Michèle Mercier, a Inesquecível Angélica, a Marquesa dos Anjos


A atriz francesa Michèle Mercier, apesar de ter atuado em mais de 50 filmes, ficou eternizada no papel de Angélica, a Marquesa dos Anjos (Angélique, Marquise des Anges) em cinco filmes, tão populares como os filmes de Sissi, a Imperatriz, protagonizados por Romy Schnneider.


Sobre a personagem, a atriz escreveu em suas memórias: "Quando as pessoas conversam comigo, elas sempre se referem a Angélique, mas eu também interpretei cinquenta outras mulheres. Tentei, durante muito tempo, esquecê-la. Mas agora a vejo como uma irmãzinha que está sempre ao meu lado e eu aprendi a viver com ela ".




Nascida Jocelyne Yvonne Renée Mercier, em 01 de janeiro de 1939, a atriz queria ser bailarina. Mas vinda de uma família humilde, seus pais consideraram que dançar era um capricho, mas ela insistiu e acabou ingressando em uma companhia de balé. Aos 15 anos, já era solista na Ópera de Nice. Foi nesta época em que ela conheceu Maurice Chevalier, que disse que ela seria uma estrela.



Michèle Mercier e Maurice Chevalier

Aos 17 anos ela se mudou para Paris, e começou a tomar aulas de atuação. Seu agente disse que seu nome não era muito apropriado para o cinema, e sugeriu que ela adotasse o nome artístico de Michèle. A artista ficou emocionada, pois este era o nome de sua irmã mais nova, que havia morrido aos cinco anos de idade.



Michèle estreou no cinema como dançarina, no filme As Sete Filhas do Amor (J'Avais Sept Filles, 1954). Após atuar em algumas comédias francesas, Michèle apareceu no filme italiano Noites de Lucrécia Bórgia (Le Notti di Lucrezia Borgia, 1959), estrelado por Belinda Lee. Em seguida atuou na Alemanha, aparecendo em Um Anjo Sobre a Terra (Ein Engel auf Erden, 1959), estrelado por Romy Schnneider.



Michèle Mercier, Belinda Lee e Jacques Serna em Noites de Lucrécia Bórgia

Sob direção de François Truffaut, atuou em Atirem no Pianista (Tirez sur le Pianiste, 1960), que ela considera seu melhor trabalho no cinema.

Charles Aznavour e Michèle Mercier em Atirem no Pianista

Mercier filmou na Inglaterra e na Itália, onde chegou a ser uma artista bem popular. Mas faltava um papel para promovê-la a estrela. Em 1963 o produtor Francis Cosne comprou os direitos do romance de Anne Golon, Angélica, a Marquesa dos Anjos, que era um grande sucesso literário.

Ele ofereceu o papel principal a Brigitte Bardot, que recusou o trabalho. Annette Soyberg foi a segunda cotada, mas foi considerada pouco conhecida. Catherine Deneuve não foi bem nos testes, nem Jane Fonda, que falava francês com sotaque americano. E Virna Lisi recusou o papel pois estava em Hollywood. Marina Vlady já era dada como certa como Angélica, porém, o produtor se encantou com o teste de Michèle Mercier.


Angélica, A Marquesa dos Anjos (Angélique, Marquise des Anges, 1964) fez um enorme sucesso, e fez de Mercier uma estrela. Porém, ela se aborreceu por ser tratada como uma estreante, tendo mais de 20 filmes na carreira até então. Quando o filme estreou, ela era tão popular na Itália, como Sophia Loren e Gina Lollobrigida.

Nos próximos quatro anos, ela repetiu o papel por mais quatro ocasiões, nos filmes Maravilhosa Angélica (Merveilleuse Angélique, 1965), Angélica e o Rei (Angélique et le Roy, 1966), A Indomável Angélica (Indomptable Angélique, 1967) e Angélica e o Sultão (Angélique et le Sultan, 1968).

Giulianno Gemma e Michèle Mercier em Maravilhosa Angélica

E apesar de neste mesmo período ter atuado em filmes importantes como Casanova 70 (Casanova '70, 1965) e Os Amantes de Lady Hamilton (Le Calde Notti di Lady Hamilton, 1968), e de ter se tornado tão popular quanto Brigitte Bardot, Angélica acabou sendo uma maldição.

O nome de Mercier e Angélica ficaram tão associados, que a personagem ofuscou sua carreira. Ela tentou, sem muito sucesso, deixar de ser sinônimo de Angélica, e em 1970 foi para os Estados Unidos, tentar a carreira em Hollywood.

Na América, estreou em Corruptos e Sanguinários (You Can't Win 'Em All, 1970), ao lado de Tony Curtis e Charles Bronson. Porém, o filme não fez o sucesso esperado.

Tony Curtis, Charles Bronson e Michèle Mercier

Sem novos convites em Hollywood, regressou ao cinema italiano. E ao lado de Charlton Heston, fez Catástrofe nas Selvas (The Call of the Wind, 1972), que também não foi muito bem nas bilheterias.

A partir de então, começou a atuar menos no cinema. Ela fez apenas três filmes na década de 70, e dois na década de 80.  Após atuar no francês Jeans Tonic (1984), anunciou sua aposentadoria das telas. Porém, retornou ao cinema quatorze anos depois, na produção italo-cubana La Rumbera (1998).

Michèle Mercier em La Rumbera

Desde então, fez alguns trabalhos para o cinema e televisão, em produções francesas, russas e italianas. Seu último trabalho como atriz foi na série francesa La Famille Katz, em 2013.

A atriz teve dois casamentos fracassados, com maridos que roubaram boa parte de sua fortuna. Seu segundo marido, o piloto Claude Bourillot, fugiu em 1970, levando todas as suas jóias. Michèle só conseguiu se divorciar dele em 1976.

Em 1999, ela declarou falência, e precisou vender móveis, jóias, obras de arte, sua residência e até os figurinos usados nos filmes de Angélica, que ela havia guardado de recordação.

Em 2002, foi convidada para integrar o juri do Festival de Cannes, e nesta mesma época lançou uma biografia, Eu Não Sou Angélica, onde contava que muitos homens a assediaram (incluindo Silvio Berlusconi), desejando Angélica. No livro ela ainda contou que Vittorio Gasmann tentou estuprá-la, quando atuaram juntos na década de 60.

Michèle Mercier, atualmente




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