Sonia Maria Dorce, a primeira estrela mirim da TV


Em 18 de setembro de 1950 entrava no ar a PRF3 TV Tupi, a primeira emissora de televisão brasileira, e uma das primeiras do mundo. A menina Sonia Maria Dorce, então com seis anos de idade foi um dos primeiros rostos a ser projetado na transmissão inaugural.

Sonia Maria Dorce na inauguração da Tupi

Há algumas controvérsias de que sem seria a primeira pessoa televisionada, ficando a dúvida do pioneirismo dividida entre Yara Lins, a menina Sonia, e as irmãs Marly Bueno e Miriam Simone.

Miriam Simone e Marly Bueno na inauguração da televisão brasileira, em 1950

Sonia Maria Dorce já era uma estrela do rádio, participando do Club Papai Noel, de Homero Silva, nas Rádios Tupi e Difusora. A menina, nascida em Belo Horizonte, em 14 de maio de 1944, era filha do maestro Francisco Dorce, pianista contratado da Tupi.



O Maestro Francisco Dorce, ao piano


Quando a TV chegou ao país, não haviam aparelhos sendo comercializados por aqui. Assis Chateubriand então mandou importar 200 aparelhos, e distribuiu em lugares estratégicos e presenteou algumas pessoas próximas. Francisco Dorce foi um dos contemplados.

Considerada a "Shirley Temple Brasileira" (embora Isa Miranda também fosse chamada assim alguns anos antes, no Rio de Janeiro), Sonia era uma grande estrela dos primeiros anos da TV, sendo uma das atrizes mais atuantes dos primeiros anos. Sempre que era preciso uma garota talentosa, lá estava ela.

Sonia Maria Dorce e Adriano Stuart, estrelas mirins da Tupi

A menina atuava em dramas e comédias, e participou de diversos teleteatros como o Grande Teatro Tupi e o TV de Vanguarda.  Também apresentou diversos programas, como o GurilândiaMenores da Semana, uma versão infantil do Melhores da Semana, que premiava os talentos da televisão.


Sônia também estrelou a novela De Mãos Dadas (1952), que foi um enorme sucesso, e fez da menina a primeira protagonista mirim de uma telenovela (ainda não diária). Ela também foi estrela de outra produção, 48 com Bibinha (1953).

Heitor de Andrade e Sonia Maria Dorce em De Mãos Dadas

Sonia também gravou discos, onde mais declamava que cantava, mas seu 78 RPM em homenagem ao dia das mães, gravado em 1953 bateu recordes de vendas.


Em 1953 estrelou o filme A Queridinha do Meu Bairro (1953), que fez muito sucesso em São Paulo. No ano seguinte atuou em Ao Passo da Glória (1954), que também foi bem aceito. Mas seu pai acabou negando outros convites para o cinema, para não atrapalhar os estudos da menina.

Sonia Maria Dorce em A Queridinha do Meu Bairro


Em 1963, após atuar em Klauss, o Loiro (1963), então com 19 anos de idade, Sonia abandonou a carreira de atriz para se dedicar aos estudos. Ela formou-se em direito e constituiu família. Mãe de Anna Paula e Renata, hoje ela é avó.

Sonia Maria Dorce e David José, em 1963

Mas ela nunca abandonou o carinho pela televisão, em especial pela pioneira TV Tupi. Ao lado de Vida Alves, por muitos anos foi uma das incansáveis e mais ativas  representantes da Pró-TV, a associação responsável pelo Museu da Televisão Brasileira.

Atilio Bari, Luciana Bandeira, Elmo Francfort, Roseli, Sonia Maria Dorce e Vida Alves

E este sou eu, Diego Nunes, o autor desta página, com Sonia Maria Dorce




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