Suzy Parker, a primeira super modelo mundial, se tornou atriz


Junto com a sueca Lisa Fonssagrives, Suzy Parker tornou-se a primeira super modelo mundial a receber salários milionários. A bela modelo serviu de inspiração para a personagem de Audrey Hepburn no filme Cinderela em Paris (Funny Face, 1957) e chegou a ser musa dos Beatles, que fizeram para ela a canção Suzy Parker, embora esta nunca tenha sido gravada em um álbum oficial da banda.

Suzy Parker como modelo

Suzy Parker na verdade se chamava Cecilia Ann Renee Parker, e ela nasceu em Long Island, Nova York, em 28 de outubro de 1932. Sua Irmã Dorian Leigh foi uma grande modelo das décadas de 40 e 50. Em 1957 Dorian foi convidada para ingressar na famosa agência Ford Models, mas disse que só assinaria contrato se a empresa contratasse também sua irmã, de 15 anos, para o casting.

Suzy foi contratada pela Ford sem ter uma única foto vista pela agência.

Suzy Parker e Dorian Leigh

A menina, entretanto, agradou Eileen Ford, a fundadora da agência Ford. Logo Suzy tornou-se capa da famosa revista Life, e tornou-se a modelo favorita do fotógrafo Richard Avendon. Ela também assinou contrato para modelar para a lendária Coco Chanel, que se tornou sua amiga e confidente.

Suzy Parker na Life Magazine, em 1957

Logo ela já era uma das modelos mais bem pagas do mundo, sendo a primeira a receber 100 mil dólares por ano (que atualizado para hoje seria equivalente a mais de um milhão de dólares anuais).

A história da super modelo recém descoberta serviu de inspiração para o filme Cinderela Em Paris (Funny Face, 1957), estrelado por Audrey Hepburn. Suzy apareceu no filme, em um número musical, ao lado das modelos Dovima e Sunny Harnett. Foi sua estréia no cinema.

Dovima, Suzy Parker e Sunny Hanertt em Cinderela em Paris

Em seguida ela atuou em um papel de destaque em O Beijo da Despedida (Kiss Them for Me, 1957), disputando o amor de Cary Grant com Jayne Mansfield.


Em seguida ela atuou em ao lado de Gary Cooper em A Casa das Amarguras (Then North Frederick, 1958). Por este papel, ela chegou a ser indicada a um prêmio de atriz revelação, porém teve que interromper sua carreira por período.

A super modelo e atriz sofreu um grave acidente de carro, quando seu veículo foi atropelado por um trem. Ela teve várias fraturas e seu pai morreu no desastre. Mas apesar de ficar muitos meses internadas, a atriz não ficou com cicatrizes aparentes no rosto, retomando sua carreira em 1959, quando atuou no filme Sob o Signo do Sexo (The Best of Everthing, 1959).

No ano seguinte a atriz estrelou Círculo de Decepção (Circle of Deception, 1960), ao lado do galã Bradford Dillman. O casal das telas se apaixonou na vida real. Suzy era legalmente casada com o jornalista Pierre de La Salle, mas já não viviam juntos há alguns anos. La Salle havia abandonado a atriz após ela engravidar de Georgia Belle Florian Coco Chanel de La Salle, que recebeu o nome em homenagem a sua madrinha, a estilista Chanel. La Salle saiu de casa ao descobrir que a esposa estava grávida, e enviou uma babá para ajudar a cuidar da criança, com quem ele não queria contato.

Dillman, na época, também estava em um relacionamento com a atriz e cantora francesa Juliete Grecco. Suzy conseguiu o divórcio de La Salle e se casou com Dillman em 1963. O casal permaneceria juntos até a morte de Suzy, em 2003.

Bradford Dillman e Suzy Parker em Círculo de Decepção

Após atuar em Viver, Amar, Sofrer (The Interns, 1962), Suzy foi diminuindo suas aparições como atriz, para dedicar-se ao casamento, a filha e a criação de suas duas enteadas, filhas de Dillman, que considerava como suas próprias filhas.

Quando gravava uma participação na série Além da Imaginação (Twilligh Zone), ela sofreu outro acidente de carro, ficando novamente gravemente feriada, em 1964. Após o acidente, ela parou de modelar, pois ficou com sequelas que fragilizaram sua saúde.

Antes do acidente, ela havia gravado sua participação no filme Sacrifício Sem Glória (Flight from Ashiya, 1964), ao lado de Yul Brynner.

Yul Brynner e Suzy Parker em  Sacrifício Sem Glória

Ela ainda atuaria no terror Um Casamento Macabro (Chamber of Horrors, 1966) e fazendo participações em séries de TV, como Tarzan, estrelada por Ron Ely, em 1966. Em 1967 sua primeira filha com Dillman foi picada por uma cascavel, no terreno da mansão onde moravam. A menina quase morreu, ficando muitos meses internadas, o que fez Suzy ir afastando-se gradativamente da carreira de atriz.


Suzy Parker e Ron Ely em Tarzan

Ela se aposentou definitivamente após atuar na série Galeria do Terror (Night Gallery), em 1970. Com Dillman, ela teve duas filhas, e passou a dedicar-se ao lar após a aposentadoria. No mesmo ano  em que se aposentou, o grupo The Beatles compôs a canção Suzy Parker, que embora nunca tenha sido lançada em um disco, foi apresentada no documentário Let It Be, que ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora daquele ano.


Como a irmã Dorian, que após deixar a carreira de modelo tornou-se chef de cozinha na tradicional escola Le Cordon Bleu, Suzy era uma excelente cozinheira. Mas ela e a irmã, que também foi atriz, haviam rompido relações há muitos anos, por Suzy não concordar com o estilo de vida boêmio de Dorian.

Em 1977 ela tentou lançar sua filha Georgia como modelo, mas a menina não deu continuidade na carreira após alguns trabalhos.

Suzy e Georgia Parker Dillman, em 1977

A saúde de Suzy Parker nunca mais foi a mesma após o segundo acidente. Ao longo dos anos, ela precisou fazer diversas cirurgias no quadril, desenvolveu alergias e úlceras. Em 1990 ela chegou a ser declarada morta durante uma operação, mas os médicos conseguiram reanimá-la.

Porém, após o incidente, ela também desenvolveu problemas renais, devido a falência dos órgãos na mesa de cirurgia. Ela precisou fazer hemodialise, e também desenvolveu diabetes.

Nos últimos cinco anos de vida, ela praticamente viveu dentro de um hospital. Em 03 de maio de 2003 a atriz faleceu, aos 70 anos de idade.


Leia também:  O galã Bradford Dillman
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Morre, aos 64 anos, o ator e diretor Jorge Fernando



O diretor Jorge Fernando morreu neste domingo, dia 28 de outubro, aos 64 anos, vítima de uma parada cardíaca, no hospital Copa Star, em Copacabana. 
Segundo um amigo da família, o diretor deu entrada no hospital na parte da tarde após se sentir mal. Em nota oficial, o hospital Copa Star afirmou que a parada cardíaca sofrida por Jorge Fernando se deu por conta de uma dissecção de aorta completa e que, apesar dos esforços, não foi possível reverter o quadro. Jorginho, como era conhecido entre amigos e colegas de profissão, ficou 20 dias internado para tratar uma inflamação no pâncreas, em 2016, e sofreu um acidente vascular cerebral em janeiro de 2017. Desde então, lutava para superar as sequelas que ficaram após o AVC.


Filho da atriz Hilda Rabello, Jorge Fernando de Medeiros Rabello nasceu no subúrbio do Rio e iniciou sua carreira na TV como ator, em 1978, na série "Ciranda, cirandinha". 
Jorge Fernando em Ciranda, Cirandinha
Mas foi como diretor que ele ganhou destaque, dirigindo 34 novelas, entre elas "A próxima vítima", "Vamp" e "Sete pecados", além de programas de entretenimento como "Divertics" e "Gente inocente". No cinema, dirigiu Sexo, amor e traição (2004), e atuou nos filmes Alma Corsária (1993), Se Eu Fosse Você (2006), Xuxa Gêmeas (2006) e A Guerra dos Rocha (2008).
Murilo Rosa, Jorge Fernando e Xuxa em Xuxa Gêmeas

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Morre o diretor Mauricio Sherman


Morreu na manhã desta quinta-feira (17), aos 88 anos, Maurício Sherman, um dos pioneiros da TV no Brasil - como ator, produtor e diretor. Segundo a família, Sherman morreu em casa, na Zona Sul do Rio, de complicações decorrentes de doença renal crônica.

Ele trabalhou em diversas emissoras de TV do país, como a Tupi, a Excelsior, a Bandeirantes e a Manchete. Onde lançou as apresentadoras Xuxa e Angélica.
Em várias passagens pela Globo, ajudou a criar o "Fantástico" e dirigiu humorísticos, como "Faça Humor, Não Faça Guerra", "Os Trapalhões" e os programas de Chico Anysio. 

Nascido Maurício Sherman Nizenbaum, em 32 de janeiro de 1931, na cidade de Niterói, Sherman começou a carreira como ator, no teatro, na década de 50. Embora seja um respeitado diretor, só dirigiu um único filme, o documentário Copa 78 - O Poder do Futebol (1979).


No cinema, também trabalhou como ator em diversas ocasiões, no começo de sua carreira. Seu primeiro filme foi Paixão nas Selvas (1955). Ele ainda atuou em Vamos Com Calma (1956), Sherlock de Araque (1957), Gimba, Presidente dos Valentes (1963), Os Cara de Pau (1971), Tormento (1972), Motel (1974) e Banho de Língua (1985). Já consagrado como diretor, retornou ao cinema em Até que Sorte nos Separe (2012), também como ator.

Mauricio Sherman foi casado com a atriz Riva Blance.

Mauricio Sherman, C. Coutinho, Riva Blamce e Modesto de Souza

Na televisão, como ator, estreou no Grande Teatro Tupi em 1952 e em 1961 migou para a direção, dirigndio po programa Alô Doçura (1955). Em 1961 assumiu a primeira versão da novela Gabriela, Cravo e Canela (1961), protagonizada pela atriz Janete Vollu.


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Filho do ator Ron Ely mata a própria mãe e é morto pela polícia


Valerie Lundeen, a esposa do ator Ron Ely, famoso por interpretar o Tarzan na televisão, entre 1966 e 1968, foi morta a facadas pelo filho do casal, Cameron Ely, de 30 anos de idade.

O crime ocorreu em 15 de outubro de 2019, e Valeria tinha 62 anos de idade. Casada com o ator desde 1981, Valerie e Ron Ely tiveram três filhos, Cameron e as gêmeas Kirsten e Kaitland Ely.

Ron Ely e Valerie Lundeen

No dia 15 Cameron desferiu diversos golpes de faca contra a mãe, na residência da família. Posteriormente, ele ligou para a emergência, e acusou o pai de ter matado Valerie. A polícia foi até o local, e encontrou Ron Ely em choque e Cameron escondido na casa. 

Ron Ely, Valerie Lundeen e Cameron Ely

Ron Ely e as filhas

Ao perceber que o rapaz estava armado, a polícia desferiu 24 tiros, matando Cameron na hora. Ron Ely, de 81 anos, foi levado para o Hospital, onde recebeu atendimento médico.

Valerie Lundeen foi eleita Miss Flórida em 1981, ano em que se casou com o ator.

Cameron Ely


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Patricio Bisso, o artista multitalentoso, morre aos 62 anos de idade


O ator, jornalista, figurinista, ilustrador e cenógrafo Patricio Bisso faleceu no dia 14 de outubro, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. Nascido em Buenos Aires, em 01 de janeiro de 1957, Patricio foi um grande artista da cena LGBTQ paulistana na década de 1980.


One-Man Show, Bisso costumava fazer performances travestido, e uma de suas personagens mais populares era a divertida sexóloga Olga del Volga. Ele chegou a levar a personagem para o cinema no longa Olga del Volga (2004), que nunca foi finalizado.

No cinema, estreou em Maldita Coincidência (1979), e atuou em diversos filmes, como Das Tripas Coração (1982), O Homem do Pau-Brasil (1982), Onda Nova (1983), A Estrela Nua (1984), Além da Paixão (1985), Brasa Adormecida (1987) e Dias Melhores Verão (1987).

Patricio Bisso e Rita Lee em Dias Melhores Virão

Também figurinista, fez as roupas do filme O Beijo da Mulher Aranha (1984), no qual também atuou. Patricio Bisso vivia na Argentina, e faleceu aos 62 anos de idade.



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Morre a atriz Esmeralda Barros, a estrela brasileira do cinema italiano


A atriz baiana Esmeralda Barros, que tornou-se estrela internacional na década de 70, faleceu no dia 10 de outubro, poucos dias após completar 74 anos de idade.

Nascida na cidade de Ilhéus, na Bahia, em 06 de outubro de 1945, Esmeralda começou a se destacar no cenário artístico brasileiro na década de 60, como dançarina de Carlos Machado, o rei do teatro de revista.


Em 1964 participou do concurso de beleza do  Clube Renascença, no Rio de Janeiro, cuja vencedora iria participar do concurso do Miss Brasil. Ela ficou em segundo lugar, mas foi suficiente para garantir a Esmeralda convites para atuar no cinema e televisão.


Sua estréia no cinema foi em História de um Crápula (1965), de Jece Valadão. No ano seguinte, atuou no italiano Operação Paraíso (Se Tutte le Donne del Mondo..., 1966), que foi filmado no Brasil. Quentin Tarantino já afirmou em entrevista que este é um de seus filmes favoritos.

Em 1966 Esmeralda atuou na novela Eu Compro Esta Mulher (1966), na Rede Globo. Na Bandeirantes fez a novela Os Miseráveis (1967), mas foi no cinema onde a atriz obteve mais destaque.


Esmeralda foi morar na Itália, onde estrelou diversos filmes. O mais famoso deles foi Eva, A Vênus Selvagem (Eva, la Venere Selvaggia, 1968), ao lado de Brad Harris, um dos reis dos filmes sandálias e espadas italianos.


A brasileira também atuou em diversos westerns spaguetti, os filmes de bang bang italianos. Entre eles Django Contra 4 Irmãos (Anche per Django le Carogne Hanno un prezzo, 1971), O Colt Era o seu Deus (La Colt era il suo Dio, 1972), e Um Homem Chamado Django (W Django, 1971), este último estrelado pelo também brasileiro Anthony Steffen.


Também estrelou o terror O Castelo de Drácula (Il Penilunio delle Vergini, 1973), também feito na Itália.

Esmeralda Barros e Mark Damon em O Castelo de Drácula

De volta ao Brasil, atuou ainda em alguns filmes brasileiros, como Presídio de Mulheres Violentadas (1977), Elas São do Bralho (1977), O Bem Dotado Homem de Itu (1978) e O Caçador de Esmeraldas (1979). Em 1976 estampou a capa da Revista Playboy.

Em 1981, ao lado de Salomé Parísio, atuou na peça Estórias Que Nossas Avós Não Contavam, no Cine Teatro Pica Pau no Largo do Arouche. Seu último trabalho como atriz foi em Uma Esperança no Ar (1985), uma novela feita no SBT.

Desde então vivia reclusa, sem fazer aparições públicas e levando uma vida confortável com o dinheiro feito no cinema italiano. Esmeralda faleceu no dia 10 de outubro, e sua morte foi divulgada por um site especializado em no cinema western italiano, que não informou a causa da morte.

Há alguns anos há atriz sofria de Mal de Parkinson.


Morre o ator Robert Forster, aos 78 anos



O ator Robert Foster faleceu no dia 11 de outubro, aos 78 anos de idade.

Indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Jackie Brown (Idem, 1997), de Quentin Tarantino, o ator possuía quase 200 créditos em filmes e séries de televisão.

Ele estreou no cinema em Os Pecados de Todos Nós (Reflection in a Golden Eye, 1967), estrelado por Marlon Brando e Elizabeth Taylor, e trabalhou com cineastas consagrados, como Gus Van Sant, em Psicose (Psych, 1998), e David Lynch, em Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001). Com Lynch também trabalhou no retorno de Twin Peaks, onde interpretou o xerife Frank Truman, em 2017.


Em 2013 participou de um episódio da aclamada série Breaking Bad, e interpretou o mesmo personagem no filme El Camino (2919), derivado da série. Forster morreu vítima de um câncer cerebral, no mesmo dia em que El Camino estreou nos Estados Unidos.




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Karen Pendleton, do elenco original de Clube do Mickey, morreu aos 73 anos de idade


Karen Pendleton, que fez parte da formação original do Clube do Mickey (The Mickey Mouse Club, 1955-1958), do qual também faziam parte Tommy Kirk e Annette Funicello (a futura rainha dos filmes da turma da praia) faleceu no dia 06 de outubro, aos 73 anos de idade.


Karen Anita Pendleton nasceu em 01 de julho de 1946, em Glendale, Califórnia. Ela tinha oito anos de idade quando ingressou no programa, sendo uma das mais novas integrantes.

Em 1956 atuou em um único filme, A Odisseia do Oeste (Westward Ho, The Wagons!, 1956), uma produção dos Estúdios Disney, estrelada por Fess Parker (o Daniel Boone).


Karen Pendleton em A Odisseia do Oeste

Com o fim do programa em 1958, ela deixou de atuar. Em 1970 ela se casou, e teve uma única filha. E em 1983 sofreu um acidente de automóvel, que a deixou paraplégica.

Após o acidente, voltou a faculdade e formou-se em psicologia, fazendo posteriormente um mestrado. Karen trabalhava em tempo integral em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica.

Karen Pendleton, em foto recente


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Miyoshi Umeki, a primeira asiática a vencer um Oscar de atriz


Nos últimos anos, uma sadia e necessária discussão tem levando em consideração a representatividade na escolha dos vencedores do Oscar, e aos poucos, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vem tentando equilibrar o jogo. Cada vez mais artistas negros, latinos e cineastas mulheres, vem conquistando seu espaço entre os agraciados, embora a balança ainda seja bastante desigual.

Nos quase cem anos anos da premiação, apenas duas artistas orientais foram agraciadanas na categoria de atuação, a japonesa Miyoshi Umeki, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 1957, por Sayonara (Idem, 1957) e a sul coreana Yuh-Jung Youn (também na categoria de melhor coadjuvante), pelo trabalho em Minari - Em Busca da Felicidade (Minari, 2020). Yuh-Jung Youn recebeu o prêmio 63 anos depois de Miyoshi Umeki.


Yuh-Jung Youn



Antes de Miyoshi, apenas Merle Oberon, nascida na Índia, mas com carreira consolidada na Inglaterra, havia sido indicada ao prêmio, em 1935.



Miyoshi Umeki

Nascida em Otaru, no Japão, em 08 de maio de 1929, Miyoshi Umeki foi uma cantora e atriz japonesa. Após a Segunda Guerra Mundial, ela começou a cantar em boates no Japão, usando o nome de Nancy Umeki. Suas influências artísticas mesclavam o tradicional teatro Kabuki e a música pop norte-americana.

Em 1950, contratada pela RCA japonse, gravou seu primeiro disco, e tornou-se uma popular cantora em seu país. Suas gravações tinham influência do jazz, e ela cantava tanto em japonês como em inglês.

Miyoshi Umeki cantando


Em 1951 ela estreou no cinema japonês, atuando em Uchôten Jidai (1951). Ela ainda faria mais um filme em seu país, antes de viajar para os Estados Unidos, em uma turnê. Suas apresentações na televisão norte-americana a tornaram famosa no país.

Em 1956 ela apareceu em um curta metragem da Universal, que ainda tinha no elenco Dorothy Toy e Paul Wing, considerados os "Fred Astaire e Ginger Rogers Orientais". O diretor Joshua Logan gostou de seu desempenho, e a chamou para atuar em seu próximo filme, Sayonara (Idem, 1957).

Baseado no livro de James Michener, o filme mostrava o major Lloyd Gruver (interpretado por Marlon Brando), que era contra o casamento entre militares estadunidenses com mulheres japonesas, mas que se vê diante de um dilema ao se apaixonar pela bela Hana-Ogi (papel de Miiko Taka). Miyoshi interpretava uma outra mulher oriental, amiga da protagonista.

Marlon Brando e Miiko Taka em Sayonara

Marlon Brando, Miiko Taka, Miyoshi Umeki e Red Buttons em Sayonara

Por seu trabalho, Miyoshi Umeki foi indicada ao Oscar de Melhor atriz Coadjuvante, e acabou agraciada com o prêmio. Usando um tradicional quimono, ela recebeu o prêmio das mãos de Anthony Quinn.

Assista Miyoshi Umeki recebendo seu Oscar,
com legendas em português

Mas apesar de receber um dos prêmios mais importantes do cinema, novos convites não surgiram. Não haviam muitos papéis para orientais em Hollywood, e muitos deles, quando existiam, eram ocupados por atores caracterizados, com pesadas (e caricatas) maquiagens, a chamada "yellowface". Mesmo em Sayonara, Ricardo Montalban aparecia interpretando um japonês.

Ricardo Montalban em Sayonara

Marlon Brando, seu colega de Sayonara, também havia atuado, pintado de japonês, no ano anterior, em Casa de Chá do Luar de Agosto (The Teahouse of the August Moon, 1956). A prática, hoje condenável, era muito usada na indústria do cinema.

Exemplos de Yellowface em Hollywood: Mary Pickford, Mickey Rooney. Katharine Hepburn, Jennifer Jones e Marlon Brando

Sem trabalho no cinema, Miyoshi Umeki foi para a Broadway, atuar em Flower Drum Song, que lhe valeu um prêmio Tony. Ela repetiu o papel em Flor de Lotus (Flower Drum Song, 1961), que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro. Era seu segundo filme norte-americano, quatro anos depois de ganhar um Oscar. E apesar de ter muitos atores de origem oriental, como Nancy Kwan e James Shigeta (que era havaiano), o filme também utilizou-se da yellowface, pintando o rosto da atriz negra Juanita Hall, que apesar de ser um grande nome da Broadway, teve uma carreira muito curta no cinema.

Benson Fong e Juanita Hall, em Flor de Lotus

Miyoshi Umeki e James Shigeta em Flor de Lotus

Ela só seria convidada para atuar em mais três filmes: Uma Certa Casa de Chá em Kyoto (Cry for Happy, 1961), O Tenente Boa Vida (The Horizontal Lieutenant, 1962) e Uma Garota Chamada Tamiko (A Girl Named Tamiko, 1962).

Ela ainda atuaria esporadicamente em algumas séries de televisão, e teve um personagem fixo na série The Courtship of Eddie's Father (1969-1972), estrelada pelo futuro astro da série Hulk, Bill Bixby. Como em todos os papéis em que atuou, Miyoshi Umeki interpretava a empregada oriental.

Miyoshi Umeki e Bill Bixby

Decepcionada com os rumos de sua carreira, ela abandonou a vida artística quando a série foi cancelada, em 1972. A atriz faleceu em 28 de agosto de 2007, aos 78 anos de idade, sem nunca mais ser chamada para atuar ou receber qualquer tipo de homenagem.


Os orientais no Oscar

Se desconsiderarmos as categorias técnicas, como figurino, maquiagem, fotografia, e etc, e levarmos em conta apenas as chamadas premiações principais (melhor ator, melhor atriz, melhor diretor e atuações de coadjuvantes), a lista de indicados também é pequena.

Merle Oberon é considerada a unica oriental indicada na categoria Melhor Atriz, pelo filme O Anjo das Trevas (The Dark Angel, 1935). Nascida na Índia, onde viveu até os 17 anos, Merle tinha descendência polinésia, mas desenvolveu toda a sua carreira na Inglaterra. Se considerarmos que Olivia de Haviland nasceu no Japão, em 1916, podemos dizer que ela seria a segunda oriental a ser indicada ao Oscar, porém, filha de ingleses, a atriz não tem nada de origem oriental, a não ser a localização geográfica de seu nascimento.

Na categoria melhor ator, apenas o israelense Topol foi indicado, em 1972, por seu trabalho em O Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof, 1971).

Topol e Merle Oberon, nos filmes que lhes rendeu uma indicação ao Oscar

As categorias de Coadjuvantes já possuem um maior número, embora modesto, de orientais indicados. Miyoshi Umeki e Sessue Hayakawa foram indicados em 1957, ela por Sayonara (que lhe rendeu o Oscar) e ele por A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957). Hayakawa, dos indicados na categoria coadjuvante, foi o artista com a carreira mais bem sucedida.


Abaixo a lista dos indicados nas categorias de coadjuvantes, e seus respectivos trabalhos.

Melhor Ator Coadjuvante:

Sessue Hayakawa, nascido no Japão, indicado por A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai, 1957);
Mako, nascido no Japão, foi indicado por O Canhoneiro do Yang-Tsé (The Sand Pebbles, 1966);
Haing S. Ngor, nascido no Cambodja, venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields, 1984);
Ken Watanabe, nascido no Japão, indicado por O Último Samurai (The Last Samurai, 2003).

Sessue Hayakawa, Mako, Haing S. Ngor e Ken Watanabe

Melhor Atriz Coadjuvante:

Miyoshi Umeki, nascida no Japão, venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Sayonara (Idem, 1957);
Shohreh Aghdashloo, nascida no Irã, foi indicada por Casa de Areia e Névoa (House of Sand and Fog, 2003);
Rinko Kikuchi, nascida no Japão, foi indicada por Babel (Idem, 2006).

Miyoshi Umeki, Shohreh Aghdashloo e Rinko Kikuchi

Se desconsiderarmos Olivia de Havilland, apenas nove atores orientais foram indicados ao Oscar por atuação, e somente dois, coadjuvantes, foram vencedores, Miyoshi Umeki e Haing S. Ngor. Tal como Umeki, Haing S. Ngor não teve grandes chances no cinema após a premiação, e em 25 de fevereiro de 1996, o ator foi assassinado durante um assalto, morrendo aos 55 anos de idade.

Haing S. Ngor

Na categoria melhor diretor, apenas três receberam indicação ao Oscar (não levando em consideração a premiação de Melhor Filme Estrangeiro). São eles, os japoneses Hiroshi Teshigahara (1964) e Akira Kurowawa (1985) e Ang Lee, nascido em Taiwan, indicado três vezes, e vencedor do prêmio em duas ocasiões (2005 e 2012).



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