Janete Clair, antes da televisão, também foi autora infantil


O poeta Carlos Drummond de Andrade chamou Janete Clair de A Usineira dos Sonhos. A famosa dramaturga é lembrada pelas diversas novelas que escreveu, entre elas Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972) e O Astro (1977), algumas das telenovelas mais bem sucedidas da história da televisão brasileira.

A carreira da autora, na TV, deslanchou após ela ser chamada para salvar o roteiro de Anastásia, A Mulher Sem Destino (1967), estrelada por Leila Diniz, porém, antes disto, Janete já era uma veterana no rádio.

Jenete Stocco Emmer Dias nasceu na pequena cidade mineira de Conquista, em 25 de abril de 1925. Sua entrada no rádio se deu por acaso, em 1943. Morando com sua mãe, já em São Paulo, ela foi acompanhar a irmã em um programa radiofônico da Rádio Difusora.

A irmã, Amilde Stocco, era soprano, e havia ficado em segundo lugar no concurso A Mais Bela Voz de São Paulo, promovido pelo jornal O Diário da Noite. E apesar de não ter vencido o pleito, acabou sendo contratada pela Rádio Difusora, que assim como Diário da Noite, pertencia a Assis Chateubriand. Amilde fez sucesso no rádio, mas abandonou a carreira em 1946.


Acompanhando a irmã durante as gravações de seus programas líricos, a moça chamou a atenção de Octávio Gabus Mendes, que a convidou para ser locutora e rádio atriz. O sobrenome Clair foi inspirado na canção Clair de Lune, de Claude Debussy, sua música favorita.

Em pouco tempo, ela se tornou uma popular rádio atriz do dial paulista.

Janet Clair, rádio atriz

Na Difusora ela conheceu o ator e escritor Alfredo Dias Gomes, em 1945. Eles se tornaram amigos, e depois namorados. Mas Dias Gomes era casado, e o relacionamento teve de ser mantido em segredo, até ele se divorciar em 1947. Em 1948 eles se casaram. E no mesmo ano apareceram no filme Chuva de Estrelas (1948), um média metragem dirigido por Oduvaldo Vianna, destinado a promover os astros das rádios Tupi e Difusora.

Foi Dias Gomes quem incentivou a amada a escrever, e uma de suas primeiras radionovelas tinha o sugestivo nome de Paixão Proibida (1947). Em 1949 o casal foi demitido da Difusora, devido as ideologias políticas de Gomes. Eles então mudaram-se para o Rio de Janeiro, contratados pela Rádio Tamoio, e posteriormente ingressaram no casting da Rádio Nacional.

Janete Clair e Dias Gomes

Janete agora já não atuava mais, e a rádio novela Perdão Meu Filho (1956) fez um enorme sucesso. Antes disto, em 1954, ela havia estreado como roteirista na televisão, escrevendo o programa Enciclopédia Camiseiro, que falava sobre curiosidades históricas e mundias e era exibido pela TV Tupi do Rio de Janeiro.

No mesmo ano, fez um trabalho inusitado, e hoje esquecido, como autora infantil para a gravadora de discos Carrossel. Janete Clair foi a autora da histórinha O Coelho, A Raposa e o Espantalho, narrada por Henrique Lobo e com músicas de Claudio Santoro.

Ouça O Coelho, A Raposa e o Espantalho, escrita por Janete Clair


Com a decadência do rádio teatro, Janete Clair migrou para a televisão, e após ser chamada para salvar o roteiro de Emiliano Queiroz, o autor de Anastásia, A Mulher Sem Destino, se tornaria uma das mais importantes escritoras de telenovelas da história da televisão brasileira.

O capítulo final de  Selva de Pedra (1972), por exemplo, foi o único programa da história da televisão a obter 100% de audiência na TV.

Janete Clair tinha apenas 58 anos de idade quando faleceu, em 16 de novembro de 1983.


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