O astro Charlton Heston


O ator Charlton Heston é uma das maiores lendas da história do cinema. Imortalizado como Moisés, El Cid e Judah Ben-Hur, alguns dos filmes épicos mais famosos, o astro atuou por quase 70 anos, e um de seus últimos filmes, de 2003, foi rodado no Brasil.



John Charles Carter nasceu em 04 de outubro de 1923, em Evaston, Illinois.  Seus pais se separaram quando ele tinha 10 anos de idade, e mais tarde ele passaria a adorar o sobrenome de seu padrasto, Chester Heston.

Quando estava no secundário, Heston se matriculou na cadeira de artes dramáticas da escola, e resolveu que queria ser ator. Nesta época, ele ganhou uma bolsa de estudos para estudar drama, na Universidade.

Aos 18 anos, o ator fez sua estreia no cinema, no filme Peer Gynt (1941), uma produção amadora, que ainda tinha no elenco seu irmão, Alan Heston, em sua única incursão no cinema. Alan faleceu em 1987, com apenas 54 anos de idade.

Charlton Heston em Peer Gynt

Mas em 1944 ele interrompeu sua carreira de ator para se alistar na força aérea norte-americana, durante a Segunda Guerra Mundial. Heston lutou pouco no conflito, e ainda em 44 casou-se com a atriz Lydia Clarke.

Após a guerra, mudou-se para Nova York, onde conseguiu bons papéis no teatro. Heston retornou ao cinema no papel de Marco Antônio no filme Julius César (1950), uma produção feita de forma independente. David Bradley, o diretor, também deu uma oportunidade para o ator Jeffrey Hunter, que estreou no cinema neste filme.

Seu primeiro filme em um grande estúdio foi no filme Cidade Nua (Dark City, 1950), ao lado da atriz Lizabeth Scott. Heston só ficou com o papel porque Burt Lancaster havia o recusado.

Lizabeth Scoot e Charlton Heston em Cidade Nua

Após alguns trabalhos na televisão, ele fez um enorme sucesso no filme O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, 1952), de Cecil B. DeMille. Heston tornou-se um astro, mas apesar de ter feito alguns filmes de aventura após este trabalho, como A Selva Nua (The Naked Jungle, 1954) e O Segredo dos Incas (Secret of the Incas, 1954), ainda lhe faltava um grande papel.

Este problema foi resolvido quando DeMille o escalou novamente, para protagonizar a super produção bíblica Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1956). O filme foi uma das maiores bilheterias do ano, e até hoje é cultuado pelos fãs.

Charlton Heston em Os Dez Mandamentos 

Nos anos seguintes, atuou em filmes importantes como Da Terra Nascem os Homens (The Big Country, 1958) e A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958), de Orson Welles. O filme rendeu boas críticas para o seu desempenho dramático.

Janet Leigh e Charlton Heston em A Marca da Maldade

Heston voltou a protagonizar outra super produção épica, o clássico Ben-Hur (Idem, 1959), que venceu 11 Oscars naquele ano, inclusive um de Melhor Ator, para Heston.

Charlton Heston, como Ben-Hur

Seu próximo filme também foi um épico, El Cid (Idem, 1961), ao lado de Sophia Loren. O estúdio queria fazer da dupla Loren e Heston um casal famoso de Hollywood, como Ginger e Fred e Doris Day e Rock Hudson, porém, os atores não se deram bem, e brigaram muito durante a produção, embora isto não seja perceptível nas telas.

Sophia Loren e Charlton Heston El Cid

Após estrelar alguns dos épicos mais famosos, ele se arriscou a cantar para Elsa Martinelli na comédia O Pombo que Conquistou Roma (The Pigeon That Took Rome, 1962). Apesar do filme não ir muito bem nas bilheterias, ele ganhou um Globo de Ouro de Melhor Ator em Comédia ou Musical.

Na década de 60, estrelou filmes como 55 Dias em Pequim (55 Days at Peking, 1963), A Maior História de Todos os Tempos (The Greatest Story Ever Told, 1965), e ...E o Bravo Ficou Só (Will Penny, 1967). E teve uma atuação brilhante na pele do pintor Michelangello em Agonia e Êxtase (The Agony and the Ecstasy, 1965).

Charlton Heston e Rex Harrison em Agonia e Êxtase

No final da década de 60, quando muitos dos seus colegas começavam a entrar em decadência, Heston se reinventou no cinema, ao estrelar O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968).

Charlton Heston em Planeta dos Macacos

O filme teve diversas sequências, mas Heston só atuaria em De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes, 1970). Ainda em 1970, interpretaria novamente o romano Marco Antônio em Júlio César (Julios Caesar, 1970).

Na década de 70 ainda atuou em muitos filmes catástrofes, que faziam sucesso na época. Entre eles A Última Esperança da Terra (The Omega Man, 1971), Voô 502: Em Perigo (Skyjacked, 1972), No Mundo de 2020 (Soylent Green, 1973) e Pânico na Multidão (Two-Minute Warning, 1976). Mas os mais famosos filmes do estilo com Heston no elenco, sem dúvida, são Aeroporto 75 (Airport 75, 1974) e Terremoto (Earthquake, 1974).


Na década de 80 os papéis começaram a ficar mais raros, e Charlton retornou as telas em O Homem das Montanhas (The Mountain Men, 1980), cujo roteiro foi escrito por seu filho, o diretor Fraser C. Heston.

Fraser havia interpretado o bebê Moisés em Os Dez Mandamentos, um dos maiores sucessos do pai.

Charlton Heston com o filho, nos bastidores de Os Dez Mandamentos

Também atuou em A Montanha de Ouro (Mother Lode, 1982). Charlton Heston e o filho dirigiram esta produção, que tinha Kim Bassinger no elenco. Em 1985 ele retornou a televisão, atuando na série Dinastia (Dynasty), em 1985. Seu personagem, Jason Colby, depois foi aproveitado no spin-off (série derivada da série) The Colbys (1985-1987).

Após atuar também em alguns telefilmes, retornou ao cinema dirigido pelo filho em A Ilha do Tesouro (Treasure Island, 1990), contracenando com o o adolescente Christian Bale.

Christian Bale e Charlton Heston em A Ilha do Tesouro

Com o filho, ainda faria Alaska: Uma Aventura Inacreditável (Alaska, 1996). Na década de 90 fez participações especiais em filmes como Tombstone: A Justiça Está Chegando (Tombstone, 1993), True Lies (Idem, 1994) e Quanto Mais Idiota Melhor 2 (Wayne's World 2, 1993). Também apareceu, como ele mesmo, na série Friends.

Charlton Heston em Friends

Também foi o narrador do filme Armageddon (Idem, 1997) e da animação Hércules (Hercules, 1997), além de dublar um personagem em Como Cães e Gatos (Cats & Dogs, 2001).

Em frente as câmeras, ainda apareceu em Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday, 1999), de Oliver Stone e em Ricos, Bonitos e Infiéis (Town & Contry, 2001).

Cameron Diaz e Charlton Heston em Um Domingo Qualquer

Em 2001 o cineasta Tim Burton o homenageou escalando o ator para uma participação especial no remake O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 2001). Desta vez, Heston interpretava um dos símios.

Charlton Heston recebendo orientações do diretor Tim Burton

Heston também atuou em A Irmandade (The Order, 2001), ao lado de Jean-Claude Van Damme.

Charlton Heston e Van Damme

Em 2003, ele retomou um de seus personagens mais famosos, Judah Ben-Hur, ao dublar o personagem na animação Ben-Hur (Idem, 2003), dirigida por seu filho. Um ano antes, o ator havia vindo a público anunciar que estava no primeiro estágio do Mal de Alzheimer.


Em 2003 Heston veio ao Brasil, para rodar seu último filme, My Father, Rua Alguem 5555 (2003). O filme, que ainda tinha o vencedor do Oscar, F. Murray Abraham, contava a vida de Joseph Menguele, o médico nazista que fazia experiências horríveis a mando de Hitler, e que se refugiou no Brasil após o fim da Segunda Guerra Mundial.


O ator brasileiro Odilon Wagner, que fez parte do elenco, afirmou em uma entrevista que Heston se locomovia com dificuldade e não conseguia mais decorar o texto, devido a doença. O ator tinha de ler suas falas em painéis.  "O diretor [o italiano Egidio Eronico] se revoltou e quis "devolver" o Heston. Disse que tinham vendido gato por lebre, que ele não decorava nada." Mas, com a câmera ligada, "era outra coisa". Apesar de ter passado por uma cirurgia no quadril, Heston fez até uma cena de baile com a atriz Denise Weinberg. Ele girava, posicionava-a conforme a câmera rodava ao redor, e ele mal podia andar...", relembrou Wagner.

Os veteranos Ida Gomes e Isaac Barvid (o dublador do Wolverine) também trabalharam no filme. De origem judaica, os veteranos interpretavam personagens que protestavam contra o médico nazista.

O último trabalho de Heston foi no filme Genghis Khan: The Story of a Lifetime (2010), do também veterano Ken Annakin, que faleceu durante as filmagens, aos 94 anos de idade. O filme foi concluído por outro diretor. Embora lançado em 2010, o filme havia sido rodado anos antes, mas seu lançamento atrasou devido a morte do diretor.

Quando chegou aos cinemas, Charlton Heston também já havia falecido, em consequências do Alzheimer, em 05 de abril de 2008, aos 84 anos de idade.

Uma de suas últimas aparições nas telas aconteceu involuntariamente no documentário Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 2002), do diretor Michael Moore. Usando como temática o massacre na escola de Columbine, o filme fazia uma crítica ao porte de arma nos Estados Unidos, e Heston era presidente da  National Rifle Association (NRA), uma entidade que luta para que seja mantido o direito do cidadão de comprar e portar armas de fogo nos Estados Unidos.


E apesar do discurso conservador do ator, e de sua postura que tendia a extrema direita dos últimos anos, Charlton Heston havia sido um liberal democrata anos antes. Ele inclusive foi ativista pelo direito dos negros, e acompanhou Martin Luther King na Marcha pelos Direitos Civis em Washington, em 1963. Heston marchou com um cartaz onde se lia "todos os homens nascem iguais". O ator também foi ferrenho opositor do Machartismo, que impôs uma perseguição a diversos artistas na década de 50.

Em 1978, ele ganhou o prêmio Jean Hersholt em homenagem ao seu trabalho humanitário.

Sidney Poitier, Harry Belafone e Charlton Heston, na marcha pelos direitos civis em 1963

Em 1968, após o assassinato do senador Robert Kennedy, ele foi a um programa de televisão ao lado de Gregory Peck e Kirk Douglas, apelar ao presidente Lyndon Johnson para vetar a aprovação do porte de armas. Anos mais tarde, ao ser perguntado em uma entrevista sobre este fato, disse que na época era um jovem bobo.




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