A morte silenciosa de Irina Grecco


Em 25 de agosto de 2019 a atriz paulista Irina Grecco teria completado 80 anos. Afastada da mídia há muitos anos, queria preparar uma homenagem pelo seu aniversário. Porém, poucas informações davam notícias de seu paradeiro.

Infelizmente, acabei me deparando com uma triste informação, a atriz havia falecido há muitos anos. Sua morte não foi divulgada ou noticiada, e muitos sites, devido a falta de informação, ainda dão a atriz como viva.

Irena Grecco não foi a primeira nem a última atriz a ter sua passagem não registrada, apresentando esta lacuna em sua biografia. Por muito tempo, a atriz Lelita Rosa, nascida em 1908, constava como viva nas bibliografias brasileiras, estando com improváveis (mas não impossíveis) 112 anos. Já Aurora Fulgida, que como Lelita também foi uma estrela do cinema mudo brasileiro, de acordo com a Wikipédia, estaria com 140 anos. Obviamente, isto se dá apenas a falta da informação da data de sua morte.

Irina Grecco era o nome artístico de Irena Juhas, e após seu casamento como o ator Armando Bogus, passou a assinar como Irena Juhas Bogus, e foi com esta informação que descobrimos o falecimento da atriz.

Atualmente, diversos sites disponibilizam processos judiciais públicos, e fazendo uma busca pelo nome Irena Juhas, nos deparamos com o nome da atriz em um desses processos.


Sem nenhuma repercussão, Irina Grecco faleceu em 05 de julho de 2009, há 10 anos atrás, com 71 anos de idade (conforme certidão de óbito anexa no processo).


Irina Grecco (também creditada como Irina Greco) nasceu Irena Juhas, em São Paulo, no dia 25 de agosto de 1939. Sua estréia na vida artística, entretanto, iniciou-se no Rio de Janeiro. Em 1955 ela respondeu a um anúncio de um jornal carioca, que procurava uma nova vedete para a companhia de revistas de José Vasconelos, e com uma forte campanha provida pelo jornalista Stanlislaw Ponte Preta (o Lalau), ela acabou vencendo a competição.

Irina estreou como vedete na revista Procura-se Um Presidente (1955), cujo título fazia referência a morte de Getúlio Vargas. Logo ela integraria a lista das "Certinhas do Lalau" (no ano de 1957).

Irina Grecco, vedete

As "Certinhas do Lalau" de 1957

Ainda em 1957, ela estreou na televisão, atuando em diversos teleteatros da TV Tupi, já em São Paulo. Inclusive no programa TV de Revista, que encenava teatros de revistas na TV. Em 1957 também, ela fez seu primeiro filme, A Doutora é Muito Viva (1957).

No ano seguinte ela atuou em outro espetáculo,  Alô 35-5499 (1958), mas acabou deixando o elenco de Zé Vasconcelos para se casar com o ator Armando Bogus. A vedete (e posteriormente dubladora) Glória Ladany assumiu o seu papel.

Irina Grecco em Alô 35-5499

Também em 1958, fez seu filme mais famoso, Macumba na Alta (1958), ao lado de Bogus, Rita Cléos e Lyris Castellani (outra atriz que desapareceu da mídia, se alguém souber seu paradeiro, por favor, entre em contato).

Irina Grecco em Macumba na Alta

Em 1959, ela já havia firmado sua carreira em São Paulo, e retornou a televisão, contratada pela TV Paulista, onde atuou no programa La Bellé Époque, que fazia teatro de revista para a televisão. A vedete Salomé Parísio também fazia parte do elenco.

Salomé Parísio, Irina Grecco e grande elenco em La Bélle Époque, na TV Paulista

Apesar do contrato com a emissora, ela ainda fez a peça Pic-Nic (1959), e chegou a gravar alguns programas La Reveu Chic (similar ao Bélle Époque), produzidos pela TV Rio.

Na Paulista ela ainda protagonizou a série Minha Mulher é Um Colosso (1960), nos moldes de Alô, Doçura, da Tupi. O ator Celso Faria, que posteriormente faria diversos filmes de bang bang na Itália, interpretava seu marido.

Irina Grecco e Celso Faria em Minha Mulher é Um Colosso

Em 1962 ela retornou ao cinema, atuando em Copacabana Palace, um filme italiano, rodado no Brasil. A produção era inspirada, sem autorização, na vida da princesa/atriz Ira von Füstenberg, que também atuaria no cinema brasileiro.

Em 1963 Irina Grecco assinou com a recém inaugurada TV Excelsior, onde fez a novela Pedro Mico (1963), além de atuar em alguns teleteatros. Mas no mesmo ano, passou a trabalhar na TV Record.


Na Record atuou na série Gente Como a Gente (1963) e nas novelas Banzo (1964) e Renúncia (1964). Ela também fazia parte do Show 713, que a emissora transmitia o programa em rede com a TV Rio.

Armando Bogus e Irina Grecco

De volta à Excelsior, fez Uma Sombra em Minha Vida (1964), Vidas Cruzadas (1965), A Ilha dos Sonhos Perdidos (1965), O Morro dos Ventos Uivantes (1967) e Legião dos Esquecidos (1968-1969).

Neste meio tempo, retornou ao teatro, onde fez A Grande Chantagem (1965) e Megera Domada (1965), porém, sofreu um acidente de carro e quebrou o braço durante a temporada, tendo que ser substituída as pressas por Eva Wilma, que teve poucos dias para decorar o texto.

Recuperada, ainda fez Oh! Que Delícia de Guerra (1966) e Marat-Sade (1967). 


Agora na TV Bandeirantes, atuou na novela Era Preciso Voltar (1969) e no ano seguinte, fez seu último trabalho no cinema, Parafernália, O Dia da Caça (1970).

Irina Grecco ainda atuaria no teatro em outras duas ocasiões, nas peças Hans Staden no País da Antropofagia (1971) e Lulu (1974).

Irina Grecco, em 1974

Cada vez mais afastada da vida pública, ainda atuou na TV Cultura, onde fez o teleteatro Electra (1975) e a minissérie O Pátio das Donzelas (1982). A atriz ainda deu aulas de atuação no Teatro Escola Célia Helena.

Separada de Armando Bogus em 1964, Irina Grecco morreu em 05 de julho de 2009.





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3 comentários:

  1. Parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa da arte audiovisual do Brasil e do exterior. Quando criança era fã de Irina Greco. Lembro dela na novela O morro dos ventos uivantes. Era linda. Jamais a esqueci.

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  2. Sobre Aurora Fúlgida eu me interesso pela história dela também e segundo algumas pesquisas que fiz em fontes romenas sobre ela ela morreu no Rio de Janeiro por cerca de 1970

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