Eva Wilma quase trabalhou com ‎Alfred Hitchcock


A atriz Eva Wilma já era uma respeitada atriz do teatro, televisão e cinema brasileiro quando teve a chance de fazer um teste para atuar em uma produção do mestre do suspense ‎Alfred Hitchcock.

Em 1968 Eva estrelou a peça Black-Out, baseada no livro Wait until Dark, do norte-americano Frederick Knott. A mesma peça deu origem ao filme Um Clarão nas Trevas (Wait Until Dark, 1967), estrelado por Audrey Hepburn.

Por sua atuação, Eva foi aclamada pela crítica, e ganhou vários prêmios teatrais. Um deles, dado pela embaixada norte-americana, incluía uma viagem para atriz passar 45 dias nos Estados Unidos, estudando o teatro, cinema e televisão produzidos no país. Eva viajou junto com o seu marido na época, o também ator John Herbert.


Durante sua estada no país, Eva foi convidada para conhecer os estúdios da Universal. Lá, enquanto almoçava, um agente de elenco a viu e lhe disse que ‎Alfred Hitchcock estava procurando uma atriz latina para atuar em sua nova produção, Topázio (Topaz, 1969). Eva então mandou fotos e um breve currículo.

De volta ao Brasil, ela foi contatada pelos agentes do cineasta, que pediram mais fotos e material em vídeo, que foi submetido aos EUA. Isto enviado, a equipe mandou buscar a atriz para um teste.

Já nos estúdios da Universal, as coisas não foram fáceis para Eva Wilma. No camarim, durante a preparação, ela recebeu cabelos, cílios e dentes postiços. Até uma prótese falsa de seios foi colocada na atriz. Ao indagar por que tudo isto ao maquiador, Eva ouviu como resposta: "até a Audrey Hepburn levou dois anos para atuar com seus seios originais". Mas ao ver que o figurino incluía uma camisa transparente, a atriz acabou achando que a prótese não era tão má ideia.

Foto de Eva Wilma, feita durante os testes com ‎Alfred Hitchcock

O teste foi feito em três partes. Em uma, ela tinha que passar algumas falas, como se dialogasse com outro personagem. Na segunda, ela foi filmada de forma estática. Mas a última parte foi a mais complicada, o diretor colocou uma cadeira ao seu lado e começou a dialogar com ela. Hitchcock, entretanto, começou a provocar a atriz, que chegou a se irritar e dizer que não conseguia responder a provocação em inglês. O cineasta então então disse "responde na sua língua!". Nervosa, Eva Wilma discutiu com o diretor, em português mesmo. Mas quando ela começou a falar ele respondeu que já bastava.

Sem maiores informações, ela voltou ao Brasil, e soube pela imprensa que a escolhida para o papel da cubana Juanita de Cordoba havia sido dado a atriz Karin Dor, que era alemã.

O filme, um dos últimos da carreira do diretor, foi um grande fracasso de bilheteria.

 Karin Dor e John Vernon em Topázio

Anos antes, John Herbert, marido de Eva, havia feito um teste para o papel de um brasileiro na produção hollywoodiana Amantes em Férias (Roman Holliday, 1959), que teve cenas filmadas em São Paulo. Apesar de ter recebido elogios da colunista Hedda Hopper, Herbert perdeu o papel para Nico Minardos, que era grego!

Eva Wilma nunca trabalhou em Hollywood, mas fez o filme alemão Noites Quentes de Copacabana (Mord in Rio, 1963), filmado no Rio de Janeiro. O filme tinha no elenco os brasileiros Eva Wilma, Hélio Souto, Luis Gustavo, Pedro Paulo Hatheyer, Kleber Afonso, Georgia Gomide, Xandó Batista, Astrogildo Filho e Marina Freire. Além da austríaca Erika Remberg, o alemão Hellmut Lange e o chileno Gustavo Rojo

Trailer de Noites Quentes de Copacabana


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