Angela Lansbury completa 95 anos


Com uma carreira de quase 80 anos em frente as telas, Angela Lansbury é uma das ultimas estrelas remanescentes da Era de Ouro de Hollywood. Agraciada com o título de Dama do Império Britânico em 2014, Angela é também uma grande dama do cinema, tendo conseguido se reinventar ao longo das décadas de trabalho.


Angela Brigid Lansbury nascida em Londres, em 16 de outubro de 1925. Angela nasceu em uma família de classe média alta, e sua família paterna eram composta de homens influentes na política. Já sua mãe, Moyna Macgill, era uma atriz irlandesa com longa carreira teatral, e que também havia atuado no cinema mudo do Reino Unido.

Moyna Macgill

O pai de Angela morreu quando ela tinha nove anos de idade, e a família passou a enfrentar dificuldades financeiras. A menina passava seu tempo lendo livros, e assistindo peças de teatro e principalmente indo ao cinema, que se tornou sua paixão. Em 1940 Angela começou a estudar atuação, e pouco tempo depois fez sua estreia no teatro.

No mesmo ano, o avô de Angela Lansbury, que dava suporte financeiro a família faleceu. E com o início dos ataques alemães contra a Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial, Moyna Macgill decidiu deixar o país, para proteger os filhos dos bombardeios. Ela conseguiu um emprego para supervisionar sessenta crianças britânicas que seriam evacuadas paras o Canadá, para fugir da guerra. Moyna levou com ela Angela e os filhos mais novos, os gêmeos Bruce e Edgar. Isolde, sua filha mais velha, de um casamento anterior, ficou no paí com seu seu novo marido, o ator Peter Ustinov.

Após chegar em Montreal, a família se mudou para Nova York, onde Angela ganhou uma bolsa para estudar atuação, e logo retomou sua carreira nos palcos. Sua mãe, que já não atuava há anos, também voltou aos palcos.

A família então mudou-se para Los Angeles, pois Moyna queria retomar sua carreira cinematográfica. Em uma festa, promovida por sua mãe, Angela conheceu o roteirista John van Druten, que havia acabado de co-escrever o roteiro de À Meia Luz (Gaslight, 1944), sobre uma mulher atormentanda psicologicamente pelo marido. Druten disse que Lansbury seria perfeita para o papel da empregada Nancy Oliver, conivente com a situação.

Com 17 anos de idade, a atriz ficou o papel, e assinou um contrato de sete anos com a MGM.

Ingrid Bergman, Angela Lansbury e Charles Boyer em À Meia Luz

Angela recebeu boas críticas, e por seu primeiro papel no cinema recebeu sua primeira indicação ao Oscar, de Melhor Atriz Coadjuvante. Em seguida, mostrando versatilidade, interpretou a doce irmã mais velha de Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim Mesmo (National Velvet, 1944). Ela e Taylor se tornaram grandes amigas, para a vida toda.

Angela Lnasbury e Elizabeth Taylor em A Mocidade é Assim Mesmo

O filme fez um grande sucesso comercial, e a MGM escalou Angela Lansbury para estrelar seu primeiro filme, O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray, 1945). O filme, entretanto, não obteve o retorno esperado, mas valeu a atriz seu primeiro Globo de Ouro, e uma segunda indicação aos Oscar.

Em 27 de setembro de 1945 ela se casou com o ator Richard Cromwell, que havia sido astro no começo da década de 1930, mas estava em decadência, trabalhando mais como decorador. Cromwell havia sido galã, mas na verdade era homossexual, o que fez sua carreira no cinema chegar ao fim. Ele confessou a atriz que se casara para tentar tornar-se heterossexual, mas seus planos não deram certo, e o casal se separou menos de um anos depois. Porém, o ex casal manteve uma bonita amizade até o final da vida dele.

Angela Lansbury e Richard Cromwell

No mesmo ano em que se divorciou, Angela conheceu o ator Peter Pullen Shaw, recém contratado pela MGM, e ex namorado de Joan Crawford. Eles passaram a morar juntos, e se casaram em 1949. Com Shaw, a atriz teve dois filhos, e a união durou até 2003, quando Shaw faleceu.

O casamento dos atores é considerado um dos mais longevos de Hollywood.

Angela Lnasbury e  Peter Pullen Shaw

Na MGM Angela faria ainda outros onze filmes até 1952, mas foi pouco aproveitada pelo estúdio. Considerada uma estrela do segundo escalão, ficando com papéis pequenos em grandes produções, ou estrelando filmes de orçamento menor.

Ela chegou a atuar em alguns musicais, o carro chefe do estúdio na época, como As Garçonetes de Harvey (The Harvey Girls, 1946) e Quando as Nuvens Passam (Till the Clouds Roll By, 1946). Além de aparecer em clássicos como Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, 1948) e Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949), este último produzido pela Paramount.

Angela Lansbury em Quando as Nuvens Passam

Victor Mature e Angela Lansbury em Sansão e Dalila

Insatisfeita com a MGM, Angela já trabalhava no rádio desde 1948, e teve seu contrato rescindido em 1952, embora seu último filme no estúdio só tenha sido lançado em 1953. Após o nascimento de seu primeiro filho, em 1952, ela também passou a trabalhar na Broadway, e começou a fazer trabalhos para a televisão, onde também encontraria grandes oportunidades de trabalho.

Ela só retornaria ao cinema em 1955, na aventura No Reino da Guilhotina (The Purple Mask, 1955), trabalhando como freelancer, na Universal. Anos mais tarde, ela declarou que este foi o pior filme de sua carreira.

Na década de 50 Angela fez pouco cinema, destacando-se em O Mercador de Almas (The Long, Hot Summer, 1958), Brotinho Indócil (The Reluctant Debutante, 1958) e O Escândalo da Princesa (A Breath of Scandal), lançado em 1960.

Angela Lanbury e Orson Welles em O Mercador de Almas

Precisando de dinheiro, Angela aceitou um papel que não havia gostado ao ler o roteiro, o da mãe abusiva de Elvis Presley em Feitiço Havaiano (Blue Hawaii, 1961). E embora tenha sido aclamada pela crítica por seu papel em Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, 1962), que lhe valeu sua terceira indicação ao Oscar, sua carreira cinematográfica seguia de forma irregular.

Angela Lansbury e Laurence Harvey em Sob o Domínio do Mal

Apesar de ser indicada ao Oscar, sua carreira no cinema estava em declínio. Angela chegou a ter todas as suas cenas cortadas na edição do bíblico A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever Told, 1965). Sentindo que não recebia convites que exploravam seu potencial, foi afastando-se do cinema, para dedicar-se ao teatro.

Em 1966 ela assumiu o papel título no musical Mame, após Rosallind Russell (que havia feito a personagem no cinema, recusar o convite). Aos 41 anos de idade, ela fez seu primeiro papel principal no teatro. O papel rendeu a Angela Lansbury um prêmio Tony de Melhor Atriz. O sucesso da peça que ficou em cartaz por muitos anos, fez de Lansbury uma estrela novamente. Porém, em 1974, ela acabou perdendo o papel para Lucille Ball na nova versão cinematográfica, uma das maiores decepções que ela enfrentou ao longo de sua carreira.

Nos palcos, ela seguiu fazendo sucesso nos palcos em peças como A Louca de Chaillot


Em 1971 ela fez uma rara aparição no cinema durante a a década de 70, estrelando o clássico da Disney Se Minha Cama Voasse (Bedknobs and Broomsticks, 1971). O filme mesclava animação com atores reais, e fez um enorme sucesso, sendo inclusive constantemente reprisado na televisão na década de 80. 

O sucesso nos palcos e do filme renderam muitos convites de trabalho para atriz, que, entretanto, não pode aceitar.

Se Minha Cama Voasse

A década de 70 foi um período complicado em sua vida. Seu marido adoeceu na mesma época em que seu filho Anthony sofreu uma overdose, e entrou em coma. Sua mãe, que chegou a atuar com Angela em alguns filmes, faleceu em 1975 e  sua casa foi completamente destruída em um incêndio. 

Para cuidar do filho, que posteriormente se recuperou e largou as drogas, ela recusou inúmeros papéis no cinema, incluindo o da enfermeira em Um Estranho No Ninho (One Flew the Cuckoo's Nest, 1975), que acabou indo para Louise Fletcher, que ganhou um Oscar pelo trabalho (prêmio nunca conquistado por Lansbury).

Foi somente no final da década que ela retornou as telas, e teve bons papéis em dois filmes de mistério e investigação, A Morte Sobre o Nilo (Death on the Nile, 1978) e A Maldição do Espelho (The Mirror Crack'd, 1980). As produções pré anunciavam os novos rumos de sua carreira, desta vez como estrela da televisão, ao protagonizar a série Assassinado Por Escrito (Murder She Wrote, 1984-1996). Angela interpretava Jessica Fletcher, uma escritora que via seus romances tornarem-se crimes reais.

A série rendeu a atriz três Globo de Ouro, e diversas outras indicações, além de doze indicações ao Emmy.

Angela Lansbury em Assassinato Por Escrito

Após a série ser cancelada, ela ainda interpretaria Jessica Fletcher em diversos filmes, feitos para a televisão, veículo que a acolheu nesta fase de sua carreira.

Em 1991 ela voltou a trabalhar para a Disney, dublando o bule de chá na animação A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 1991). Ela também emprestaria sua voz para a animação Anastásia (Anastasia, 1997), da Fox.


Com a morte do marido, em 2003, ela chegou a anunciar que iria se aposentar. Mas o público ainda queria vê-la atuando. Ela recebeu uma indicação ao Emmy como atriz convidada na série Lei e Ordem (Law & Order) em 2005, e atuou no infantil Nanny McPhee, a Babá Encantada (Nanny McPhee, 2005). Este último trabalho, segundo a atriz, a ajudou a sair da forte depressão que se encontrava, após ter ficado viúva.

Angela Lansbury em Nanny McPhee, a Babá Encantada

Em 2011 ela também atuou em Os Pinguins do Papai (Mr. Popper's Penguins, 2011), ao lado de Jim Carrey. Ela trabalharia novamente com Carrey em O Grinch (The Grinch, 2018), desta vez como dubladora.

Em 2014 a atriz recebeu um Oscar Especial pelo conjunto de sua obra.


Em 2018 a Disney a homenageou com uma tocante participação em O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns, 2018), que também tinha no elenco o veterano Dick Van Dyke, astro do clássico Mary Poppins (Idem, 1964). No mesmo ano, novamente ao lado de Van Dyke, Angela Lansbury também estrelou o natalino A Magia de Acreditar (Buttons, 2018).

Angela Lansbury em O Retorno de Mary Poppins

Angela Lansbury esta escalada para atuar em The Adventures of Buddy Thunder, porém as filmagens foram adiadas devido a pandemia do Coronavírus, e acabaram sendo prejudicadas pela morte de Brian Dennehy, que também estava no elenco.




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