Audie Murphy, o Herói de Guerra que Virou Astro de Cinema



Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos astros de Hollywood interromperam sua carreira temporariamente para lutar no conflito mundial. Já Audie Murphy foi um caso contrário na história do cinema. Ele foi um grande herói de guerra nos Estados Unidos, sendo o soldado mais condecorado a lutar na batalha.

Franzino (com apenas 1,65 de altura) e um rosto que lhe fazia aparentar muito mais jovem do que era, Audie Murphy surpreendeu a todos com sua bravura e ousadia, e acabou conquistando Hollywood, onde tornou-se um dos astros dos filmes de cinema, atuando majoritariamente em faroestes.


As medalhas de Audie Murphy


Audie Murphy, o Cowboy


Audie Leon Murphy nasceu em Kingston, Texas, em 20 de junho de 1925. Filho de lavradores, Audie Murphy teve de trabalhar desde cedo para sustentar a mãe e oito irmãos, pois o pai abandonou a família quando ele tinha doze anos. 

Ele tinha apenas 17 anos de idade quando ocorreu o ataque a Pearl Harbor, e os Estados Unidos entraram oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Como sua mãe havia falecido, ele pediu ajuda de um irmão para falsificar seus documentos e se alistar, mas foi rejeitado.

Murphy só conseguiu se alistar em 1942, quando se alistou na infantaria. Ele participou ativamente de campanhas na África, Sicília, Itália, França e Alemanha. Por seus feitos e valentia, acabou tornando-se o soldado norte-americano mais condecorado, recebendo mais de 30 medalhas. Entre seus prêmios estava a Medalha de Honra, o maior prêmio por bravura que um soldado pode receber. Além disso, ele também foi condecorado por bravura pelos governos da França e da Bélgica, e foi creditado por matar mais de 240 soldados alemães e ferir e capturar muitos mais.

Parte do apelo de Murphy para muitas pessoas era que ele não se encaixava na "imagem" que a maioria tinha de um herói de guerra. Ele era um jovem franzino, de aparência quase frágil, tímido e de fala mansa, cuja aparência juvenil (algo que ele nunca perdeu em toda a vida) muitas vezes chocava as pessoas quando descobriam que, por exemplo, durante uma batalha ele saltou em cima de um tanque em chamas - que estava carregado com combustível e munição e poderia ter explodido a qualquer segundo - e usou sua metralhadora para conter ondas de ataque das tropas alemãs, matando dezenas deles e salvando sua própria unidade da destruição certa e toda a linha de ser invadida. 

Com o final da guerra, sua foto estampou a capa da Revista Life, em 1945. O ator James Cagney o viu, e o levou para Hollywood. Cagney pagou suas aulas de atuação e dança, mas percebeu que naquele momento, Audie Murphy ainda não estava pronto para tornar-se ator.





Após muito treinamento, ele estreou no cinema três anos após a publicação, atuando em um pequeno papel no filme Código de Honra (Beyond Glory, 1948), estrelado por Alan Ladd. No mesmo ano, fez seu primeiro western, Viver Sonhando (Texas, Brooklyn & Heaven, 1948), ainda em um papel de apoio.



Alan Ladd, Audie Murphy e Donna Reed em Código de Honra



Em seguida, o agora ator protagonizou seus primeiros filmes, Caminho da Perdição (Bad Boy, 1949) e Duelo Sangrento (The Kid From Texas, 1950). Ambas eram produções de baixo orçamento, algo que se tornaria recorrente em sua carreira cinematográfica.



Audie Murphy em Duelo Sangrento


Em 1950 ele atuou com Wanda Hendrix, com quem havia se casado um ano antes, no filme Serras Sangrentas (Sierra, 1950). Mas a união durou pouco, só até 1951, devido principalmente aos traumas de guerra que Murphy sofria. Ele tinha constantes pesadelos, sempre andava armado, e espalhava armas pela casa toda, até em baixo do travesseiro que dormia.



Wanda Hendrix e Audie Murphy


Wanda Hendrix e Audie Murphy em Serras Sangrentas


Um ano após o divórcio com Hendrix, o ator se casou com a aeromoça Pamela Archer, com quem ficou casado até sua morte, em 1971. O casal teve dois filhos.

Em 1951 o ator estrelou A Glória de um Covarde (The Red Badge of Courage, 1951), dirigida por John Huston. Feito na MGM, o filme foi bem recebido pelo público, mas foi um fracasso de bilheterias. A MGM, que tinha grandes planos para Audie, o dispensou após este filme, mas ele logo assinou contrato com a Universal, onde tornou-se um astro do estúdio.


Audie Murphy em A Glória de um Covarde



A Universal o escalou para diversos faroestes de orçamento modesto, um gênero que combinava com sua imagem descontraída e sotaque texano. Certa vez o ator declarou que fizera "o mesmo western umas trinta vezes, com cavalos diferentes". Mas na verdade, apesar do baixo orçamento, seus filmes tinham roteiros melhores, eram produzido em cores e tinham maior duração.

Além disto, Murphy tornou-se extremamente popular tanto nos Estados Unidos quanto em várias partes do mundo, inclusive no Brasil


O ator também trabalhou em papéis de coadjuvante em grandes produções. Sob direção de  John Huston fez O Passado Não Perdoa (The Unforgiven, 1960), ao lado de Burt Lancaster e Audrey Hepburn. Também foi dirigido por Don Siegel em Contrabando de Armas (The Gun Runners, 1958) e foi o irmão de James Stewart em A Passagem da Noite (Nigh Passage, 1957).

O Americano Tranquilo (The Quiet American, 1958), foi outro grande sucesso em sua carreira.


Audrey Hepburn e Audie Murphy em O Passado Não Perdoa





Mas sem dúvida seu maior sucesso comercial foi o auto biográfico Terrível Como o Inferno (To Hell and Back, 1955), onde interpretou a sua própria história, e era baseado em sua biografia, publica em 1949. Apesar do grande sucesso, o filme foi traumático para o ator, que teve que reviver alguns dos momentos mais difíceis de sua vida.

Terrível Como o Inferno bateu todos os recordes de bilheterias para a Universal, e o sucesso só foi superado pelo filme Tubarão (Jaws, 1975), feito 20 anos depois.


Trailer de Terrível Como o Inferno



Mas a medida que Audie Murphy crescia como ator, o sistema dos grandes estúdios desmoronava. A Universal passou a investir mais na televisão, e acabou com os contratos de longo prazo dos artistas. Audie continuou trabalhando no estúdio, mas agora contratado por obra.


O ator até foi escalado para estrelar uma série de TV, Whispering Smith (1961), que só durou uma temporada. O programa também se passava no velho oeste.






Na década de 1960 o ator começava a entrar em decadência, e seus traumas lhe causavam insônia e uma forte depressão. Audie Murphy ficou viciado em pílulas para dormir, o que afetou o seu trabalho.

Em baixa em Hollywood, o ator foi para à Europa em busca de novos papéis, atuando no western spaghetti O Bandoleiro Temerário (The Texican, 1966), feito na Espanha.





Em Israel, o ator atuou no filme de espionagem Missão Secreta no Cairo (Einer Spielt Falsh, 1965). Audie Murphy ainda atuaria em mais dois filmes, Os Rifles da Desforra (40 Guns to Apache Pass, 1967) e Gatilhos da Violência (A Time for Dying, 1969), que ele mesmo produziu.

Em 1968 o ator requereu falência, e Gatilhos da Violência só foi lançado em 1982, muitos anos após a sua morte.



Audie Murphy em Gatilhos de Violência



Além de sua carreira de ator - fez um total de 44 filmes - Murphy era fazendeiro e empresário. Ele criava cavalos de raça puro-sangue e foi proprietário de várias fazendas no Texas, Arizona e Califórnia. Ele também era um compositor e escreveu sucessos para cantores como Dean MartinEddy ArnoldCharley Pride e muitos outros.

Em 28 de maio de 1971 o ator estava em um avião particular, indo para uma reunião de negócios, quando a aeronave se chocou contra uma montanha. Os seis passageiros morreram na hora.

Audie Murphy tinha apenas 46 anos de idade, e estava escalado para ser o vilão em Perseguidor Implacável (Dirty Harry, 1971), dirigido por Don Siegel.


Audie Murphy em 1971






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Um comentário:

  1. gosto mais dele como ator do que Jonh Wayne que sempre nos filmes aparenta arrogante e convencido...Murphy sempre teve um estilo simples e humilde

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