Claudia Cardinale, a namoradinha da Itália


Eleita pelo New York Times como uma das 50 mulheres mais bonitas da história do cinema, a atriz Claudia Cardinale, uma das maiores estrelas do cinema italiano, foi um grande símbolo sexual nas décadas de 60 e 70.


Embora seja uma estrela do cinema italiano, Claude Joséphine Rose Cardinale nasceu na Tunísia, em 15 de abril de 1938. Neta de sicilianos, Claudia nasceu na Tunísia, quando esta ainda era uma colônia francesa.

Sua carreira começou quando ela venceu um concurso que elegia "A Mais Bela Garota Italiana na Tunísia", e ganhou como prêmio uma viagem à Itália. No país, a sua beleza chamou a atenção de diversos produtores cinematográficos, que aconselharam a jovem tomar aulas de interpretação.

A bela jovem ganhou muita publicidade, e recebeu muitos convites para trabalhar no cinema, mas decidiu voltar para casa, a Tunísia, chocando a imprensa por ter virado as costas para a indústria do cinema.

Na verdade, a atriz havia descoberto que estava grávida de um namorado francês, com quem havia começado o relacionamento aos 17 anos de idade. O homem era dez anos mais velho, e exigiu que Claudia fizesse um aborto, mas ela se recusou.

Escondendo a gravidez, Claudia aceitou o convite do diretor Jacques Baratier para fazer um pequeno papel em Goã (Goha, 1958), produção francesa rodada na Tunísia, estrelada pelo ainda mundialmente desconhecido Omar Sharif. A atriz atuou até o sétimo mês de gravidez.

Desesperada com sua condição, deprimida e pensando em suicídio, a atriz confidenciou sua situação ao produtor Franco Cristaldi, o seu mentor e futuro marido. Cristaldi ofereceu um contrato de sete anos a atriz, e a enviou para a Inglaterra para ter o bebê em segredo, para que o escândalo não arruinasse sua promissora carreira. Ela e o produtor se casariam em 1966.

Para a imprensa, foi anunciado que a atriz havia se mudado para o Reino Unido para aprender inglês, visando uma carreira internacional. O rígido contrato exigia o total sigilo sobre a gravidez, e quando a criança nasceu, ela foi entregue para os pais de Claudia, que o criaram como filho.

Patrizio, o seu filho, só soube que aquela que ele acreditava ser sua irmã, era sua verdadeira mãe, aos sete anos de idade, quando um jornalista italiano descobriu a história e publicou nas páginas de um jornal.

Após atuar em Goã, Claudia participou de Os Eternos Desconhecidos (I soliti ignoti, 1958), de Mario Monicelli. A comédia fez um enorme sucesso, e projetou o nome da atriz para o mundo. A imprensa italiana a chamava de "a namorada da Itália".

 Renato Salvatore e Claudia Cardinale em Os Eternos Desconhecidos

No mesmo ano Claudia teve seu primeiro papel principal em Três Estrangeiras em Roma (3 straniere a Roma, 1958). Após atuar em alguns filmes italianos, ela atou em Vidas Íntimas (Upstairs and Downstairs, 1959), uma produção inglesa.

A atriz foi dublada porque os produtores consideraram sua voz muito rouca, e mesmo na Itália era dublada em seus primeiros filmes, por não dominar o italiano ainda. Em 1960 Claudia protagonizou O Belo Antônio (Il bell'Antonio, 1960), ao lado de Marcello Mastroianni. O filme era dirigido por Mauro Bolognini, um diretor com quem ela construiria uma longa parceria em sua carreira.

No mesmo ano atuou no aclamado Rocco e Seus Irmãos (Rocco e i suoi fratelli, 1960), de Luchino Viscontti.

 Claudia Cardinale e Marcello Mastroianni em O Belo Antônio

Alain Delon, Renato Salvatore e Claudia Cardinale em Rocco e Seus Irmãos


Mas seu talento como atriz só foi reconhecido após atuar em A Moça com a Valise (La ragazza con la valigia, 1961), de Franco Zurlini. No filme, Claudia vivia uma uma jovem mãe solteira, e usou sua experiência de vida para para dar veracidade ao papel. O filme lhe deu seu primeiro premio Donatello, um dos mais importantes do cinema italiano.

Claudia recebeu excelentes críticas por seu desempenho, e também por sua atuação seguinte, Caminho Amargo (La viaccia, 1961), co-estrelado por Jean-Paul Belmondo.

Ambos os filmes fizeram sucesso no Festival de Cannes daquele ano, e a revista Paris Match declarou que ela não era uma estrela como as italianas Sophia Loren ou Gina Lollobrigida, mas a considerou uma grande rival para a francesa Brigitte Bardot.

Ela voltou a trabalhar com Belmondo em Cartouche (Idem, 1962).

Jean Paul Belmondo e Claudia Cardinale em Cartouche

Em 1963 ela foi escalada por Federico Fellini para atuar no clássico (Idem, 1963). E novamente sob direção de Viscontti, atuou em outro clássico, O Leopardo (Il gattopardo, 1963). Ela ainda trabalharia com o diretor em Vagas estrelas da Ursa (Vaghe stelle dell'Orsa... , 1965), considerado uma de suas melhores atuações nas telas.

foi o primeiro filme em que a atriz não foi dublada.

Alain Delon e Claudia Cardinale em O Leopardo

Ainda em 1963 Claudia Cardinale estrou em sua primeira produção feita em Hollywood, a comédia A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther, 1963), de Blake Edwards. O filme, estrelado por David Niven e Peter Sellers, fez muito sucesso, e valeu a atriz muitos convites nos Estados Unidos.

Nos EUA, Claudia ainda fez filmes como O Mundo do Circo (Circus World, 1964, com John Wayne e Rita Hayworth; De Olhos Vendados (Blindfold, 1966), com Rock Hudson; A Patrulha da Esperança (Lost Command, 1966), com Alain Delon e Anthoyn Quinn; Os Profissionais (The Professionals, 1966), Não Faça Onda (Don't Make Waves, 1967), com Tony Curtis e Sharon Tate e A Comando de Marginais (The Hell with Heroes, 1968), com Rod Taylor.

John Wayne e Claudia Cardinale em O Mundo do Circo
 
Durante os três anos que ficou em Hollywood, Claudia nunca se adptou ao sistema dos grandes estúdios, e recusou longos contratos, assinando trabalhos por obra. Enquanto em Hollywood, Cardinale também se tornou amiga de Barbra Streisand, Elliott Gould e Steve McQueen, mas ela nunca conseguiu se sentir em casa por lá.

Ela resolveu voltar à Europa, onde deu continuidade em sua carreira.  

Em 1965, quando ainda estava em Hollywod, ela veio ao Brasil filmar Uma Rosa Para Todos (Una Rosa per Tutti, 1967), no Rio de Janeiro. No elenco ainda estavam os atros Nino Manfredi, Lando Buzzaca e Akim Tamiroff. No elenco ainda alguns grandes nomes do cinema brasileiro, como José Lewgoy, Célia Biar, Milton Rodrigues, Grande Otelo, Laura Suarez, e Oswaldo Loureiro.


Confira a visita de Claudia Cardinale ao Brasil, em 1965



Em 1965 ela recebeu seu primeiro prêmio Nastro d'Argento de Melhor Atriz, por A Garota da Bube (La ragazza di Bube, 1963). E recebeu seu segundo Donatello por O Dia da Coruja (Il giorno della civetta, 1968). Ela seria agraciada novamente com outro prêmio Donatello por Uma Noiva para Dois (Bello onesto emigrato Australia sposerebbe compaesana illibata, 1971) e foi indicada novamente por Ultima fermata (2014). Além de receber outros dois prêmios pelo conjunto de sua obra na mesma premiação.

Em 1968 ela fez um de seus papéis mais famosos, a ex-prostituta Jill McBain no épico farroeste Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, 1968), de Sergio Leone.


Claudia Cardinale em Era uma Vez no Oeste 

Em 1969 ela trabalhou com Sean Conney em A Tenda Vermelha (Krasnaya palatka, 1969) e em 1970 atuou com Elli Wallach na comédia Aventuras de Gerard (The Adventures of Gerard, 1970). E em 1971 se reuniu com a diva Brigitte Bardot em As Petroleiras (Les pétroleuses, 1971).

 Brigitte Bardot e Claudia Cardinale em As Petroleiras

Ela voltou a trabalhar com Jean Paul Belmondo em Scoumoune, O Tirano (La scoumoune, 1972). Em 1974 ela contracenou com Franco Nero em I guappi (1974), dirigido por Pasquali Squitieri. Ela e o diretor se apaixonaram, e passaram a viver juntos em 1975, num relacionamento que durou até a morte do cineasta, em 2017. O casal teve uma filha, também chamada Claudia.

Ela trabalhou em diversos trabalhos do diretor.

Nos anos seguintes Claudia participou de diversas comédias de teor sexual italianas e na minissérie Jesus de Nazaré (Jesus of Nazareth, 1977), onde interpretou uma esposa adultera.

Em 1981 ela atuou em A Pele (La pelle, 1981), de Liliana Cavani, filme que representou a Itália no Festival de Cannes daquele ano. No ano seguinte, Cardinale apareceu no Fitzcarraldo (Idem, 1982), de Werner Herzog, interpretando uma dona de bordel de sucesso que financia a compra de um antigo navio a vapor na América do Sul por Klaus Kinski. O filme era inspirado na história do barão peruano da borracha Carlos Fermín Fitzcarrald, e foi filmado no Brasil e no Peru, sendo aclamado pela crítica.

 Klaus Kinski e Claudia Cardinale em Fitzcarraldo


Em 1984 a atriz retornou a Cannes, fazendo parte do elenco de Henrique 4º (Enrico IV, 1984), de Marco Bellocchio. No mesmo ano, atuou em Clareta (Idem, 1984), dirigido por seu marido. O filme concorreu no Festival de Veneza e lhe rendeu o prêmio Nastro d'Argento de Melhor Atriz. Telefonema na Madrugada (La donna delle meraviglie, 1985), de Alberto Bevilacqua, também foi indicado a prêmios em Veneza.

Em 1987, estrelou ao lado de Peter Coyote, Greta Scacchi e Jamie Lee Curtis no filme Homem Apaixonado (Un homme amoureux, 1987), de Diane Kurys. O filme entrou no Festival de Cinema de Cannes de 1987. A performance de Cardinale como mãe de Scacchi foi muito elogiada pela crítica.

 Greta Scacchi e Claudia Cardinale em Homem Apaixonado

Claudia Cardinale seguiu atuando em filmes e produções para a televisão européias e em 2000 finalmente estreou no teatro.

Em 1993 ela voltou a uma produção norte-americana, quando aceitou participar de O Filho da Pantera Cor-de-Rosa (Son of the Pink Panther, 1993), último filme do diretor Blake Edwards. Cardinale concordou em se reunir com Edwards, Herbert Lom e Burt Kwouk para celebrar o 30º aniversário do filme A Pantera Cor-de-Rosa. Mas o desempenho de Roberto Benigni como o novo Inspetor Clouseau, foi muito criticado, e o filme foi um fracasso de crítica e público. Ainda em 1993 ela foi homenageada no Festival de Veneza com um prêmio pelo conjunto de sua obra.

 Roberto Benigni e Claudia Cardinale em O Filho da Pantera Cor-de-Rosa


Em 2002 ela foi agraciada com um Urso de Ouro honorário no Festival de Cinema de Berlim.

A atriz continua em atividade, e seu último filme, até o momento foi Rudy Valentino (2017), sobre a vida do astro do cinema mudo Rudolph Valentino. Mas ela está filmando Keoma Rises, ao lado do também veterano Franco Nero e já foi anunciada em outros projetos, incluindo um filme ao lado da brasileira Fernanda Montenegro

Claudia Cardinale em Rudy Valentino


 Claudia Cardinale também é uma mulher com fortes convicções políticas e liberais. Ela é defensora dos direitos das mulheres e dos homossexuais. Com orgulho, sempre relembra de sua herança árabe e se envolve em inúmeras causas humanitárias, e também é embaixadora da boa vontade da UNESCO.

Claudia Cardinale, atualmente




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