Victor Mature, o gigante adorável


Antes de Charlton Heston interpretar Ben Hur, Victor Mature era o maior astro dos filmes épicos bíblicos de Hollywood, e ficou eternizado como Sansão no clássico Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949), ao lado de Hedy Lamarr.

Apesar de ter 56 filmes em seu currículo, e de ter sido o astro de muitos deles, Mature nunca levou Hollywood a sério (e nem a si mesmo), e costumava fazer piadas a respeito. Ele adorava dizer "eu nunca fui ator, pergunte a qualquer pessoa, principalmente aos críticos."

Entre outras pérolas ele dizia que o produtor Darryl Zanuck sempre ameaçava aos diretores "se você não tomar cuidado, lhe darei Mature para seu próximo filme". E em 1964, quando tentou se inscrever em um clube de golfe restrito, ouviu que o campo não aceitava atores como sócios, e Mature respondeu: "eu não sou ator, e tenho 50 filmes para provar."


Victor John Mature nasceu em Louisville, Kentucky, em 29 de janeiro de 1913. Seu pai era italiano (o sobrenome original era Maturi), e migrou para os Estados Unidos em 1912, fugindo da dominação Austro-húngara.

Na juventude, Victor trabalhou com o pai no ramo de cutelaria, e posteriormente, como pescador. Mais tarde, ingressou na Academia Militar do Kentucky, onde estudo com o ator Jim Backus, mais tarde famoso como o dublador de Mr. Magoo.

Mas Mature queria ser ator, e matriculou-se na escola de atuação Playhouse, de Pasadena. Ele fez teste para atuar em ...E o Vento Levou (...Gone With Wind, 1939), mas perdeu o papel para seu colega de curso, George Reeves, o futuro Super-Homem da televisão, na década de 1950.

Mature não conseguiu o papel no clássico do cinema, mas estreou nas telas no filme Criada Para Amar (The Housekeeper's Daughter, 1939). Era um papel pequeno, mas seu rosto forte e o porte físico chamavam a atenção. Com 1,89 de altura, e ombros largos, Mature logo chamou a atenção, principalmente do público feminino.

Victor Mature e Joan Bennet em Criada Para Amar

O ator ganhou seu primeiro papel principal em seu filme seguinte, o pré-histórico O Despertar do Mundo (One Million B.C., 1940), no qual contracenava com a bela Carole Landis.

Victor Mature e Carole Landis em O Despertar do Mundo

O ator seguiu trabalhando muito, fazendo filmes de aventuras, noir e até cantou em musicais. Ele esteve em filmes como Capitão Cauteloso (Captain Caution, 1940), Quem Matou Vicky? (I Wake Up Screaming, 1941), Tensão em Xangai (The Shangai Gesture, 1941), Sete Dias de Licença (Seven Day's Leave, 1942), Minha Namorada Favorita (My Gal Sal, 1942), A Canção do Havaí (Song of the Islands, 1942) e Rapsódia da Ribalta (Footlight Serenade, 1942).

Cartaz de Capitão Cauteloso

Victor Mature e Rita Hayworth cantando
em Minha Namorada Favorita

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, após o ataque de Pearl Harbor, Mature foi um dos muitos astros que se alistou no exército onde serviu em um navio de transporte de tropas. Durante o conflito mundial, ele não atuou no cinema, e só retornou as telas em 1946.

O ator estrelou Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, 1946), de John Ford. Depois fez outro dos maiores papéis de sua carreira, O Beijo da Morte (Kiss of Death, 1947), de Henry Hathaway.

Victor Mature e Linda Darnell no cartaz de Paixão dos Fortes 

Considerado um dos atores mais populares da década de 1940, fez muitos filmes na sequência, como A Voz da Honra (Fury at Furnace Creek, 1948), Uma Vida Marcada (Cry of the City, 1948), Brasa Viva (1949) e Stella (Idem, 1950).

Sob direção de Cecil B. DeMille, estrelou o clássico Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949), ao lado de Hedy Lamarr e Angela Lansbury. O sucesso do filme abriu as portas para Mature estrelar diversos outros épicos bíblicos nos anos seguintes.


Mature foi astro de O Manto Sagrado (The Robe, 1953), Demétrius e os Gladiadores (Demetrius and the Gladiators, 1954) e O Egípcio (The Egyptian, 1954), que na verdade era estrelado por Edmund Purdon, um aspirante a estrela que causou problemas em Hollywood.

Victor Mature em Demétrius e os Gladiadores

Na década de 1950 Mature também fez comédias, filmes policiais, de guerra e aventuras exóticas. Chegou mesmo a fazer papel de índio em O Grande Guerreiro (Chief Crazy Horse, 1955).Mature não era bem visto pela crítica, mas era adorado pelo público, sendo um dos grandes campeões de bilheteria daqueles tempos.

Victor Mature e Suzan Ball em O Grande Guerreiro

Após fazer o sandália e espadas Os Bravos Tártaros (I Tartari, 1961), feito na Itália, ele começou a diminuir suas participações no cinema, dedicando o seu tempo ao golfe e ao ramo imobiliário.


Victor Mature jogando golfe

Em 1966 Mature retornou ao cinema fazendo uma paródia de si mesmo em O Fino da Vigarice (Caccia Alla Volpe, 1966), de Vittorio de Sica. Dois anos depois atuaria em Os Monkees Estão de Volta (Head, 1968), uma comédia estrelada pelo conjunto musical Os Monkees. Mature confessava em entrevistas que não entendia nada da história, mas sempre dava risadas quando assistia a este filme.


Victor Mature ainda atuou em Confusão Por Todos os Lados (Every Little Crook and Nanny, 1972), Won Ton Ton, o Cachorro que Salvou Hollywood (Won Ton Ton: The Dog Whos Saved Hollywood, 1976), Poder de Fogo (Firepower, 1979). Seu último trabalho no cinema foi em uma participação especial no remake de Sansão e Dalila, feita em 1984.

Victor Mature em Sansão e Dalila (1984)

Victor Mature foi casado cinco vezes em 1938, casou-se com a atriz Frances Charles, casamento que foi anulado em 1940. No ano seguinte, casou-se com Martha Stephenson Kemp, com quem ficou até 1943, quando se divorciaram. Em 1948, com Dorothy Stanford Berry, de quem se divorciou em 1955. Quatro anos depois, em 1959, contrai núpcias com Adrienne Joy Urwick, com quem fica casado até 1969, quando novamente se divorciou. Em 1974, casa-se com Loretta Sebena, com quem teve sua única filha, Victória (nascida em 1975), e com quem viveu o resto de sua vida.


Victor Mature morreu após perder a batalha para leucemia, em 04 de agosto de 1999, aos 86 anos de idade.



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