Ira von Fürstenberg, a princesa italiana que se tornou atriz, e filmou no Brasil


Na história do cinema muitas atrizes tornaram-se princesas fora das telas. A mais famosa delas foi Grace Kelly, que se tornou princesa de Mônaco. Mas atrizes como Lee Radziwill e Rita Hayworth também entraram para a nobreza quando se casaram com aristocratas. O caso mais recente é o da atriz Megan Markle, que se casou com o príncipe Harry, da Inglaterra.

Mas houve pelo menos duas princesas reais que fizeram o caminho contrário, trocando a coroa pelas telas, Soraya, a princesa da Pérsia e a italiana Ira von Fürstenberg.




Virginia Carolina Theresa Pancrazia Galdina Prinzessin zu Fürstenberg nasceu em 17 de abril de 1940, e era filha do príncipe Tassilo de Fürstenberg e da herdeira da Fábrica Italiana Automobilística de Turim (FIAT), Clara Jeanne Agnelli, e sobrinha de um ex-presidente da Fiat, Gianni Agnelli.

Aos 14 anos de idade a menina foi prometida ao príncipe Alfonso de Hohenlohe, herdeiro de propriedades na Espanha e no México. Casaram-se no ano seguinte, em 1955, em uma festa em Veneza que durou três dias.

Com o príncipe Honenlohe ela teve dois filhos, mas era infeliz. Em 1960 a jovem então com 20 anos de idade, se apaixonou pelo industrial italo-brasileiro Baby Pignatari, que conheceu enquanto esquiava na Suíça. Ela deixou o príncipe para viver com o famoso playboy do Jet Set internacional.

Com raiva por ter sido traído, Hohenlohe proibiu Ira de ver seus filhos, e os escondeu da mãe por anos. Ira von Fürstenberg mudou-se para o Brasil, e casou-se com Baby em 1961.

Ira Von Fürstenberg e Baby Pignatari

Embora nunca tenha escondido que Baby foi o grande amor de sua vida, o casamento durou pouco. O empresário tinha fama de mulherengo, e o casal se divorciou em Las Vegas em 1964. O divórcio com o industrial foi uma das condições de seu ex-marido para que Ira pudesse ver os filhos novamente.

Em 1973 o príncipe Hohenlohe se casou com Jocelyn Lane, outra atriz que virou princesa na vida real.

Em 1962 foi anunciando que a atriz francesa Mylène Demongeot viria ao Brasil fazer um filme inspirado em sua vida, e que Jaime de Mora y Aragón, irmão da Rainha Fabiola da Bélgica intepretaria o príncipe Hohenlohe e o ex-campeão olímpico de esqui Tony Sailer daria vida a Baby Pignatari.

Porém, a idéia original do filme não foi realizada por questões contratuais, mas Mylène Demongeot veio ao Brasil e filmou Copacabana Palace (1963), onde interpretou uma princesa fictícia, de férias no Brasil com um famoso playboy internacional. E embora Don Jaime de Mora y Aragón (1925-1995) não tenha vindo ao Brasil participar do projeto, ele fez alguns trabalhos como ator nas décadas de 60 e 70.

Jaime de Mora y Aragón e Vittorio de Sicca

Separada de Baby, e com a guarda de seus filhos, a princesa Ira continuou a frequentar o Jet Set e estampar as capas de revistas em todo o mundo, e agora sonhando em tornar-se atriz. Em 1965 ela assinou contrato com o famoso produtor Dino de Laurentis para estrelar a adaptação de Barbarella para o cinema, mas o projeto foi abandonado devido a censuras impostas na época. Três anos depois, o produtor retomou os planos e realizou Barbarella (Idem, 1968), mas tendo a atriz Jane Fonda como estrela.

Dino de Laurentis também contratou a Princesa Soraya, da Pérsia (1932-2001), para estrelar As Três Faces de uma Mulher (I tre volti, 1965). Mas após aparecer no filme Ela (She, 1965), estrelado por Ursula Andress, a aristocrata abandonou a carreira de atriz.
 A princesa Soraya, da Pérsia (hoje Irã) no cartaz de As Três Faces de uma Mulher

Ira von Fürstenberg havia feito um pequeno papel na televisão norte-americana em 1962, e estreou no cinema no filme francês Eu Matei Rasputin (J'ai tué Raspoutine, 1967), de Robert Hossein. O filme era estrelado por Geraldine Chaplin, e Ira tinha um papel pequeno, com apenas três falas.

 Robert Hossein dirigindo Ira von Fürstenberg em Eu Matei Rasputin


Em seu filme seguinte, uma co-produção entre Itália, França e Alemanha, Ira estrelou Dois Bilhetes para o México (Geheimnisse in goldenen Nylons, 1967), ao lado do veterano Peter Lawford. No mesmo ano, o consagrado diretor italiano Alberto Lattuada escalou a bela princesa para protagonizar O Incomparável Espião (Matchless, 1967), uma espécie de paródia dos filmes de James Bond, tendo Ira como uma agente internacional.

 Ira von Fürstenberg em O Incomparável Espião

E muitos outros filmes viriam, geralmente comédias eróticas italianas. Na Inglaterra, teve um papel importante em Um Instante, Adeus (Hello-Goodbye, 1970), de Jean Negulesco, e em 1971 ela foi uma das estrelas de O Super Macho (Homo Eroticus, 1971), com Lando Buzzanca e as belas Rossana Podestà e Sylva Koscina. Sua beleza e curvas voluptuosas não eram exploradas só pelo cinema, mas pelas páginas de revistas que adoravam estampar seus retratos e fofocas sobre sua vida. 
 Ira von Fürstenberg em Um Instante, Adeus

Mas a fama não era proporcional ao respeito como artista, e ela nunca foi considerada uma grande atriz, sendo mais vista como um chamariz publicitário para as produções em que atuava. Em 1970, o brasileiro Glauber Rocha chegou a recusá-la no elenco de O Leão de Sete Cabeças (1970), primeiro filme internacional feito pelo cineasta quando estava no exílio.

Em 1972, ainda no auge da carreira europeia, ela causou um rebuliço na imprensa brasileira ao retornar ao Brasil para atuar na novela Na Idade do Lobo (1972), da TV Tupi. A estrela dos estúdios Cinecittá agora trocava a Itália pelos estúdios da emissora no bairro do Sumaré, em São Paulo.

A atriz ganhou uma pequena fortuna para fazer uma participação na novela. Protagonizada pelo ator Carlos Alberto, diziam que a obra escrita por Sérgio Jockyman era inspirada na vida de Baby Pignatari, e a presença de Ira reforçou a teoria.

Carlos Zara, o diretor da novela, ainda tentou trazer a atriz Elsa Martinelli para participar da novela, mas as negociações não foram para frente.

 Ira von Fürstenberg e Carlos Alberto em Na Idade do Lobo

De volta à Itália, a atriz também atuou em uma série de westerns spaguettis (conhecidos como bang bang italianos por aqui) como Rápidos, Brutos e Mortais (Los amigos, 1973), ao lado de Franco Nero e Anthony Quinn. E, depois de participar de Os Barões (I baroni, 1975), na Itália, ela declarou à revista Fatos & Fotos: “O cinema me agrada imensamente. Estou decidida a empregar todas as minhas energias para me tornar uma grande atriz. Não posso dar um passo em falso. Encontrei no cinema a chance que a vida me recusou, a de me realizar como pessoa”.

Em 1978 a atriz retornou ao Brasil, para filmar O Amante de Minha Mulher (1978). O diretor Alberto Pieralisi mandou o galã do filme, David Cardoso, para buscar a estrela no aeroporto. O filme ainda tinha no elenco os atores Milton Moraes e Berta Loran.

David Cardoso e Ira von Fürstenberg

David Cardoso, um grande conquistador brasileiro, e a atriz tiveram um romance durante as filmagens. Tanto que o também diretor demitiu sua atriz principal para contratá-la para protagonizar o próximo filme que iria dirigir, Desejo Selvagem (1979), rodado no Pantanal.

Cardoso foi para Londres especialmente para assinar o contrato com Ira. Na época, ela fechou a negociação um cachê de US$ 10 mil por 25 dias de filmagens, mais as passagens aéreas de primeira classe e um maquiador  particular em tempo integral.

Mas as filmagens foram conturbadas. Após gravar durante dez dias, Ira anunciou que iria viajar para à Europa, para participar de um desfile de Valentino. David Cardoso disse que não podia atrasar as filmagens, pois a equipe já estava contratada e nos locais da locação. A atriz bateu o pé, e foi.

Como não podia adiar a produção, Cardoso rodou algumas cenas que seriam dela com a atriz Sonia Saeg,que acabou ganhando um papel maior no filme. Ira von Fürstenberg ficou furiosa quando retornou e descobriu, e o romance do casal terminou. O filme ficou confuso, e acabou não fazendo sucesso como as demais obras de Cardoso faziam na época.

A atriz faria apenas mais um filme em sua carreira, a comédia francesa Plus beau que moi, tu meurs (1982). Aposentada do cinema, ela seguiu sua vida de socialite.

Em 1985 surgiram rumores que ela estaria namorando o príncipe Rainier de Mônaco, agora  viúvo de Grace Kelly. Chegaram a falar em um possível casamento, mas Ira Füsternberg nunca mais voltou a se casar desde o divórcio com Pignatari. Ela e Rainier se conheciam desde 1962, quando ela foi para Mônaco rodar um filme, que nunca foi finalizado. Na época, ela e Grace Kelly tornaram-se amigas.

O príncipe Rainier e Ira von Fürstenberg

Em julho 2006, Christoph, seu filho com príncipe Alfonso de Hohenlohe foi condenado a prisão em Bangcoc, após falsificar seu visto de permanênica na Tailândia. Ira fez de tudo para tentar libertá-lo, usando de toda sua influência e contratando os melhores advogados. Mas nada conseguiu fazer por ele.

O herdeiro aristocrata foi preso em uma cela comum, com outros quarenta detentos. Em 06 de agosto do mesmo ano, Christoph faleceu na prisão. O governo da Tailândia recusou-se a fazer autópsia, mas os médicos que o atenderam disseram que a provável causa da morte foi devido a privação de insulina. Ele tinha 49 anos de idade.

Atualmente, Ira von Füstenberg mora em Roma, onde trabalha como desingner de jóias. Até hoje, vaidosa, não se deixa fotografar sem estar devidamente penteada e maquiada.

Ira von Füstenberg, atualmente, com a princesa Charlene e o príncipe Albert II de Mônaco

Seu irmão Egon foi casado com a famosa estilista Diane von Füstenberg, num casamento não aprovado pela família, já que eles eram nobres católicos e ela uma plebéia judia (nascida 18 meses após sua mãe ser libertada do campo de concentração de Auswitchz). Egon e Diane se separaram em 1972, quando ela perdeu o título de princesa, mas pode permanecer com o sobrenome, já que havia feito sua carreira profissional com ele.

 Ira von Füstenberg, na capa da Revista Manchete, em 1971


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1 comentário:

  1. O Cardoso não perdoava,conquistava todas,mas também com aquele material-genético até eu...

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