A conturbada vida de Lya de Putti, uma estrela dos tempos do cinema mudo



Um tanto esquecida nos dias de hoje, Lya de Putti foi uma grande estrela nos tempos do cinema mudo, e constantemente interpretava papéis de mulheres sedutoras e fatais, as famosas "vamps" da época. Com quem cabelo curto e boca pintada em forma de coração, ela conquistou o seu lugar na história do cinema das telas prateadas.




Amalia Helena Mária Róza Putti nasceu na Ástria-Hungria (hoje Eslováquia) em 10 de janeiro de 1897. Ela era uma dos quatro filhos de um oficial de cavalaria e de Mária Rozália Kamilla, Condessa Hoyos e Baronesa Stichsenstein.

Ela tinha apenas 15 anos de idade quando se casou com Zoltán Szepessy de Négyes, um magistrado do condado, muitos anos mais velho que ela. O casal teve duas filhas, Illona (nascida em 1914) e Judit (nascida em 1916).

Mas Lya não queria ficar limitada a ser apenas uma esposa da alta sociedade húngara. Ela havia estudado atuação em Bucareste, e começou a atuar nos palcos de seu país local, fazendo um sucesso modesto.

Zoltán não queria ter uma atriz como esposa, e o casal se separou em 1918, ano que ela estreou no cinema, em um pequeno papel em A Csázzár Katonái (1918). Furioso com a ex esposa, Zóltan Négyes disse às duas filhas que Lya havia morrido, e mandou colocar uma lápide em um cemitério próximo, onde dizia que ela havia morrido em 1920. As filhas da atriz só souberam o verdadeiro paradeiro da mãe após a morte de seu pai.

A carreira de Lya de Putti demorou a emplacar, sendo geralmente escalada para pequenos papéis de apoio nos filmes húngaros. Em 1920 ela resolveu tentar a sorte em Berlim, já que a indústria cinematográfica do país estava muito mais desenvolvida.

Já em seu primeiro filme alemão, Zigeunerblut (1920) ela foi escolhida para ser a protagonista, e logo viu sua fama crescer. Em 1924 ela já era a estrela também do teatro Berlin Winter Garden, onde apresentava-se como dançarina de balé.

Contratada pela UFA, principal estúdio de cinema alemão, Lya estrelou diversos filmes que fizeram sucesso, como Othello (Idem, 1922), Terra em Chamas (Der Brennende Acker, 1922), As Conquistas de D. Juan (Die Drei Marien und der Herr Von Marana, 1923), Em Nome do Imperador (Im Namen des Kaisers, 1925), Romance de Comediantes (Komödianten, 1925) e Ciúmes (Eifersucht, 1925).


Vladimir Gajdarov e Lya de Putti em Terra em Chamas


Na Alemanha ela contracenou ao lado de astros como Conrard Veidt, Werner Krauss, Alfred Abel e Lil Dagover, e foi dirigida por grandes nomes como E. A. Dupont, F.W. Murnau e Fritz Lang. Com Emil Jannings contracenou em Variedades (Varieté, 1925), o seu maior sucesso cinematográfico alemão.

O filme fez um enorme sucesso mundial, e chamou a atenção dos produtores de Hollywood, que se interessaram pela estrela europeia.




Na Alemanha, ela ainda protagonizou Manon Lescaut (Idem, 1926), que tinha no elenco a jovem iniciante Marlene Dietrich e Sangue Quente (Jungles Blut, 1926), que por anos foi seu último file alemão.


Lya de Putti em Manon Lescaut


Cartaz de Sangue Quente


Na vida pessoal, apesar de ainda ser bastante jovem, Lya colecionava relacionamentos com homens poderosos, muitas vezes conturbados.

Em 1922 ela casou-se com um comerciante norueguês, que faleceu no mesmo ano vítima de tuberculose. No mesmo ano ela se casou um um diplomata da Noruega, que também não durou muito. Ela também namorou o banqueiro Walter Blumenthal, mas a família dele não permitiu a união, mesmo a atriz fazendo uma greve de fome pública em protesto. Ela também namorou o Conde Ludwig von Salm-Hoogstraeten.

Em 05 de março de 1926 os jornais alemães publicaram que a atriz havia tentado suicídio, após se jogar da janela de seu apartamento. Lya estava discutindo com um namorado, também ator, e quebrou um dos braços e um pé na queda. A atriz negou que tentara se matar, alegando que havia caído da janela ao tentar acenar para alguns amigos na calçada.

Recuperada do "acidente", ela foi procurada por Adolph Zukor, o todo poderoso da Paramount, que a levou para Hollywood. Lya chegou aos Estados Unidos com uma forte publicidade afim de promovê-la como a nova estrela europeia.

Ao lado de Adolphe Menjou e Ricardo Cortez, ela estrelou Tristezas de Satanás (The Sorrows of Satan, 1926), dirigido por D. W. Griffith. O filme foi lançado em duas versões, uma nos EUA e outra na Europa, na versão norte-americana havia uma cena em que Lya aparecia totalmente vestida, enquanto na mesma cena da versão europeia, ela aparecia fazendo topless.


Ricardo Cortez e Lya de Putti em Tristezas de Satanás


O filme não fez muito sucesso, e Lya foi rebaixada a coadjuvante no filme Tentação (The Prince of Tempters, 1926). Ainda no estúdio ela estrelou Dádiva de Deus (God Gave me Twenty Cents, 1926) e depois foi dispensada da Paramount, em 1927.

Deprimida, ela "caiu" novamente de outra janela, mas novamente negou a tentativa de suicídio.


Lya de Putti no cartaz de  Dádiva de Deus


Sem contrato, atuou em Espadas e Corações (The Heart Thief, 1927), feito em um estúdio menor. Lya então assinou com a Universal, onde estrelou Atração da Farda (Buck Privates, 1928). No estúdio ela ainda fez Rosa da Meia Noite (Midnight Rose, 1928), mas ambos não foram bem sucedidos.




Sem sucesso, ela também foi dispensada da Universal, e ainda conseguiu fazer mais um filme americano, A Dama Escarlate (The Scarlet Lady, 1928), feito na Columbia.





Sem nunca ter emplacado em Hollywood, Lya de Putti viu sua carreira decair ainda mais com a chegada do cinema falado. Lya não falava bem o inglês, e além disto, tinha um forte sotaque impróprio para as telas de Hollywood.

Desempregada, ela voltou para à Alemanha, onde fez Mocidade (Charlott etwas Verrück, 1928), mas ainda sonhando em retornar aos Estados Unidos, ela mudou-se para a Inglaterra, onde estudou inglês e atuou em Almas das Ruas (The Informer, 1929), seu único filme falado. Entretanto, a atriz precisou ser dublada na produção.


Lya de Putti em Almas das Ruas


Lya de Putti então voltou para Hollywood, para tentar retomar a sua carreira americana. Mas em 1930, enquanto fazia uma viagem de avião, ela engasgou com um osso de galinha que estava em sua refeição, e precisou ser hospitalizada para retirar o osso de sua garganta.

Lya foi submetida a uma cirurgia, e acabou contraindo uma infecção na garganta. A atriz precisou ficar internada, e se comportou de forma irracional enquanto esteve hospitalizada. Irritada por estar no hospital, ela se recusava a fazer o tratamento corretamente, e mentia para as enfermeiras dizendo que havia tomado a medicação, quando na verdade estava jogando fora. Ela também tentou fugir do hospital diversas vezes, sem sucesso.

A infecção acabou piorando, e afetou os seus pulmões. A atriz acabou contraindo uma forte pneumonia, que lhe tirou a sua vida em 27 de novembro de 1931, com apenas 34 anos de idade.

Zóltan Négyes, seu primeiro marido, ao saber da morte da atriz, cometeu suicídio. Ele deixou uma carta contando para as filhas que a mãe não havia falecido em 1920, mas que agora também estava morta e era a famosa artista de cinema Lya de Putti.









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