após uma cirurgia no coração, em 1973. Bobby Darin era o pai de seu único filho, Dodd Darin, nascido em 1961.

Durante este período, a atriz só fez algumas participações em séries de televisão.

Sandra Dee em A Ilha da Fantasia

Em 1983 ela fez seu último filme, Lost (1983). Depois, ela só voltaria a atuar novamente ao participar da série Frasier (em 1994). Mas Sandra não apareceu diante das câmeras, fazendo apenas a voz de uma das pacientes que ligam para o programa de rádio do psiquiatra Frasier Crane (papel de Kelsey Grammer).

Sandra Dee e Don Stewart em Lost

Em 1991, já com a saúde fragilizada, ela deu sua última entrevista, em um programa de televisão. O programa prestou uma homenagem a atriz, reunindo-a com John Saxon e James Darren, antigos parceiros de tela da atriz, além da amiga Shelley Fabares, outra estrela adolescente da década de 60.

Sandra Dee e John Saxon, em 1991

Em 2000 a atriz anunciou publicamente que sofria de uma série de doenças, entre elas um câncer de garganta e graves doenças renais. Um ano antes, ela havia feito sua última aparição pública, posando para fotos ao lado de Troy Donahue, seu antigo galã de Amores Clandestinos, na comemoração dos 40 anos do filme.

Donahue faleceria pouco tempo depois, aos aos 65 anos de idade.

Sandra Dee e Troy Donahue, em 1999

Em 20 de fevereiro de 2005, uma série de complicações renais, combinada com pneumonia, encerrou a vida de Sandra Dee, aos 62 anos de idade (60, se considerarmos a idade que seu filho afirmava).

Dodd Darin escreveu um livro sobre os país, que foi transformado no filme Uma Vida Sem Limites (Beyond the Sea, 2004), tendo Kevin Spacey como Bobby Darin e Kate Bosworth no papel de Sandra Dee.

Kate Bosworth e Kevin Spacey em Uma Vida Sem Limites



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1 comentário:

  1. Boa tarde. Bobby Darin faleceu logo apos uma cirurgia cardiaca, e nao devido a um acidente aereo em 1973. Parabens pelo post. Max

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