Foto altera a história do primeiro beijo da televisão brasileira

Tônia Carrero, Nely Rodrigues, Aimeé, Virginia Lane e Alma Flora, nos testes inaugurais da TV Tupi, do Rio de Janeiro

A atriz Vida Alves e o ator Walter Foster entraram para a história da televisão brasileira ao protagonizarem o primeiro beijo exibido na TV no Brasil. O beijo, do qual não existem registros fotográficos, fez parte do capítulo final da novela Sua Vida Me Pertence (1951), exibida pela TV Tupi de São Paulo, a primeira emissora de televisão da América do Sul.

Vida Alves e Walter Foster, em Sua Vida Me Pertence

A PRF3-3 TV Tupi foi inaugurada em 18 de setembro de 1950, sendo uma das primeiras emissoras do mundo a manter a transmissão regular. O Rio de Janeiro só veria a televisão diária em 1951.

Porém, antes da inauguração oficial da Tupi, foram feitos testes de transmissão. Em um deles, o ex galã latino de Hollywood, José Mojica (que abandonou o cinema para se tornar padre) foi o astro convidado dos testes inaugurais. (leia mais sobre isto aqui).

Em maio de 1950 também foram feitos testes na cidade do Rio de Janeiro, usando equipamentos da GE (General Eletric). A Tupi, oficialmente, usou aparelhos comprados da RCA Victor.

Participaram dos testes cariocas nomes como Luis Jatobá, Tônia Carrero, Nely Rodrigues, Virginia Lane, Alma Flora, Henriette Morineau, Eva Todor, e outros grandes nomes das artes cariocas. A Revista O Cruzeiro, em 27 de maio de 1950, registrou essa transmissão experimental em uma sessão de fotos.

 Eva Todor
 Henriette Morineau
 Tônia Carrero
Virginia Lane

Na publicação de O Cruzeiro, também é possível ver o registro de um beijo, protagonizado por Carlos Frias e Aimeé, que na época eram casados. O clichê foi tirado a partir de um monitor de televisão.

A foto, entretanto, não tira a importância e nem o protagonismo de Vida Alves e Walter Foster. Afinal, o beijo de Aimeé e Carlos Frias foi televisionado apenas para poucos receptores de TV, analisados apenas pelos técnicos da emissora.

A atriz Vida Alves e o ator Walter Foster entraram para a história da televisão brasileira ao protagonizarem o primeiro beijo exibido na TV no Brasil. O beijo, que não foi fotografado, fez parte do capítulo final da novela Sua Vida Me Pertence (1951), exibida pela TV Tupi de São Paulo, a primeira emissora de televisão da América do Sul.


Foi somente no final de Sua Vida Me Pertence, que o público pode assistir um beijo na televisão brasileira. O primeiro beijo da TV transmitido aos telespectadores.


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Ator Andrew Jack, de Star Wars: Os Últimos Jedi, morre vítima do Coronavirus


O ator Andrew Jack, que interpretou o Major Caluan Ematt (mais tarde promovido a General) nos filmes Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: Episode VII - The Force Awakens, 2015) e Star Wars: Os ùltimos Jedi (Star Wars: Episode VIII - The Last Jedi, 2017), morreu no dia 31 de março, vítima da pandemia do Coronavirus, ele tinha 76 anos de idade.


Nascido em Londres, em 28 de janeiro de 1944 e estreou na televisão inglesa em 1957. Fez poucos filmes, incluindo Kate & Leopold (Idem, 2001). Na saga Star Wars ainda atuou em Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star War Story, 2018), onde dublou o personagem Moloch. Também dublou o General Ematt para uma animação da série, com personagens feitos de Lego.


Jack era um dos mais importantes professores de dicção de Hollywood, tendo treinado atores para mais de 100 filmes, incluindo O Último dos Moicanos, a saga Senhor dos Anéis, Chaplin, O Guardião das Galáxias, entre outros. Atualmente, trabalhava na produção do novo filme do Batman, com o ator Robert Pattinson.

A pandemia do Covid-19 já fez algumas vítimas no meio cinematográfico, levando nomes como a atriz Lucia Bosé, o ator Mark Blum e o brasileiro Daniel Azulay.

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A Lagoa Azul, a versão de 1949


O filme A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, 1980), estrelado por Brooke Shields e Christopher Atkins foi um dos campeões de bilheteria no ano de seu lançamento. No Brasil, o filme é famoso pelas inúmeras reprises na televisão, na Sessão da Tarde.

Brooke Shields e Chistopher Atkins

Porém, esta não era a primeira vez que a história dos jovens náufragos era levada as telas de cinema. Baseado no romance The Blue Lagoon, escrito por Henry de Vere Stacpoole, publicado em 1908. O livro conta a história das crianças presas em uma ilha paradisíaca após um naufrágio. Eles crescem e a amizade acaba se tornando uma paixão.

A primeira vez que a história foi adaptada para o cinema foi em 1923, em um filme mudo chamado The Blue Lagoon, que era estrelado por Molly Adair e Arthur Pusey, e teve cenas gravadas no litoral da África. Infelizmente, esta versão foi perdida com o tempo.

A segunda versão é de 1949, e era estrelada por Jean Simmons e o novato Donald Huston. Antes disto, já se falavam em produzir o filme desde 1935, mas devido a inúmeros problemas, nenhuma delas chegou a ser iniciada.


Dirigido por Frank Launder, o filme era estrelado por Jean Simmons e Donald Huston, em seu primeiro papel no cinema. O ator foi escolhido entre mais de 5000 candidatos ao papel. Roger Moore e Laurence Harvey estavam entre os atores recusados.

E embora Jean Simmons já fosse famosa quando escalada como protagonista, atrizes como Claire Bloom e Marilyn Monroe, também se candidataram ao papel.

O filme fez bastante sucesso na época, e foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza. Após sua estréia, departamentos de censura ficaram incomodados com o relacionamento dos jovens, e exigiram que o final do filme apresentasse uma cena de casamento, para absolvê-los de terem vivido em pecado.


Este não foi o único problema encontrado pela produção. Com cenas filmadas nas Ilhas Fiji, a equipe teve grandes dificuldades de filmagens. O diretor Frank Launder quebrou um braço, e o produtor Leslie Gilliat sofreu um acidente de avião, mas sobreviveu.

Simmons e Houston sofreram um acidente de carro, que capotou. E o local de filmagens ainda estava sob um surto de poliomelite. Apesar de todos os problemas, o filme ficou entre os dez mais bem sucedidos nas bilheterias do cinema inglês daquele ano.





Posteriormente, o livro seria adaptado outras três vezes, sendo a mais famosa delas o clássico estrelado por Brooke Shields, em 1980. Em 1991 Milla Jojovich estrelou De Volta a Lagoa Azul (Return to Blue Lagoon) e em 2012 foi lançado Lagoa Azul: O Despertar (Blue Lagoon: The Awekening, 2012).


Confira um trecho do filme
A Lagoa Azul,  de 1949


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Astrud Gilberto, a brasileira que levou a Bossa Nova para Hollywood


A bossa nova é um dos ritmos brasileiros mais conhecidos mundialmente, e foi a cantora Astrud Gilberto uma das responsáveis pelo gênero conquistar Hollywood. Atualmente, mais de 50 filmes usaram a voz de Astrud em suas trilhas sonoras.

Mas a baiana, que foi casada com João Gilberto, também chegou a atuar diante das câmeras, na terra do cinema.

Astrud e João Gilberto

Astrud Evangelina Weinert nasceu em Salvador, em 29 de março de 1940. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde se tornou a melhor amiga da então aspirante a cantora Nara Leão.

Foi Nara quem a apresentou para João Gilberto, com quem ela se casou, em 1959. Incentivada pela amiga, Astrud iniciou sua carreira em 1960.


Em 1963 o casal se mudou para os Estados Unidos, e no mesmo ano ela participou de um álbum do lendário saxofonista Stan Getz, um dos maiores nomes mundias do jazz. Após gravar Getz/Gilberto, Astrud e João se separaram.

Na mesma época, a gravação da cantora de Garota de Ipanema, em Inglês, estourou nas paradas de sucesso. Astrud foi convidada por diversos programas de televisão, e foi chamada para trabalhar em Hollywood. Contratada pela MGM, ela apareceu cantando na comédia adolescente Turma Bossa Nova (Get Yourself a College Girl, 1964), estrelada por Nancy Sinatra e Chad Everret.

O filme era repleto de números musicais.


Astrud Gilberto apareceu como ela mesma, cantando The Girl From Ipanema, acompanhada de Stan Getz. A canção Garota de Ipanema é uma das musicas brasileiras mais tocadas no mundo até os dias de hoje.

Veja Astrud Gilberto, cantando em Hollywood

Ao lado de Stan Getz, novamente cantado Garota de Ipanema, ela também participou do filme The Hanged Man (1964), feito para a televisão. O filme era dirigido por Don Siegel, e estrelado por Vera Miles e Robert Culp.

Astrud seguiu cantando, e ganhou um Grammy no ano de 1965. Ela gravou diversos discos, em vários idiomas. Atualmente, ela ainda mora nos Estados Unidos, acompanhada dos filhos.

Astrud Gilberto recebendo seu Grammy das mãos de Sammy Davis Jr.

Astrud Gilberto também se tornou pintora, e é conhecida por ser uma ativista pelos direitos dos animais.


Astrud Gilberto


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A dinamarquesa Greta Thyssen, a Rainha dos Filmes B


Greta Thyssen foi revelada ao mundo após vencer o concurso de Miss Dinamarca. Ela foi para Hollywood, que tentou fazer dela uma nova Marilyn Monroe.




Grethe Karen Thygesen nasceu em Hareskovby, na Dinamarca, em 30 de março de 1927. A bela e jovem voluptuosa jovem começou a ganhar as páginas de revistas mundiais quando foi eleita Miss Dinamarca em 1952.



Encantada com a beleza esfuziante da jovem, a MGM mandou contratá-la imediatamente, para tentar fazer dela uma nova Marilyn Monroe, a estrela que estava arrebatando todas as bilheterias na 20th Century Fox. Mas Greta não era exatamente uma novata, ela já havia feito um filme em seu país, Op Og Ned Langs Kysten (1950), quando ainda trabalhava como modelo.




Porém, durante os seis meses que ficou sob contrato com o estúdio Greta não atuou em nenhuma produção. Liberada do contrato, enfim, estreou como atriz na terra do cinema. Foi justamente na Fox, ao lado de Marilyn Monroe, que ela fez seu debut cinematográfico, atuando em um pequeno papel em Nunca Fui Santa (Bus Stop, 1956). Greta, inclusive, substituiu a famosa atriz em algumas cenas como dublê, devido aos constantes atrasos da estrela Monroe.



Mas o estrelato esperado nunca chegou. Ela atuou em filmes como Marcado para a Morte (Acussed of Murder, 1956) e A Fera de Budapeste (The Beast of Budapest, 1958). Após fazer algumas participações em séries de televisão, como Dragnet e Perry Mason, a atriz foi contratada para atuar em Dispostos a Pagar Impostos (Quiz Whizz, 1958), um curta-metragem da Columbia estrelado pelos Três Patetas. Ela ainda atuaria com o trio em Meu Querido Lorde (Oies and Guys, 1958) e O Touro É Um Estouro (Sappy Bull Fighters, 1959).



Os Três Patetas e Greta Thyssen

Estes papéis, com direto a torta na cara, seriam fundamentais para a atriz ao longo dos anos. Devido ao culto aos filmes do trio, a carreira da atriz nunca foi esquecida pelos fãs dos filmes dos patetas.



Em 1958, teve sua melhor oportunidade, ao protagonizar A Fera de Budapeste (The Beast of Budapest, 1958), onde arrancou suspiros de muitos marmanjos fascinados por sua beleza. Apesar disto, sua carreira nunca deslanchou totalmente.


Greta teve destaque em filmes como Marcado para a Morte (Acussed of Murder, 1956), Criatura Sangrenta (Terror is a Man, 1959), Sombras (Shadows, 1959) e Monstro do Planeta Perdido (Journey to the Seventh Planet, 1962). Estes papéis lhe valeram o título de "rainha dos filmes B".

John Aggar e Greta Thyssen em Monstro do Planeta Perdido

Seu último trabalho foi em uma comédia musical, que nunca foi lançada comercialmente. Descontente com o rumo de sua carreira, Greta Thyessen abandonou a vida artística para dedicar-se à família e à sua  única filha.
Desde então, passou a viver reclusa em seu apartamento em Manhattan, em Nova York (EUA), e não fez mais aparições como figura pública. A atriz morreu de pneumonia em seu apartamento, em 06 de janeiro de 2018, aos 90 anos de idade.




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A exótica Maria Montez, a rainha do Technicolor


Na década de quarenta, os Estúdios da Universal produziram uma série de filmes de aventura, com roteiros bastante fantasiosos e cenários deslumbrantes e exóticos protagonizados por Maria Montez e Jon Hall. O mundo vivia o terror da Segunda Guerra Mundial, e os romances coloridos eram uma válvula de escape da população norte-americana para fugir dos problemas e o medo da guerra.

Maria Africa Gracia Vidal naceu em Barahona, na República Dominicana, no ano de 1912 (ela mentia ser de 1917). Filha de um homem muito rico de descendência espanhola, a menina sempre quis ser atriz, e recebeu a educação adequada para isto, inclusive tendo aulas de inglês. Em 1932 seu pai, Vice Consul da Espanha, servia na Irlanda e foi onde ela conheceu um banqueiro irlandês, com quem se casou. Após sete anos casada, largou o marido e mudou-se para os Estados Unidos, onde começou a trabalhar como modelo.

Logo recebeu convites para atuar no cinema, aceitando o oferecido pela Universal. Foi ela quem se batizou "Montez", em homenagem a dançarina Lola Montez, de quem seu pai era fã. A Universal a colocou em produções baratas como Castigo Merecido (Boss of Bullion City, 1940), Mulher Invisível (The Invisible Woman, 1940) e Caçadores de Notícias (Lucky Devils, 1941). Depois foi emprestada para a Fox, onde atuou em uma única e pequena cena em Uma Noite no Rio (That Night in Rio, 1941), mas foi o suficiente para chamar a atenção.

No filme Maria faz uma garota que esta conversando com Don Ameche, o que provoca ciúmes em sua parceira, interpretada pela nossa Carmen Miranda. Irritada, a pequena notável grita em bom português: "Caí fora!".

Maria, Caí Fora!

A carreira da atriz seguiu em filmes de baixo orçamento como Bandoleiros do Deserto (Raiders of the Desert, 1941) e Ao Sul de Tahiti (South of Tahit, 1941). Nesta época Dorothy Lamour estava fazendo sucesso na Paramount usando seu sarong em filmes "exóticos", e a Universal tentou fazer o mesmo, escalando Maria Montez para ser sua garota "glamour girl".

Maria e Jon Hall em As Mil e Uma Noites

Maria então protagonizou As Mil e Uma Noites (Arabian Nights, 1942) ao lado do galã Jon Hall. Foi o primeiro filme colorido do estúdio, e deu início a uma série de filmes de aventuras fantásticas. O  seu visual oriental nos filmes virou moda nos Estados Unidos, relançando o hábito de turbantes, véus e jóias elaboradas. Em seguida ela protagonizou outros filmes do mesmo estilo, como Branca Selvagem (White Savage, 1943), Ali Babá e os Quarenta Ladrões (Ali Baba and the Forty Thieves, 1944), Mulher Satânica (Cobra Woman, 1944), Alma Cigana (Gypsy Wildcat, 1944) e A Rainha do Nilo (Sudan, 1945).

Veja o trailer de Ali Babá e os 40 Ladrões

Após fazer os filmes "escapistas" da Universal, atuou em Tanger (Tamgier, 1946), um filme claramente inspirado em Casablanca. O filme em preto e branco, com uma fotografia meio noir não agradou. Maria Montez não era a mesma sem o technicolor que o público se acostumara. 


Neste mesmo ano ela processou a Universal, devido a créditos e salários. Ela também declarou que "estava cansada de interpretar sempre uma princesa de contos de fadas" e queria fazer trabalhos mais importantes. Ela recusou o papel no filme Era Seu Destino (Frontier Gal, 1945) que acabou indo para Yvonne de Carlo, que a substituiu nos filmes aventurescos do estúdio. Ainda sob contrato, atuou em Os Piratas de Monterey (Pirates of Monterey, 1947) e depois deixou a Universal para sempre.

Seu primeiro filme fora do estúdio foi Atlântida, O Continente Perdido (The Siren of Atlantis, 1949), ao lado do ator francês Jean-Pierre Aumount, com quem estava casada desde 1943. Logo após o casamento, o ator precisou retornar à França, pois havia sido convocado para servir no exército durante a guerra.

Maria e Jean-Pierre Aumount

Em 1946, logo após a guerra, ela visitou a Europa com o marido e ficou empolgada em fazer filmes por lá. Ela e o marido então romperam seus contratos americanos e partiram para a França, pouco depois do nascimento de sua filha, a também atriz Tina Aumount. O primeiro filme da dupla na França foi Brumas Sangrentas (Hans, Le Marin, 1949), seguido de Máscara de Um Assassino (Portrait d'un Assassin, 1949). Em seguida Maria viajou para a Itália, onde também fez alguns filmes, como O Ladrão de Veneza (Il Ladro di Venezia, 1950), considerado sua melhor atuação. Em 1951 ela voltou à França, onde fez uma peça escrita pelo marido.

Ela negociava seu retorno à Hollywood, quando faleceu subitamente. Em 07 de setembro de 1951 a atriz sofreu um ataque cardíaco na banheira, morrendo afogada em seguida. Ela tinha apenas 39 anos. Muitos de seus fãs não acreditaram na causa da sua morte, alguns inclusive acreditam que ela possa ter sido assassinada pelo governo ditatorial da República Dominicana, já que a atriz se recusava a fazer publicidade de seu país natal.



Atualmente, o aeroporto internacional de Barahona chama-se Maria Montez. Sua vida foi contada no filme María Montez: La Película (2014), uma produção dominicana estrelada pela atriz Celines Toribio.

Sua filha, a atriz Tina Aumont, atuou em filmes como Casanova de Fellini (Il Casanova di Federico Fellini, 1976), e faleceu em 28 de outubro de 2006, aos sessenta anos.



                                                                                                                                                                                                                                                                                  
Tina Aumount em Casanova de Fellini

Assista ao trailer de Mulher Satânica

Leia também:  O exótico Turhan Bey, o Valentino Turco

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O exótico Turhan Bey, o Valentino Turco


Na década de 40 Turhan Bey era um astro em Hollywood. Durante a época da Segunda Guerra Mundial, filmes de fantasias exóticas tinham um fascínio escapista sobre o público, que se deliciava com as aventuras exageradamente coloridas com o Technicolor. Maria Montez, Sabu e Turhan Bey eram alguns dos protagonistas destas produções.


Hedda Hopper o chamou de "O Valentino Turco", mas as fãs preferiam chamá-lo de "a delícia turca", apesar disto, o ator era Austríaco, nascido em Viena, em 30 de março de 1922.

Turhan Gilbert Selahattin Sahultavy era filho de um diplomata turco. Sua mãe era da Tchecoeslováquia. Após a anexação da Áustria à Alemanha, sua mãe, que era judia, fugiu com o filho para os Estados Unidos, com medo da perseguição nazista.

Ele ingressou no teatro por acaso. Turhan matriculou-se em um curso de inglês, e durante o curso foi aconselhado a estudar interpretação, para melhorar sua pronúncia. Em 1939 ele passou a trabalhar em uma produção profissional, e um caçador de talentos da Warner, que estava na platéia, lhe ofereceu um contrato. Na Warner, recebeu o nome artístico de Turhan Bey.

Ele estreou no cinema em um filme menor, chamado Shadows on the Stairs (1941). Depois, interpretou um homem sinistro em Caminhando nas Sombras (Footsteps in the Dark, 1941), estrelado por Errol Flynn. Logo depois, foi dispensado do estúdio que o revelara.

Turhan Bey em Caminhando nas Sombras

Bey então foi contratado pela Universal, onde teve melhores oportunidades. Lá, contracenou pela primeira vez com Maria Montez, em Raiders of The Desert (1941). Emprestado para a RKO, atuou em O Falcão Alegre (The Gay Falcon, 1941), estrelado por Humphrey Bogart.

De volta a Universal, começou a atuar em filmes de aventuras exóticas, como Drums of the Congo (1942), e Avião do Oriente  (Bombay Clipper, 1942), onde reencontrou Maria Montez.

Maria Montez, William Gargan e Turhan Bey em Avião do Oriente

Seus papéis, até então eram pequenos. Sempre interpretando personagens estrangeiros, um tanto exóticos e sinistros. Em Unseen Enemy (1942) teve um papel um pouco maior, interpretando um espião japonês.

Seu primeiro grande papel foi no terror A Tumba da Múmia (The Mummy's Tomb, 1942), ao lado de Lon Channey Jr. Anos mais tarde, em uma entrevista, ele declarou que este foi seu trabalho favorito.

Lon Chaney Jr. e Turham Bey

A primeira grande produção em que o ator trabalhou foi As Mil e Uma Noites (Arabian Nights, 1942), um filme exótico, colorido, co-estrelado por outros astros do gênero fantasia, Maria Montez, Sabu e Jon Hall. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar, em categorias técnicas.

O mesmo elenco se reencontraria em Branca Selvagem (White Savage, 1943), um dos maiores sucessos da carreira de Maria Montez.


Também destacou-se em O Abutre Humano (The Mad Ghoul, 1943), um dos muitos filmes de terror da Universal. A Warner, seu antigo estúdio, pediu o ator emprestado para atuar em Expresso Bagdad-Istambul (Background to Danger, 1943).

Evelyn Ankers, Turhan Bey e David Bruce em O Abutre Humano

O ator recebia centenas de cartas de fãs por semana, e a Universal decidiu fazer dele um astro. A oportunidade surgiu quando Sabu foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial, e Bey ficou com seu papel em Ali Babá e os Quarenta Ladrões (Ali Baba and the Forty Thieves, 1944), novamente ao lado de Jon Hall e Maria Montez. E embora Hall fosse o protagonista, foi Turhan Bey quem mais agradou ao público por este filme.

Maria Montez e Turhan Bey em Ali Babá e os Quarenta Ladrões

Escalado para atuar em Alma Cigana (Gypsy Wildcat, 1944), novamente ao lado de Montez e Hall, acabou deixando a produção após ser convidado pela MGM para estrelar A Estirpe do Dragão (Dragon Seed, 1944), ao lado de Katherine Hepburn. Foi seu primeiro papel como protagonista.

Katherine Hepburn e Turhan Bey

De volta a Universal, estrelou o romance The Climax (1944), contracenando com Susanna Foster. No estúdio também foi um dos astros do musical Saudades do Passado (Bowery to Broadway, 1944), e novamente com Montez e Hall, estrelou A Rainha do Nilo (Sudan, 1945). Pela primeira vez nas telas, Bey roubava Maria Montez do galã Jon Hall.

Em 1944, uma revista de cinema fez uma enquete com o público, perguntando quais eram seus artistas favoritos. Turhan Bey ficou na nona posição. Na vida real, o ator também era alvo das manchetes devido ao seu conturbado namoro com a estrela Lana Turner.



Lana Turner e Turhan Bey

A MGM o queria para protagonizar Aqui Começa a Vida (Week-End at the Waldorf, 1945), onde contracenaria com Lana Turner, mas a Universal não o liberou. Em compensação, o estúdio lhe deu o principal papel em Uma Noite no Paraíso (Night in Paradise, 1946), ao lado de Merle Oberon.


Por ser de origem turca, o ator não era elegível para ser convocado a defender o exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Mas isto mudou quando a Turquia juntou-se na guerra contra à Alemanha, e Bey acabou tendo que se alistar em junho de 1945. Ele acabou ficando 18 meses no exército, o que interrompeu sua carreira na época. O ator estava escalado para estrelar O Retorno do Sheik, que retomava o mais famoso personagem de Rudolph Valentino, mas devido a guerra, o filme nunca foi realizado.

Ao retornar do serviço militar, atuou em um papel de apoio em Lá em Casa Manda Ela (Out of the Blue, 1947). E após recusar alguns trabalhos no estúdio, acabou sendo demitido. Seu contrato foi vendido para o pequeno estúdio Eagle-Lion.

Lá coadjuvou Arturo de Cordova em Casanova Aventureiro (Adventures of Casanova, 1948) e estrelou o obscuro The Amazing Mr. X (1948), além de atuar em outros dois filmes.


Na Columbia, reencontrou Sabu em Canção da Índia (Song of India, 1949), e chegou a ser anunciado como o astro de um filme sobre Gengis Kahn, que nunca foi realizado. Canção da Índia foi um grande fracasso, e os filmes exóticos pareciam não mais agradar ao público.

Turhan Bey e Sabu

Desempregado, Turhan Bey montou um café, dizendo "as pessoas sempre precisarão comer".

E em 1950 retornou a Europa, dizendo precisar resolver alguns problemas comerciais. Bey pretendia ficar três meses, e acabou ficando três anos. Na Áustria ele montou uma produtora, e produziu o filme Stolen Identity (1953), mas não atuou.

De volta a Hollywood, fez O Prisioneiro de Casbah (Prisioners of the Casbah, 1953), ao lado de Gloria Grahame e Cesar Romero. O filme ficou na gaveta por seis meses, até ser lançado, sem grande destaque.

Cesar Romero e Turhan Bey

O ator estava escalado para atuar ao lado de Arlene Dahl e Rhoda Fleming, as novas rainhas do Tecnicholor. Porém foi demitido da produção. Bey retornou à Àustria, e foi morar com a mãe.

Sua biografia diz que ele foi envolvido em um escândalo, do qual não pode se defender. Porém, nunca foi divulgado o que teria acontecido nos bastidores de Hollywood.

O ator foi esquecido completamente pelo cinema, ficando anos no ostracismo. Neste período, trabalhou como fotógrafo. Uma piada na terra do cinema dizia que por ter aberto tantos sarcófagos em filmes de terror, acabou pegando a maldição de alguma múmia.

Foi somente na década de 90 que ele voltaria a atuar, porém sem receber grande destaque. Ele atuou em filmes menores e independentes, como O Skate Voador 2 (The Skateboard Kid II, 1994).

Seu último trabalhos como ator foi na série Babylon 5, em 1998. O ator morreu em Viena, em 30 de setembro de 2012, aos 90 anos de idade.



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