Katy Jurado, a primeira latina indicada ao Oscar


A mexicana Katy Jurado foi uma estrela cinematográfica, tanto do seu país, como em Hollywood. Ernest Borgnine, que foi seu marido, dizia que ela era "linda, porém um tigre".


María Cristina Estela Marcela Jurado García nasceu em 16 de janeiro de 1924, na Cidade do México (embora dissesse ser de Guadalajara). O apelido Katy surgiu na infância, e a acompanhou por toda a vida.

Katy era filha de Jurado Ochoa, advogado, e da cantora Vicenta García, contratada pela Rádio XEW (a mais antiga da América Latina), e seu tio Belisario Jesús García foi um grande compositor mexicano. O astro Pedro Armendariz era seu padrinho e Jorge Negrette foi seu padrinho de 15 anos, e seu primo, Emilio Portes Gil foi presidente do México entre 1928 e 1930.

Embora tenha tido uma educação rigorosa em um colégio de freiras, e formada como secretária bilíngue, ela foi convidada por Emílio "El Indio" Fernandez para estrear no cinema em La Isla de La Pasión (1942), quando tinha 17 anos de idade.

Apesar de ser afilhada de astros do cinema mexicano, seus país foram contra o ingresso da filha na carreira artística. Seus pais ameaçaram envia-lá para um colégio interno, e ela então se casou com o ator Víctor Velázquez, para fugir do domínio familiar. Com Velázquez ela teve dois filhos, mas se separaram em 1943, quando ela retornou ao cinema, em No Matarás (1943).

Katy Jurado em No Matarás

No Matáras foi o primeiro de uma série de filmes que exploraram a beleza exótica de Jurado, fazendo dela uma estrela da chamada Era de Ouro do Cinema Mexicano. Mas apesar de ter atuado em 16 filmes em sete anos, o seu salário não era suficiente para sustentar a família, e ela também trabalhava como repórter de rádio, principalmente cobrindo as touradas do país.

Em 1951 o diretor norte-americano Budd Boetticher (que também era toureiro profissional) estava no México, filmando Paixão de Toureiro (Bullfighter and the Lady, 1951). John Wayne, que não estava no elenco, mas acompanhava o amigo na viagem, viu Jurado nos bastidores de uma arena, e se impressionou com a moça. Ele a apresentou para o diretor, que a contratou para o elenco, sem nem saber que Jurado era atriz profissional. A atriz não falava inglês, e decorou as falas foneticamente.

O produtor Stanley Kramer ficou impressionado com sua atuação, e a escalou para atuar no clássico Matar ou Morrer (High Noon, 1952). Jurado teve aulas intensivas de inglês para poder ficar com o papel, atuando ao lado de Gary Cooper e Grace Kelly.


Por este papel ela ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante, e foi indicada ao mesmo prêmio como atriz revelação. Jurado agora era uma estrela em Hollywood, embora ainda atuasse em seu país natal. Katy Jurado se orgulhava deste papel, onde pode interpretar uma mexicana sem esterótipos.

Em 1953 ela estrelou O Bruto (El Bruto, 1953), do cineasta Luís Buñel. No filme, ela contracenava com seu padrinho Pedro Armendariz. Por esta atuação, recebeu o prêmio Ariel (o mais importante do cinema mexicano) de Melhor Atriz.


De Volta aos Estados Unidos, atuou em A Bandeira da Desordem (San Antone, 1953), O Último Guerreiro (Arrowhead, 1953) e Lança Partida (Broken Lace, 1954). Neste último, Jurado interpretava a esposa de Spencer Tracy.


Originalmente o papel havia sido oferecido a Dolores Del Rio, mas perseguida pelo MacChartismo, a atriz não conseguiu autorização para trabalhar nos Estados Unidos, e Jurado foi então selecionada. A crítica ficou impressionada pela atuação da atriz, que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se a primeira artista latina indicada a um Oscar de atuação.


Spencer Tracy e Katy Jurado em A Lança Partida

A atriz ainda trabalhou com Kirk Douglas em Caminhos Sem Volta (The Racers, 1955) e ao lado de Glenn Ford em A Fúria dos Justos (Trial, 1955). Neste filme, ela interpreta a mãe de um rapaz mexicano acusado de estuprar uma garota branca. Este papel lhe deu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante.

Em 1956 ela viajou para à Itália, para atuar no clássico Trapézio (Trapeze, 1956), ao lado de Tony Curtis, Burt Lancaster e Gina Lollobrigida.

Katy Jurado e Burt Lancaster em Trapézio

Na década de 50, Katy Jurado também começou a atuar na televisão, e ainda apareceu nos filmes Blefando a Morte (Man From del Rio, 1956), Pagaram Com o Próprio Sangue (Dragoon Wells Massacre, 1957) e Homens das Terras Bravas (The Bandlanders, 1958). Neste último, a atriz contracenou com Ernest Borgnine, com que se casaria no ano seguinte.

Katy Jurado e Ernest Borgnine em Homens das Terras Bravas

Antes de se casar com Borgnine, a atriz teve relacionamentos com o diretor Budd Boetchier, Tyrone Power e Marlon Brando, que era fascinado por mulheres exóticas. O romance com Brando foi curto, mas a amizade durou anos, e ele fez questão que Jurado atuasse em A Face Oculta (One-Eyed Jacks, 1961), dirigido e estrelado pelo astro.

Katy Jurado, Karl Malden, Pina Pellicer e Marlon Brando em A Face Oculta

Com o marido, Ernest Borgnine, a atriz fundou sua própria produtora, chamada Sanvio Corp. Eles viajaram para à Itália, e firmaram parceria com o produtor Dino de Laurentiis, sendo inclusive produtores do clássico Barrabás (Barabbas, 1961), no qual a dupla também atuou.

Katy Jurado e Anthony Quinn em Barrabás

Em 1961 ela voltou a filmar no México, e passou a residir lá após o conturbado processo de divórcio com Borgnine. Ela só voltaria a filmar nos Estados Unidos quando atuou em Furacão Negro (Smoky, 1966), ao lado de Fess Parker. Depois interpretou a mãe de George Maharis em Tirado dos Braços da Morte (A Covenant with Death, 1967) e foi a madrasta de Elvis Presley em Joe é Muito Vivo (Stay Away, Joe, 1968).

Katy Jurado, Burgess Meredith e Elvis Presley em Joe é Muito Vivo

Na década de 70 ela dividiu-se entre produções mexicanas e norte-americanas. Nesta época, ficou marcada por atuar em Pat Garret e Billy The Kid (Pat Garret & Billy The Kid, 1973) e no mexicano Fé, Esperanza y Caridad (1973), que lhe valeu seu segundo Ariel de Melhor Atriz.

Em 1976 ela interpretou a personagem Chuchupe no filme Pantaleón y Las Visitadoras (1976), baseado na obra do escritor Mario Vargas Llosa, que também dirigiu o filme (em sua única incursão como diretor).

Em 1980, quando filmava La Seducción (1981), seu filho Victor Hugo faleceu em um acidente de carro, no México. Katy cogitou em abandonar a carreira após a tragédia, declarando em entrevista que "Quando meu filho morreu, eu estava filmando no México, e ele levou com ele a metade da minha vida. Eu não podia lamentar como queria. Fui em seu funeral e no dia seguinte já precisei voltar a filmar. Todo dia eu via a câmera e eu a odiava. Dediquei aos filmes um tempo maravilhoso que deveria ter dado aos meus filhos, mas já era tarde demais!".

Ela só voltaria a atuar em 1984, quando John Huston a convenceu a retornar, no filme À Sombra do Vulcão (Under the Volcano, 1984).

Albert Finney e Katy Jurado em À Sombra do Vulcão

Nesta época também, a atriz passou a aparecer eventualmente em novelas mexicanas, como Sigo te Amando (Te Sigo Amando, 1996), que foi exibida no Brasil, pelo SBT. Esta foi sua última telenovela.

Katy Jurado como Justina, na novela Sigo te Amando

A atriz ainda atuou no filme El Evangelio de Las Maravillas (1998), que lhe deu um prêmio Ariel de Melhor Atriz Coadjuvante, e Terra de Paixões (The Hi-Lo Country, 1998), de Stephen Frears.

Seu último trabalho foi no filme Un Secreto de Esperanza (2002), que foi lançado após a sua morte.


Katy Jurado faleceu vítima de uma insuficiência real e pulmonar, em 05 de julho de 2002. Ela tinha 78 anos de idade.

Katy Jurado retratada por Diego Rivera, em 1953


 Charlton Heston e Katy Jurado

Katy Jurado e Rita Moreno




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