Brigitte Bardot completa 85 anos


Simone de Beauvoir descreveu Brigitte Bardot como "uma locomotiva da história das mulheres", e sem dúvida a estrela Brigitte, ou simplesmente BB, foi uma locomotiva efervescente na história do cinema e do próprio século XX.

Considerada à frente do seu tempo, apesar de nunca ter ganho prêmios cinematográficos importantes, a francesa causava rebuliço, e foi uma das poucas atrizes não americanas de sua época que recebiam atenção da imprensa mundial.


Nascida em Paris, em 28 de setembro de 1934, Brigitte Bardot nasceu em uma família abastada francesa. Seus pais a criaram com padrões comportamentais rígidos, querendo fazer da filha uma dama recatada da sociedade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Paris foi ocupada pelos nazistas, Bardot foi mantida praticamente sem sair de casa. Foi nesta época que a menina aproveitou o tempo para estudar dança e canto, e sua mãe viu o potencial artístico. Sua irmã Mijanou, também se tornaria atriz.


Em 1949 ela começou a trabalhar como modelo e em 1950 foi capa da revista Elle francesa. A edição chamou a atenção do jovem cineasta Roger Vadim, que mostrou a fotografa para o cineasta Marc Allégret, que estava atrás de uma nova atriz. Brigitte então fez teste para o filme Les Lauriers Sont Coupés, e foi aprovada, porém o filme nunca foi realizado.

Apesar do filme nunca ser feito, ela começou a namorar com Vadim. Após dois anos da frustrada experiência cinematográfica, ela estreou no cinema em Le Trou Normand (1952) e na mesma época, contrariando os país, casou-se com Vadim. Na época ela tinha 17 anos.

Brigitte Bardot e Bourvill em Le Trou Normand

Em seu segundo filme, Manina (Manina, la fille Sans Voiles, 1952), a atriz aparecia de biquíni. Seu pai recorreu a justiça para impedir a exibição da obra, mas não obteve sucesso. No ano seguinte, apesar de sua carreira ainda não ter grande destaque, foi a grande atração do Festival de Cannes, em 1953.

Kirk Douglas e a esposa Anne Buydens, fazendo tranças em BB em Cannes, 1953

Apesar de ter atuado no filme Helena de Tróia (Helen of Troy, 1956), uma produção norte americana, realizada pela Warner, rodada na Inglaterra, entre 1952 e 1956 Brigitte atuou em quase 20 filmes, mas nenhum deles fez grande sucesso.

Brigitte Bardot e Rossana Podestá em Helena de Tróia

Vadim estava descontente com o pouco sucesso obtido pela atriz, e acreditando em seu potencial, a escalou para o papel principal de sua nova produção, E Deus Criou A Mulher (Et Dieu... créa la Femme, 1956). O filme mostrava uma adolescente rompendo os padrões de uma cidade conservadora do interior e causou um escândalo mundial. Ao mesmo tempo, estourou nas bilheterias e projetou o nome de BB para o mundo, mesmo tendo sido mutilado e mesmo proibido pela censura de diversos países.

Brigitte Bardot em E Deus Criou a Mulher

Na época da moralista Hollywood da década de 50, onde o maior símbolo sexual, Marilyn Monroe, só havia aparecido de maiô algumas vezes nas telas, Brigitte Bardot era um furacão ousado demais.

A atriz também recusou os convites para filmar na América. Permanecer na França beneficiou sua imagem. Charles De Gaulle chegou a declarar que Brigitte Bardot era a exportação francesa mais importante do país.

Em 1957 Brigitte e Vadim se separaram, e dois anos depois ela se casou com o ator Jacques Charrier, com quem estrelou Babette Vai à Guerra (Babette S'en va-t-en querre, 1959). Charrier é pai de seu único filho, Nicolas-Jaques Charrier.

Jacques Charrier e Brigitte Bardot em Babette Vai à Guerra

O casamento com Charrier foi alvo constante dos paparazzi. Ao mesmo tempo que era alvo das revistas de fofocas, Brigitte queria investir em filmes mais substanciais, o que causou um conflito em sua carreira, pois ao mesmo tempo que recebia elogios da crítica francesa, para o resto do mundo ela era apenas uma celebridade sensual.

Em 1960 ela atuou em A Verdade (La Vérité, 1960), de Henri-George Clouzot, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Na época, a imprensa especulou que ela e o diretor estavam tendo um caso, e que isto teria causado o suicídio de sua esposa, a brasileira Vera Clouzot. Isto foi apenas uma fofoca para vender jornais, e Vera, na verdade, morreu de problemas cardíacos. (já contamos está história aqui).

Sob a tutela de Louis Malle, atuou em Vida Privada (Vie Privée, 1962), ao lado de Marcello Mastroianni. Era uma obra quase biográfica, mostrando uma estrela de cinema sem vida pessoal, graças a perseguição constante da imprensa.

Marcello Mastroianni e Brigitte Bardot e Vida Privada

Pouco depois de rodar este trabalho, ela deixou Paris, indo refugiar-se em uma mansão em Saint Tropez. Onde Bardot, uma das mulheres mais fotografadas do mundo, começou a adotar um estilo de vida mais recluso. Em 1963 a atriz estrelou O Desprezo (Le Mépris, 1963), o aclamado filme de Jean-Luc Godard.


Separada de Charrier desde 1962, Bardot começou a namorar o produtor Bob Zagury, e com ele veio de férias ao Brasil em 1964. Cansada do assédio da imprensa carioca, a atriz e o namorado se refugiaram em Búzios, então uma vila de pescadores. Sem maquiagem e despenteada, a atriz encontrou a liberdade desejada na pacata e isolada praia, onde chegou a morar por quatro meses. Foi Brigitte Bardot quem fez de Búzios uma atração turística internacional.

Bob Zagury e Brigitte Bardot em Búzios

Em sua biografia, a atriz descreveu que o tempo em que viveu na região foi uma das épocas mais felizes de sua vida. Atualmente, a cidade tem uma estátua, de gosto meio duvidoso, da atriz, uma das atrações indispensáveis para quem visita a cidade.

A estrela do cinema, e também cantora pop de sucesso, continuava recusando trabalhar nos Estados Unidos. E se Brigitte Bardot não ia a Hollywood, Hollywood foi até Brigitte Bardot. Em 1965 a Fox produziu o filme Minha Querida Brigitte (Dear Brigitte, 1965), estrelado por James Stewart. Brigitte fazia uma pequena participação, rodada em três dias, e só aceitou participar se seu nome não constasse nos créditos ou em qualquer tipo de material promocional. No filme, ela interpretava a si mesma, e chegou a contracenar com o jovem Bill Mumy, o Will Robinson de Perdidos no Espaço (Lost in Space).

Mas apesar de seus esforços, mundialmente o rosto de Bardot foi usado em diversos materiais promocionais.

Brigitte Bardot e Bill Mumy em Minha Querida Brigitte

Novamente dirigira por Louis Malle, atuou em Viva Maria! (Idem, 1965), ao lado de outra lendária estrela francesa, Jeanne Moreau. O filme lhe valeu uma indicação ao Prêmio Bafta, do cinema inglês, uma das poucas nomeações ao longo de sua carreira.

Em 1967, após retornar ao Festival de Cannes (onde não aparecia há alguns anos), sua presença causou uma histeria coletiva de fotógrafos e jornalista, que a perseguiam e gritavam seu nome por onde ela passava. Em sua biografia, escreveu que este foi um dos piores momentos de sua vida, fazendo-a se sentir um animal perseguido por caçadores.

Novamente sob direção de Malle, contracenou com Alain Delon no filme Histórias Extraordinárias (Histoires Extraordinaires, 1968). No mesmo ano contracenou com Sean Connery em Shakalo (Idem, 1968) e com Claudia Cardinale estrelou As Petroleiras (Les Pétroleuses, 1971).

Brigitte Bardot e Sean Connery em Shakalo

Em 1973 voltou a escandalizar o mundo ao interpretar cenas homossexuais com Jane Birkin em Se Don Juan Fosse Mulher (Don Juan ou Si Don Juan était une femme..., 1973), dirigido por seu ex marido Roger Vadim.

Jane Birkin e Brigitte Bardot em Se Don Juan Fosse Mulher

Ainda em 1973 ela atou em seu último filme L'histoire très bonne et très joyeuse de Colinot Trousse-Chemise (1973). No auge da carreira, e prestes a completar 40 anos, Brigitte Bardot abandonou o cinema, alegando ser uma forma de sair elegantemente, afim de evitar a decadência diante das telas. A atriz queria poder envelhecer sem a cobrança em ser eternamente jovem e bonita, e nunca fez plásticas ou pintou o cabelo.

Desde então, tem recusado terminantemente centenas de convites para voltar a atuar, além de proibir filmes sobre sua vida. A atriz também se recusa a comparecer em premiações que pretendam homenageá-la. Em 1985 foi agraciada com a Legião de Honra Francesa, o prêmio mais importante do governo francês, mas recusou-se a receber o prêmio.

Desde então, a atriz usa sua fama pessoal para defender a causa da proteção animal, inclusive tornando-se vegetariana. Ela possui a Fondation Brigitte-Bardot, que tem Dalai Lama como membro honorário. Sua fundação já denunciou a matança de focas no Canadá, lutou contra a caça as baleias e o uso de animais em experiências em laboratórios, além de condenar o uso de peles e brigas de cães.


Apesar de seu importante trabalho na causa da proteção animal, a atriz tem encarado diversos processos por suas posições sociais e políticas. Ela já se manisfestou publicamente contra a imigração árabe e fez insultos a cultura islâmica e também faz constantes ataques contra os homossexuais. A popularidade conquistada pela atriz no ativismo pró-animais acabou perdendo espaço, e hoje ela é uma personalidade antipatizada por muitos franceses.

Atualmente Bardot é casada com Bernard D'Ormale, um conselheiro político de Jean-Marie Le Pen, ex-presidente da frente Nacional Francesa, principal partido da extrema direita da França.


Recentemente a atriz se reuniu com outra Brigitte, a primeira dama Brigitte Macrón, para discutir políticas de proteção animal. Bardot surpreendeu o público por necessitar de muletas para caminhar.


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