Romy Schneider, a estrela que morreu de coração partido


Romy Schneider, a estrela austríaca sempre será lembrada pelos seus fãs por sua beleza e talento. A eterna interprete da imperatriz Sissi, porém não teve uma vida tão perfeita quanto alguns dos papéis que interpretou nas telas do cinema.

Romy partiu em 1982, com apenas 43 anos de idade.


Seu nome verdadeiro era Rosemarie Magdalena Albach, e ela nasceu em 23 de setembro de 1938, na cidade de Viena.

Nascida em uma família de atores, ela era filha do casal de atores austro-alemão Wolf Albach-Retty e Magda Schneider. Seus antepassados, por parte de pai, pertenciam à famosa dinastia de atores austríacos Albach-Retty. Até mesmo o trisavô de Romy, Adolf Retty, foi ator na Áustria, e seus bisavós eram o diretor artístico e ator Rudolf Retty e a cantora Maria Katharina “Käthe” Retty. Sua filha, a avó de Romy, era a atriz Rosa Albach-Retty, que atuava na corte austro-húngara.

Wolf Albach-Retty e Magda Schneider

Com quatro semanas de idade, Romy foi entregue para ser criada pelos avós, já que seus pais trabalhavam muito. E ao primeiro ano de idade, ela foi entregue aos cuidados de uma governata, e praticamente nunca via seus pais.

Ao seis anos de idade, ela foi enfim enviada para um colégio interno, onde permaneceu até 1953. Foi lá que ela decidiu que queria ser atriz.

Ao sair do internato, ela se mudou para a cidade de Colônia, na Alemanha, onde sua mãe morava com seu novo marido (ela havia se separado em 1943), e onde iria frequentar um curso técnico.

Mas ela nem chegou a frequentar a escola. Sua mãe iria estrelar o filme Entre Dois Amores (Wenn der weiße Flieder wider blüth, 1953, e soube que o diretor procurava uma jovem para um papel importante. Magda nem sabia que a filha desejava ser atriz, mas a indicou para o papel.


Romy precisou fazer um teste, mas foi aprovada pelo diretor, e recebeu um contrato na UFA, um importante estúdio de cinema alemão.


Willy Fritsch, Magda Schneider e Romy Schneider em Entre Dois Amores

Romy agradou em sua estréia no cinema, e foi escalada para atuar em A Menina do Circo (Fuerwek, 1954), estrelado por Lili Palmer. Ela interpretava uma jovem que foge de casa para se juntar ao circo, e aos 15 anos de idade, deu o primeiro beijo de sua vida, diante das câmeras, no ator Claus Biederstaedt.

Claus Biederstaedt e Romy Schneider

Ainda em 1954 ela conheceu o diretor Ernst Marischka, que se tornaria o grande impulsionador de sua carreira. Ele já tinha contratado uma atriz para estrelar seu próximo trabalho, Os Jovens Anos de Uma Rainha (Mädchenjahre einer Königin, 1954), mas ao ver Romy ficou encantado com a garota, e acabou lhe dando o papel principal no filme. Magda Schneider, sua mãe, também estava no elenco.

Magda e Romy Schneider em Os Jovens Anos de Uma Rainha

Em seguida a atriz fez O Imperador e a Padeira (Die Deutschmeister, 1955), novamente sob direção de Marischka. O filme fez um grande sucesso, e a música que Romy aparecia cantando no filme foi lançada em disco, que também alcançou um grande exito em vendas. Novamente Magda trabalhava ao lado da filha. Magda Schneider havia sido uma grande estrela, mas após o fim da guerra, a sua carreira começava a entrar em declínio. Foi graças a popularidade de Romy que ela teve um novo reconhecimento como atriz.

Já consagrada, Ernst Marischka a convidou para estrelar uma super produção, Sissi (Idem, 1955), um dos filmes mais caros feitos na Alemanha até então. Ao lado de Karlheinz Böhm, Romy deu vida a imperatriz Elizabeth Amelie Eugenie, apelidada de Sissi. Novamente, sua mãe estava no elenco, no papel de sua mãe.

O filme levou quase um ano para ser rodado, mas o trabalho valeu a pena. Ele tornou-se o filme em língua alemã mais visto até então, e fez sucesso mundialmente, lançando o nome de Romy Schneider para o mundo.

Aos 16 anos de idade, Romy era um sucesso. Ela foi apelidada de Shirley Tempelhof, uma brincadeira com o nome da atriz mirim Shirley Temple e os estúdios de cinema alemão Tempelhof, em Berlim.

Romy Schneider e Karlheinz Böhm em Sissi

Ainda menor de idade, seu padrasto, Hans Herbert Blatzheim, se encarregou de sua carreira. Ele administrava os seus rendimentos e sondava detalhadamente os papéis que lhe eram oferecidos. Com isso, ele recusou uma proposta para ela estrelar um filme do diretor  Luis Buñuel e outras produções importantes, que ele não considerava lucrativas.

Ao lado de Karlheinz Böhm novamente, ela fez Kitty (Kitty und die große Welt, 1956), e retornou ao papel de Sissi no segundo filme, Sissi, a Imperatriz (Sissi - Die junge Kaiserin, 1956).

Ela precisou insistir para que seu padrasto a deixasse atuar em A Lenda de Robinson Crusoé (Robinson sol nicht sterben, 1957). Este era o seu livro favorito, mas ela interpretaria o papel de uma mulher pobre, e Blatzheim temia que o público não a aceitasse no papel, mas o filme também fez sucesso, provando que seus temores eram infundados.

Em 1957 ela fez o terceiro filme como Sissi, Sissi e Seu Destino (Sissi - Schicksalsjahe einer Kaiserin, 1957). Romy relutou muito para aceitar atuar na terceira produção, pois não queria ser uma atriz marcada por um único papel. 

No mesmo ano, atuou em Monpti, Um Amor em Paris (Minpti, 1957), que a levou para Paris pela primeira vez. Havia um projeto para que ela estrelasse um quarto filme no papel de Sissi, mas Romy recusou-se terminantemente. Além de recusar uma oferta milionária, isto também trouxe prejuízos para a carreira de sua mãe, que passou a ter dificuldades em conseguir novos papéis sem o apoio da filha, agora famosa.

Romy também passou a ter problemas com o padrasto, que ficava praticamente com todo seu dinheiro, além de controlar a sua carreira e vida pessoal.

Em 1958, com a mãe, ela viajou para os Estados Unidos, onde deu muitas entrevistas e fez muitos contatos, mas não fez nenhum trabalho por lá. 

De volta à Alemanha, ela estrelou Cristina (Christine, 1958), onde conheceu o ator Alain Delon. O casal passou a viver um romance também fora das telas, neste remake de um filme estrelado por Magda Schneider, em 1933.

Romy era agora a atriz mais bem paga da Alemanha.

Romy Schneider e Alain Delon em Cristina

Ao término das filmagens, Romy deixou a Alemanha e foi viver com Delon em Paris. Sua família rejeitou o relacionamento, mas a atriz não havia ido para França apenas por amor. Ela queria se libertar do relacionamento abusivo da mãe e do padrasto, e queria ditar as regras da sua carreira e seu dinheiro.

Romy ainda fez alguns filmes na Alemanha, para terminar de cumprir seu contrato, e depois fixou-se definitavamente em Paris. Mas a imprensa local não viu com bons olhos sua mudança, e passou a atacar a atriz, que passou a ser rejeitada pelo público alemão.

Os primeiros meses em Paris não foram fáceis para a atriz. Schneider, habituada ao sucesso, não conseguia mais nenhum papel, enquanto Alain Delon rumava ao estrelato mundial. Em O Sol Por Testemunha (Plein Soleil, 1960), por exemplo, Delon era o grande astro, enquanto Romy apenas fez uma pequena ponta, não creditada.

A reviravolta profissional veio finalmente, quando Delon a apresentou ao diretor Luchino Visconti, que lhe ofereceu o papel principal na sua encenação da peça Tis Pity She’s a Whore (ou Pena que ela é uma prostituta), de John Ford. A peça fez muito sucesso, e valeu a atriz muitos elogíos pela crítica especializada.

Visconti então a convidou para atuar em Boccaccio '70 (1962). A partir de então, sua carreira como atriz decolou internacionalmente.

Romy Schneider em Boccaccio '70

Romy então estrelou O Processo (Le Procès, 1962), ao lado de Anthony Perkins, e sob direção de Orson Welles. Depois, fez Os Vitoriosos (The Victors, 1963), uma produção da Columbia, rodada na Inglaterra. Em Os Vitoriosos, ela contracenava com astros como George Hamilton, Albert Finney e Melina Mercouri.

Em 1963 ela atuou em O Cardeal (The Cardinal, 1963), seu primeiro filme feito em Hollywood. Sob a direção de Otto Premingerela interpretou a baronesa Annemarie von Hartmann. Além disso, também conseguiu para o seu pai Wolf o papel coadjuvante do Barão de Hartmann. Esta foi a única vez em que pai e filha estiveram juntos diante das câmeras.

Romy Schneider foi indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática pelo seu desempenho.

Romy Schneider, Otto Premiger e Tom Tyron nas filmagens de O Cardeal

Na sequência, ela fez a comédia Um Amor de Vizinho (Good Neighbor Sam, 1964), ao lado de Jack Lemmon. Mas enquanto filmava em Los Angeles, Romy ficou sabendo através dos jornais do relacionamento de Alain Delon com a atriz Nathalie Barthélemy.

Ela voltou para Paris, e encontrou a casa vazia, Delon, com quem ela vivia, já tinha ido morar com Barthélemy, e se casou com ela logo em seguida. Um Amor de Vizinho fez um enorme sucesso comercial, e apesar de estar no auge de sua carreira, a atriz dizia estar no pior momento de sua vida.

Jack Lemmon e Romy Scnheider em Um Amor de Vizinho

Deprimida, a atriz tentou o suícidio, e deu uma pausa na carreira. Em 1965 ela regressou à Alemanha, onde conheceu o ator Harry Meyen, e logo foi morar com ele. No ano seguinte, eles oficializaram o casamento.

A atriz queria fazer teatro em Berlim, mas seu desejo acabou não sendo realizado. Em 1966 ela retonou a Hollywood para atuar na comédia Que é Que Há, Gatinha? (What's New Pussycat, 1965), ao lado de Peter Sellers e Peter O'Toole, e com roteiro escrito por Woody Allen.

Woody Allen, Romy Schneider e Peter O'Toole em Que é Que Há, Gatinha?

De volta à Europa, fez o filme franco-alemão A Ladra (La Voleuse, 1966), que fez muito sucesso. Com Christopher Plummer ela ainda fez Espionagem Internacional (Triple Cross, 1966), antes de dar à luz ao seu primeiro filho David Christopher Haubenstock, em dezembro daquele ano.

Romy então afastou-se da vida artística para cuidar da criança, e só voltou a atuar em 1969, no filme A Piscina (La Piscine, 1969), onde contracenou com Alain Delon. as revistas de fofoca esperavam novas manchetes de um possível revival do antigo romance, contudo Romy escreveu em seu diário: “Se todos os atores que alguma vez já se relacionaram não atuassem mais juntos, logo não haveria filmes. Eu não sinto mais nada, é como se eu abraçasse um muro!”

Romy Schneider e Alain Delon em A Piscina

Ao lado de Michel Picolli, ela estrelou As Coisas da Vida (Les Choses de la Vie, 1970), onde trabalhou pela primeira vez com o cineasta Claude Sauted, que Romy considerava seu diretor favorito. Romy agora era uma das maiores estrelas do cinema francês.

Ela voltou a contracenar com Delon em O Assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky, 1972), que ainda tinha Richard Burton no elenco.

Novamente dirigida por Visconti, ela estrelou Ludwig - O Último Rei da Bavaria (Ludwig, 1973). Mais uma vez a imperatriz Elisabeth da Áustria, a Sissi, papel que lhe fez famosa, mas que ao mesmo tempo ela considerava uma maldição. Entretanto, dessa vez Visconti representou Sissi genuinamente e Romy se dedicou intensamente à verdadeira personalidade da personagem histórica durante a sua preparação.

Romy Schneider e Helmut Berger em Ludwig - O Último Rei da Bavaria

Em 1973 ela e Meyen resolveu morar separados, pois ela tinha muitos compromissos em Paris e ele em Hamburgo, na Alemanha. Mas permaneciam juntos como casal.

Romy ganhou seu primeiro Cesar (o prêmio mais importante do cinema francês), por seu trabalho em O Importante é Amar (L'Important C'est D'Aimwe, 1975). E em seu discurso agradeceu o seu “mestre e amigo” Luchino Visconti, que havia falecido poucas semanas antes.

Ela receberia cinco indicações ao prêmio ao longo de sua carreira, sendo novamente agraciada por Uma História Simples (Une Historie Simple, 1978), último dos cinco filmes de Sautet em que ela atuou.

Romy Schneider em Uma História Simples 

O casamento com Harry Meyen terminou em 8 de julho de 1975. Nesta altura, Romy já estava em um relacionamento com o seu assistente Daniel Biasini, e em setembro, ela descobriu a sua segunda gravidez.

Em 18 de dezembro de 1975, ela se casou com Biasini em Berlim. Entretando, no dia 31 de dezembro, a atriz sentiu fortes dores no ventre e acabou sofrendo um aborto. Ela tirou forças do seu trabalho para tentar superar essa perda.

Em julho de 1977 o casal foi agraciado com uma filha, Sarah Magdalena Biasini.

No final da década de 70 o diretor Rainer Werner Fassbinder a queria para o papel principal de O Casamento de Maria Braun (Die Ehe der Maria Braun, 1979), mas a atriz pediu um cachê exorbitante, e por fim Hanna Schygulla protagonizou a obra. Schneider então atuou em A Herdeira (Bloodline, 1979), ao lado de astros como Audrey Hepburn, Ben Gazzara, Omar Shariff e James Mason. Mas apesar do elenco de peso, o filme foi um grande fracasso.

Omar Shariff, Irene Papas, James Mason, Ben Gazzara, Romy Scnheider, Maurice Ronet
e Audrey Hepburn, em A Herdeira

Pouco tempo depois, em 14 de abril de 1979, Harry Mayen se enforcou em Hamburgo. Romy entrou novamente em depressão, sentindo-se culpada por ter o abandonado. Romy passou a beber e abusar de medicamentos. As filmagens de Fantasma de Amor (Fantasma D'Amore, 1981), foram atrasadas devido ao seu estado psicológico.

Em abril de 1981 ela declarou a uma revista que estava sem forças, se sentindo destruída. O casamento com Biasini não ia bem, e a atriz tinha muitas dívidas devido ao comportamento luxuoso e extravangante do marido. O casal enfim se separou em maio de 1981.

No mesmo mês, ela descobriu um tumor malígno, e por conta disto, precisou retirar o rim direito.

No entando, o maior golpe de sua vida viria em 05 de julho de 1981. Seu filho David Christopher Haubenstock tentou entrar em casa, mas como estava sem chaves, tentou escalar a cerca, mas ele perdeu o equilíbrio e caiu sobre as pontas de metal, morrendo empalado com apenas 14 anos de idade.

David Christopher Haubenstock e Romy Schneider

Romy ainda encontrou forças para atuar em O Bar da Última Esperança (La Passante du Sans-Souci, 1982), que foi dedicado a memória de seu filho. O filme foi lançado em 14 de abril, e um mês antes da estreia, ela havia sido encontrada pela polícia andando sem rumo e desorientada, há quase 50 quilometros de Paris.

Em abril de 1982 ela tentou se mudar para uma casa de campo, mas não conseguiu financiamento. A atriz devia uma fortuna para a receita federal francesa, por culpa dos gastos de seu ex marido. Ela havia se separado de Daniel Biasini no final de 1981.

No dia 28 de maio a atriz saiu para jantar com o novo namorado. Após voltarem para casa, ela disse que iria ficar acordada até mais tarde, lendo e ouvindo música. No dia 29 de manhã, seu corpo foi encontrado sem vida, caído ao chão.

A imprensa logo cogitou um suícidio, mas a autópsia registrou uma insuficiência cardíaca, Romy Schneider havia morrido de um coração partido.

Ela tinha apenas 43 anos de idade.

Romy Schneider foi enterrada no cemitério de Boissy-sans-Avoir e, por iniciativa de Alain Delon, que organizou o funeral. O corpo do filho da atriz foi retirado do cemitério de Saint-Germain-en-Laye e colocado junto ao túmulo da sua mãe.


Certa vez, a atriz Hildergard Knef descreveu sua colega da seguinte maneira: “Ela lembrava a Marilyn Monroe. Mais rebelde e pronta para atacar do que os outros, mas igualmente vulnerável e inconstante".

Leia também: O belo Alain Delon, um dos maiores atores franceses

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5 comentários:

  1. que tristeza,que ela e seu filho estejam em bom lugar!

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  2. ERafael muito linda. A série de filmes "Sissi", são inesquecíveis, fez a gente esquecer por um bom período, a Alemanha nazista da segunda guerra.

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  3. Só eu achei que o filho dela era a cara do Alain Delon?

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  4. Amava os filmes dela...
    Mas só vi is da Imperatriz Sissi e a história da Rainha Vitória.
    Gostaria de ver todos os outros!!!
    Que história marcante a dela...

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