O centenário de Simone Signoret


Embora seja considerada uma das maiores estrelas do cinema francês, Simone Signoret nasceu em Wiesbaden, Alemanha, em 25 de março de 1921, com o nome de Simone Henriette Charlotte Kaminker.


Filha de pai judeu com mãe católica, ela migrou para à França ainda criança, morando em Paris. A futura atriz completou o ensino médio durante a ocupação nazista, mesma época em que seu pai foi proibido de trabalhar, devido a sua religião.

Usando documentos falsos, pois também não tinha permissão para trabalhar, Simone conseguiu um emprego em um jornal francês, e passou a ser a única responsável pelo sustendo da família. O trabalho no jornal a colocou em contato com escritores, artistas e atores, que se reuniam no Café du Flore.

Nesta época ela começou a namorar o ator Daniel Gélin, que a aconselhou a tentar a carreira de atriz. Ela adotou o sobrenome de solteira da mãe, para esconder a sua origem judaica, e estreou no cinema como figurante em Bolero (1942).

Daniel Gélin e Simone Signoret

Simone apareceu em diversos filmes fazendo pequenos papéis. Ela ainda não era um nome conhecido dos apreciadores da sétima arte, mas já ganhava dinheiro suficiente para sustentar a mãe e os irmãos. Seu pai, por medidas de segurança, havia fugido para à Inglaterra.

A atriz geralmente era escalada para papéis de mulheres ousadas e sensuais, e interpretou muitas prostitutas em sua carreira. Ela começou a chamar a atenção quando teve um papel importante em Escravas do Amor (Dédée d'Anvers, 1948), dirigido por Yvés Allegret, que se tornou seu primeiro marido.

Eles se casaram em julho de 1948, e se separaram em 1951. Nesta união nasceu a sua única filha, Catherine Allégret, que também é atriz.

Simone Signoret chamou a internacional por seu papel em A Ronda (La Ronde, 1950), onde contracenou com seu antigo namorado Gélin. O filme foi censurado em Nova York por ser considerado imoral.

Simone Signoret e Gerard Phillippe em A Ronda

No ano seguinte ela ganhou um Bafta de Melhor Atriz ao interpretar outra prostituta no filme Amores de Apache (Casque d'or, 1952), de Jacques Becker.

Simone Signoret em Amores de Apache

Na década de 1950 ela atuou em muitos filmes franceses, se destacando em obras como Teresa Raquin (Thérèse Raquin, 1953) e As Virgens de Salem (Les Sorcières de Salem, 1957).

Neste período ela e seu segundo marido, Yves Montand (com quem se casou em 1951) receberam muitos convites para atuar em Hollywood, mas tiveram o visto negado pelo governo norte-americano. O posicionamento político do casal não era bem visto em Hollywood nos tempos de McChartismo.


Sem poder aceitar trabalhos em Hollywood, a atriz seguiu no cinema europeu, e esteve brilhante como uma professora fria no thriller As Diabólicas (Les Diaboliques, 1955), dirigido por Henri-Georges Clouzot. No filme, ela contracenou com a brasileira Vera Clouzot, esposa do diretor.


Vera Cluzout e Simone Signoret em As Diabólicas

Na Inglaterra Simone atuou em Almas em Leilão (Room at the Top, 1959), dirigida por Jack Clayton. Por esta atuação ela foi eleita a melhor atriz no Festival de Cannes e ganhou um Oscar de Melhor Atriz.



Foi somente em 1960 que Simone e Montand conseguiram autorização para entrar nos Estados Unidos. Ela estava em Hollywood em março de 1960, e conseguiu agradecer ao seu Oscar. A atriz recebeu outras ofertas para atuar no cinema americano, mas recusou os convites.

Yves Montand, entretanto, aceitou contracenar com Marilyn Monroe em Adorável Pecadora (Let's Make Love, 1960).

Simone Signoret, Marilyn Monroe e Yves Montand

Simone Signoret preferiu continuar atuando na Europa, onde fez Mentira Infamante (Term of Trial, 1962), com Laurence Olivier e recebeu outra indicação ao Oscar ao interpretar uma condessa em A Nau dos Insensatos (Ship of Fools, 1965), ao lado de Vivien Leigh.

Simone Signoret e Vivien Leigh em A Nau dos Insensatos

Após recusar muitos papéis em Hollywood, aceitou fazer uma participação em um programa de televisão de Bob Hope, que lhe rendeu um prêmio Emmy como atriz convidada.

Na Inglaterra, fez Chamada Para Um Morto (The Deadly Affair, 1967), dirigida por Sidney Lumet. Ainda no país, também fez O Terceiro Tiro (Games, 1967), de Curtis Harrington. Ambos os filmes lhe renderam uma indicação ao prêmio Bafta.

Por seu papel em O Gato (Le Chat, 1971), ganhou o Urso de Prata em Berlim. Ela também ganhou um César por seu trabalho em Madame Rosa - A Vida à Sua Frente (La Vie Devant Soi, 1977).



A atriz passou a trabalhar pouco na década de 1980, mas seu trabalho em L'étoile du Nord (1982) lhe rendeu mais uma indicação ao prêmio César. Muitas vezes comparada a Romy Schnneider, ela convenceu a amiga a fazer mais um filme, Le Passante du Sans Souci (1982), feito após a morte do filho da atriz.


Simone Signoret e Romy Schnneider 

Simone Signoret faleceu em 30 de outubro de 1985, aos 64 anos de idade. Ela lutava há alguns anos contra um câncer no pâncreas. 

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