Quando Kirk Douglas veio ao Brasil



Houve um tempo em que muitos astros de Hollywood vinham ao Brasil. Alguns eram contratados por boates e emissoras de televisão, outros vinham para aproveitar o carnaval ou aproveitavam alguma viagem a América do Sul para dar uma esticadinha por aqui.

Em fevereiro de 1963 foi a vez de Kirk Douglas, o astro de Spartacus (Idem, 1959), visitar o país. Sua primeira parada foi na recém inaugurada Brasília, que tinha na época apenas três anos de idade.


Na nova Capital Federal, Douglas visitou os prédios projetados por Oscar Niemeyer, e apreciou obras de arte de Portinari, Di Cavalcanti e ficou realmente impressionado com a escultura Ritos e Ritmos, de Maria Martins.

Acompanhado da esposa, Anne Buydens, o ator foi recebido pelo presidente Juscelino Kubitschek e passeou pela cidade, onde aproveito para pescar e descansar em uma típica rede. Ele gostou tanto das redes brasileiras, que levou uma na mala, quando retornou a Hollywood.

Kirk Douglas e Anne Buydens apreciando a arte brasileira

 


O ator também aproveitou a estada para escrever um artigo sobre Brasília para as páginas da revista O Cruzeiro. Por este trabalho, foi muito bem pago pela publicação, mas doou o dinheiro para as obras da APAE.

A imprensa brasileira dizia que o astro pretendia filmar a vida do presidente JK, e as cantoras americanas Jezebel Singers, em temporada no Rio de Janeiro, chegaram a declarar que haviam sido contratadas para a produção. Os jornais também dizia que ele pretendia filmar uma série em Belém e Manaus, mas durante uma coletiva em São Paulo, o ator desmentiu estes projetos.

Após a estada em Brasília, o ator foi para o Rio de Janeiro, para aproveitar o baile de carnaval, no Teatro Municipal. Nos festejos daquele ano, também a presença ilustre de Rondha Fleming e Rossano Brazzi, que estavam no Brasil filmando Pão de Açúcar (1964).

Kirk Douglas usando chapéu de nordestino, no carnaval

O ator, e a esposa, esbanjaram simpatia na cidade, e Douglas deu uma série de autógrafos. Ele e Anne foram chamados pela imprensa brasileira como "o casal mais simpático de Hollywood no Brasil", apagando a má impressão deixada por astros como Ava Gardner, Yul Brynner e Jack Palance, por exemplo.


Kirk Douglas e Anne Buydens

O único problema relatado na época, envolvendo o ator, foi que ao se dispor a dar entrevista para Jacy Campos, da TV Tupi carioca, na entrada do baile, acabou tumultuando a fila dos foliões que entravam no salão. Outro inconveniente ocorrido foi notado após a festa, quando foram contabilizadas vinte e duas mesas quebradas, devido ao fato de os fãs subirem nelas para ver o ídolo das telas.

Entre os brasileiros famosos na festa, estavam Ângela Maria, Clóvis Bornay, Jece Valadão, Wilza Carla, Dercy Gonçalves, John Herbert, Castinho, Vera Nunes, Norma Blum, Miriam Pérsia, Paulo Porto, Hílton Gomes e Iara Salles.

Jacy Campos e Kirk Douglas

Em uma das noites, o ator compareceu aos festejos de momo a caráter, usando a roupa do filme Spartacus, que o consagrará. O ator brincou o carnaval, e deu atenção a multidão de foliões que o abordavam e busca de um autógrafo ou fotografia.





Na Cidade Maravilhosa, Douglas e a esposa também passearam, e assistiram ao desfile das escolas de samba cariocas. O ator declarou que aquele era "o espetáculo típico mais lindo, colorido e alegre que já virá em toda sua vida".


Kirk Douglas assistindo ao desfile das escolas de samba

Após o carnaval, o ator viajou para São Paulo, para descansar. Ao chegar no Aeroporto de Congonhas, em meio a confusão de fãs que tentavam chegar perto do ídolo, percebeu que alguém tentará roubar sua carteira, e o impediu com um golpe de defesa do boxe, relembrando os tempos do filme O Invencível (Champion, 1949). O ladrão conseguiu fugir, levando consigo a carteira do cônsul norte-americano, que o acompanhava.

Apesar do inconveniente na chegada em São Paulo, também esbanjou simpatia e simplicidade na Terra da Garoa. Douglas, que estava em cartaz por aqui com o filme A Cidade dos Desiludidos (Two Weeks in Another Town, 1962), pediu para assistir ao Pagador de Promessas (1960), de Anselmo Duarte, e teceu elogios aos atores John Herbert e Eva Wilma, após assistir Alô Doçúra, na televisão.

Em São Paulo, visitou a agremiação estudantil União Cultural Brasil-Estados Unidos e ficou hospedado no Hotel Jaraguá, no centro da cidade. Sempre atendendo aos fãs, Kirk Douglas chegou a pedir para usar as costas do governador Adhemar de Barros como base para assinar alguns autógrafos.

Também apareceu, brevemente, em um show do cantor George Green, televisionado pela TV Tupi, cumprimentando o público. Com Green, aprendeu a cantar Maracangalha, de Dorival Caymmi. E esteve na boate João Sebastião Bar, assistindo a um show de Bossa Nova com Claudette Soares.

Kirk Douglas em São Paulo (Acervo São Paulo Night Life 1950-1960)

No site São Paulo Night Life 1950-1960 tem mais informações sobre o astro em São Paulo. (O site pode pode ser acessado aqui).

Após uns dias em São Paulo, o ator e a esposa refugiaram-se no Guarujá, litoral paulista. E retornaram mais alguns dias ao Rio de Janeiro. Voltaram a São Paulo em 02 de março, e no dia 03 Kirk Douglas deixou o Brasil rumo à Bogotá.





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