Patty Hearst, a herdeira milionária sequestrada que se tornou guerilheira, e mais tarde virou atriz





Em 04 de fevereiro de 1974 os Estados Unidos pararam diante da notícia do sequestro da jovem Patricia Hearst, uma herdeira milionária, neta de William Randolph Hearst, um dos maiores magnatas da história da imprensa mundial.

Dono de jornais e conglomerados de mídia, e de posições ultraconservadoras, William Randolph Hearst era um nome influente do jornalismo, e havia inspirado o personagem principal do filme Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941), clássico do cinema dirigido por Orson Welles.





Patricia, ou Patty, como era chamada, era uma jovem de 19 anos, que estava na universidade e divida apartamento com o namorado na época. Ela era pouco conhecida antes do sequestro, tendo aparecido algumas vezes em trabalhos filantrópicos, feitos com o dinheiro de sua família.

Ela foi sequestrada pelo Exército de Libertação Simbionese, um grupo de guerrilheiros contra o sistema, e foi escolhida por acaso, após o grupo descobrir que seu apartamento ficava próximo aos locais de reunião. Patty foi escolhida pela projeção de seu sobrenome, e inicialmente seria usada como moeda de troca pela libertação de dois membros do grupo, presos recentemente.

Como não tiveram suas exigências atendidas, o grupo então ordenou que a família de Hearst doasse 70 dólares em alimentos para cada californiano carente, o que custaria 400 milhões de dólares na época. O pai de Patty então gastou 2 milhões, distribuindo comida para moradores pobres da cidade, mas a operação chamada de "pessoas necessitadas", acabou virando um caos, e o grupo se recusou a soltar a jovem.

Dois meses depois que Patty Heart havia sido sequestrada, ela foi vista pelas câmeras de segurança participando de um assalto a um banco, acompanhando o bando que havia a sequestrado. A jovem socialite, então considerada uma refém, agora era vista empunhando uma arma pelas câmeras de segurança. A cena correu o mundo.

Antes disto, ela havia divulgado uma gravação em áudio, anunciando que agora era integrante do SLA (sigla de Symbinese Liberation Army), e respondia pela alcunha de Tania.


Patricia Hearst durante o assalto ao banco


Patty participou de outros crimes, assaltos e tentativas de atentados, até ser presa em 18 de setembro de 1975. Na delegacia, declarou que sua profissão era "guerrilheira urbana" e deu uma entrevista a imprensa dizendo que se sentia livre e feliz.





Patty Hearst dava declarações e fazia manifestações públicas defendendo a SLA. Porém, poucas semanas após o início de seu julgamento, seu discurso mudou. Ela declarou que nas primeiras semanas foi mantida presa em um armário, com os olhos vendados, sob diversas ameaças de morte.

Após 15 dias no cativeiro, foi oferecido a ela a opção de se juntar ao grupo ou ser executada. Patty, e uma enorme equipe de psiquiatras pagos pela sua família, alegavam que ela havia sido estuprada e agredida, e que acabou convencida pelo grupo através de uma severa lavagem cerebral.

A promotoria entretanto alegava que ela não demonstrava esta instabilidade mental anteriormente, e que na prisão guardava com carinho uma pequena estátua de pedra esculpida pelo guerrilheiro que teria a estuprado, uma indicação de que a relação entre era consensual e afetiva. Patty declarou que acreditou que a escultura era uma relíquia arqueológica peruana, e por isso a mantinha com cuidado.

Durante o julgamento, o público conheceu o termo de "Síndrome de Estocolmo", onde a vítima cria empatia pelo seu agressor. Ela foi condenada a 35 anos de prisão, mas o juiz original do seu caso morreu durante os tramites, e seu substituto reduziu a pena para 7 anos.





Em novembro de 1978, enquanto ela cumpria pena, Jim Jones e mais de 900 membros de sua seita cometeram suicídio coletivo. A notícia fez o caso de Patricia Hearst voltar a mídia. Até o astro do faroeste John Wayne saiu em defesa da herdeira, alegando que "todos aceitam que Jones fez lavagem cerebral em centenas de pessoas, mas não aceitavam que o SLA tinha feito lavagem cerebral em Patty".


Em 01 de fevereiro de 1979 ela foi colocada em liberdade condicional, e em 2001 recebeu o perdeu judicial do presidente Bill Clinton.


Após sair da prisão, Patty Hearst se casou com seu antigo segurança, e teve dois filhos com ele. Sua filha, Lydia Hearst-Shaw, mais tarde, se tornou modelo e atriz.

Patty Hearst foi tema de diversos filmes que contavam a sua história, alguns não autorizados. O primeiro deles foi feito pouco depois de sua prisão, Sequestro (Abduction, 1975). No ano seguinte, foi lançado Secuestro (1976), uma produção espanhola, feita durante seu julgamento.

Em 1979 o filme The Ordeal of Patty Hearst (1979), foi o primeiro a usar o sobrenome real de Patty em uma produção cinematográfica. O mesmo não foi mantido no filme Captive, de 1986.

Mas o filme mais famoso do caso é sem dúvida O Sequestro de Patty Hearst (Patty Hearst, 1988), tendo a atriz Natasha Richardson como estrela. O sequestro de Patricia também inspirou o filme American Woman, de 2019.


Natasha Richardson como Patty Hearst


Natasha Richardson e Patty Hearst



Em 1990, muitos anos após o sequestro e a prisão, o polêmico diretor John Waters convidou Patty para um atuar no cinema, fazendo um papel no filme Cry Baby (Idem, 1990), obra que lançou Johnny Depp ao estrelato.

O elenco contava com diversas participações especiais de nomes alternativos, como Joe Dalessandro (antigo muso de Andy Warhol), a atriz pornô Traci Lords e o antigo astro das adolescentes Troy Donahue. David Nelson, ator e irmão do também astro adolescente da década de 1950 Rickie Nelson, interpretava o marido de Patty no filme.


Patty Hearst e David Nelson em Cry Baby



Ela voltaria a trabalhar no cinema outras vezes, geralmente sob a direção de Waters, com quem trabalhou nos filmes Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994), O Preço da Fama (Pecker, 1998), Cecil Bem Demente (Cecil B. Dement, 2000) e Clube dos Pervertidos (A Dirty Shame, 2004).


Patty Hearst e John Waters



Com outros diretores, fez Malucos Por Natureza (Bio-Dome, 1996) e Second Best (2004). Ela também fez participações em séries como Frasier, Son of the Beach e Veronica Mars, seu último trabalho como atriz até o momento (em 2006).


Patty Hearst em Veronica Mars



Patty Hearst também é bastante dedicada a causas filantrópicas, e escreveu alguns livros. Além de escrever sua autobiografia, foi uma das autoras do livro sobre o assassinato nunca esclarecido do diretor Thomas Ince, cometido no iate de seu avô, em 1924.



Patty Hearst atualmente


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