Relembrando David Janssen, o Astro de O Fugitivo


Na década de 1960 a série O Fugitivo (The Fugitive, 1963-1967) tornou-se um grande sucesso, obtendo alguns dos maiores recordes de audiência mundial. Todos queriam ver as fugas do Dr. Richard Kimble, que foi condenado a prisão injustamente.

A série, estrelada por David Janssen, também fez muito sucesso no Brasil, sendo exibida pela TV Tupi.



David Harold Meyer nasceu no Nebraska, em 27 de março de 1931. Ele era filho de Bernice Graf, uma dançarina do Zielgfeld Follies, que concorreu ao Miss Universo no ano de 1928. Ela também fez alguns pequenos papéis no cinema.

Bernice Graf é a Miss Nebraska, a primeira a esquerda

Bernice abandonou a carreira para se casar com Harold Mayer, mas o casal se separou em 1935, quando Janssen tinha quatro anos de idade. Mais tarde, ele adotou o sobrenome de seu padrasto, Eugene Janssen, que foi quem o criou.

Porém, Janssen dizia para os amigos mais íntimos que na verdade seu pai era o astro Clark Gable, com quem sua mãe teve um breve relacionamento nos tempos do teatro. Debbie Reynolds, em sua biografia, conta a mesma história, dizendo que todos no estúdio sabiam que Janssen era um filho ilegítimo de Gable, quando o rapaz começou a fazer seus primeiros filmes.

David Janssen e Clark Gable

A família de Janssen mudou-se para Hollywood quando ele era adolescente, e o jovem foi incentivado pela mãe a tentar a carreira de ator. Janssen preferia seguir a carreira esportiva, e ganhou uma bolsa para jogar basquete na faculdade, mas ele a perdeu após se lesionar.

Janssen já havia trabalhado no cinema aos 14 anos, quando fez figuração em É Um Prazer (It's a Pleasure, 1945), estrelado por Sonja Heine. Ele também fez um pequeno papel em Chamas de Ódio (Swamp Fire, 1946).

David Janssen em É Um Prazer (com o apito na boca)

Após perder a bolsa universitária, ele tentou voltar para a carreira de ator, e aos 20 anos conseguiu um contrato com a Universal, mas logo teve que pedir demissão do estúdio ao ser convocado pelo exército. Clint Eastwood era seu colega de batalhão.

Ele deu baixa três anos depois, e conseguiu um contrato na Fox. Porém, nunca filmou no estúdio, pois os produtores não gostaram de seus testes de câmera, por considerarem que o ator tinha orelhas de abano (seria uma herança genética de seu pai biológico?).

Janssen então conseguiu um contrato na Universal, e fez sua estreia como figurante no filme ...E o Noivo Voltou (No Room for the Groom, 1952). Ele interpretava um soldado, mas sua cena acabou cortada na edição final.

O ator fez muitos trabalhos como figurante no estúdio, sem ser creditado. Ele apareceu em filmes menores do estúdio, como os filmes da Mula Francis e do Chimpanzé Bonzo, e foi creditado pela primeira vez em O Capitão Pirata (Yankee Buccaneer, 1952), um filme de aventura estrelado por Suzan Ball e Jeff Chandler.

David Janssen, ao centro, em O Capitão Pirata

Ainda fazendo papéis de apoio, esteve em filmes importantes do estúdio, como Terrível Como o Inferno (To Hell and Back, 1955), Tudo Que o Céu Permite (All That Heaven Allows, 1955) e A Guerra Íntima do Major Benson (The Private War of Major Benson, 1955).

Seu primeiro grande papel no estúdio foi no terror Maldição da Serpente (Cult of the Cobra, 1955), filme onde a Universal testou diversos contratados que queria promover a estrela. Em 1956 o diretor Charles F. Hass ficou tão impressionado com seu talento, que precisou pedir para o ator se conter durante as filmagens de O Covil da Desordem (Showdown at Abilene, 1956), para não ofuscar o trabalho do protagonista interpretado por Jock Mahoney.

Jock Mahoney e David Janssen em O Covil da Desordem

Em 1956 o ator deixou a Universal, e foi contratado pela Warner Brothers. Lá, seu primeiro trabalho foi em Impulsos da Mocidade (The Girl He Left Behind, 1956), ao lado de sua amiga Natalie Wood

Mas seus papéis ainda eram pequenos, e seu nome era desconhecido do grande público. Tanto que quando filmava Lutando Só Pela Glória (Lafayette Escadrille, 1958), alguns soldados que serviram no exército ao seu lado foram convidados para fazer figuração, e acharam que o antigo colega também era um figurante, apesar de terem estranhado o fato de agora ele estar usando um uniforme de capitão.

Tab Hunter e David Janssen em Lutando Só Pela Glória

Após fazer quase 30 filmes, onde foi pouco aproveitado, o ator teve sua primeira grande chance quando foi escalado pelo diretor Dick Powell para protagonizar a série Richard Diamond, Private Detective (1957-1960). Foi a primeira das quatro séries que o ator estrelou ao longo de sua carreira.

Mary Tyler Moore, em começo de carreira, interpretava sua secretária, mas seu rosto nunca aparecia em cena, que apresentavam apenas as pernas da atriz.

Barbara Bain e David Janssen em Richard Diamond, Private Detective

A série tornou o nome do ator famoso, e o diretor Daniel Mann queria Janssen em Disque Butterfield 8 (BUtterfield 8, 1960), mas Elizabeth Taylor bateu o pé e exigiu que o papel fosse interpretado por Eddie Fisher, seu marido na época.

Como prêmio de consolação o ator foi chamado para co-estrelar Do Inferno Para a Eternidade (Hell to Eternity, 1960), ao lado de Jeffrey Hunter e Vic Damone.

Do Inferno Para a Eternidade

O filme valeu a David Janssen uma indicação ao Globo de Ouro na Categoria de Ator Mais Promissor do Ano. No ano seguinte o ator protagonizou seis filmes, Seis Guerreiros (Dondi, 1961), Anel de Fogo (Ring of Fire, 1961), As Cartas Marcaram Sua Morte (King of the Roaring 20's: The Story of Arnold Rothstein, 1961), Começou em Tóquio (Twenty Plus Two, 1961) e Beco Sem Saída (Man-Trap, 1961).



O ator também fez muitos trabalhos na televisão, e ainda atuou em Meus Seis Amores (My Six Loves, 1963), ao lado de Debbie Reynolds, antes de começar seu trabalho mais famoso, a série O Fugitivo (The Fugitive, 1963-1967).





David assumiu o papel do Dr. Richard Kimble em O Fugitivo (1963) e quatro anos de muito sucesso se seguiram. A série chegou a dar 72 pontos de audiência, pois queriam ver como Richard Kimble provaria que não havia assassinado sua esposa.

Por este papel, ele ganhou um Globo de Ouro, e foi três vezes indicado ao prêmio Emmy.





Com o fim da série o ator fez muitos filmes, como O Agente 711 Pede Socorro (Warning Shot, 1967), Os Boinas Verdes (The Green Berets, 1968), As Sandálias do Pescador (The Shoes of the Fisherman, 1968), Palácio do Vício (Where It's At, 1969), Sem Rumo no Espaço (Marooned, 1969), Um Casal Prá Frente (Generation, 1969), Macho Callahan (1970), Uma Vez Só Não Basta (Once Is Not Enough, 1975), Conspiração na Suíça (The Swiss Conspiracy, 1976), Pânico na Multidão (Two-Minute Warning, 1976) e S.O.S. Titanic (1979).


John Wayne e David Janssen em Os Boinas Verdes

David Janssen em  S.O.S. Titanic

Ele também atuou em diversos telefilmes, e estrelou as séries O'Hara, U.S. Treasury (1971-1973) e Harry O (1973-1976). Barry Morse, seu colega de elenco de O Fugitivo, costumava brincar que  "David Janssen era um dos atores que mais trabalhavam nos EUA".

David Janssen e Barry Morse


Este excesso de trabalho teve um alto custo para a saúde do ator. Na madrugada de 13 de fevereiro de 1980 ele sofreu um ataque cardíaco fulminante, morrendo com apenas 48 anos de idade. Na época ele estava filmando Inchon (1981), que foi lançado após a sua morte.


David Janssen em Inchon

Muito querido pelos colegas de Hollywood, e considerado um dos melhores atores para se trabalhar, uma legião de astros compareceu em seu enterro. Entre eles Anthony ZerbeDeborah Raffin,  Jean Seberg, Suzanne Pleshette, Milton Berle, Johnny Carson, Tommy Gallagher, Richard HarrisStan Herman , Rod Stewart, Gregory Peck, Jack LemmonGeorge PeppardJames Stewart e Danny Thomas.

Janssen foi casado duas vezes. Seu primeiro casamento foi com a modelo e decoradora de interiores Ellie Graham, com quem se casou em Las Vegas em 25 de agosto de 1958. Eles se divorciaram em 1968. Em 1975, ele se casou com a atriz e modelo Dani Crayne GrecoEles permaneceram casados ​​até a morte de Janssen.



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