Relembrando a atriz e dubladora Rita Cleós, a voz da Samantha, em A Feiticeira


A atriz Rita Cleós foi uma estrela do cinema, teatro e televisão brasileira da década de 60. E embora tenha partido precocemente, falecendo com apenas 56 anos de idade, deixou sua marca na dramaturgia brasileira.

Rita também tem uma legião de fãs que nunca a viram atuando, mas ouviram sua voz, eternizada na dubladem da série A Feiticeira (Bewitched), onde ela foi a dubladora brasileira da personagem Samantha Sthepens.
Rita Schadrack nasceu em Blumenau, Santa Catarina, em 29 de setembro de 1931. Filha de imigrantes alemães, em 1939, ela mudou-se com a família para a Alemanha, um mês antes de ser deflagrada a Segunda Guerra Mundial. Sem conseguir voltar para fugir do conflito e da ascenção nazista, sua famíla passou grandes dificuldades diante do horror da guerra. Eles retornaram ao Brasil em 1946, trazendo apenas a roupa do corpo consigo. Olavo, o irmão mais novo de Rita, morreu na Alemanha, em consequência do conflito.

Na década de 50 ela mudou-se para a cidade de São Paulo, e começou a trabalhar em um hospital como auxiliar de enfermagem, ao mesmo tempo em que estudava teatro.

Rita estreou no cinema fazendo figuração em dois filmes paulistas, A Famíla Lero-Lero e A Esquina da Ilusão, ambos de 1953. Em 1954 seu nome apareceu pela primeira vez nos créditos da comédia É Proibido Beijar (1954), estrelada por Tônia Carrero.

No mesmo ano, ela foi coroada com o inusitado título de "A Rainha dos Figurantes", num concurso promovido pela Associação Paulista de Cinema de São Paulo e a Rádio Record.

Rita Cleós, Rainha dos Figurantes, dando entrevista a Paulo Russell para a Rádio Record
(Alberto Russel, irmão de Paulo, é quem está no centro da foto)

Rita Cleós foi contratada inicialmente pela Companhia Teatral Jaime Barcelos - Jackson de Souza. Depois fez parte do TBC, do Grupo Folclórico Brasileiro de Barbosa Lessa, da Cia Nicete Bruno e por fim da Companhia Sérgio Cardoso e Nydia Licia. O fato de integrar importante companhias teatrais, a levou para a televisão.

Os grupos de teatro eram contratados por temporadas para se apresentarem nos teleteatros, e foi assim quem a atriz apareceu pela primeira vez na TV, atuando no Grande Teatro Tupi. Nesta época, ela casou-se com o ator Guilherme Côrrea, que mais tarde viria a se tornar esposo da atriz Ana Rosa. O casamento com Guilherme durou cinco anos.

Muitas vezes, seu nome artístico é grafado como Rita Cléos, mas a grafia correta é Cleós, pois ela se inspirou na personagem Cleópatra, um dos papéis que fez no teatro.

Em 1958 ela protagonizou seu primeiro filme, Macumba na Alta (1958), também rodado em São Paulo. Por seu desempenho ganhou boas críticas como revelação do cinema nacional, embora não tenha feito outro filme durante muitos anos.

Oswaldo de Abreu, Fábio Cardoso e Rita Cleós, em Macumba na Alta

Em 1962 Rita Cleós foi contratada pela TV Tupi de São Paulo, onde fez sua primeira novela, Prelúdio, a Vida de Chopin (1962). Na emissora, atuou nas novelas A Intrusa (1962), Klauss, O Loiro (1963), A Gata (1964), Quem Casa Com Maria? (1964) e Teresa (1965). Na Tupi ela também fez parte do elenco do humoríistico Ah... Legria (1963), ao lado de Lima Duarte.

Machadinho, Goulart de Andrade (quando ainda era ator), Rita Cleós e Lima Duarte em Ah... Legria

Mas seu grande sucesso veio com a novela O Cara Suja (1965), onde interpretava Yara, uma rica jovem da sociedade tradicional, apaixonada por um imigrante pobre, interpretado por Sérgio Cardoso, cujo personagem a chamava carinhosamente de Biondina (loirinha, em italiano).

Sérgio Cardoso e Rita Cleós

A novela fez um grande sucesso, e Rita ousou ao aparecer com os cabelos muito curtos, pouco comum para as mulheres na época. Na verdade, ela havia sofrido um acidente de carro no reveillon de 1964 para 65, e precisou cortar o cabelo devido aos ferimentos. O acidente a deixou com algumas cicratrizes no rosto e um caco de vidro alojado nos lábios, que causavam dor durante as cenas de beijos. Ao término das filmagens, Rita Cleós foi submetida a uma cirurgia plástica, e conseguiu remover o estilhaço que estava alojado em sua boca.

Ainda em 1965 ela estrelou outra novela na Tupi, O Pecado de Cada Um (1965), ao lado do galã Francisco Cuoco. 

Francisco Cuoco e Rita Cleós em O Pecado de Cada Um

Mas a atriz estava descontente com sua situação na Tupi. Rita dizia que seu salário era muito baixo, e que a empresa a proibia de atuar no teatro, que poderia ajudar a complementar sua renda.  Ela então deixou a emissora, e passou um período dedicando-se apenas a dublagem.

Rita fazia trabalhos como dubladora para a AIC-SP desde 1962, e foi lá onde a atriz emprestou sua voz a personagem Samantha Stephens, a bruxinha encantadora de A Feiticeira (Bewitched). A atriz Nícia Soares foi quem primeiro dublou Samantha na primeira temporada, mas logo o papel foi assumido por Rita, que o fez nas temporadas restantes. Ela também dublava Serena, a prima má, também interpretada por Elizabeth Montgmery.


No Brasil, A Feiticeira estreou na TV Paulista em 1965, sendo posteriormente exibida nas TVS Record e Excelsior.

Rita Cleós fez trabalhos como dubladora até 1973, sendo também a responsável pela voz da personagem Libby na série Cidade Nua (Naked City), a Jan no desenho Space Gosth, a Cassy Jones em A Armadilha (Convoy), a Yumi em Spectreman, a Helga em Guerra, Sombra e Água Fresca (na primeira temporada) e a Jane Jetson na última temporada do desenho Os Jetsons. Também fez diversos personagens femininos em Perdidos no Epaço (Lost in Space), Os Três Patetas (Three Stooges), Jeannie é Um Gênio (I Dream of Jeannie) e no desenho do Pica Pau.

Em 1966 Rita Cleós foi para a TV Excelsior, onde atuou nas novelas Redenção (1966), Legião dos Esquecidos (1968), Dez Vidas (1969) e Sangue do Meu Sangue (1969). Depois a atriz decidiu deixar a televisão.

A partir de então, passou a trabalhar como tradutora de filmes e livros ingleses, alemães e italianos. Ela ainda atuaria nos filmes Diário de Uma Prostituta (1979) e A Noite das Depravadas (1981).

A convite do diretor Geraldo Vietri, seu amigo dos tempos da Tupi, aceitou retornar para a televisão, trabalhando no Programa Teleconto, na TV Cultura, onde encenou as produções O Homem Que Sabia Javanês (1981) e Mary Stuart (1982). Com Vietri ainda, agora na TV Bandeirantes, fez uma participação em Dona Santa, seriado estrelado por Nair Bello, em 1982, e depois disto nunca mais voltou a atuar, mudando-se para Ilha Bela, onde foi trabalhar como gerente em um hotel.

Em 1988 Rita Cleós mudou-se para Curitiba, para ficar mais perto dos sobrinhos, pois nunca havia tido filhos. Em 25 de abril de 1988 Rita Cleós sofreu um ataque cardíaco em seu apartamento. A atriz estava sozinha em casa, e seu corpo só foi encontrado no dia 21 de maio de 1988 (data erronameante atribuida a sua morte).

Ela tinha apenas 56 anos de idade. A família se recusa a falar sobre a morte da atriz, devido o tratamento recebido pela imprensa na época.

Veja Rita Cleós atuando em Macumba Na Alta (1958)


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