Paul Lynde, o inesquecível Tio Arthur


A série de televisão A Feiticeira (Bewitched, 1965-1971) é uma das mais populares da história da televisão. Além das aventuras da feiticeira Samantha, coadjuvantes com Endora e Tia Clara conquistaram uma legião de fãs.

E embora só tenha aparecido em 10 episódios, o personagem Tio Arthur, interpretado pelo ator Paul Lynde, também figura entre os mais queridos do público.


Paul Lynde Edward nasceu em Ohio, em 13 de junho de 1926. Durante o ensino médio, Lynde era obeso, pesando quase 115 quilos. Para sobreviver ao bullying, ele desenvolveu uma personalidade engraçada, fazendo piada para não ser o motivo de piada. Anos mais tarde, Mel Brooks declararia "Paul Lynde é o homem mais engraçado do mundo, sendo capaz de fazer rir ao ler a lista telefônica, um anúncio de tornado ou um catálogo de sementes."


Lynde estudou teatro na Universidade, e teve como colegas de classe Cloris Leachman, Charlotte Rae, Patricia Neal, Jeffrey Hunter e Claude Akins. Ele ingressou no teatro como ator profissional no final da década de 40.

Em 1952 ele fez muito sucesso na Broadway, na peça New Faces of 1952, ao lado de Eartha Kitt e Alice Ghostley, a Esmeralda de A Feiticeira.

Eartha Kitt e Paul Lynde em New Faces of 1952

O ator agradou nos palcos, e fez sua estréia na televisão no ano seguinte.  New Faces fez tanto sucesso no teatro, que foi filmada em Cinemascope em 1954. Esta foi a estréia do ator no cinema, embora sua carreira tenha sido mais bem sucedida na televisão.


Entre 1956 e 1957 ele trabalhou na série de televisão Stanley, e começou a aparecer com regularidade em outros programas televisivos. Em 1960 ele retornou à Broadway na peça Bye Bye Birdie interpretando o pai da personagem Kim McFee, interpretada por Susan Watson.

Quando a peça foi levada ao cinema, ele interpretou o mesmo personagem, mas sua filha foi interpretada por Ann-Margret, em Adeus, Amor (Bye Bye Birdie, 1963). No mesmo ano atuou nas comédias O Fabuloso Criador de Encrencas (Son of Flubber, 1963) e Don Juan Era Aprendiz (Under the Yum Yum Tree, 1963).

Mary LaRoche, Paul Lynde, Bryan Russell, e Ann-Margret em Adeus, Amor

Em 1964 ele apareceu em Não me Mandem Flores (Send Me No Flowers, 1964), estrelado por Doris Day. Com a atriz ele ainda faria A Espiã de Calcinhas de Renda (The Glass Bottom Boat, 1966).

Doris Day e Paul Lynde (de peruca ruiva) em A Espiã de Calcinhas de Renda

Em 1965 Paul fez sua primeira aparição em A Feiticeira, mas interpretando outro personagem, Harold Harold, o instrutor de direção de Samantha. Mas sua participação agradou tanto aos produtores que ainda na mesma temporada ele retornou a série, desta vez como o Tio Arthur, um personagem regular.

Paul Lynde em sua primeira aparição em A Feiticeira

Paul Lynde como Tio Arthur

William Asher, produtor da série (e marido de Elizabeth Montgomery), também o convidou para atuar em Folias na Praia (Beach Blanket Bingo, 1965), um dos filmes que dirigiu.

E embora lembrado como o tio amalucado de Samantha (e irmão de Endora), Paul Lynde não atuou muito na série, aparecendo em apenas 11 episódios (se considerarmos também sua participação como outro personagem). Ele também apareceu em quatro episódios de Jeannie é Um Gênio (I Dream of Jeannie), entre 1966 e 1968.

Paul Lynde em Jeannie é Um Gênio

Ele também fez participações em séries como Os Monstros (The Munsters), Gidget, Que Garota (That Girl!), e A Noviça Voadora (The Flying Nun). Na década de 60 ainda atuou também no filme  Lua de Mel Com Papai (How Sweet It Is!, 1968), estrelado por Debbie Reynolds e James Garner.

Quando A Feiticeira foi cancelada, ele ainda estava sob contrato com a rede de televisão ABC, que lhe deu o The Paul Lynde Show (1972-1973). No elenco do programa também trabalhavam os comediantes Jerry Stiller e Anne Meara, os pais do ator Ben Stiller.

Jerry Stiller, Anne Meara e Paul Lynde

A fama lhe rendeu uma pequena fortuna, e ele comprou a antiga mansão de Erroll Flynn em Hollywood. Além do trabalho na televisão, também fez muitas dublagens para a Hanna Barbera, emprestando sua voz para personagens como o Sylvester Sneekly em Os Apuros de Penélope Charmosa (The Perils of Penelope Pitstop, 1969-1971). No estúdio, também dublou o longa de animação A Menina e o Porquinho (Charlotte's Web, 1973).

A mansão de Paul Lynde, que havia sido de Erroll Flynn

Sylvester Sneekly e Penelope Charmosa

Paul Lynde também foi um convidado regular no programa The Hollywood Square durante anos. No programa, eram comum piadas de duplo sentido a respeito de sua sexualidade. Em 2013, Cathy Rudolph, uma amiga do ator, escreveu sua biografia, onde declarou que "ser gay e não poder se assumir publicamente, foi o que mais o frustrou em sua carreira".

As suspeitas de que ele fosse homossexual, além de um grave problema com a bebida, fizeram a carreira do ator entrar em declínio, apensar de muito popular com o público. Paul Lynde foi preso algumas vezes por embriaguez, e em uma delas, em 1978, estava em frente ao estúdio esperando para gravar uma participação em um programa ao vivo. 

Anos antes, em 1965, a imprensa havia abafado um escândalo da morte do aspirante a ator James "Bing" Davidson, que caiu do quarto de hotel onde estava com Lynde. Mas agora, além de não proteger mais o artista, alguns produtores se recusavam a contratá-lo, devido a instabilidade do ator.

No cinema, ele ainda faria pequenos papéis nos filmes Ele Vai Ter Um Bebê (Rabbit Test, 1978) e em Cactus Jack, o Vilão (The Villain, 1979), onde interpretou um chefe indígena. Foi seu último trabalho como ator.

Paul Lynde e Kirk Douglas em Cactus Jack, O Vilão

Em 11 de janeiro de 1982, Paul Lynde não compareceu a festa de aniversário de seu amigo, o ator Paul Barresi. Barresi e um amigo foram até a casa de Lynde, e encontraram o corpo dele em sua cama. Lynde havia sofrido um ataque cardíaco enquanto dormia, na noite anterior.

Ele faleceu com apenas 55 anos de idade.

"Vivemos em um mundo que precisa de riso, e eu decidi que posso fazer as pessoas rirem, estou dando uma contribuição importante" (Paul Lynde)




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