Morre a cantora Ivonétte Miranda, pioneira do rádio brasileiro


Ivonétte Miranda, uma das mais antigas cantoras do rádio brasileiro, faleceu no dia 14 de junho de 2019. Nascida em Recife, Pernambuco, em 02 de outubro de 1923, ela começou a cantar no rádio em 1936, aos 13 anos de idade. Nos programas de calouros, Ivonétte foi descoberta pelo cantor e compositor Fernando Barreto, e logo foi contratada para o casting da Rádio Club de Recife, onde passou a cantar nos programas Quatro Vidas, dirigido por José Renato e Hora Azul das Senhoritas, comandado pelo maestro Nelson Ferreira. Na capital pernambucana, era chamada de "a namoradinha do microfone".

No mesmo ano, o cantor Sílvio Caldas, ao ouvir Ivonétte cantando no rádio exigiu que ela, e somente ela, cantasse com ele em seu show no Teatro Santa Isabel. "Menina, vá para o Rio de Janeiro, pois você já é uma grande estrela", lhe disse o cantor.


Mas foi Geraldo Casé quem a levou para o Rio de Janeiro, após passar por Recife, em 1940. Aos 17 anos de idade, Ivonétte enfim se mudou para o Rio de Janeiro, onde foi morar com a avó. No Rio de Janeiro, ela foi contratada pela Rádio Tupi, onde apresentou seu próprio programa, cujo regional era formado por Fafá Lemos, Laurindo Almeida e Garoto.


Logo a cantora de foxes, valsas e canções, marchas, sambas e samba-canções arrancava elogios de nomes como Francisco Alves, Augustin Lara e Dorival Caymmi. Sua estada, que deveria durar três meses, acabou durando vários anos. Nos microfones cariocas, ganhou de César de Alencar o apelido de "O Pecado Moreno".

O cineasta norte-americano Orson Welles, quando esteve no Brasil, se encantou com sua voz, e fez questão de levar na bagagem um disco de Ivonétte, com a canção Sempre Você, de Newton Teixeira e Cristovão de Alencar.


Durante a Segunda Guerra Mundial, Ivonétte trabalhou no espetáculo de revista Fora do Eixo (1942), que falava sobre o conflito mundial. Inspirada nas artistas de Hollywood, Ivonétte teve a idéia de vender bônus de guerra, para apoiar as tropas brasileiras na Itália. Ela também fez parte do Show da Virada (1943), onde artistas da Tupi e do Cassino da Urca se apresentaram para entreter os soldados brasileiros e norte-americanos no nordeste brasileiro.

 Ivonétte Miranda e os artistas do Show da Virada


Linda Batista, o acrobata Vic e Ivonétte Miranda

Ainda na Rádio Tupi, conheceu o produtor Theóphilo de Barros Filho, com quem se casou. Sob direção do marido, atuou no filme Mãe (1948), feito na Cinédia. Com o nome de Ivone Martins, Ivonétte aparecia cantando um número musical, escrito por Theóphilo.

Ivonétte Miranda em Mãe, da Cinédia

Em 1946 ela foi contratada pela Rádio Nacional, e depois passou pela Mayrink Veiga. E em 1949 retornou a Rádio Club de Pernambuco, onde permaneceu pouco tempo, já que Theófilo foi contratado por Assis Chateubriand para trabalhar na TV Tupi de São Paulo, inaugurada em setembro de 1950.

Aos poucos, Ivonétte foi deixando a carreira, para dedicar-se a família e aos filhos, Denise e Roberto. Mas ela nunca deixou a vei artística, tornando-se poetisa publicada.



Ivonétte Miranda foi uma das pioneiras fundadoras da Pró-TV, associação dos veteranos do rádio e televisão que foi presidida pela atriz Vida Alves.


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