Tinha que ser o Roberto Gómez Bolaños!


Apesar de mexicano, Roberto Gómez Bolaños é um dos artistas mais queridos do público brasileiro, graças aos seus personagens Chaves, Chapolin e companhia, exibidos pela televisão brasileira há mais de 30 anos, pelo SBT.


Roberto Gómez Bolaños nasceu na cidade do México, em 21 de fevereiro de 1929. Seu pai, o cartunista, pintor e ilustrador Francisco Gómez Linares era alcoólatra, e morreu em 1935, quando Bolaños tinha apenas seis anos de idade.

Francisco Gómez Linares

Sua mãe criou os filhos sozinha, e mesmo com dificuldades financeiras, conseguiu colocar os filhos (incluindo seu irmão mais novo, Horácio Gomez Bolaños, o Godinez) em boas escolas.

 Roberto e Horácio Gómez Bolaños

Horácio Gómez Bolaños

Roberto chegou a jogar futebol e lutar boxe profissionalmente, mas devido ao baixo peso, teve que deixar ambas as profissões. Gostando de desenhos e pinturas, como o pai, começou a cursar engenharia mecânica. E como repetiu um ano, passou a estudar com o irmão Horácio, na mesma sala de aula.

O jovem Roberto Gómez Bolaños, jogador de futebol

Mas Roberto não terminou a faculdade, pois em 1952 ele viu um anuncio de jornal de uma agência de publicidade, que estava procurando um aprendiz de produtor de rádio e televisão e um aprendiz de redator publicitário. Ele procurou a agência, buscando o cargo de produtor, mas a fila estava muito grande, enquanto havia poucos candidatos para redatores. Bolaños resolveu enfrentar a fila menor, e ficou com o emprego.

Ele escrevia vinhetas, jingles, cartazes e tirinhas de quadrinhos, mas logo seu talento chamou a atenção e ele passou também a ser roteirista de programas radiofônicos, da dupla Viruta e Capulina, que faziam muito sucesso no México na época.

A dupla migrou para a televisão, em um programa chamado Cómicos Y Canciones (1956), tendo Bolaños como roteirista. Mas um dia um ator faltou uma gravação, e como Roberto sabia o texto de cor, acabou fazendo o papel para não atrasar as filmagens. Ele agradou, e acabou atuando regularmente na série, em pequenos papéis.

Roberto Gómez Bolaños no programa de Viruta e Capulina

Em 1958 ele estreou no cinema, como roteirista do filme Los Legionarios (1958), estrelados por Viruta e Capulina, além da rumbeira Maria Antonieta Pons. O diretor Agustín P. Delgado ficou impressionado com o roteiro de Bolaños, e disse que ele era um Chespirito, uma forma diminutiva e castelhanizada de Shakespeare. O artista gostou do apelido, e passou a usá-lo artisticamente.



No ano seguinte fez o roteiro de Vagabundo y Millonario (1959), estrelado pelo cômico Germán Valdéz, o Tin Tan, um astro do México (e irmão de Ramon Váldez, o Seu Madruga). No mesmo ano, fez mais dois roteiros para Viruta e Capulina, Los Tigres del Desierto (1959) e Angelitos del Trapecio (1959), que ainda tinha no elenco a atriz Anabel Gutierrez, com quem trabalharia anos mais tarde na série Chaveco (Los Caquitos).



Em 1960 Bolaños escreveu Dos Locos en Escena (1960), novamente para a dupla Viruta e Capulina. Neste filme, ele também estreou como ator no cinema.

Veja a estréia de Roberto Gómez Bolaños no cinema, como ator


Ele voltou a atuar em outro filme da dupla, Dos Criados Malcriados (1960), também escrito por ele. Chespirito continuou escrevendo para a dupla de comediantes, na televisão e no cinema. E até 1966 escreveu mais dezesseis roteiros para a dupla de comediantes, incluindo o filme Cada Quién Su Lucha (1966), onde trabalhou pela primeira vez com Ramon Valdéz.

Em 1967 Bolaños escreveu o roteiro de Un Novio Para Dos Hermanas (1967), estrelado pelas gêmeas Pilar e Emilia Bayona (também conhecidas como Pili e Mili). No elenco ainda Maria Antoníeta de Las Nieves (a Chiquinha) e Angelinez Fernandez (a Bruxa do 71).

Em 1967 o artista apareceu atuando em El Mundo Loco de Los Jóvens (1967), um dos raros trabalhos no cinema do qual não foi o roteirista. O filme também não tinha a presença de Viruta e Capulina.

Roberto Gómez Bolaños em El Mundo Loco de Los Jóvens

Bolaños ainda fez mais alguns filmes para Viruta e Capulina, e com com Capulina (sem o Viruta), voltou ao cinema, como ator, em Operación Carambola (1968). No elenco ainda, o jovem ator Alfonso Arau, que futuramente dirigiria Como Água Para Chocolate (Como Agua Para Chocolate 1992).

Com Capulina, ainda atuou em El Zángano (1967).

Capulina e Roberto Gómez Bolaños em El Zángano

A dupla Viruta e Capulina foi desfeita em 1968. Os comediantes começavam a se incomodar com o sucesso do artista, que estava os ofuscando. Roberto Goméz Bolaños foi demitido da emissora de televisão onde escrevia o roteiro. Desempregado, ele se viu em necessidades financeiras.

Mas logo foi contratado pela Televisa, onde escreveu El Ciudadano Gómez (1968) e posteriormente Los Supergenios de la Mesa Cuadrada (1968), onde contracenava com Ramón Valdés, Rubén Aguirre e María Antonieta de Las Nieves.

Los Supergenios de la Mesa Cuadrada

Em 1969 escreveu outro filme para as gêmeas Mili e Pili, La Princesa Hippie (1969), onde tinha também um papel de destaque. No ano seguinte, escreveu e atuou em Las Tres Magnificas (1970). Também escreveu La Guerra de las Monjas (1970), novamente estrelado por Mili e Pili.

Ainda em 1970, atuou em outros três filmes, dos quais não foi roteirista.


Em 1970 também, surgiu o seu programa mais famoso, Chapolin, onde além de interpretar Chapolin Colorado, fazia outros personagens nas esquetes. Chaves, o menino do barril, começaria a ser produzido em 1973 e seria produzido até 1982.


Em 1979 ele voltou a escrever para o cinema, e foi astro (pela primeira vez) do filme El Chanfle (1979), que tinha o mesmo elenco de Chaves em papéis de apoio. Foi um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema mexicano.

O mesmo elenco, com exceção de Ramón Valdéz, também participou da sequência, El Chanfle II (1982).


No cinema, ainda estrelou Don Ratón y Don Ratero (1983), Charrito - Um Herói Mexicano (Charrito, 1984) e Música de Viento (1988). Desde El Chanfle II, Bolaños também foi o diretor dos últimos filmes em que atuou.


Os personagens Chaves, Chapolin, Dr. Chapatin, Chaveco, entre outros, apareceram posteriormente em outros programas, e alguns deles também ganharam versões animadas nos anos seguintes.

Ele também dirigiu a novela Milagro y Magia (1991), criada e estrelada por Florinda Meza, a Dona Florinda, com quem Bolaños começou um relacionamento em 1977 (embora só tenham se casado em 2004.

Antes de Florinda Meza, Roberto Gómez Bolaños foi casado com Graciela Fernández Pierre (entre 1956 e 1977). Foi ela quem fez o uniforme do Chapolin.


Em 29 de novembro de 2014, aos 85 anos de idade, Roberto Gómez Bolaños faleceu, vítima de uma parada cardíaca. Sua última mensagem no Twitter dizia "todo meu amor ao Brasil!".

Conheça também a biografia de Marcelo Gastaldi, o dublador brasileiro de Chaves, aqui.




0 comentários:

Publicar um comentário

Se inscreva no nosso canal no Youtube

Postagem em destaque

A viagem de Clark Gable ao Brasil