Como a filha de Peter Lorre sobreviveu ao ataque de Serial Killers


Peter Lorre foi um dos maiores coadjuvantes de Hollywood nas décadas de 1940 e 1950. Quem não se lembra dele em Casablanca (Idem, 1942)? Mas foi como o assassino Hans Beckert de M, O Vampiro de Dusseldorf (M - Eine Stadt Sucht Einen Mörder, 1931), um clássico do expressionismo alemão, que o ator ficou mundialmente conhecido.

Peter Lorre

Lorre teve uma única filha, Catharine Lorre, que nasceu em Hollywood, em 1953. Catherine nunca seguiu os passos artísticos do pai, mas em 1977 tornou-se personagem de uma história aterrorizadora, semelhante aos filmes de terror estrelados por seu pai.

Ela tinha 24 anos de idade quando foi abordada pelos primos Angelo J. Buono e Kenneth A. Bianchi, os "Estranguladores de Hillside". 



Os primos assassinos abordavam jovens bonitas no bairro de Hillside, onde moravam famílias de classe média alta, na Califórnia. As moças eram sequestradas, torturadas, estupradas e mortas, e seus corpos jogando em uma colina próxima aos crimes.

Ao todo, a polícia atribuiu aos serial killers a morte de doze vítimas, incluindo uma menina de 12 anos de idade.

As vítimas dos "estranguladores de Hillside"

Catherine quase foi uma das vítimas da dupla. Ela voltava a pé do trabalho quando a dupla a abordou. Eles fingiam ser ser policiais e mostraram um distintivo falso, obrigando-a a entrar no carro, e pediram a sua bolsa, fingindo interesse em conferir seus documentos.

Na carteira de Catharine, eles não só perceberam o sobrenome famoso, como também viram uma antiga foto da jovem, quando criança, sentada no colo do pai. Buono e Bianchi reconheceram o ator Peter Lorre, que já havia falecido, e soltaram a moça imediatamente.

A foto que salvou a vida de Catharine Lorre

Catherine Lorre não entendeu nada, mas mais tarde viu um retrato falado dos suspeitos na televisão, e ligou os pontos. Ela foi até a polícia e ajudou a identificar seus quase algozes, o que foi essencial para  capturá-los. 

Na delegacia os primos confessaram que soltaram Catherine por serem fãs dos filmes de Peter Lorre. Além disto tinham medo da publicidade que a morte da filha de um artista de cinema poderia render. Em 1979 eles foram condenados a prisão perpétua pelos crimes brutais. 

Os assassinatos de Hillside já inspiraram quatro filmes.

Catharine Lorre


A triste vida de Catharine Lorre

Catharine Lorre sobreviveu aos estranguladores psicopatas, mas morreria pouco tempo depois, com apenas 32 anos de idade. 

A vida de Catharine Catharine Evelyn Lorre Baker foi bastante conturbada e triste. Peter Lorre era viciado em morfina, e conheceu sua terceira esposa em uma clínica de reabilitação. Anne Marie Brenning também lutava contra o vício, e deu à Luz a Catherine em 21 de setembro de 1953.


Peter e Catharine Lorre

Anne Marie, Peter Lorre e Catharine

Seus pais se separaram em 1962, e dois anos depois Lorre faleceu, aos 59 anos de idade. Anne Marie, que era alcoólatra, morreu em 1971, aos 49 anos de idade.

Catharine tinha 17 anos, e ninguém se interessou em ficar com a guarda da adolescente. A atriz Celia Lovsky, primeira esposa de Peter Lorre ficou com pena da garota, e cedeu um quarto para ela morar. Depois o crítico de cinema James Powers, que era viúvo da atriz Karen Verne (segunda esposa de Lorre, que cometeu suicídio em 1967) acabou tornando-se seu guardião.

Em 1980 Catharine casou-se, e parecia ter encontrado a felicidade. Mas seu marido morreu pouco tempo depois, em um acidente de motocicleta.

Pouco tempo depois ela adoeceu. Catharine havia nascido com problemas de saúde, devido ao fato de sua mãe ter consumido drogas em sua gestação. Entre outras comorbidades, ela desenvolveu diabetes infantil, que nunca foi realmente tratada.

Catharine Lorre

Em 1984 ela foi internada em um hospital, após perder a visão, além de possuir sérios problemas circulatórios. Após quase um ano internada, ela faleceu em 07 de maio de 1985, vítima de uma encefalomalácia e complicações da diabetes, aos 32 de idade.

Seu corpo ficou mais de um mês no necrotério municipal, sem ser reclamado. Por fim um primo providenciou seu funeral, no qual compareceram apenas quatro pessoas: o primo, um antigo advogado de Peter Lorre acompanhado de seu filho e a uma das enfermeiras que cuidou dela durante sua internação.

Humphrey Bogart, Peter Lorre e Catharine Lorre




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