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Helen Kane, a atriz que processou Betty Boop





A cantora e atriz Helen Kane foi uma grande estrela do vaudeville, e gozou de grande popularidade até o final da década de 1920. E em 1932 ela processou os estúdios Fleisher, alegando que a icônica Betty Boop havia sido inspirada nela.

Ela perdeu o processo, mas as referências de Kane na personagem são inegavéis.

Helen Kane

Helen Clare Schroder nasceu em Nova York, em 04 de agosto de 1904. Nascida em uma família muito pobre, Helen começou a trabalhar em uma lavanderia quando ainda era criança, mas sempre sonhou em ser atriz.

Sua mãe, apesaar das dificuldades financeiras, fez de tudo para incentivar o sonho da filha, que estreou profissionalmente aos 15 anos, quando começou a trabalhar em um circo.

O sucesso nos palcos

Helen Kane começou a ganhar projeção como cantora, e na década de 1920 tornou-se uma estrela dos espetáculos de Vaudeville. Ela também fez parte de um conjunto vocal chamado The Three X Sisters, que apesar do nome, não eram compostos por irmãs e tinha quatro integrantes.



Em 1927 Helen Kane deixou o conjunto para estrelar um musical no Teatro da Paramont, que fez um enorme sucesso e ficou quase um ano em cartaz. E durante uma apresentação, ela improvisou um "boop-oop-a-doop" durante uma canção, levando o público a loucura.

No ano seguinte, ainda contratada do Teatro da Paramount, ela lançou a canção I Wann Be Love By You, seu maior sucesso musical, e que anos depois foi gravado por Marilyn Monroe.



Com sua voz aguda, caretas exageradas e cabelos curtinhos, Helen Kane tornou-se uma das melindrosas favoritas da América, e seu jeitinho coquete fez dela uma das artistas mais bem pagas da época. Entre 1928 e 1930 ela gravou diversos discos.

Porém, com a quebra da bolsa de valores de 1929, e a Grande Depressão que se instaurou nos Estados Unidos, sua popularidade decaiu drasticamente. Seu estilo inocente e quase caricato já não agradava ao público diante da dura realidade do país.

Helen Kane no cinema

No incío de 1929 a Paramount levou sua estrela dos palcos para às telas. Ela estreou como protagonista de Nothing But the Truth (1929), um dos primeiros filmes sonoros do estúdio.

Richard Dix e Helen Kane em Nothing But he Truth

Posteriormente, Helen apareceria mais como coadjuvante, ou como cantora de um número musical, porém, ela era tão querida pelo público, que normalmente as marquises dos cinemas exibiam seu nome ao invés de promover os verdadeiros protagonistas do filme.

Ela fez parte do elenco de Uma Noiva Para Dois (Sweetie, 1929), O Perfeito Conquistador (Pointed Heels, 1929) e Paramount Em Grande Gala (Paramont on Parade, 1929).

Mas sua grande chance nas telas foi como a estrela de Dangerous Nan McGrew (1930). O filme, entretanto, não fez o sucesso esperado, e nem chegou a ser exibido no Brasil.

Cartaz de The Dangerous Nan McGrew

Com o fracasso de seu maior veículo de divulgação, ela voltou a ser coadjuvante em A Ilha da Felicidade (Heads Up, 1931), e depois fez somente mais um filme, o curta A Lesson in Love (1931), onde apresentava toda a sua malícia e sensualidade, caracteristica muito presente nos desenhos de Betty Boop.

Helen Kane no filme Uma Noiva Para Dois



Helen Kane Vs. Betty Boop

Em 09 de agosto de 1930 os irmão Fleisher lançaram o desenho Dizzy Dishes, um dos muitos estrelados pelo personagem Bimbo quer na época, a maior estrela do estúdio. Porém, uma personagem, cantora de cabaré, acabou chamando a atenção do público.

Ainda sem nome, e com orelhas de cachorro (Bimbo era um poodle), a sexy cantora de voz aguda começou a ganhar destaque, e aparecer cada vez mais em seus desenhos. A personage, cujos traços foram criados por Grim Natwick, foi creditada pela primeira vez em sua sétima aparição nos cinemas, em 1931, e recebeu o nome de "The Dangerous Nan Grew", uma clara referência ao filme estrelado por Helen Kane, no mesmo ano.

Betty Boop, então chamada de Nan Grew, desenhada por Grim Natwick

Foi somente no desenho seguinte que ela passou a chamar Betty, ainda sem o Boop. Pouco tempo depois, já com sobrenome, e sem orelhas de cachorro, ela se tornou um grande fênomeno popular, passando também a ser a maior fonte de renda de seu estúdio.



Em 1932 Helen Kane processou o estúdio, alegando exploração ilegal de sua imagem e personalidade. O processo se arrastou por dois anos.

Kane dizia que a aparência, a voz e principalmente, o seu famoso boop-oop-a-doop, haviam sido plagiados. Gran Natwick depôs no tribunal, dizendo que havia se inspirado nos traços da estrela do cinema mudo Clara Bow e não em Kane. Curiosamente, ambas atrizes haviam posado para os irmãos Fleisheir anos antes, em um material de divulgação para o personagem O Gato Felix.

Helen Kane e Clara Bow com o Gato Felix, em 1928

Os Fleisher também trouxeram de Nova York o gerente de uma boate onde se apresentava uma jovem cantora negra chamada Little Esther Jones, que alegou que Jones já fazia as mesmas improvisações vocais em seu número antes de Kane, e que Helen havia assistido um show de Little Esther.

Um filme com Little Esther cantando também foi apresentado como prova, mas infelizmente o juiz mandou destruir todas as cópias ao final do julgamento, dizendo serem provas processuais. Gravações de Annette Hanshaw e das Sisters Duncan também foram apresentadas como provas de que outras interpretes faziam algo parecido em suas músicas, e uma partitura da canção francesa Bou Dou BaDa Bou também foi usada pra desacreditar Helen Kane.

A canção francesa, de 1915, porém, não tinha semelhante com o estilo musical da artista, e não era uma improvisação vocal, mas um nome próprio de um persoangem.

As cinco mulheres que já haviam dublado Betty Boop, Margie Hines , Mae Questel , Bonnie Poe , Little Ann Little e Kate Wright  também depuseram no tribunal, para reforçar a teoria de que Helen Kane nada tinha de original. Elas também gravaram um filme resposta, debochando das alegações de Kane.



A forte defesa do time de advogados dos irmãos Fleisher fez com que o juiz decretasse que não haviam provas suficientes por parte das alegações de Helen Kane, que perdeu o processo.

A decadência da artista

Os dois anos em que ficou brigando no tribunal desgataram sua carreira, e Helen Kane não conseguiu mais trabalhos após ser derrotada. Ela caiu em descredito, e passou a ser uma espécie de piada nos bastidores de Hollywood.

Ainda em 1934, ela tentou lançar sua própria história em quadrinhos, tentando imitar o sucesso de Betty Boop nos gibis, mas suas histórinhas não agradaram o público, e logo sairam de circulação.

Helen Kane nos quadrinhos

Nos anos seguintes, Helen Kane desapareceu da mídia por muitos anos, até que a MGM mandou lhe chamar. Acreditando que seria seu retorno ao cinema, ela descobriu que o estúdio queria que ela apenas dublasse Debbie Reynolds no filme Três Palavrinhas (Three Little Words, 1950), uma cinebiografia dos compositores Bert Kalmar e Harry Ruby, os autores de I Wanne Be Love By You.

Helen Kane nem chegou a ser creditada neste filme.

Debbie Reynolds e Carleton Carpenter em Três Palavrinhas (Debbie foi dublada por Helen Kane)



Helen Kane ensinando seus trejeitos para Debbie Reynolds

Os anos finais

O sucesso do filme fez o nome de Helen Kane voltar a mídia, e ele começou a aparecer como convidada em alguns programas de televisão, que agora lhe chamavam para cantar. Em um deste programas foi revelado que ela estava em grandes dificuldades financeiras, e a atriz Fiffi Dorsay, antiga colega dos tempos de Vaudeville, doou um grande quantia para a artista, que também voltou a gravar alguns discos, na década de 1950.

Porém, desde 1956 Helen Kane lutava contra um câncer de mama, tendo se submetido a mais de 200 sessões de radioterapia.

Helen Kane na televisão, em 1961



Em 26 de setembro de 1966 Helen Kane perdeu a luta contra o câncer, falecendo aos 62 anos de idade.

Pouco antes de morrer, em 1990, Gran Natwick confessou em sua biografia, que havia sim se inspirado em Helen Kane para criar Betty Boop



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