Jack Buetel, o ator particular de Howard Hughes


Jack Buetel foi a estrela do filme O Proscrito (The Outlaw, 1943), uma super produção feita por Howard Hughes, um magnata excêntrico de Hollywood, que era famoso por gastar muito dinheiro e tempo em suas produções, fazendo com as filmagens parecessem intermináveis. O filme ficou pronto em 1941, mas só foi lançado, com pouca repercussão, em 1943.

O filme era estrelado pela também novata Jane Russell, que recebeu um enorme publicidade promovida pelo diretor, ao contrário do que aconteceu com o ator Jack Buetel, que não recebia tanto destaque. E embora laçado em 1943 o filme só recebeu distribuição a partir de 1946, mas estava sendo rodado desde 1940.

Nestes seis anos de atrasos, nem Russell nem Buetel puderam atuar em outras produções, já que tinham um contrato de exclusividade com o produtor Howard Hughes.



Jane Russell e Jack Buetel em O Proscrito


Apesar da demora, o filme fez um enorme sucesso, principalmente por sugerir o ato sexual entre Buetel e Russell. Logo, todos os diretores queriam os novos astros das telas, e Howard Hughes liberou Jane Russell (que se tornou uma estrela) para novos projetos, muitos deles produzidos por ele mesmo.

Mas Buetel foi impedido de trabalhar, ficando longe dos filmes até 1951. Durante 11 anos, ele ficou sob um contrato exclusivo do diretor, que o impediu o ator de trabalhar, mas ficou recebendo um enorme salário.

O diretor Howard Hawks havia implorado para Hughes liberar Buetel para o filme Rio Vermelho (Red River, 1948), mas não foi atendido. Montgomery Clift ficou então com o papel, e se tornou um astro.




Howard Hughes era um herdeiro bilionário, famoso por suas excentricidades e seu transtorno compulsivo obsessivo, que ficou mais evidente no final da vida, virando até motivo de piada em Hollywood. Ele também era um conhecido mulherengo, e alugava uma suíte no famoso Hotel Chateau Marmont (onde tudo acontecia) para observar as moças na piscina.

Ele revelou muitas atrizes descobertas assim, e namorou a maioria delas, e sua lista de conquistas em Hollywood incluem Jean Harlow, Katherine Hepburn, Lana Turner, Ava Gardner, Terry Moore, Jean Peters (a única com quem se casou), Rita Hayworth, e uma interminável lista de atrizes.


Howard Hughes e Jean Harlow


Porém, a maioria dos seus biógrafos afirmam que o produtor e diretor era bissexual, e tinha um fetiche em maltratar os homens com quem dormia, sentindo prazer em humilhar os parceiros do mesmo sexo. No livro Howard Hughes: Hell' Angel (2010), escrito por Darwin Porter, o autor nos conta que aos 11 anos de idade sua mãe pegou Hughes beijando um menino em um encontro da igreja, e lhe deu um enorme banho, onde esfregou desinfetante no menino, para tirar seu "pecado imundo". Este fato, teria desencadeado a compulsiva mania de limpeza e temor aos germes nutridos por Howard Hughes por toda vida.

Aos 15 anos de idade, e medindo 1,80, Howard Hughes foi convencido pelo tio, o roteirista Rupert Hughes, a deixar o Texas e ir para Hollywood, para ser ator. O belo e rico rapaz chamou a atenção na capital do cinema, onde teria tido um relacionamento com o galã latino Ramon Novarro.

Ele também teria se envolvido com o diretor William Desmon Taylor, que queria o transformar em um astro. Rupert Hughes estava escrevendo um roteiro para Hughes estrelar, sob direção de Taylor, com quem ele estaria namorado. Porém, em fevereiro de 1922 o cineasta foi assassinado, em um caso nunca resolvido em Hollywood. No mesmo ano, sua mãe morreria de complicações de uma gravidez com um rapaz, que havia sido namorado de Hughes anteriormente.

Desiludido com a carreira de ator, Howard Hughes se tornou produtor cinematográfico em 1926, com 21 anos de idade. Ao longo dos anos, ele namoraria diversas de suas estrelas, e teria pago verdadeiras fortunas para subornar fotógrafos que haviam conseguido clicar seus momentos de intimidade com outros homens.


William Desmon Taylor

Os relacionamentos com rapazes pareciam ser apenas lances rápidos, ao contrário dos romances com as mulheres. Mas Jack Buetel foi outra obsessão na vida do produtor.

Incialmente quem estrelaria O Proscrito seria o ator David Bacon, um jovem recém chegado a Hollywood. O novato logo começou a ostentar joias, carros e roupas caras, e os boatos diziam que ele havia arrumado um patrono rico.

Bacon foi contratado por Howard Hughes, com um salário acima da média de algumas das estrelas famosas de Hollywood, mas ele logo se casou com a atriz austríaca Greta Keller, e o produtor o dispensou do papel, mas não de seu contrato, e também o impediu de atuar em outros projetos.

Em 1943 Bacon foi encontrado morto em uma praia, dentro de seu carro. Ele havia sido esfaqueado, estava apenas de sunga, e uma câmera dentro do veículo continha um rolo de filmes com fotos do ator nu tiradas poucos minutos antes. Sua morte também nunca foi esclarecida.



No livro de Darwin Porter é dito também que Buetel não foi a segunda escolha do diretor, mas sim um obscuro rapaz de nome  Phil Medina, um rapaz contratado por Hughes, que nunca atuou no cinema. Ele teria sido descoberto fazendo programa nas ruas de Los Angeles.

Porter nos diz que Hughes havia chamado Medina para uma festinha, com outros homens, e havia contratado alguns aspirantes atores que eram contratados do agente Henry Wilson, conhecido por ter revelado Rock Hudson.

Wilson era um controverso agente de talento de garotos bonitos, que cobrava favores sexuais de seus clientes, e também os vendia para quem tivesse dinheiro suficiente para pagarem seus serviços extras.

E um dos rapazes contratados havia sido Jack Buetel, por quem Hughes teria ficado extremamente impressionado assim que o viu, demitindo Medina, que voltou para a casa de sua família, no interior.

Buetel havia deixado o Texas para tentar a carreira em Hollywood, mas não havia conseguido nenhum papel. Ele então arrumou um emprego como balconista, onde acabou sendo descoberto por Henry Wilson.

Hughes então lhe deu o papel do cowboy Billy the Kid em O Proscrito. O filme, além de explorar a sensualidade do casal de protagonistas, tem um subtexto que sugere um ciúmes desproporcional de um personagem masculino em relação a Billy the Kid.

Segundo o livro de Porter, o diretor chegou a gravar uma cena onde Jack Buetel, filmado de costas e completamente nu, estaria mesmo fazendo sexo com um figurante mexicano, contratado por Hughes. A cena entretanto, nunca entrou para a edição final.

Buetel teria reclamado com Wilson que Hughes não o deixava em paz, e que parecia desejar sugar sua alma. O ator era obrigado a manter uma "dieta especial", que incluía seis romãs diárias (fruta que o ator odiava), para purificar seus "fluídos masculinos"

Segundo Porter, Hughes acreditava que ingerir estes fluídos ajudavam a melhorar sua masculinidade. 

Entre 1940 e 1951 Jack Buetel recebeu um alto salário de Howard Hughes, mas só atuou em um único filme, O Proscrito. No começo da década de 1950 o produtor comprou o estúdio RKO, e manteve o ator no elenco de contratados, mas mesmo assim nunca o escalou para outro filme.



Os atores sob contrato de Henry Wilson não eram necessariamente gays, mas acabavam cedendo alguns favores a homens poderosos em troca da promessa de uma carreira de sucesso. Jack Buetel inclusive se casou algumas vezes, e teve 3 filhos.

Foi somente em 1951 que o ator deixou de ser contratado por Howard Hughes. Ele então retornou ao cinema no filme O Melhor dos Homens Maus (Best of the Badmen, 1951). Mas seu nome já havia sido esquecido, e poucos estúdios se interessaram pelo ator, que quase não recebeu mais convites.

Ele ainda faria Rosa de Cimarron (Rose of Cimarron, 1952), Jesse James' Women (1954), Os Covardes Não Vivem (The Half-Breed, 1954) e Mustang! (1959).


Mala Powers e Jack Buetel em  Rosa de Cimarron


Sua melhor chance na carreira foi na série de televisão Judge Roy Bean (1955-1956), onde teve um personagem fixo. Depois, fez algumas participações em séries de televisão, até abandonar a carreira, em 1961.

Depois mudou-se para o Oregon, onde viveu no anonimato, até a sua morte, em 27 de junho de 1989.



Howard Hughes já havia falecido, em 1976, após passar anos recluso com medo de germes e convivendo com as sequelas de seu TOC agravado. Em 1958 ele havia pedido há alguns assessores que exibissem alguns de seus filmes para ele em seu quarto, de onde nunca mais teria saído, até a sua morte.



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