O assassinato do ator Dick Kallman


Quando foi assassinado, em 1980, o ator e cantor Dick Kallman já estava afastado há alguns anos do meio artístico, e a cobertura midiática do caso dava mais destaque ao fato de ele ser um rico homem de negócios morto aos 46 anos de idade, pouco lembrando da sua curta mas  bem sucedida carreira cinematográfica.



Richard Kallman nasceu em Nova York, em 07 de julho de 1933. Seu pai era um homem muito rico, que havia feito fortuna com uma rede de hotéis luxuosos, e sua mãe, Zara Whittman, havia sido uma atriz da Broadway.

Kallman teve uma educação refinada, aprendendo desde pequeno a apreciar obras de arte e antiguidades, e por influência da mãe, estudou canto e dança desde pequeno. Ele acabou desenvolvendo uma carreira teatral.

Em 1951 ele foi premiado por sua atuação no musical Seventeen, na Broadway, conquistando o respeito da crítica por sua carreira teatral. 



Com alguns trabalhos como ator na televisão, ele estreou no cinema em 4 Pistoleiros e Um Homem (Hell Canyon Outlaws, 1957). Curiosamente, o ator conhecido pelos musicais da Broadway estreou nas telas em um western, onde não cantava.

Em 1959 ele atuou em Proibido! (Verboten!, 1959), de Samuel Fuller, mesmo ano em que fez Born to Be Loved (1959), seu primeiro papel no cinema onde interpretava um jovem doce e inocente, "o bom moço da casa ao lado", um estilo de papel que marcaria sua carreira nos anos seguintes.



Sua carreira começou a decolar quando ele fez uma participação na série The Luci-Desi Comedy Hour, em 1960. Apesar de ser um pequeno papel, Lucille Ball, a estrela do programa, se encantou com o rapaz. Lucille não era só a protagonista, mas uma produtora poderosa na televisão, dona de seu próprio estúdio de TV, o Desilu.

Ela contratou o rapaz, e foi testando-o em diversos programas produzidos na Desilu.


Dick Kallman e Lucille Ball

Em 1961 Dick apareceu no cinema novamente, atuando em Esquina do Pecado (Back Street, 1961), mas sua grande chance veio quando Lucille Ball decidiu que ele finalmente estava pronto para ser um astro, e o convidou para protagonizar a série Hank (1965-1966).

Kallman interpretava o jovem Hank, um rapaz órfão e de bom coração, que apesar da origem humilde, conseguiu entrar em uma grande universidade graças ao seu bom desempenho escolar. Mas para ajudar a família de sua irmã, ele precisava conciliar seus estudos com um emprego vendendo lanches na universidade, em um food-truck.

Sofrendo preconceito por ser pobre, ele acabava namorando a jovem mais popular do local, uma garota rica, filha do reitor da universidade. O namoro, claro, era preciso ser mantido em segredo.







O programa agradou ao público, e valeu ao ator uma indicação ao prêmio de estrela revelação do ano de 1966, num concurso realizado pela tradicional revista especializada em cinema Photoplay. Porém, o programa competia diretamente com a série As Aventuras de James West (Wild Wild West), um tremendo sucesso da época, e acabou não indo tão bem na audiência.

Hank também foi uma das primeiras séries a ter um desfecho em sua história, mostrando Hank se formando na Universidade, e ficando com sua amada, num relacionamento finalmente aceito por seu pai.

Enquanto ainda gravava a série, Kallman gravou alguns discos destinados ao público adolescente, algo muito comum entre os astros juvenis da televisão na época. Antes disto, já havia lançado outros discos no final da década de 1950.



Em 1967, após Hank ser cancelada, ele teve seu maior papel no cinema na comédia Doutor, O Sr. Está Brincando! (Doctor, You've Hot to Be Kidding!, 1967), uma comédia estrelada por Sandra Dee.

Kallman era um dos três rapazes que disputavam o amor de Sandra Dee, brigando pela amada com os atores Bill Bixby e Dwayne Hickman.


Dick Kallman, Dwayne Hickman, Sandra Dee e Bill Bixby em Doutor, o Senhor Está Brincando!

Depois Kallman ainda fez duas participações na série Batman (Batman & Robin), em 1967 e 1968. Ele interpretou o mesmo personagem, Little Louie Groovy, um produtor musical que parodiava o famoso (e polêmico)  Phil Spector.



Dick Kallman em Batman


Kallman ainda brilhou em um novo espetáculo na Broadway, em Half a Sixpence (1967), mas desgostoso com sua carreira artística, abandonou a atuação, e montou com uma mãe uma grife de roupas.

Eventualmente, ele apareceu na série Medical Center, em participações especiais feitas entre 1970 e 1974. A empresa de moda não durou muito tempo, e ele trabalhou então como designer de interiores, e mais tarde tornou-se um comerciante de artes, joias e antiguidades.

Mas ao contrário da maioria dos vendedores de arte, Dick Kallman não quis montar uma galeria, preferindo fazer vendas mais intimistas. Ele transformou seu luxuoso apartamento em Manhattan em um local de exposições, e geralmente fazia suas vendas para colecionadores que ele recebia em um jantar.

Em 04 de abril de 1980 a revista New York fez uma longa e detalhada matéria mostrando sua casa galeria, inclusive listando os valores de muitos dos seus valiosos tesouros a venda, incluindo um quadro de Ticiano, avaliado em 2,3 milhões de dólares na época.



Poucos dias depois, em 22 de fevereiro de 1980, três homens bateram na porta de Dick Kallman, pela manhã. Ele acreditou que eram clientes com quem para quem havia oferecido um jantar na noite anterior, e que tinham voltado para comprar alguma peça que haviam hesitado anteriormente.

Mas na verdade eram três assaltantes, que haviam visto a reportagem e seu método de vendas, e planejaram um roubo ao local.

A polícia encontrou Kallman morto na entrada da residência, vestindo apenas um roupão. Ele havia levado um tiro no rosto.  No quarto principal estava Stephen Szladek, completamente nu, morto em uma poça de sangue. A imprensa listou Szladek como seu "assistente", uma forma discreta de dizer que Szladek era seu marido.

A investigação não deu muito importância ao caso, considerando que o casal havia sido morto em um encontro mal sucedido, diante de muito preconceito pela orientação sexual das vítimas. O caso só ganhou maiores investigações após um inventário revelar que diversas obras de arte, joias e objetos de valor de pequeno porte haviam sido roubados durante o crime.

Apenas um dos criminosos foi identificado, Charles Lonnie Grosso, de 27 anos de idade. Ele nunca revelou quem eram os outros dois homens que estavam com ele, apesar de ter detalho o crime no tribunal.

Ele foi condenado a prisão perpétua, mas saiu em liberdade condicional em 2012. Os objetos roubados na casa do ator nunca foram recuperados.




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